Textos Vc Nao foi Homem pra Mim

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Eu não decidi sair da sua vida por acaso.
Nada foi impulso, nada foi fraqueza. Houve um planejamento silencioso, construído a partir de gestos, ausências e escolhas que não foram minhas. Você mesmo desenhou o caminho e, dia após dia, deixou claro onde eu não cabia mais.


Eu apenas tive a coragem de seguir a estrada que você apontou. Permanecer teria sido insistir onde não havia lugar, aceitar migalhas onde eu oferecia inteireza. Não saí por falta de amor, saí por excesso de lucidez.

UMA NEGRA


A negra não precisa
se pintar pra ser bonita.
A sua beleza é natural,
pelo Soberano foi esculpida.
A negra não precisa ser sensual
pra ser notada,
ela já é uma mulher,
uma linda fada.
Um ébano, uma beleza.


Ela veio de Luanda,
És uma negra.
Cabelo rastafari,
Black, Transado,
cortado ou alisado.
Ela usa do jeito que quiser.
Antes de ser cidadã,
ela é mulher.


Falo dela tanto no verbal
quanto na escrita,
pois ela é a minha favorita.

Lembranças...


Não dê vida a uma situação problemática que já foi RESOLVIDA.
Não traga a lembrança o que lhe causou DOR e SOFRIMENTO.
Traga a memória tudo aquilo que lhe AGRADA e o que há de BOM.
Já o que DESAGRADA, deve estar no mar do esquecimento, pois não merece nem o seu TEMPO e nem o seu LAMENTO.

⁠As vezes me pergunto se realmente te amo, ou se o que eu senti não foi apenas ressaca moral.
Porque me entreguei tanto em alguns momentos, e em outros neguei tanto o que eu sentia.
E dormia, sonhava e acordava pensando em você. E detestava te amar tanto assim.
Mas em outros momentos me esquecia de você.
Ou não sentia nada ao mencionar seu nome.
E me sentia egoísta, por te deixar morrer aos poucos dentro de mim.

​O Salmo do Descanso Eterno


​Senhor, proteja este corpo que não foi feito para o fardo,
Afasta de mim o despertador e todo trabalho que seja árduo.


Livra-me da entrevista, do currículo e da seleção,
E que eu nunca caia na tentação da tal "prospecção".


​Pai, Te peço com fé, num clamor quase mudo:
Que nenhuma porta se abra, que o cadeado segure tudo!


Se uma vaga surgir, que o RH perca o meu contato,
Que o LinkedIn trave e que o Wi-Fi morra no ato.


​Se alguém vier falar em "vestir a camisa" e "suar",
Dê-me forças, Senhor, para eu nem do lugar me levantar.


Que a semana transcorra num eterno e doce cochilo,
E que minha única meta seja manter o meu estilo tranquilo.


​Barre todo convite que me exija prontidão,
Pois meu corpo é de descanso e minha alma é de folgação.


Que o sustento venha por sorte, por herança ou por acaso,
Pois para o trabalho, Pai, eu sempre estarei cansado.


​Que a rede balance e que o sol não me frite,
E que, se o emprego bater, meu santo logo o evite,
Amém.

Há amores que não pedem casa, pedem abismo. O nosso foi assim: intenso, especial, mas inabitável. Não por falta de sentimento, mas por excesso de medo. Não por ausência de amor, mas por incapacidade de o sustentar no mundo real. O que existiu entre nós nunca foi pequeno... apenas nunca encontrou chão.

Nós nos amamos no território onde tudo é permitido: na palavra, na promessa, na eternidade abstrata do “para sempre”. Ali, o amor era livre, belo, absoluto. Mas quando se aproximava da vida concreta (do tempo, das escolhas, das consequências) ele recuava, tremia, se escondia. Amar, para nós, não era encontro: era vertigem.

Você me amou sem me escolher. Eu te escolhi sem poder te ter. E nesse descompasso, criamos um laço feito de presença e ausência, de retornos e fugas, de silêncios que gritavam mais do que qualquer declaração. Não foi mentira. Também não foi completamente verdade. Foi sentimento sem morada.

O que nos uniu não foi a possibilidade de ficar, mas a impossibilidade de partir por completo. Eu fui o lugar onde você sentia sem precisar decidir. Você foi o lugar onde eu esperava sem poder avançar. Um amor clandestino não por traição apenas, mas por existir fora do tempo certo, fora da coragem necessária.

E ainda assim, isso não me diminui. Nem te transforma em vilã. Mas nos impede de seguir.

Porque há amores que não adoecem por falta de afeto, e sim por falta de destino. Eles não morrem... suspendem. Ficam pairando como uma música bonita demais para ser interrompida, mas dolorosa demais para ser repetida.

Talvez seja isso que fomos: um amor real demais para ser esquecido, e impossível demais para ser vivido. E amar assim é belo, mas ninguém mora no abismo.

Não vivo uma boa fase da vida.
E talvez esse seja o maior problema:
já não sei mais quando foi a última vez
em que a vida realmente me habitou.
Os dias passam,
mas não deixam marcas boas.
Só acumulam cansaço.
Um cansaço antigo, profundo,
que não some com descanso
porque não vem do corpo —
vem da alma.
Estou brigado com quase toda a minha família.
Não por ódio,
mas por desgaste.
Por palavras ditas tarde demais
e silêncios longos demais.
O presente cobra explicações,
o passado cobra perdão,
e eu não tenho forças para pagar nenhum dos dois.
Perdi o trabalho.
E junto com ele,
perdi a sensação de utilidade,
de pertencimento,
de dignidade.
Quando não se tem mais um lugar claro no mundo,
qualquer lugar vira fuga.
Passei a sair de casa como quem foge de um incêndio invisível.
Coloco a mochila nas costas
— às vezes vazia, às vezes pesada —
e pego um ônibus qualquer.
Não importa o número,
não importa o destino.
O movimento engana a dor por alguns minutos.
Enquanto o ônibus anda,
parece que a vida também anda.
Mas quando desço,
tudo continua exatamente igual.
Tento me enganar.
Tento enganar os outros.
Finjo que estou resolvendo coisas,
que estou sendo útil,
que estou indo atrás de algo.
Mas, no fundo,
só estou tentando adiar o momento
de encarar o que me dói.
As pessoas dizem que eu sou louco.
Talvez porque eu suma.
Talvez porque eu não saiba explicar
o que acontece dentro de mim.
Às vezes, eu mesmo começo a duvidar da minha sanidade.
Porque não é normal se sentir tão deslocado
mesmo estando rodeado de gente.
Não é normal carregar tanta tristeza
sem saber exatamente onde ela começou.
Eu não quero morrer.
Mas também não sei mais como viver assim.
Existe um espaço estranho entre essas duas coisas
— um lugar onde a pessoa apenas aguenta.
E é lá que eu moro hoje.
O que eu queria
não era luxo,
nem reconhecimento,
nem vitória.
Eu só queria um lugar tranquilo.
Um lugar onde eu pudesse descansar em paz
sem precisar fugir,
sem precisar provar,
sem precisar ser forte.
Queria um lugar
onde o passado não gritasse,
onde o presente não cobrasse,
onde o futuro não assustasse.
Queria silêncio.
Queria pausa.
Queria alívio.
Porque viver assim,
carregando tudo sozinho,
se sentindo errado,
cansado,
perdido…
isso também machuca.
Só não deixa cicatriz visível.

A QUEM BUSCO

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Quero gente que seja quem foi ontem;
que amanhã não terá se dissolvido,
resolvido que não se resolver
é a fuga ideal de seus conflitos...
Não me quero nas teias inconstantes
de quem nunca será como revi,
tem um i que não sabe se tem pingo
e seu antes não cola no depois...
O que busco é quem sabe de si mesmo;
já se achou e portanto encontrarei;
saberei por que atalho posso ir...
Sonho gente que habita o próprio ser,
que se deixa saber a cada olhar;
cada vez; cada som; cada silêncio...

Não há ideia que nasça no amanhã.
O que chamamos de hoje já foi pensado ontem
e, mesmo assim, chega atrasado.
Arquivamos decisões como quem acredita
que o tempo obedece prazos.
Mas o hoje não executa promessas,
apenas revela o que foi adiado.
Não existe ideia antecipada,
existe coragem ou fuga.
O amanhã não cria —
ele apenas expõe
o que o hoje teve medo de fazer.
Quem vive esperando o momento certo
descobre tarde demais
que o tempo não espera ideias,
apenas passa
e cobra.

São os últimos dias de 2025 e, acima de tudo, eu vibro gratidão. Não foi um ano perfeito, mas foi um ano vivo, intenso, verdadeiro. Foram muitos os motivos para agradecer a Deus. Eu sinto gratidão, alívio, expectativa e fé. Aprendi muito. Aprendi a acreditar mais em mim, a respeitar meus limites, a lidar melhor com aquilo que não depende das minhas mãos. Aprendi a não absorver o que não agrega e a me afastar, com serenidade, do que me diminuía. Enfrentei medos e angústias, olhei para dores antigas e, mesmo machucada, segui em frente. Rompi padrões negativos, encerrei ciclos que já não me cabiam e iniciei outros, ainda em construção, mas cheios de esperança. Chorei meus problemas e também sorri minhas vitórias. Cai e levantei. Perdi e ganhei. E, em tudo, Deus esteve comigo. Hoje, meu coração bate com força de fé e gratidão. Eu creio em um fechar de ano com chave de ouro. Creio em um novo ano como o ano da virada, da grande virada, na qual eu me escolho com mais coragem, me acolho com mais carinho e sigo com mais confiança no que Deus prepara para mim.
Que venha o novo. Eu estou aqui: inteira, grata e em paz com o que deixo e com o que começo.


Josy Maria 30/12/2025


Frases, textos e citações by Josy Maria

Aprendeu o que era liberdade quando, pela primeira vez, nomeou as suas prisões.
Não foi um gesto suave: foi uma descoberta dura, como arrancar uma raiz que já se enraizou no peito.
Viu que ignorância não é ausência de saber, mas uma cela que nos impede de ver o mundo inteiro; que hipocrisia é a máscara que nos rouba a face e nos faz viver em duplicidade; que avareza transforma o coração em cofre e a vida em cálculo; que ambição sem limite é uma corrente que puxa para longe do que importa.
Reconheceu também as prisões mais íntimas: o ódio que corrói, a vergonha que paralisa, a vingança que envenena qualquer possibilidade de recomeço.
Liberdade, então, deixou de ser palavra vazia e passou a ser tarefa: desfazer nós, abrir portas, aceitar a dor do corte para que a respiração volte a ser inteira.
Não é fuga. É escolha. É olhar para dentro e recusar o que nos reduz. É aprender a viver sem trancar a própria alma.
A verdadeira liberdade não chega como presente. Nasce do trabalho de reconhecer cada prisão, nomeá‑la, enfrentá‑la e, quando possível, perdoá‑la.
Quem faz isso não se torna imune ao medo, mas deixa de ser prisioneiro dele.
E nessa saída, encontra-se o espaço onde a vida pode, enfim, ser vivida com coragem e verdade.
Aprendeu o que era liberdade quando descobriu quais eram Suas prisões.

Calma, não me mate... ainda =)

Que mês incrível que passamos juntos! Cada segundo foi único e incomparável... Desde aquele domingo, até hoje e continuará sendo.

Passou rápido, como todos os nossos momentos juntos. Tudo isso fez com que eu percebesse como um grande estalo, a mulher que eu quero ao meu lado todo o tempo. Encontrar uma pessoa com gostos parecidos com os meus, com idéias, um sorriso encantador, um olhar meigo e doce é um das melhores coisas que já me aconteceram!

Que venham os próximos meses tão bom ou melhores que este que passou!

Agora pode me matar... ou ficar muito feliz...

Hoje pensei em você, sei que o quê vivemos não foi certo
"Ficar" com você foi errado, eu sei
Mas, foi tão bom te conhecer
Apesar de não ter sido correto, não me arrependo de nenhum segundo que estive em seus braços
Nunca tinha vivido uma aventura tão excitante na minha vida
Cada minuto que passei com você, me fez perceber que eu sou boa o suficiente
Que eu mereço estar com alguém
Nem acredito que o quê vivemos teve que chegar ao fim
As vezes, me pego pensando em você
Será que ainda pensa em mim?
Será que você ainda sente a minha falta?
Será que pensa em me procurar?
Será que algum dia a vida vai nos colocar no mesmo caminho?
Será que signifiquei algo pra você
Espero do fundo do meu coração, que eu tenha sido algo bom que você viveu
Espero que nunca me esqueça
Espero que nunca esqueça, como foi bom me beijar
Espero que nunca esqueça, como foi bom me ter em seus braços
Espero que nunca esqueça como foi fazer parte da minha vida
Espero que tenha boas lembranças, dos nossos momentos juntos
Espero que lembre de mim, com carinho e com saudades
Do mesmo jeito que eu lembro de você
Eu sinto sua falta sempre


26 de Dezembro de 2025

Eduarda


Não foi o acaso que me fez te encontrar,
foi o tempo sendo delicado comigo.
Entre trabalho, suor e dias comuns,
teu olhar atravessou o meu
como quem pede silêncio para entrar.


Na virada do ano,
enquanto o mundo celebrava promessas em voz alta,
nós caminhávamos em calma
no calçadão da Ponta Negra,
e ali, sem fogos dentro de nós,
algo muito maior explodiu:
o sentir.


Teu perfume ficou gravado na memória
como uma assinatura que não se apaga.
Teu abraço… ah, teu abraço
foi breve, mas suficiente
para ensinar ao meu coração
onde ele gostaria de morar.


Não te toquei além do permitido,
não te pedi além do momento,
mas dentro de mim nasceu um desejo honesto:
o de estar perto,
o de cuidar,
o de sentir tua presença
como quem encontra abrigo
depois de um longo caminho.


Há sentimentos que não gritam, Eduarda.
Eles se revelam no cuidado,
no pensamento que insiste,
na saudade que nasce
mesmo antes da ausência.
E se hoje escrevo,
não é para te pressionar,
mas para te confessar com verdade:
desde aquela noite,
meu coração aprendeu a te procurar
em tudo que é bonito, calmo e sincero.


Se um dia quiseres caminhar de novo ao meu lado,
saibas que não te ofereço pressa,
apenas presença.


Não te ofereço promessas vazias,
mas um sentir que cresce,
respeita
e permanece.
Porque às vezes,
o amor não começa com um beijo…
começa com um abraço
que nunca mais sai da gente.

"⁠O amor que eu sinto por você não pode ser avaliado em dinheiro, na verdade, ele foi pago com muita dor e sofrimento, eu paguei a sua felicidade com a minha dor. Então quando, eu digo que te amo não é da boca para fora. Acredite, eu seria capaz do impossível para te fazer feliz⁠"

Hoje eu sei que não preciso mais pagar com dor.
Hoje o amor que eu vivo é troca, é riso, é leve, é presença.

O Cárcere do Ontem
O relógio não perdoa o que foi breve,
O instante, fugaz, não se repete.
O ontem é cinza que o vento atreve,
E o tempo, severo, jamais se compromete.
Pode a vida trazer nova oportunidade,
Mas o brilho de outrora não volta ao lugar;
Quem vive de sombra perde a claridade,
Deixando o agora no abismo expirar.
A mente, cativa de um tempo vencido,
Ignora o presente, no vácuo flutuando,
Idealiza um futuro por medo tingido,
Enquanto a alma segue adoecendo e parando.
O receio do erro virou armadura,
A autossabotagem se faz soberana;
A vontade de agir se torna tortura,
Presa na teia da mente que engana.
Vazios repletos de entulho e memória,
Lixo tóxico que o peito consome.
Escrevemos o rascunho de uma vã história,
Onde o "eu" verdadeiro não tem rosto ou nome.
Nascemos no nada, buscando o saber,
Morremos tentando o mundo entender...
Mas na busca incessante por tanto aprender,
Esquecemos a meta de nos conhecer.


Poesia de Islene Souza

O poço não é o fim do caminho, é muitas vezes o começo do propósito.
José foi lançado no poço pelos próprios irmãos, rejeitado e esquecido,
mas o fundo não o matou — o fundo o preparou.
Enquanto jogavam terra, Deus firmava raízes.
Cuidado com as palavras, porque a boca fala do que o coração carrega.
Provérbios nos lembra que a língua tem poder de vida e morte,
e a ironia que sai fácil pode ferir mais do que a espada.
Quem zomba hoje pode precisar do perdão amanhã.
Davi foi humilhado antes de ser rei,
Daniel foi lançado na cova antes de ser honrado,
Jonas desceu às profundezas antes de obedecer.
A Bíblia mostra: Deus trabalha no silêncio do fundo.
Quem pensa que o fundo do poço é o fim
ainda não entendeu que Deus transforma valas em altares
e lágrimas em testemunho.
Enquanto jogam terra, Deus faz nascer.

Eu engoli as palavras
Na minha barriga fez um nó
Se eu não nasci para isso, não sei quem foi
Olha, eu vejo bem esses olhos
Sei que estão chegando ao fim
Olha eu não sou daqui, também não sei de onde vim
Consegui uma casa, um trabalho, um amor
E posso me orgulhar
Mas minha alma, mesmo grata, as noites quer voar
Eu amo você, não teria para onde de ir
Além de onde a mente pode me levar
E a loucura que é viver a vida
Como um do sonho
Por um sonho
Eu vi em cada poro a gota de suor
Eu senti nas curvas do seu rosto cada milagre
Mas não há nada que se possa provar
Como eu não vou enlouquecer?
Como eu não vou enlouquecer?
Me dê forças ao menos para parecer normal
Pois já demoli os muros do que pode ser real
Não tenho mais nada que se possa provar
Eu não sou nada que se possa provar
Nem mesmo minha fé, nem mesmo eu
Eu nem sei o que sou
Ou se existo
Nem sei o gosto do meu lábio
Eu só sei que vou seguir em frente
Custe o que custar
E camuflar minha loucura
Que me consome
Que me mata e me dá vida
Enquanto eu respirar.

⁠Mãe
Desde do dia em que se foi minha vida não é mais a mesma, tudo perdeu o sentindo, eu não sei como seguir, eu tô só vivendo, levando a vida como Deus quer.
Eu tô sozinha, sempre me sentia só, mas hj eu realmente tô sozinha.
Ninguém pergunta por mim, ninguém liga pra saber como eu tô, se estou bem o elo acabou.
Meu único motivo de está aqui ainda nesse mundo é a Laura é por ela que eu ainda insisto em viver.
Talvez só ela que me ame e por ela continuo aqui.

Existe alguém que sempre foi cobrado por não se abrir. Dizem que é fechado, frio, distante. Mas quando resolve deixar escapar um pouco do que carrega por dentro, o resultado não é acolhimento — é confusão. Palavras atravessadas, julgamentos rápidos, olhares que pesam mais do que deveriam. Aprende, da forma mais dura, que o silêncio incomoda… mas a verdade incomoda ainda mais.
Também fica claro que não é permitido ser quem se é. Não pode gostar do que gosta, nem escolher o que escolhe, nem sentir do jeito que sente. Tudo vira motivo para comentários, apontamentos, distorções. Cada passo fora do esperado parece um erro, cada tentativa de liberdade soa como afronta. Com o tempo, a vontade de explicar vai se perdendo, porque explicar nunca foi suficiente.
Hoje, resta um conceito simples, quase vazio, mas pesado: estar na terra para servir. Não para ser entendido, nem celebrado, nem feliz — apenas para cumprir expectativas, não atrapalhar, não causar ruído. Serve em silêncio, porque o silêncio cansa menos do que lutar contra interpretações que já nascem prontas.
Viver, agora, não faz questão. Não carrega planos nem promessas. É apenas existir no modo automático, respirar enquanto ainda houver fôlego, acordar porque o corpo acorda, seguir porque o tempo segue. Não há desespero explícito, apenas um cansaço constante, desses que não gritam, mas também não passam.
E assim continua: respirando. Não porque a vida seja leve, mas porque ainda não acabou. Não porque exista esperança clara, mas porque o ar insiste em entrar e sair do peito. Está ali — não inteiro, não pleno — apenas presente, enquanto houver fôlego.