Textos sobre como Curtir a Vida
CONDEÚBA, TERRA DO BISCOITO
Por Leandro Flores
Condeúba é conhecida,
em toda a região,
como a terra do biscoito,
feito com fé e tradição.
Ao lado de Conquista,
cidade do interior,
duas filhas da mesma terra,
símbolo de trabalho e valor.
Da mandioca em terra seca,
nasce o pão do trabalhador,
que alimenta a mesa farta,
recheada de puro sabor.
É tradição que move a história,
e adoça o paladar,
gera renda, traz sustento,
pra quem se dispõe a trabalhar.
Do vendedor na rua,
à barraca no pavilhão,
o biscoito cruzou fronteiras,
sem perder a tradição.
Hoje é marca condeubense,
razão de satisfação,
que espalha renda e orgulho
por toda a região.
De janeiro a janeiro,
a produção não pode parar,
lá vêm os festejos de junho
e o fim do ano pra animar.
Chegam logo os são-pauleiros,
com saudades e com dinheiro,
levam biscoito e lembrançinha,
pra comer o mês inteiro.
Tem xiringa e tem palito,
cozido, assado e pão de queijo,
aqui o povo chama chimango,
feito no modo sertanejo.
Igual o biscoito de polvilho,
que em outros cantos é avoador,
cada terra tem seu nome,
aqui se diz xiringa, orgulho do interior.
Na sexta tem feira boa,
com cheiro de pastel frito,
café torrado na hora,
biscoito, casadinho e palito.
Tem balaio na calçada,
prateleira de farinha,
trempe quente e fogão a lenha,
e aquele sabor gostoso
que vem da cozinha.
Tem biscoito de tapioca,
de manteiga e de fubá,
de queijo, crocante e macio,
feito pra gente degustar.
Tem redondo, anelzinho e bolinha,
comprido, torrado pra provar,
de sabor pra todo gosto,
e café coado na hora pra acompanhar.
É sabor que faz história,
gera emprego e união,
sustenta mesa e a memória,
desse povo do meu sertão.
Condeúba é terra mãe,
da fartura e do sabor,
cidade boa e acolhedora,
de um povo trabalhador.
E quem prova das suas delícias,
nunca mais esquece o gosto,
porque nelas tem a vida,
a lembrança e o rosto.
De um povo simples, feliz,
orgulhoso do que é seu,
que aprendeu a ser feliz,
com o pouco que a vida lhe deu.
Um cordel em homenagem à cidade de Condeúba Bahia (terra do biscoito)
Veja, jovem gnomo, aqueles macacos pelados colocando uma carroça na frente dos bois.
Veja como parecem estúpidos subindo na carroça, enquanto fazem os bois empurrarem a carroça.
Está tudo sob controle, dizem eles.
E assim eles seguem rumo a uma ladeira logo a frente.
Você consegue vislumbrar, jovem gnomo, o que acontecerá quando os bois empurrarem a carroça ladeira abaixo?
Eis aí a tragédia desta humanidade, sempre colocando a carroça na frente dos bois; sempre colocando o avanço científico à frente do avanço moral, filosófico e social. Sempre colocando a economia à frente da natureza, do mundo, do planeta.
E enquanto os bois conseguem empurrar a carroça, tudo lindo, tudo maravilhoso, tudo parece absolutamente sob controle. Mas a Terra não é plana. Ladeiras existem por toda a parte. Ladeira acima - e ladeira abaixo.
Os bois, com muito esforço, conseguirão fazer a carroça subir ladeira acima. O problema é quando tiverem que descer ladeira abaixo. A carroça ficará desgovernada e se estatelará lá embaixo. Morrerão os bois e morrerão os macacos.
POEMA AO MEU PAI
Eu não lembro da minha infância inteira.
Ela correu.
Passou por mim como vento,
como pipa que sobe e some,
como carretel que rola ladeira abaixo
e não volta mais.
Um morro virou campo,
o campo virou casas,
e eu virei homem
sem perceber o instante.
Um dia apareci no seu trabalho,
e o senhor me levou ao restaurante do português.
A sopa era ruim,
mas com você tudo tinha sabor.
O refrigerante era grande,
a mesa simples,
a vida imensa por causa da tua presença.
Depois te contei do amor que encontrei.
Você ouviu, aconselhou,
e me ajudou
por uma vida inteira.
Me trouxe para uma terra que eu não imaginava viver,
onde meus filhos nasceram,
onde o pão chegava com o seu chamado de manhã.
Hoje sou eu quem leva o pão,
e a lembrança do seu grito
ainda abre a porta dentro de mim.
Cuidei do senhor como quem segura o próprio passado pela mão.
Troquei carros,
troquei rotinas,
troquei o que fosse preciso
para te levar onde precisava.
E ainda assim,
quando você partiu,
eu estava longe —
longe do instante do adeus,
mas perto da dor que nunca se afasta.
Daquele dia em diante,
eu tive que dizer ao mundo:
“Agora eu sou homem.”
Sem pai, sem chão,
mas com a herança
do que você me ensinou a ser.
Hoje faço o que não gosto,
caminho onde não queria,
mas sigo firme
porque carrego o teu nome,
tua memória,
tua voz que, aos poucos,
volta a me encontrar.
Amo minha mãe,
amo minha esposa,
amo meus filhos —
porque você me ensinou a amar assim:
com força,
com verdade,
com sacrifício.
Pai,
obrigado.
Obrigado por tudo o que fui contigo
e pelo que virei depois de você.
Prometo ir mais longe
do que você um dia sonhou para mim.
Prometo viver,
ainda que doa,
porque viver é a última forma
que me resta de te honrar.
Um beijo.
Um abraço.
E um eco teu que nunca morre,
mesmo quando o resto do mundo
fica silencioso.
Às vezes, o cuidado de Deus vem em silêncio, como quem ajeita o caminho sem que a gente perceba.
Ele usa as horas difíceis para ampliar nossos passos, afinar a nossa escuta e fortalecer o que ainda está em construção.
Há lugares dentro de nós que só se revelam quando o chão balança, quando a rota se confunde, quando o coração precisa respirar mais fundo.
E, pouco a pouco, vamos entendendo: cada desvio também ensina.
Cada curva também guia.
Cada dor, quando atravessada com fé, abre um horizonte novo.
Porque antes de descobrir o destino, Ele nos ensina, com paciência e luz, a caminhar com mais verdade.
- Edna de Andrade
Existem pessoas que caminham pelo mundo como se fossem de pedra: não sentem dor, não sentem alegria, não sentem empatia. Para elas, lágrimas alheias são apenas água escorrendo, e sorrisos, nada além de gestos inúteis. O coração delas parece um vazio impenetrável, um espaço onde emoções nunca conseguiram morar.
Conversar com essas pessoas é falar com o vento: palavras passam, mas não deixam marca. Elas julgam, manipulam, decidem e ferem, sempre calculando o que lhes convém, sem qualquer peso na consciência. A ausência de sentimentos lhes dá força, mas também revela fragilidade: porque ninguém que não sente realmente vive, apenas existe.
E é aí que o mundo percebe: ter sentimentos não é fraqueza. A fraqueza está em não sentir nada, em reduzir a vida a números, vantagens e aparências, enquanto o restante de nós continua a sentir, a amar, a sofrer… e a ser humano.
Glaucia Araújo
De Repente
De repente, o nosso coração artesão tece flores, e, no repente, brotam amores! Como lidar com novas emoções e com tudo o que desaquieta o silêncio, provedor da nossa reflexão? Quando se fala em amar, é esse desassossegar, mas, como não tem jeito, o tempo, que é senhor de todos os feitos, trata de nos ajudar.
Quando olho em seus olhos,
sinto o vasio que ficou de nós,
o ar fica pesado, como se cada suspiro fosse um desabafo.
Nós fomos um quase algo, mas só quase, nunca foi algo de verdade, mas você ainda perdura em meu coração, é como se não só meu corpo mas minha alma implorasse para que você não fosse, mas você foi, mesmo depois de prometer ficar, e eu, acreditei.
Nada é como parece ser, e tampouco será como um dia já foi.
Vivemos entre véus sutis, numa linha do tempo que se desdobra em ilusões paralelas. O passado nos chama com memórias que já não existem, o futuro nos assombra com imagens que ainda não nasceram. Mas a vida… a vida só respira aqui, no agora.
É nesse instante sagrado que o ser se revela. Quando o silêncio dissolve as máscaras do tempo, compreendemos que não somos prisioneiros das histórias que repetimos, mas viajantes da eternidade. Cada pensamento, cada emoção, cada escolha, molda o mundo que vemos.
A consciência crística surge então como farol. Ela não fala apenas de um homem, mas de um estado de ser. É a lembrança viva de que podemos olhar além das aparências, além da dor e da ilusão, e escolher o amor como direção. A consciência crística é o sopro que desperta, o chamado que cura, a chave que liberta.
O despertar não está no amanhã, nem repousa no ontem. Ele acontece no instante em que abrimos os olhos da alma e nos reconhecemos como parte do Todo. Esse é o verdadeiro milagre: perceber que a salvação não é promessa distante, mas presença viva.
Assim, ao caminharmos no aqui e agora, guiados por essa luz, deixamos para trás o peso das linhas paralelas e entramos no fluxo da verdade. E nessa verdade, descobrimos que somos eternos, e que o amor é a única realidade que jamais se desfaz.
Uma flor me encanta
no jardim?
Sim,
mas nada como
ter você perto de mim.
A feeling came
and changed my mind,
— now it’s all right.
Je sens le climat changé,
maintenant je peux respirer.
⸻
O tempo passa
como a água…
Estou sempre
calma.
Essa poesia vai acabar
e você
não vai nem sonhar
que sem você
eu sou tudo,
e com você
eu sou nada.
Manifesto ao Amor
Amor… eu nunca entendi direito como as pessoas podem chegar ao seu limite na vida por conta de um sentimento tão natural. Pelo menos, era o que antes faziam. No mundo de hoje, com tanta maldade exposta, com tanto julgamento e ignorância, esse sentimento que era para ser tão puro e natural se tornou algo raro. Ninguém mais faz loucuras por amor, ninguém mais se arrisca por alguém que ama. Mas por quê?
Acredito que o amor é a única prova da vida. Sem o amor no mundo, só sobraria ruindade e solidão, medo, culpa, mágoa… Hoje, estender a mão a um amigo que ama é errado. Hoje, largar uma faculdade de Medicina por amor à música é vergonhoso. Hoje, amar é culposo.
Mas triste é aquele que não ama. Alma que não sabe amar e nem ser amada chora, derrama-se em vazio e solidão. Vaga no corpo e na terra em busca de um sorriso que lhe aqueça como o sol. Seria então um adoecer de felicidade e paixão.
Amor não pode ser definido em algo ruim, nem jamais ser descrito como tal. O amor é o espelho do divino que anda sobre nós. Todos carregamos na alma a luz daquele que nos rege; o que a esconde de nossa realidade é a dor. A dor das dificuldades da vida e do caminho que foi tão mal percorrido.
Mas a cura sempre será o amor. O amor é a chave para a cura da alma e para a esperança do coração. Alívio da mente.
Por favor, me escute. Atenda meus anseios quando falo de um sentimento tão profundo. Note que não é somente uma palavra forte. Dê-se a chance de senti-lo. Sinta com a alma todos os momentos da vida. Entregue para o vento e as águas aquilo que mata. E deixe que eles levem toda sua culpa. Quando voltarem, trarão aquilo que se tem mais valor na vida: o amor.
Se deixe ir embora, vá para longe e volte quando quiser. Viva a cada suspiro e morra a cada dor. Mas assim, renasça para todas as suas curas.
Por favor, ame.
Memórias, lembranças, histórias, passado... Como viver o presente, como planejar o futuro, se tudo parece ter ficado lá atrás? Como seguir? Recomeçar?
Mas como recomeçar, se a dor do que foi vivido ainda atormenta o que será escrito?
Talvez o tempo seja apenas um consolo, uma promessa de que a dor diminuirá.
Ilusão.
O tempo não cura.
Ele apenas continua.
Indiferente ao seu destino.
Ele gira, e gira, até que nós sejamos o que ficou para trás.
Todos sabemos que tudo tem seu tempo.
Mas, como as coisas irão acontecer se não nos submetermos: a estudar, trabalhar e até se formar?
Mas tenha certeza de que se não vier de lá, dos autos céus, em nome do Senhor Jesus, não irá adiantar.
Pois, só com Ele, iremos alcançar!
Luciano Silva Dias
Será que você sabe como é perder seu chão? Sentir como se lâminas te rasgassem, e não ter ninguém para ajudar? Cicatrizes, mesmo se aparentemente fechadas, são só feridas prestes a abrir.
Não vale a pena passar pela dor. Não purifica, nem fortalece. Só quebra sua alma, e em algum momento, vai perdê-la. Voa para longe, e rasga o que resta. Como um anjo que caiu, perdeu suas asas, e quebrou as pernas.
- Marcela Lobato
Me perco toda vez que te vejo,
como o rio que esquece o caminho do mar.
Sem você, não há verso nem desejo,
a canção não aprende a rimar.
Teus olhos — castanhos, calmos, inteiros —
guardam o outono em pleno verão.
Neles, o tempo adormece primeiro,
e o amor desperta em contramão.
Você é o sopro que o tempo espera,
a brisa que volta só pra tocar.
Inspira meus sonhos, tempera a quimera,
ensina a saudade a dançar.
Há um azul escondido no brilho moreno,
um silêncio que sabe cantar.
Mergulho nele, pequeno e pleno,
só pra esquecer de voltar.
E se amar for mesmo um risco incerto,
que o vento leve o que for razão.
Prefiro seguir de peito aberto,
com você no centro da canção.
Se o mundo apagar a retina,
ficarei nos teus olhos — castanha e sina.
Moooooooo,
Me perco toda vez que te vejo,
como o rio que esquece o caminho do mar.
Sem você, não há verso nem desejo,
a canção não aprende a rimar.
Você é o sopro que o tempo espera,
a brisa que volta só pra tocar.
Inspira meus sonhos, tempera a quimera,
ensina a saudade a dançar.
Há um azul em teus olhos, tão sereno,
que o céu se curva pra te imitar.
Mergulho nele, pequeno e pleno,
só pra esquecer de voltar.
E se amar for mesmo um risco incerto,
que o vento leve o que for razão.
Prefiro seguir de peito aberto,
com você no centro da canção.
Sob o céu cinza e molhado da cidade,
Odores de almas abandonadas,
Mulheres tristes, como tardes encharcadas,
De uma cidade cheia de gente perdida,
E outras que nunca foram encontradas.
Um espaço que se move, dissimulado,
Ela veio, mas nada mudou,
A nave parada no vasto espaço,
A estrela quase se apaga, no fracasso.
Hoje mesmo, sob o céu de cinza,
Vi uma estrela, no contraste da sala Grande Otelo,
Parecia triste, como atriz em desgraça,
Era a faísca que acendeu meu olhar sem selo.
Olhos que amaram, mas não foram amados,
Tentaram se encaixar na máscara requerida,
Ela veio só com a alma revelada,
Esqueceu a fala, quis ser a própria vida.
Ela derramou uma lágrima, silenciosa,
Dor contida na língua de guerra,
No fronte, firme, em sua causa silenciosa,
Enfrentando a batalha verdadeira.
Sob o mesmo céu de chuva, molhado,
Ela era a gota que cai do céu,
Na terça-feira cinematográfica, em pranto,
A estrela ruiva, com voz, corpo, alma e fala.
A felicidade é complexa.
É curioso como a mentalidade e a natureza humana podem ser tão contraditórias. Alguns, mesmo com tão pouco e tantas limitações, conseguem viver com gratidão, alegria e paz interior. Enquanto isso, outros, cercados de recursos abundantes e desfrutando de boa saúde, enfrentam batalhas silenciosas contra a tristeza, a desmotivação e a angústia. Isso nos faz pensar que a verdadeira felicidade talvez não esteja no que se tem, mas em como se vive.
Daniel Francisco da Costa.
Uma mulher
A mulher do capitulo 12 de Apocalipse, como é evidente não é "Maria"! Ela é o povo de Deus, tanto do Velho testamento, como o povo santo do Novo Testamento! Essa mulher dá à luz um filho, que é fruto do Povo de Israel, mas de um modo geral, fruto de` todo o povo de Deus! Há uma referência também às 12 tribos de Israel, assim como aos 12 Apóstolos do cordeiro!
O povo santo sempre vence com o cordeiro Deus. O dragão, não vence, mas sim os santos com o filho da mulher!
HelderDuarte
Compêndio de Chuva
Cai a chuva, melancólica e lenta, como um grito que o tempo inventa.
Em cada gota, um som, um tom, que o vento leva — e traz o teu batom.
O teu rosto vem, em bruma e luz, como se o céu em ti se traduz.
Enquanto o mundo se desfaz em água, o meu peito arde, embora os meus olhosse alaguem em frágua. O teu toque é sinfonia de chuva,
que compõe a minha alma, e acende lua turva . E eu, perdido entre trovões eos relâmpagos do meu silêncio, encontro-te em cada canto da minha pele em compêndio.
Que chova, amor — que o mundo escorra, que o tempo pare, nesta dor de masmorra. Pois se é na chuva que te penso e vejo, então que chova, só para te ter no beijo.Chove, e o meu mundo sopra o teu véu, as ruas das minhas veias choram sob o cinza do céu. No vidro, escorre o teu nome, lento, feito melodia, feito tormento.
Quando minha dor quer me prender, eu abro mão de senti-la como fim.
Escolho elevar o peso em resiliência, e sigo mesmo quebrado.
Fé me sustenta quando minhas forças se esgotam.
Propósito me empurra para além do que é visível.
Extraordinário não é não cair, é levantar pela missão.
Cada passo que dói se torna semente de futuro.
Sou só instrumento, mas instrumento forjado no fogo.
Purificação.
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