Textos sobre Tempo

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Se por ventura a cor desbotar
e um céu azul aparecer
não te demores
é tempo de colheita
de bons ventos
de boas aguas
pois o que parece fim
é estranho dizer
renasce
floresce e cresce
ainda mais próximo do verão
pois todos verão
de onde nada poderia vir
surgir o novo, colorido, pintado a mão
pelo dono da vida
que tão sutilmente chamou sua obra
de amanhã...

Sobreviver, minha doce criança, é assassinar sonhos,
enquanto o tempo embaralha o destino com os tentáculos amargos do acaso,
as cores percorrem o mundo e são capturadas pelo
cansaço.
Restando, então, telas em preto e
branco,
não para serem coloridas, mas para esquecermos que
um dia já existiram tons azuis em
nossos
céus.

O que fica




O que fica depois do tempo,
É o toque que não foi vento,
É o amor que fica mesmo
Quando o corpo já se foi...




Fica o som da tua risada
Pendurada na varanda,
Fica o cheiro na lembrança,
Fica o rastro do que eu fui...


Fica o gesto em tua xícara,
O café que nunca esfria,
Fica a calma e a ventania,
Fica o canto que te inclui...




Fica o que a pressa não levou,
O que o tempo não varreu,
Fica a fé no que restou,
Do que é teu, do que é meu...




Fica o sol na tua sombra,
O abraço que desdobra,
Fica o sim que o medo ouvia
Mas fingia que não via...


Fica a paz no improviso,
Fica o passo sem aviso,
Fica o amor que não precisa
De promessa pra existir...




Fica o que a pressa não levou,
O que o tempo não varreu,
Fica a fé no que restou,
Do que é teu, do que é meu...




E se um dia eu me perder de mim,
Segue o som, segue o jardim...
A flor só floresce onde há espera,
E o amor só vive se for primavera...




Fica o que a pressa não levou,
O que o tempo não varreu,
Fica o amor que resistiu,
Mesmo quando tudo ardeu...




O que fica depois do tempo
É o toque que não foi vento...
É você.

Ela é a combinação que o tempo demorou para explicar.
Inteligente, determinada e cheia de propósito.
Compreensiva sim, mas sem abrir mão da sua personalidade, dos seus valores, das suas convicções...
Linda por dentro e por fora, ainda mais porque escolheu ser luz e não sombra.


Rara. Real. Insubstituível.

Desacelera


Desacelera, há um tempo

Determinado para todas as

Coisas


A semente plantada

Germina, cresce, amadurece

E dá os seus frutos

Tudo tem seu tempo

Somente posso plantar

Regar e cuidar e esperar.

Se não houver semente

Terei que parar.


Desacelera, há um tempo

Determinado para todas as coisas,

Não adianta querer mover

A terra e o sol —

Tudo tem seu tempo.


E por um momento

Tive a ilusão de controlar,

E na vida mandar.

Não sei se é destino ou acaso;

na verdade, controlo talvez mais

o meu pensamento e tudo

que há por dentro.


Desacelera, há um tempo

Determinado para todas as coisas.

Eu não mando no seu coração,

mas deixe o tempo passar.

Vamos continuar —

as coisas vão se acertar.

Não pare o que pode

acontecer: é uma linda

história de amor para sempre

ser.


Desacelera, há um tempo

Determinado para todas as coisas.

Bem sei a possibilidade

de estar em um lindo lugar,

os sonhos realizar.

Esse bloquinho, um a um, com o tempo

vai se tornar o lugar

que sempre desejei,

que sempre sonhei.

Criança, joia rara;
Trem-bala que o tempo não para; leveza, clareza, sabedoria, bela pureza!
Criança, entoa riso em tudo que é preciso; é energia, é alegria, e é sempre clara.
Criança é carinho, é caminho, é semente que brota e desabrocha pouco a pouco do nosso ninho;
Criança é gigante, faz do simples núcleo, um feliz universo avante.
Criança, fase mutante e curta;
Aceite e aproveite! E nunca a esqueça na remanescente estação adulta.

Amizade verdadeira


Em ti reside um brilho que não finda,
Flor que o tempo cuida, amiga linda.
No teu olhar, há um mar de profundezas,
Onde a alma encontra as mais puras certezas.


És sedutora no jeito e na presença,
Envolvente em cada gesto, em cada crença.
Com riso solto, cativante e forte,
Afastas toda a sombra e má sorte.


Sua amizade me inspira e anima
Tens um sorriso lindo que cativa.
És bela, és encanto, és preciosa
Tem no olhar uma paz gostosa.


Sei jeito simples de falar e ouvir
Traz segurança e calmaria
Seu olhar meigo, traz alegria
Faz pensar, sonhar e refletir.

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos diaslímpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.

Houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

"O Julgo Invisível”


Vivemos num tempo em que o valor de um homem se mede pela pressa com que ele produz.
Se ele para, chamam-no de preguiçoso; se cansa, de fraco; se pensa, de inútil.
Mas ninguém pergunta o que o silêncio dele carrega, nem o peso invisível que sustenta quando o mundo o chama de vagabundo.


Talvez o que eles chamam de inércia seja apenas o intervalo entre o que ele foi e o que ainda vai se tornar.
Nem todo repouso é desistência — às vezes é apenas o respiro antes do próximo passo.
E quem julga de fora nunca vai entender a batalha que se trava por dentro,
onde cada dia sem trabalho é também uma luta para não perder a fé em si mesmo.

Acabar


Quando o meu tempo acabar
quando meu ultimo instante chegar
quando mais nada me restar
que me reste tudo o que pude amar !


Que me venham as lembranças de quem eu pude fazer feliz
que me venham os sentimentos de quando fui aprendiz
o da surpresa, descobrimento, de coisa novas e novos acontecimentos
e que eu possa me lembrar de todos, mas todos os bons momentos


Meus grandes amigos, meus amores
meus abrigos e meus bem feitores
que eu me esqueça de cada vez que eu esqueci dos meus valores
que me perdoe quem eu causei algumas ou muitas dores


E claro, que esse momento não seja frio, cara como eu odeio o frio !
e nem mesmo que esteja eu careta, sóbrio
ah sei lá, eu vou tentar, vou pedir
vai que da certo, e quem sabe o que há de vir?


que este fim seja no verão, calor
sabe como é, no verão tudo é mais legal, menos dor
cerveja gelada, reduz qualquer problema
qualquer coisa chata, vira rima, vira tema


Eu sei que não tem jeito, esse momento vai acontecer
só torço, que ele demore, fica lá bem distante
porque se tem uma coisa que quero muito, ah isso é viver
e não só ser um vaga lembrança, um foto qualquer, numa prateleira da estante !


Fabinho
24/05/2020

Somos tendenciosos a criar muros para nos proteger de coisas ou de algo, em vez de gastarmos tempo construindo pontes. Precisamos melhorar a nossa visão e enxergar que, diante de nós, existem possibilidades de encontrarmos do outro lado coisas que os muros nos vedaram de ver.

É tempo de construir pontes que nos motivarão a chegarmos do outro lado e descobrir coisas novas.

Estou dando uma Pausa.


Por um tempo, escolho o silêncio.


Longe dos holofotes. Longe da correria. Longe de tudo aquilo que, aos poucos, foi consumindo minhas forças sem que eu percebesse.


Não é desistência. Não é fuga. Não é falta de amor pelo que faço.


*É cuidado*


É o reconhecimento de que existe algo mais importante do que continuar correndo: Cuidar da alma.


Passei anos vivendo para tantas responsabilidades, carregando pesos, enfrentando batalhas e tentando permanecer forte. *Sorri quando estava quebrado. Caminhei quando estava ferido. Permaneci de pé quando tudo dentro de mim queria desabar*


Travei guerras silenciosas que quase ninguém viu. E algumas delas ainda estou lutando.


Mas até os guerreiros se cansam.


Até os mais fortes precisam parar para respirar, se curar e se reencontrar.


A caminhada deixou marcas. Algumas profundas. Mas, pela graça de Deus, continuo de pé.


Não sustentado pela minha força.Não pela minha capacidade. Mas pela graça que me alcançou quando eu já não tinha forças para continuar.


Por isso, escolho parar.👇


Parar para orar mais. Parar para jejuar mais. Parar para ouvir mais a voz de Deus. Parar para voltar ao lugar onde tudo faz sentido: A Sua presença.


Porque ministério sem intimidade vira ativismo. Serviço sem descanso vira exaustão. E uma alma vazia não pode oferecer aquilo que ela mesma não possui.


Jesus também se retirava para lugares solitários e orava. Se o Mestre precisou parar, quem sou eu para achar que não preciso?


Então, esta não é uma despedida.


É apenas uma pausa de tudo o que me fez cansar em minha jornada. Agora, inicia-se um novo tempo. Quero ser usado e cheio da graça para apresentar Cristo ao mundo. Agora é tempo de ter mais intimidade com Ele, porque foi Deus quem me chamou e tem me cobrado sobre isso!


Uma pausa para reabastecer.Uma pausa para restaurar.Uma pausa para voltar mais forte, mais inteiro e mais perto de Cristo.


Às vezes, a maior demonstração de fé não é continuar correndo.
É ter coragem de parar nas mãos de Deus.


"Ele, porém, se retirava para lugares solitários e orava." — Lucas 5:16

O MENINO QUE CRESCEU ENTRE AS MULHERES

Durante muito tempo, pensei que conhecia a resposta. Mas a vida tem o estranho costume de esconder as perguntas mais importantes.

Foi um senhor muito importante na minha vida que, certo dia, me disse com firmeza:

— Você não gosta dos homens. É um puxa-saco das mulheres.

Sorri por fora. Por dentro, aquelas palavras fizeram ondas que demoraram muito para se acalmar.

Seria verdade?

Comecei a revisitar a minha própria história.

Foi então que percebi algo curioso: eu nunca deixei de ter grandes amigos homens. Eles sempre estiveram ao meu lado. Amigos leais, presentes, companheiros de caminhada. Portanto, o problema não era esse.

A questão era outra.

Desde menino, o universo feminino ocupava quase todo o meu horizonte.

Nasci cercado por mulheres.

Brinquei com meninas.

Ao longo da vida, trabalhei com muitas mulheres. Ouvi suas histórias, aprendi com elas, admirei suas forças e fragilidades. Sem perceber, elas se tornaram maioria nas minhas lembranças, nas minhas fotografias e em boa parte da minha trajetória.

Talvez tudo tenha começado muito antes de eu compreender o mundo.

A primeira mulher que amei foi minha mãe.

Ela era meu porto seguro, meu abrigo, meu primeiro amor. Quando uma mãe ocupa um lugar tão grande no coração de um filho, sua presença continua iluminando muitos caminhos, mesmo depois da ausência.

Talvez, em algum canto silencioso da infância, tenha faltado um pouco mais da referência masculina para equilibrar essa balança invisível.

Nunca havia pensado nisso.

Até aquele dia.

Aquela frase continuava voltando, como um eco.

E, quase sem perceber, comecei a me aproximar ainda mais dos homens.

Não porque me faltasse amizade.

Mas porque havia um universo que eu ainda podia descobrir.

E descobri.

Descobri conversas sem máscaras, gargalhadas espontâneas, abraços discretos, lealdades silenciosas e uma cumplicidade que não precisa ser explicada.

Descobri que, por trás de cada homem, mora um menino que o tempo nunca conseguiu apagar.

Nada disso diminuiu o carinho, o respeito e a admiração que sinto pelas mulheres.

Continuo acreditando que elas não nasceram para serem decifradas. Talvez tenham nascido apenas para serem amadas, respeitadas e admiradas.

Também nunca escondi quem sou. Desde muito cedo conheço meus sentimentos e o caminho do meu coração. Algumas mulheres imaginaram que poderiam mudar isso. Nunca conseguiram, porque ninguém transforma aquilo que já nasceu verdadeiro.

Hoje continuo admirando as mulheres.

Mas também aprendi a celebrar, com a mesma alegria, a amizade dos homens.

Talvez aquele senhor, tão importante na minha vida, nunca tenha imaginado o alcance daquelas palavras.

Uma única frase não mudou quem eu era.

Apenas abriu uma janela que permanecia fechada.

E, quando olhei através dela, percebi que meus amigos sempre estiveram ali, esperando apenas que eu enxergasse, com mais calma, a beleza da amizade entre homens.

No fim, descobri que o coração não precisa escolher entre um universo e outro.

Ele é grande o bastante para acolher ambos.

Nereu Alves

O tempo é um relógio que não para,
mesmo quando a alma pede pausa.
Ele segue, firme, marcando ausências,
levando embora o que não volta mais.
Mas também traz novos começos,
mesmo quando o coração duvida.
Porque o tempo não é só partida—
é, também, a chance de recomeçar.
Helaine Machado

Tempo Moleque
Um menino atrevido, impiedoso, jamais nos espera.
Seu tic-tac corta a vida como lâmina afiada,
um compasso que não retorna,
arrasta dia e noite sem pedir licença,
e ri de nossa impotência.
Brinca de nos surpreender,
adora novidades;
por instantes parece parar —
mas é uma armadilha,
uma ilusão que nos faz acreditar que dominamos.
Segundos e minutos escorrem como areia entre os dedos;
tentamos congelá-lo em uma fotografia,
mas ele escapa, zombando,
e nada jamais será o mesmo.
Passa, passa, e nos deixa vazios,
restando apenas lembranças que ardem.
Esse moleque cruel pinta e borda nossas vidas,
sem medir consequências, sem pedir perdão.
Nada detém o seu riso impiedoso:
o tempo moleque, tirano invisível,
faz de nós simples humanos
seu brinquedo favorito.
Helaine Machado

Faça agora o que o coração te pede,
não empurre a vida para depois.
O tempo é breve, escorre entre os dedos,
e o amanhã não faz promessas a ninguém.
Se for amar, ame hoje.
Se for falar, fale agora.
Se for recomeçar, dê o primeiro passo…
porque o depois, às vezes, nunca vem.
Helaine machado

Flamengo
No peito rubro-negro arde o destino,
um grito antigo ecoa no Maracanã,
como se o tempo parasse no hino
e a noite virasse manhã.
É chama que não se apaga,
é sangue que sabe vencer,
quando a multidão se propaga
e o mundo aprende a tremer.
Nas ondas de preto e vermelho,
nas ruas, no ar, no olhar,
Flamengo é espelho
de quem nasceu pra lutar.
Se cai, levanta mais forte,
se chora, aprende a sorrir,
tem fé que desafia a morte
e um jeito próprio de ir.
Porque não é só time ou bandeira,
é paixão que não tem fim:
Flamengo é vida inteira


batendo dentro de mim.
Helaine dos Machado

Não adianta esconder.
A vida sempre traz à tona
aquilo que mais tememos enfrentar.
O tempo pode até silenciar verdades,
mas nunca consegue sepultá-las para sempre.
Uma hora, a máscara cai,
o coração transborda,
e a alma revela o que os olhos tentavam negar.
Porque fugir de si mesmo
é carregar um labirinto dentro do peito.
E por mais distante que alguém corra,
a verdade sempre encontra caminho para voltar.
Talvez o segredo não seja esconder as feridas,
mas aprender a encará-las
antes que elas nos consumam em silêncio.
Helaine Machado

Nem tudo que vai embora
dá volta de novo.
Há partidas que o tempo não devolve,
palavras que nunca encontram retorno,
e pessoas que viram apenas lembrança
morando em fotografias da memória.
A vida também é feita de ausências.
De portas que se fecham
sem aviso, sem despedida, sem explicação
Helaine machado

Guardo meus sentimentos como quem guarda cartas antigas, amareladas pelo tempo, escondidas no fundo de uma gaveta.
Não porque não existam, mas porque nem sempre encontro coragem para entregá-las a alguém.
Aprendi cedo a sorrir quando doía, a responder "estou bem" quando a alma estava cansada.
Então escrevo.
Faço da poesia minha confissão, das metáforas meu abrigo, e dos versos a voz que raramente deixo sair.
Mas às vezes o coração se pergunta quanto tempo consegue carregar sozinho aquilo que nasceu para ser dividido.
— Helaine Machado