Tinta
O mundo que passava lá fora já parecia desconhecido - casas desconhecidas, estradas desconhecidas, campos desconhecidos, mesmo as árvores e o céu pareciam desconhecidos - , mais Meggie estava acostumada com isso. Ela nunca se sentiria realmente em casa
braços e ombros. chegam-me.
depois
a respiração, os olhos, dedos e lábios.
Desvarios. E o sol.
Os dedos novamente, as pernas, a saia.
A garganta. Algumas lágrimas.
Desejos.
Tudo quase nada
dá-me algo que arda
um verão, o fogo ou a boca
para por momentos esquecer
até a tua boca e chamas
tudo tudo quase nada irremediavelmente perdido
Interrompemos aqui a emissão para uma notícia de ultima hora
Uma epidemia de beijos está a espalhar-se rapidamente pelo país e começa já afectar Espanha e as ilhas. Nas ruas toda a gente se abraça e beija indiscriminadamente. Os hospitais estão cheios de pessoas aos beijos. Há engarrafamentos em quase todas as esquinas porque as pessoas saem dos carros para beijar e serem beijados.
Por todo o lado há bocas que se abraçam.
Há um fogo imenso
que quase conheço.
Deito-me a seu lado
e quando os olhos arderem
devagar, beija-me.
A manhã estava cinzenta. Uma névoa pairava sobre os campos e as colinas, e Meggie teve a impressão de que as sombras da noite haviam se escondido entre as árvores.
Quando se sentir quebrado, lembre-se que todas as suas peças continuam ali, inclusive sua felicidade
“Existem sons maravilhosos. O canto dos pássaros sobre a praia, a música preferida, o grito do oceano. Mas nenhum som é mais maravilhoso do que a batida do coração de quem amamos.”
O colorido da vida pintado na parede de casa.
Feito tinta eu sorrio para os móveis.
Feito vida eu escolho a cor da tinta.
Feito brisa de mar eu deito no chão da sala.
Na parede de casa, o colorida da vida.
Como a chuva não cessasse de cair em caudais,
Tiras de tinta começaram a aparecer na fotografia
O tecto da chuva rompera o abrigo da sua alma
E o verde circulava a deriva rompendo as plantas.
Elvira deixara cair seus olhos de objectiva nas
Folhas verdes. Verificava que era sobre elas e como
Elas que sempre olhara a natureza. Ver o real
Em folhas era amá-lo ininterruptamente. Essa
Contiguidade acabara por compor uma rede
Que tinha tanto de próximo como de diferente,
E a chuva não era chuva, transparecia. Eis, pensou.
Por que chove na fotografia, por que chove
Em correntes sobre as folhas?
De nada adianta todo o esforço da caneta em escrever, se o papel não quer absorver a tinta… E na esperança a fé insiste que a mão seja mais persistente que o papel…
E com tinta colorida, ela continua pintando a vida. Cores marcantes, cores vibrantes, segue adiante pintando seus sonhos....
