Textos sobre as Pessoas
Uma Parceria Real e Inconfundível
Certo que valorizar a interação com certas pessoas que fazem a diferença, é muito sensato — o mínimo que se espera. Entretanto, a valorização da própria companhia é indispensável; muitas vezes, a melhor que se pode ter nos altos e baixos, independente do que possa acontecer entre o bem querido e o mal indesejado,
Perder o prazer de estar com ela chega a ser muito preocupante: um desencontro da sua singularidade. É solidão e não solitude; falta de solidariedade com a própria existência, com aquela pessoa do íntimo que estará com você até o final. Uma parceria real inconfundível, muito especial, que necessita estar em equilíbrio
É normal desentender-se consigo, ter diálogos internos — breves ou demorados — e reflexivos. Tem que saber dizer não para si quando necessário, já que não se trata de achar que não precisa de ninguém e nem de esquecer que é a vontade de Deus que prevalece (O Ser mais importante), e sim a respeito de se amar que, de fato, é algo muito significante.
"Algumas pessoas surgem em nossas vidas como uma benção, a estas faço questão de manter-las. Outras como lição; a estas já faço questão de despedir-me assim que aprendo...na busca de não ter que conviver no mesmo recurso do cansaço de não cometer os mesmos erros."
―By Coelhinha
Existem pessoas que precisam o "1º de Abril" pra falar algumas VERDADES como se fossem MENTIRAS.
Essas são chamadas de "Oportunistas".
Outras de falar sempre MENTIRAS como se fosse VERDADES.
Essas são chamadas "Falsas".
E outras que tem dissernimento pra saber o que "dizer e quando dizer".
Essas são chamadas de "Sensatas".
—By Coelhinha
O que mais me machuca é discutir com uma das pessoas que mais amo. E dói tanto saber que tudo o que você fez a essa pessoa parece ter sido NADA ou muito pouco. Não é questão de lágrimas, mais neste momento meu coração sangra. E não é Dramatologia, é que dói muito, mais muito mesmo. -Só queria que você entendesse que você é um pedaço de mim e mesmo que eu não esteje contente com o que vejo, não consigo viver sem você. Agora conquiste outros valores que são importantes também, entenda que isso é pra você e somente para se incorporar na sua meta ao auto-conhecimento, faça-me admirar-te na vida, orgulhar-me das suas ações, aplaudir sua jornada no caminhar, vibrar com suas vitórias, por que meu amor a ti sempre terás.
—By Coelhinha
“Não mudei, deixei de ser a moçinha inocente que as pessoas manipulavam. Se você observar vai ver que foi você que mudou comigo. Eu sei que prefiro ficar literalmente sozinha, porque prefiro minha própria companhia do que estar cercada de pessoas que não fazem a maior diferença na minha vida ( Me importa un pepino). Sei que meu sorriso incomoda, que minhas lágrimas, disfarçam. Que minhas respostas assustam. Sei que meu carinho vicia e meu desprezo desespera!. Sei que falo palavrão, que sou bipolar e posso mudar meu temperamento em segundos com o mesmo tempo que você gasta em piscar seus olhos. Sei que meu lado sincero às vezes não agrada porque fere sentimentos de alguém. Mais este é o meu lado[...]que se eu mudasse...Já não seria Eu!.”
—By Coelhinha
Não julgue
Na caminhada da vida, encontramos pessoas cujas ações ou palavras podem nos confundir ou até magoar. Mas nunca vemos tudo. Cada ser carrega histórias invisíveis, batalhas silenciosas e escolhas que desconhecemos. Julgar é enxergar apenas um fragmento do todo, uma sombra que mal revela a realidade. Antes de concluir, respire, observe e lembre: há sempre mais além do que os olhos alcançam.
Tem pessoas que se metem em enrascadas e depois pedem ajuda!!!
Se esse alguém está nessa situação, é porque ela se colocou nela.
"Como meu avô dizia: se você encontrar um jabuti em cima de uma árvore, deixe-o lá, porque jabuti não sobe em árvores."
Ou seja: Se vire, não se meta mais em enrrascadas
Na minha vida toda, o que mais me preocupei foi não dar trabalho para outras pessoas, como pais, irmãos, cunhados (das) etc...!!!
Mas tem pessoas que levam a vida como vai vai, se lixando se depois vai sobrar para os outros as encrencas que se meteu!!!
Aí vem pedir ajuda com aquela arrogância, como se todos tem que arcar com suas IRRESPONSABILIDADES!!!
Uma vez perguntaram: "Porque pessoas boas morrem cedo?"
E disseram:
"Imagine que você está caminhando em um vasto local com diversas flores mais no meio delas você uma flor incrível que está brilhando ao por do sol ,oque você vai fazer? Arrancala, bater uma foto é muito provável, pessoas boas não merecem viver em cantos comuns elas merecem muito mais.."
Teoria ou prática?
Existem pessoas que teorizam muito sobre a amizade, sobre os amigos, ou como reconhecê-los, mas não sabem como cativá-los. Na teoria, nas frases, nos versos e nos poemas tudo é bonito, mas na prática do dia-a-dia a realidade é outra. Não fale sobre os amigos e sim pratique a amizade, coloque em ação e transforme o adjetivo em verbo.Teorias, sim tenho muitas, sobre os diferentes tipos de amigos, mas quem na essência me conhece, sabe que prefiro teoriar colocando a amizade em prática cultivando um sentimento que não é dado, e sim adquirido com o tempo. E parafraseando Vinicius de Moraes, termino esse pensamento, falando: ''-Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"
Há muitas pessoas que nada sabem; contudo, o maior problema não reside na ignorância em si, mas na atitude de fingir saber. Ao assumir tal postura, acabam por fechar a porta à oportunidade de aprender, pois quem acredita já possuir o conhecimento dificilmente se dispõe a buscá-lo.
Assim, a verdadeira limitação não está no não saber, mas na recusa silenciosa de reconhecer a própria ignorância e transformar essa consciência no primeiro passo para o aprendizado.
Neste tempo, ainda se entende que os beijos são tímidos: são duas pessoas se conectando e vendo como reagem. Mas se o jeito formal continuar, não espere por sentimentos fortes na hora seguinte. A ligação não aconteceu.
Beijo é bom porque você sente o corpo do outro sem deixar marcas, é como mergulhar no escuro, uma ida sem volta. Beijo é um jeito de mostrar carinho, de sentir o gosto de quem você gosta, de falar muitas coisas sem dizer nada. Beijo é gostoso porque não cansa!
É SÓ UMA REFLEXÃO I
As pessoas do passado sempre tiveram as mesmas expressões e comportamentos de hoje. O mesmo jeito de franzir a testa diante de uma notícia inesperada no rádio da padaria, a mesma curva nos lábios ao sentir o cheiro do café passado na cozinha da infância ou aquela paçoca pilada na hora pela avó. O tempo não apaga o ser estranho que somos, nem o muda na sua essência; ele apenas desbota as bordas da fotografia, mas o sorriso, aquele, continua sendo o mesmo...
Todos caminhamos pelas mesmas veredas do ontem, com aquelas flores sem cor que margeiam o asfalto dos nossos dias junto aquelas fotos sorridentes. E, de repente, sem aviso, sempre encontramos pessoas que nos fazem lembrar de quem fomos, de quem somos, como se o espelho do passado surgisse na fila do supermercado ou na pressa do ponto de ônibus. O reflexo somos nos mesmo. Somos os responsáveis pelos nossos atos...
Ventos balançando os cabelos, trazendo aquele cheiro de terra molhada que anuncia a chuva ou o aroma distante de um jasmim. Expressões com aquela mistura de sons e tristeza no olhar, como se a pessoa guardasse dentro de si o eco de uma música antiga e a poeira de um caminho há muito não percorrido. Os olhos fixos nos retângulos da vida, nas telas que brilham, nos livros abertos sobre a mesa, nas janelas dos prédios que testemunham silenciosos nossas alegrias e derrotas...
Às vezes um sorriso atravessa o cansaço do rosto, ou quem sabe um momento bobo, um riso solto no almoço de domingo, misturado com as lembranças dos bons momentos que teimam em ecoar. Estamos, hoje, debaixo das mesmas árvores das milhares existentes no mundo, sentindo a mesma sombra que acolheu nossos pais e amigos que se foram. Elas estão ali, silenciosas ou espantadas com o vento, fazendo parte de um dia de chuva, suas folhas sendo o único teto para os pássaros e nossas memórias mais antigas forçando uma lágrima embaixo de tanto poderio...
Às vezes, passar um tempo longe de um lugar ou de um rosto vira sinônimo daquela saudade que só sentimos poucas vezes no ano, como alguns feriados da alma. Adoro, simplesmente adoro ver essas expressões que se distraem em meio a tantas, um olhar perdido no horizonte enquanto o corpo parado espera o sinal abrir. E saber, com uma certeza calma, que sempre estivemos lá, na essência do mundo, correndo em meio às árvores dos parques, da selva, na pressa da juventude que fomos um dia, e na calmaria dos ventos que, ainda sopra em nós o cheiro de uma saudade que sempre vem...
--- Risomar Sírley da Silva ---
10:40 domingo 22 de junho de 2025
Sonhei hoje á noite com um cortejo, era de pessoas muito ricas, carros luxuosos algo assim, eu tentava identificar quem passava, mas eu não sabia quem era, só sei que alguém muito importante.
Eu e meu marido, estávamos dentro de um cemitério assistindo esse cortejo passar lá fora e eu me virava para ele, enquanto o abraçava, chorava e dizia "e quando for a gente amor?" Nós dois nos abraçamos e choramos, eu acordei
No dia 24 de junho do ano passado, eu tive um sonho, estava eu no banco de espera de um hospital, ao meu lado esquerdo estava uma mulher estranha sentada, eu não a conhecia. Eu perguntava para ela sobre a prima do meu marido que estava de frente para nós, me olhando fixamente, com o lado direito do rosto todo vermelho de uma mancha que parecia câncer. Ela me encarava bem séria.( Ela já é falecida há algum tempo, antes mesmo desse sonho) Ao meu lado direito eu virei o rosto e vi meu irmão mais velho, me olhando com uma cara de muita tristeza, enquanto a pergunta era o seguinte "É verdade que fulana está internada e só tem mais um ano de vida?" A mulher estranha ao meu lado respondeu"sim". Então, eu acordei.
Tentando desenhar o que vi no sonho...
Um barco caravela da era colonial em um cais, muitas pessoas descendo e subindo do barco...
Eu desci, e logo vi alguém encostado no parapeito da orla, era ele novamente o 'C', nos olhamos profundamente, e rimos um para o outro.
Me despedi desse alguém, e dissemos um adeus que seria para sempre...
Porque enquanto eu estava descendo naquelas terras, ele estava indo para outras.
Eu continuei caminhando, e indo com a minha mala cheia de pertences, para não sei onde...
Eu estava tão feliz naquele instante, mas alguma coisa me dizia que eu deveria embarcar com aquela pessoa de volta, porque depois daquele momento, nunca mais nos veríamos.
Lembro que eu estava com roupas de camponesa.
Uma saia longa e uma blusa de meia manga branca...
Porém, tudo o que fiz foi andar para frente, e olhar para trás, até sumirmos das vistas um do outro.
Ele me olhava com amor e ternura, como quem dissesse "fica comigo e vamos viajar juntos, para nunca mais nos separarmos..."
Antes de partir, havia me aproximado dele e o abraçado. Era como se fosse o último abraço das nossas vidas.
Tão intenso.
É só disso que me lembro ❤️
10/11/2021
De Pessoas e Posses
Demétrio Sena - Magé
Ninguém é minha mulher. Não comprei uma pessoa. Ela não me pertence. Tenho esposa, porque me casei; me tornei esposo. Não o homem de alguém; também não me vendi. Prometemos o que ainda pode ser "desprometido". Nossa jura de amor para todo o sempre não é cláusula pétrea de uma lei cujo descumprimento é passível de punição. O amor pode ser perecível.
Somos cônjuges, por contrato matrimonial reversível, quando e se um dos dois assim desejar. Livres, muito embora comprometidos mutuamente. Cada um é o dono de si mesmo e se doa voluntariamente ao outro, numa vida em comum. Não somos a mesma carne nem o mesmo espírito. Ainda seremos inteiros, no dia em que porventura resolvermos já não ser um casal.
As pessoas têm síndrome de pertencimento. São ávidas por serem donas de outras pessoas. E há pessoas que se aceitam como posses de outras. Como coisas compradas, doadas ou colhidas. Tolhidas de qualquer vontade; quaisquer arbítrio e direito a dizer não; de querer por conta e risco; não querer. Inclusive o direito a não saber se quer, não quer ou quando há de querer.
Que todo machão entenda isso. Que toda mulher submissa tome o próprio destino em suas mãos e decida sem medo qual será o seu destino. Não vale a pena viver sob nenhum jugo de moralismo, comando e rédea impostos por alguém ou pela própria sociedade. O que não é criminoso nem antiético é de nossa livre responsabilidade. Sem dignidade não há cidadania.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
A BOLA DA VEZ!
Tem pessoas que dizem;
A melhor fase é a terceira idade.
Pois digo que não.
Fila incansável de atendimento .
Convênio médico impagável.
Abandono em asilo
Desprezo de entes queridos .
Doenças provenientes de cansaço.
Tristeza, amargura.
Memória comprometida.
Dores incessantes.
E principalmente:
Saber que lutou tanto pelos seus
E hoje não tem valor.
Olhar para trás e sentir saudade da juventude.
Olhar para a frente e saber que o inevitável está chegando.
Mas mesmo assim nunca desistimos.
E nunca perdemos a fé.
Uma prisão promovida pela liberdade
Em certas ocasiões, para determinadas pessoas, a pior prisão que existe é a liberdade.
A liberdade de fazer escolhas, fazem-nas prisioneiras da angústia, encarceradas pela ansiedade.
Reféns do medo, desejam não ter essa responsabilidade, que chamamos de liberdade.
A angústia da indecisão pode machucar mais que uma possível má escolha.
De fato, sofremos mais pelo que imaginamos, que pela realidade que vivemos.
Lembremos, que somos moldados por nossas escolhas, somos livres para escolher, e escravo das consequências.
Quanto mais opções de escolha tivermos, mais difícil será tomar decisão, e serão grandes as chances de não escolher nada, mas não decidir nada, também é uma escolha.
Pode parecer contraditório, mas muitas pessoas preferem abrir mão da liberdade de escolha, preferindo que escolham por ela.
Há também um fato relevante, quanto mais opções, menor satisfação teremos com opção escolhida.
Uma dica para tomar decisões, é tornar consciente de que tudo na vida é arriscado, ou seja, nada é garantido, tudo é imprevisível, por mais segurança que temos no momento presente.
Essa conscientização, faz com que tomemos a decisão, mesmo sabendo das probabilidades.
Saiba que, existe uma dor pior que a de se fazer uma má escolha , é a dor de não ter decidido nada.
Não tenha medo de errar, não digo para sermos inconsequentes, mas correr risco faz parte da vida, se a queremos “viver.”
Escolher é determinar o rumo da vida, e não deixá-la nos levar.
Como não existe escolha sem risco, nem opção com tudo que desejamos, o equilíbrio da razão com o coração pode ser a melhor ferramenta.
Só erra quem tenta, só acerta quem tenta, só vive quem faz suas próprias escolhas. É impossível agir sem algum grau de influência, somos altamente influenciados, pela cultura, ambiente, pessoas e vida pregressa; A chave é ter a percepção do que nos foi introjetado.
Por isso, o autoconhecimento é fundamental para uma boa escolha, quem pouco conhece de si mesmo, mas vulnerável é em suas escolhas.
Portanto, se queremos ser o cavaleiro, e não o cavalo de nossa história de vida, devemos investir em autoconhecimento, mas até isso é uma decisão pessoal.
Eu sei o que é o Amor
Eu também sei o que é a Dor
As pessoas podem tentar ofuscar o seu valor
Podem tentar tirar o seu chão
Mas elas jamais poderão ser o que não são
Quando você tem raízes fortes
Ninguém te derruba, ninguém te ofusca!
Karin Raphaella Silveira
Autora de 'O Palco Das Flores'
e 'Cavaleiros de Beltane'
A POBREZA HEREDITÁRIA QUE MOLDA A SUA VIDA
Existe um peso silencioso que muitas pessoas carregam sem nomear. A pobreza. Não como uma fase pontual, mas como uma herança. Algo que atravessa gerações, molda escolhas, limita horizontes e ainda assim é tratada como falha individual. Você, homem ou mulher, em algum momento já sentiu essa culpa disfarçada de responsabilidade excessiva. Como se bastasse querer mais, trabalhar mais, tentar mais, para sair de um lugar estruturalmente desigual.
A pobreza não é um fracasso pessoal. Ela é um fenômeno histórico, social e familiar que se repete porque cria ambientes onde as opções são reduzidas desde cedo. Você não começa do zero. Começa do menos. E isso muda tudo. Muda o tempo que você leva para aprender, as oportunidades que aparecem, a margem de erro que você pode ter sem ser destruído ou destruída.
Quando alguém diz que basta esforço, ignora o custo invisível de crescer sem rede de apoio. Ignora o cansaço acumulado de quem precisa resolver o presente antes de pensar no futuro. Ignora que errar para quem tem pouco custa muito mais. Um erro financeiro, uma escolha profissional mal informada, uma doença, uma crise familiar podem empurrar você anos para trás.
A narrativa do mérito absoluto é confortável para quem recebeu reforços. Educação estável, apoio emocional, referências, tempo para errar, incentivo para tentar de novo. Quando esses elementos não existem, o esforço sozinho vira uma corda curta. Você puxa, mas não alcança o outro lado com facilidade.
Isso não significa que sair da pobreza seja impossível. Significa que é raro. E quando acontece, costuma envolver algo além da força de vontade. Um encontro, uma oportunidade específica, um acesso inesperado, alguém que estendeu a mão, uma política pública, uma mudança estrutural. Reconhecer isso não tira o mérito de quem consegue. Tira a culpa de quem ainda não conseguiu.
A pobreza também molda a mente. Cria urgência constante. Você aprende a resolver o agora, não a planejar o depois. Aprende a sobreviver, não a expandir. Isso não é falta de visão. É adaptação. O problema surge quando essa adaptação é julgada como limitação moral.
Você não escolheu nascer onde nasceu. Não escolheu o nível de instrução da família, o bairro, a escola, as referências. Essas condições iniciais influenciam diretamente o quanto de energia sobra para sonhar, arriscar e persistir. Dizer que tudo depende apenas de esforço é ignorar a realidade concreta da vida.
A pobreza atravessa gerações porque se reproduz no cotidiano. Na necessidade de trabalhar cedo. Na interrupção de estudos. Na normalização do cansaço extremo. Na falta de tempo para errar com segurança. Cada geração herda não apenas menos recursos, mas mais responsabilidades.
E ainda assim, você é cobrado e cobrada como se tivesse recebido o mesmo ponto de partida que todos. Essa cobrança cria vergonha, e a vergonha paralisa. Ela faz você acreditar que não merece querer mais, que sonhar é ingenuidade, que tentar é perda de tempo. Esse é um dos danos mais profundos da pobreza. Não é só material. É simbólico.
Reconhecer isso não é se vitimizar. É se localizar. É entender o terreno em que você pisa antes de se culpar por não correr mais rápido. Quando você entende o contexto, pode buscar estratégias mais realistas. Pode valorizar pequenos avanços. Pode procurar reforços externos sem sentir que está trapaceando.
Esforço importa. Mas ele não opera no vazio. Ele precisa de estrutura, de tempo, de margem para erro. Sem isso, o esforço vira exaustão crônica. E exaustão não liberta ninguém.
Você não é menos capaz por ainda estar onde está. Você está operando dentro de um sistema que exige mais de você para entregar menos. Isso não define seu valor. Define a dificuldade do caminho.
Sair de uma hereditariedade de pobreza exige mais do que vontade. Exige acesso. Exige suporte. Exige rupturas que nem sempre estão sob controle individual. Entender isso devolve dignidade. E dignidade é o primeiro passo para qualquer transformação real.
Você não precisa carregar a culpa de um sistema inteiro nas costas. Pode carregar apenas a responsabilidade possível, aquela que cabe dentro da sua realidade atual. O resto não é fracasso. É contexto.
E quando você para de se tratar como defeituoso ou defeituosa por não ter vencido uma corrida desigual, algo muda. Você passa a se mover com mais consciência e menos vergonha. E isso, embora não resolva tudo, já rompe um ciclo silencioso.
A pobreza não define quem você é. Ela explica parte do que você enfrenta. E entender essa diferença é um ato profundo de lucidez e respeito consigo mesmo e consigo mesma.
