Textos sobre Jovens Carlos Drummond

Cerca de 17610 frases e pensamentos: Textos sobre Jovens Carlos Drummond

⁠O MAR ENLUARADO

Contam que as ondas do mar queriam esvoaçar,
Por isso chamaram o vento para lhe moldar gotas de ar.

O mar também pretendeu se alargar,
Ir-se mais além do seu findar,

Então se fez água pela terra, a se adentrar.
Foi quando o mar se encantou com um luar,

E banhou as estrelas para poder lhe alumiar.
O mar desse encanto almejou ser maior,

Que a onda que lhe faz voejar.
O mar, desejoso de ser, quis fazer-se amar.

Inserida por carlosdanieldojja

⁠" Há palavras desditas que retumbam e costuram-se como remendos.

Existem as não ditas, pronunciadas na profundidade que se conduzem lumiares.

Como as palavras, somos compreendidos, experimentados.

Nascemos sangue jorrado do ventre, que expele sua oralidade.

Depois nos vamos, como as palavras, nos fazendo andanças em moinhos

dorefazer, pois a alma que lê a palavra descrita no peito reinventa o olhar,

mesmo que ainda a palavra não se faça revelar."

In Fragmento Das Palavras colhidas no Silêncio.

Inserida por carlosdanieldojja

⁠A avó e o Menino

A avó não tinha presente e tão pouco lhe vinha o futuro.
Vivia de si, num tempo em que os dias, só lhe prometiam o passado.
Pela manhã cantarolava cantigas de roda.
A tarde pedia chá e se ria sobre coisas desacontecidas.

Quando a noite lhe vinha, adormecia falando com invisíveis olhares.
Não tinha a estética da memória.
Seus ouvidos acordavam lembranças do sentir.
Suas mãos continham a fermentação das horas.

Seus braços acolhiam porções de vida refluídas.
E de si apenas se ouvia o balbuciar das palavras.
Assim, vivia sob o cuidado das crianças,
Que em certas ocasiões lhe contavam estórias.

Como aquela de uma sábia anciã,
Que para não morar com o tempo findo,
Decidiu torna-se novamente alguém para ser inventada.
Foi assim que numa fração, antes de partir, disse ao menino:
- Descobri que és tão grande, que não pude de ti, ausentar-me.

Inserida por carlosdanieldojja

⁠"...Já se adentrava a noite alta e as pandorgas versos partiam.
Foi quando fitei a moça que de olhos gris se vestia.

Então clamei a ela, antes que também se retirasse:

Agora que a lua cheia chegou,
Como teus olhos em ternura,
Borda-me entre o céu e a tua boca,
Numa indelével tecitura.

A moça nada me disse, tão só repousou em minha face.
Por ali ficamos embebidos de um ser poetamento,
Como se por um breve instante,
Tivéssemos tocado uma fração do infinito..."

In Fragmento Poema Chá com os Poetas e a Moça Bonita

Inserida por carlosdanieldojja

⁠ÉVORA

Eburus de raiz ibérica.
Árvore branca de história,
Enraizada de arruelas alentejanas.

Évora de templos e de moinhos,
A pulsar no Giraldo de teus traços,
Onde ruínas fingidas se pungem cingidas.

Aldeia ordenada Diana romana,
A contemplar na Sé o templo erguido,
Que orna tuas noites no mirante da saudade.

Ainda tantas vozes te guardam como Florbela encantada:
Eis que meus olhos andam cegos de te ver,
Pois para mim as de ser toda a divina graça.

Évora ventre de luzes irradiadas,
Onde se traduz a alma lusitana,
E se faz ver o verso acalentado.

* Poema classificado e aprovado pelo ICE, que integra a Campanha de Apoio a Candidatura da Cidade de Évora, Portugal, como Capital Européia da Cultura em 2027.

Inserida por carlosdanieldojja

⁠MEU OLHAR DE TERNURA

O meu olhar revela teus pés curtos,
Tuas mãos estendidas latentes,
Por entre teus passos alargados.

O meu olhar te avista,
Fulgurante escarlate,
Vestida de rosa tule carícia.

O meu olhar te reclama,
Quando a lua se ascende no sol,
Para te clarificar instante.

O meu olhar furta ausentar-se,
Ao te mostrar repleta procura,
Na pálpebra da manhã que te advinha.

Porque o meu olhar,
Tão cheio de ti,
Na singeleza quer desvelar, tão só tua ternura.

Inserida por carlosdanieldojja

⁠Garimpar o Olhar da Alma

O garimpeiro ora a jazida.

O jardineiro colhe a flor da terra.

O pescador se faz rede de enlaces.

O que você faz?
- Eu avisto tempos com a sagração das palavras.

E o que lhe dizem as mesmas?
- Me ensinam a pensar silêncios e a descosturar ausências.

Então te sente bem eu nada ver de concreto?
- Tudo o que eu pressinto me será nascido ou repartido.

Mas como é nascer após já ter vindo ao mundo?
- É colher-se revelação e não ter-se assombro da existência.

Pois bem, nada temes, presumo?
- Ao contrário, receio os seres que não vêem com a alma.

Mas para que servem os olhos?
- Para elaborar estéticas.

É na alma que o olhar depura as essências.

Inserida por carlosdanieldojja

⁠CALEI-ME NA ESPERA

Calei-me para que tua voz me ouvisse.
Sem saber se eras chuva se fazendo nuvem.

Fiz-me escutador do não proclamado,
Para sorver a sonoridade que te habita.

Almejei a resistência das pedras,
Para fazer-me mineral em tua estada.

Quis saber como crescias em mim,
Para ser-me tua raiz de espera.

Inserida por carlosdanieldojja

".. ⁠Mas não existo o bastante se deixar de aspirar.
Assim espio manhãs. Não graduo conjuras.
Apraz-me compreender que uma reta contém variáveis.
Meus poros se aguçam de humana envergadura.


Tenho dificuldades com prognósticos do viver pré-definido
Não uso decifrador de tempo, para embeber-me do instante.
Declaro-me avesso, em não desfrutar, o que o momento instaura.
E quando me chega, pousa em minhas mãos, como num desenleio da alma..."


In Poema Ousadia

Inserida por carlosdanieldojja

⁠"...Sempre me quis viver árvore.

Teria os olhos ramificados.

O corpo em tronco resistindo às marcas.

E se me perdesse a visível parte,

Sobrar-me-iam as raízes rebrotadas.

São as árvores que entendem,

Como se nasce na alma do mundo..."

In Extrato Poema A Alma das Árvores

Inserida por carlosdanieldojja

⁠"...Nas sombras filtrei lume ao coração amainado.

E não me fui ser senão, outros caminhos vários,

A deslindar fragmentos que se entrecruzavam.

Egresso, fiz-me espera, para tantas vezes recontar-me.

Vaguei extensos sentimentos. Instaurei enternecimento.

Enxerguei um olhar. Cumpliciei ornamentos.

Modelei incertezas. Encontrei na travessia um amar.

Agora conspiro. Juntei-me ao tempo para atiçar infinidades..."

In Extrato Poema Travessia

Inserida por carlosdanieldojja

"... ⁠Sou péssimo em recomendar metades.

Apraz-me pretender atingir a inteireza.

Elevar-me a completude do sentir e bem dizer de sua amplidão.

Almejo postular sua infinitude, como tecelão do tempo que não esta à beira

da impermanência do fazer-se..."


In Fragmento Texto: Do Contamento do Sentir

Inserida por carlosdanieldojja

Ventre do Sentir


⁠Não fiquei a colher a flor,


desnuda entrega de tua voz.


Adentrei-me, avesso ao passageiro.


Desejei-me morada em tua raiz.




Quis ser lamparina,


respiro brotado por entre tuas mãos


no pulsar candente de tuas veias:


- Eis-me: Habitado pelo ventre do teu sentir



Inserida por carlosdanieldojja

"... ⁠Eu ficarei orgulhoso de receber a explicação,
já que me vivo a Quintanar de amar,
o amor em sua extensão.

Até resgatei um modesto conceito,
desses que se declara numa ciranda de amigos,

- O amor, é tão somente, o infindo sopro, se fazendo vida..."

Extrato Carta a Mia Couto

Inserida por carlosdanieldojja

⁠"... Então, já não me ia sem ti.

Não te ficava de mim, sem levar-me.

No desterrar partilhado,

No descobrir crivado de anseio e afago,

Nos revestimos como se renascidos,

Fossemos feito candura emanada.


E nesse luzir de entremeada morada,

Acolhemo-nos de lucidez efervescida.

Porque, em fim, amar,

É instruir-se no desvelar,

Do outro revelado...

Inserida por carlosdanieldojja

Era assim:
A só mareava, por terras tantas que se partiam,

que o mundo em que minha voz habitava,
ao invés de nascer, se escondia.
Agarrei-me então as palavras,

doces, ferozes, cristalinas,
e o cio do tempo desabitado,
Tornou-se num dedilhado,

cordas que entoavam,
o coração em fogo vivo.

Inserida por carlosdanieldojja

Insisto: Onde teus olhos pousaram?
No voo das lágrimas que na cordilheira deságua?
Entre as bordas tecidas no braseiro do tempo,
Ou agora, quando esvoaçam as borboletas no cio do teu ventre.
Atrevo-me, em dar-te a resposta,
irreal para os que descreem:
- Vi teus olhos plantando sementes em meu peito.

Inserida por carlosdanieldojja

⁠ALELUIA DA MANHÃ
Nasceu, chama-se dia,
Que alegria!
Ou será o meu sonho de rebeldia
Gerado nos travesseiros
Sem que ninguém descobrisse?
Talvez a noite o parisse,
Enquanto contava carneiros...
Horas rápidas, sol com cio
Como gatos ao desafio
Nas telhas da noite fria.
Canário amarelo que não canta
Nem encanta:
Só pia!
Sino que toca em nostalgia,
Gente que desabrocha
Como a luz de uma tocha
Num milagre de alegria.
Que belo é viver
O prazer,
De um novo dia!

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠O PRESÉPIO

Este presépio, saibam todos, é meu!
Ergui-o dos alicerces ao telhado,
Talhado em casca de sobreiro enrugado
Tal como este rosto que Deus me deu…

Já mo quiseram comprar, confesso eu:
Mas não cedo nem que castrado!
Ia lá vender um tesouro amado
Que é um bocado do corpo meu!?...

Que diria S. José, ali mesmo ao pé
Virado para Nossa Senhora, até !?...
E os animais e a estrela que reluz!?..

Meu presépio, obra minha, filho meu!
Não vendo o lar onde alguém nasceu
Com o nome de Menino Jesus!

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠As guerras, sobretudo as maiores das outras demais guerras, nascem inexoravelmente da miópica cegueira dos soturnos cérebros desmiolados, os tais que se consideram ser iluminados pelos deuses com pés de barro.

Que nojo, que náuseas e dó me metem todos aqueles que nesta sociedade em declínio vertiginoso, ainda não arranjaram uma unha de vergonha em irem à missa de tais sumidades tirânicas.

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

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