Texto sobre Mulher
A Mulher Que Ficou Apenas na Memória
No primeiro dia de novembro,
o tempo escreveu o teu nome
na página mais bonita da minha vida.
E eu, sem saber,
entreguei-te o coração
como quem entrega uma casa
a alguém que promete nunca partir.
Em março,
vestimos o amor de eternidade.
Diante do mundo jurámos permanecer,
ignorando que até as promessas
podem sangrar em silêncio.
Vivemos instantes
que hoje parecem pertencer
a outra existência.
Havia poesia no teu olhar,
calma nas tuas mãos,
abrigo no teu abraço
e esperança no sabor do teu beijo.
Tu caminhavas com a elegância
de quem fazia da ternura
a sua mais bela linguagem.
Então a vida,
cruel sem pedir licença,
arrancou-nos um filho
antes que ele pudesse conhecer
o calor dos nossos braços.
Naquele dia,
não morreu apenas um sonho.
Morreu um pedaço de nós.
Depois desse vazio,
vieram os silêncios.
Quem me chamava “amor”
passou a pronunciar apenas o meu nome,
como se cada letra apagasse
a história que juntos escrevemos.
O eterno começou a desfazer-se
sem ruído.
Como um castelo de areia
que o mar leva,
grão por grão,
até nada restar.
Tentámos regressar.
Houve pontes reconstruídas,
palavras ensaiadas,
esperanças teimosas.
Mas nunca faltou amor.
Faltou coragem.
A coragem de reconhecer,
de pedir perdão,
de olhar para as próprias sombras
sem fugir delas.
Hoje encontro diante de mim
uma mulher que tem o teu rosto,
a tua voz
e o teu nome…
Mas já não tem a alma
por quem um dia me apaixonei.
Onde havia princípios,
ergueram-se muralhas.
Onde existia admiração,
cresceu a indiferença.
Onde florescia a verdade,
restou apenas o eco
das promessas que o vento levou.
E então compreendi
a mais amarga das verdades:
às vezes,
a pessoa que perdemos
não parte.
Ela transforma-se
numa estranha
enquanto ainda respira.
Não sei se mudaste.
Ou se apenas deixaste cair
a máscara que o amor,
cego e generoso,
nunca me permitiu ver.
Hoje não choro
porque a nossa história terminou.
Choro porque continuo à procura
da mulher
que conheci naquele novembro.
Da mulher
que me olhava como destino.
Da mulher
que me abraçava como lar.
Da mulher
que um dia prometeu eternidade…
e que agora vive apenas
no lugar onde ninguém consegue morrer:
a memória
de um coração
que amou
até ao último pedaço de si.
Hassamo Abdurrahimo
Deus é perfeito! Ele nos fez perfeitos.
Pergunte para uma mulher que teve dores de parto, para aqueles que passaram por tantas agonias e sofrimentos, se elas se recordam do grau da dor?. Dirão que não!
Deus faz esquecer para que mulheres tenham o desejo de outro filho. Para que aqueles que sofreram renasçam da dor para a vida, sem medo de outras dores que possa vir.
Mulher graciosa,
de um lindo sorriso,
que gosta de surpreender
e como um vulcão adormecido
que pode despertar
a qualquer momento,
tem seu fogo contido,
que, às vezes, ilumina,
mas a sua erupção é notória
com sua lava avassaladora
que incendeia tudo que toca
então, melhor não subestimá-la,
fique atento, desfrute de suas chamas
pra que não haja arrependimento.
Nascida do fogo,
é chama acesa,
não se contenta
com o que é morno,
é uma mulher intensa
que aprecia sentimentos vivos,
abraços que lhe aqueçam
inflamando suas brasas
em seus momentos de fraquezas,
Ela tem um amor sincero, não fingido
e se isso não for compreendido
é provável que a percam
e recebam cinzas, não suas labaredas.
Linda e irresistível mulher,
quero te satisfazer,
sentir o teu cheiro
com meus dedosdeslizando
pelo o teu corpo,
olhando nos teus olhos,
ir até a tua boca,
ter-te em meus braços
trazer-te pra perto,
disposto, sem pressa,
entretanto,sem tempo a perder,
num momento só nosso
de um intenso prazer.
És fascinante, uma mulher determinada,
de sentimentos profundos e inconstantes,
de um sorriso sinceramente grato
por não ter facilmente desistido,
por tudo que tem conquistado,
tens um olhar bastante expressivo,
belos cachos, uma beleza irresistível,
o teu espírito é iluminado,
um presente divino de um amor notável.
Tu és como uma estrada misteriosa,
uma mulher surpreendente e intensa,
agora, que passei pelas as curvas
do teu corpo,
acho que é um caminho sem volta
por ter me levado a lugares
intensos e calorosos
com lindos atrativos,
uma viagem como nenhuma outra,
talvez, eu tenha encontrado o paraíso.
Fruto proibido, uma mulher atraente, maravilhosa, que instiga a vontade e aguça instintos, principalmente, em ocasiões que não devem ser expostas, movimentos suaves, precisos, charmosos, olhar seguro, reflexo de um fogo impetuoso de um desejo gradativo, um ar misterioso, quando nada carece ser dito, pois os sentimentos audaciosos já dizem muito por serem fortes e recíprocos.
Na sua companhia, em uma determinada ocasião, uma euforia incomparável, capaz de transformar um quarto em um paraíso particular, dois corpos suados, unidos num diálogo sem falas, corações com batimentos acelerados, emoções acaloradas, o tempo seria provavelmente pausado ou até mesmo, esquecido, a pressa seria incoerente, desagradável com algo tão poderoso e significativo.
Grandiosa é a sua imponência, um fascínio inegável, reluzente, que transcende o seu belo físico, fascinante como um céu estrelado, uma chama ardente, a veemência de um lindo quadro, pigmentos e traços provocantes, sonho e realismo, uma mistura emocionante que exalta os caminhos das suas curvas e a liberdade impactante do seu espírito, atrevido com vestígios de ternura.
Clima caloroso, momento descontraído, o florescer encantador de uma mulher amável, uma liberdade aprazível, uma vibração de amor e na sua pele, uma pétala afável, cabelos formosos influenciados pelos ventos, lábios singelos, olhar terno, brilho carinhoso nos olhos, sentimentos libertos, um equilíbrio majestoso de cores e contornos.
É nisso que estou pensando agora enquanto te admiro felizmente neste dia ensolarado, o sol enaltecendo o teus detalhes expressivos como se fosse um grande holofote celeste dando o destaque à estrela principal de um grande espetáculo, um deleite para a minha mente, a qual te recebe de braços abertos inevitavelmente.
A tua expressividade é tão imponente que meus pensamentos não se aquietam diante de ti, fico deslumbrado intensamente, sonhando acordado, passo a sentir uma emoção envolvente aquecendo o meu espírito, inspirando o meu lado poético, assim, vou mergulhando, transcendendo a superfície de um mar profundo.
Pode ser de fato uma boa garota, uma mulher delicada e bonita, porém, não deve ser subestimada, pois além da sua beleza e da sua integridade, a sua espontaneidade também é muito sedutora, desprovida de ingenuidade,
Nos seus olhos, é possível perceber audácia, amor, gentileza e que as suas emoções são calorosas assim como uma noite apaixonante e intensa, cuja essência é amável e atrevida, elegante e sem vulgaridade
Apenas algumas peculiaridades interessantes de uma venustidade surpreendente, já que nem tudo precisa ficar exposto, faz bem um ar de mistério semelhante ao que é descoberto nas entrelinhas de um poesia provocante.
Forte, verdadeira, uma mulher resistente que demonstra uma certa seriedade, focada nas suas metas e que enfrenta qualquer dificuldade, que aparenta não gostar de muita conversa, o que muitos não sabem é o quanto que é carinhosa e que tamanha é a sua sensibilidade,
Ela se trata de uma pessoa muito intensa que adora momentos que deixam a sua pele arrepiada, que lhe causam suspiros de felicidade, de gestos simples que conseguem tocar a sua alma, de contatos que não são apenas físicos, voltada para as interações mais aprofundadas,
E não é de se estranhar que este seu lado seja tão desconhecido, já que aprendeu a ser mais seletiva, não se contenta com o que não é recíproco, os seus carinhos passaram a ser raros, o seu jeito sensível não é para todos, acredita que sentimentos rasos são vazios, sendo assim, nada desejosos.
Eu a vejo como uma terra fértil, uma mulher de muitas camadas, cada uma com a sua importância, excelente para cultivar o amor, mas não de um jeito displicente, tem que fazer jus ao seu valor ou o mais próximo possível
O sorriso dela é o seu sol particular, um brilho sincero que alegra demasiadamente o seu dia e o de outros que estiverem por perto, sempre voltado com veemência somente para quem consegue gentilmente provocá-lo, de fato, sendo alguém presente
Inegavelmente, às vezes, precisa ser regada por sua chuva, feita das suas lágrimas, aquelas motivadas por sua felicidade vivenciando aqueles momentos incomparáveis l, que conseguem se comunicar com a sua alma a partir de poucos detalhes
Se o cultivo for frequente, o amor será resistente a ventos e tempestades, nunca será um mal tempo para amar e o fruto colhido será ser amado intensamente de volta, cercado por um clima favorável de reciprocidade, construindo ao seu lado ricas memórias.
A Alegria em Forma de Gente: Entre As Fraquezas e O Amor Resiliente
Verdadeira, uma mulher carinhosa, determinada, que tem muita empatia, tanto que, muitas vezes, pensa mais nos outros do que em si mesma; ela tem uma risada contagiante — alta no tom da sua espontaneidade; costuma demonstrar claramente quando ama; a sua companhia é singular, fomenta a felicidade; conjuga o verbo amar sempre que pode — uma pessoa que vale a pena ter a sua amizade.
Infelizmente, há aqueles momentos que ela não consegue enxergar tais qualidades e esquece o quanto é importante; sente algumas inseguranças e angústias que a fazem achar que não é o suficiente, que todos os seus esforços não são bastante; entretanto, Graças a Deus, não esmorece, não se entrega e, novamente a chama da sua resiliência reacende ainda mais forte, então, volta a sorrir e segue em frente.
O amor dentro dela é persistente, transborda, diria que ela é a alegria em forma de gente, pois alegra aqueles que estão à sua volta, que a percebem de fato. Com isso, por mais que se sinta fraca, é nas suas fraquezas que ela se prova resiliente; a sua existência é indispensável, o bem que faz a fortalece; portanto, peço ao Senhor que continue cuidando dela como tem cuidado constantemente.
Manifesto: O Fim do Sufoco
É impossível aceitar ver uma mulher sofrendo e se humilhando por um homem 'pequeno'. Alguém que não merece ser chamado de homem e nem comparado aos animais, pois até um cachorro pode ser mais ético e afetuoso do que um ser que só pensa no próprio ego e vive de soberba.
É ridículo ver um homem que ridiculariza a companheira — seja ela esposa, noiva, namorada, mãe ou amiga. Homens que tentam rebaixar a mulher, controlando a roupa que ela usa ou exigindo que ela se troque, achando que, só por terem dinheiro, podem comprá-lo.
Mulher não é objeto, não é brinquedo. Mulher é preciosa.
Aquele que menospreza a dona de casa, dizendo que ela 'não faz nada', deveria tentar fazer o serviço sozinho para sentir o peso da rotina. É covardia fingir que não ouve quando ela fala, ou agir com indiferença. Nenhuma mulher deveria carregar o peso de um sobrenome ou o medo de ser livre. Ninguém merece ser humilhada ou desprezada justamente quando está doente ou vulnerável.
Se o homem está mal, que procure terapia, mas que não desconte suas frustrações em quem está ao seu lado. Mulher não nasceu para bancar vício de 'otário' nem para aceitar monstro camuflado de 'homenzinho'. Respeito não é opcional, é o mínimo.
"Peço desculpas aos homens de verdade, pais de família honestos e companheiros leais que lerem isso; sei que vocês existem e honram quem amam. Minha fala não é um ataque a todos, mas um desabafo necessário contra aqueles que usam uma máscara de decência para esconder o desrespeito"
QUERO SER UMA MULHER...
Que tem fé como Sara, para rir no futuro diante do impossível.
Corajosa como Ester, para se posicionar e vencer os gigantes com graça.
Sábia como Abigail, para agir com prudência e edificar onde há caos.
Leal como Rute, para honrar os laços verdadeiros e caminhar com firmeza.
Perseverante como Ana, para orar em silêncio até a promessa florescer.
E que sabe obedecer a Deus como Maria, entregando os passos Àquele que tudo governa.
Vamos chocar a maioria da sociedade comigo?
É só uma mulher falar que quer se casar, ter mais de um filho e que filhos são uma bênção, e que o lugar que ela gosta de ficar é em casa e quer apenas dividir sua vida com uma pessoa, que muitas vão te dizer: “Nossa, isso não é liberdade”. Mas afinal, a liberdade não é exatamente o que você quer fazer, e não o que o outro acha que você deve fazer.
Um dia nas redes sociais,
Vi uma fotografia linda demais,
Uma mulher bonita sem igual,
De encanto e beleza natural,
Da adolescência a terceira idade,
Pessoa de essência e verdade,
Fizemos amizade de verdade,
Para durar para eternidade,
O nome dela é Sonia Martins,
Uma mulher de beleza sem fim.
Você será uma mulher tão bela
Quer vivi sempre na janela em um temporal de amor
Pois se vc ainda não tem dono
Eu quer vivo no abandono
Quero o seu amor
Veja se não serei inferior assim
Eu gosto de você e você nunca olhou para mim
Meus olhos são fontes de chorar de dor
Se amar é um pecado
Eu seria um pecador
Mas também sou um homem tenho direito ao seu amor
Wendel alves
Observei que havia uma mulher fechando a porta, eu corri ao encontro dela...
Enquanto eu corria, o segurança ficou sem entender nada, só olhando.
Mas, ao chegar perto dela, cansada, exausta de caminhar e faminta...
Perguntei "aqui é a assistência social?" Ela "sim".
Comecei contar a história...
Ela me olhou gentilmente e abriu a porta novamente.
Não perguntou mais nada.
Fez uma ligação, chamou uma combie e disse: "em 15 minutos, vocês vão ser encaminhados para um abrigo no Deus quer" ...
Em menos de 15 minutos, a combie chegou!!
Fomos levados para esse bairro, bem distante do centro.
Chegamos creio que 1 da tarde, lá!!
Nos acolheram, deram um quarto para nós com beliches, muito limpo, lençóis, creme dental, escova de dentes, sabonete e antitranspirantes.
Falaram que podíamos ir tomar banho e ir comer.
Foi a primeira refeição mais feliz da minha vida, e creio que a dos meus irmãos e da minha mãe também.
Finalmente estávamos livres, em paz e acolhidos. Sem violência, sem torturas...
Era um abrigo onde ficava mulheres que sofriam violência doméstica com os seus filhos.
Você, homem ou mulher, foi ensinado a temer o fim do mundo como se ele fosse um evento externo, espetacular, definitivo. Um clarão no céu, uma guerra final, um colapso irreversível. Desde cedo, você aprende a olhar para fora em busca de sinais de destruição, enquanto ignora o desgaste silencioso que acontece dentro. Toda vez que crises se acumulam, que conflitos armados explodem, que economias entram em colapso, alguém repete o mesmo anúncio antigo: agora é o fim. E você quase acredita, porque essa narrativa poupa você de olhar para a parte mais incômoda da verdade.
O mundo não está acabando. O que está em curso é outra coisa, mais lenta, menos cinematográfica e muito mais íntima. É a progressiva desconexão do ser humano consigo mesmo. É a normalização da indiferença, a substituição do pensamento pela reação automática, o abandono da responsabilidade pessoal em nome de sistemas, ideologias ou sobrevivência imediata. Você chama isso de caos global, mas o nome mais preciso é erosão interna.
A Terra permanece. Ela sempre permaneceu. Antes de você existir, ela já assistia a civilizações inteiras nascerem, prosperarem e desaparecerem. Ela viu impérios que se diziam eternos virarem ruínas turísticas. Ela testemunhou religiões dominantes se tornarem notas de rodapé na história. Nada disso a abalou. O planeta não depende da sua organização social, da sua moeda ou da sua narrativa de progresso. Quem depende é você.
Quando você diz que o mundo está acabando, você está falando, sem perceber, da falência de um modo de viver que já não se sustenta. Você está falando da exaustão de um modelo que exige produtividade sem sentido, relações descartáveis, competição constante e anestesia emocional. Você sente o peso disso no corpo, mesmo que não saiba nomear. Sente no cansaço crônico, na ansiedade difusa, na sensação de estar sempre correndo atrás de algo que nunca chega.
O anúncio do fim do mundo se repete porque ele funciona como uma válvula de escape psicológica. Se tudo vai acabar, então nada precisa ser profundamente revisto. Se o colapso é inevitável, você se isenta de responsabilidade. Você pode continuar vivendo no automático, repetindo padrões herdados, adiando escolhas difíceis. O apocalipse vira uma desculpa elegante para a inércia.
Mas observe com atenção. Geração vai, geração vem. Sempre houve guerras. Sempre houve fome. Sempre houve injustiça. O que muda não é a existência do conflito, mas a forma como você se relaciona com ele. Hoje, você consome o sofrimento como conteúdo. Você assiste à destruição em tempo real, entre um vídeo curto e outro, sem metabolizar nada. A dor vira ruído. A tragédia vira estatística. E você segue, cada vez mais distante da própria sensibilidade.
Esse distanciamento não acontece de uma vez. Ele é construído em pequenas concessões diárias. Você aceita um trabalho que te esvazia porque precisa pagar contas. Depois aceita silenciar valores para manter estabilidade. Em seguida, normaliza relações rasas porque não tem energia para profundidade. Quando percebe, você não sabe mais o que sente, apenas reage. Não é o mundo que está em ruínas. É o seu contato consigo.
A ideia de que o mundo vai acabar também carrega um desejo oculto. O desejo de que algo externo resolva o que você não quer enfrentar. Um colapso total dispensaria decisões individuais. Não seria mais preciso escolher com consciência, sustentar limites, rever prioridades. Tudo seria varrido de uma vez. Esse desejo não é consciente, mas ele existe. Ele nasce do cansaço de viver sem sentido.
Só que o mundo não colabora com essa fantasia. Ele continua girando, indiferente às suas previsões apocalípticas. Enquanto você espera o fim, a vida segue exigindo presença. O tempo continua passando. O corpo continua envelhecendo. As escolhas continuam acumulando consequências. Não há pausa cósmica para quem está confuso.
O que realmente está em crise é a forma como você foi ensinado a existir. Uma forma baseada em comparação constante, medo de ficar para trás e uma busca incessante por validação externa. Você mede valor por desempenho, sucesso por visibilidade, felicidade por aparência. Esse modelo adoece porque ignora algo básico: você não é uma máquina de produzir resultados. Você é um ser humano que precisa de coerência interna.
Quando essa coerência se rompe, tudo parece um fim. Relações desmoronam. Profissões perdem sentido. Crenças se mostram frágeis. Você chama isso de colapso civilizacional, mas é também um colapso de identidade. Quem sou eu sem os papéis que desempenho? Quem sou eu sem as promessas que me venderam? Essas perguntas assustam mais do que qualquer guerra distante.
O discurso do fim do mundo também mascara uma recusa em amadurecer. Enquanto você acredita que tudo está prestes a acabar, você se mantém numa posição infantil diante da existência. Espera que algo maior decida por você. Espera que líderes, sistemas ou catástrofes definam o rumo. A maturidade começa quando você aceita que não haverá resgate coletivo. Haverá apenas escolhas individuais feitas em contextos imperfeitos.
Isso não significa negar a gravidade dos problemas reais. Guerras matam. Crises econômicas destroem vidas. Sistemas são injustos. Tudo isso é concreto. Mas nada disso elimina a sua responsabilidade sobre como você vive, pensa e se relaciona. Você pode estar em um mundo caótico e ainda assim escolher lucidez em vez de anestesia. Pode escolher consciência em vez de cinismo.
A Terra não pede que você a salve. Ela não depende da sua angústia. Quem precisa de cuidado é você. Cuidado no sentido mais radical da palavra. Atenção honesta aos seus padrões. Às narrativas que você repete sem questionar. Às crenças que te mantêm pequeno enquanto fingem te proteger.
O verdadeiro apocalipse não vem com sirenes. Ele acontece quando você abandona a capacidade de sentir, refletir e agir com integridade. Quando você terceiriza sua consciência. Quando você se convence de que não há alternativa, mesmo sem ter explorado nenhuma profundamente. Esse fim não vira manchete, mas ele molda uma vida inteira.
Você não precisa esperar que o mundo melhore para começar a se reorganizar internamente. Essa espera é outra armadilha. A história mostra que o mundo raramente oferece condições ideais. Mesmo assim, pessoas lúcidas existiram em todas as épocas. Não porque eram otimistas, mas porque eram responsáveis por si.
Geração vai, geração vem, e a Terra permanece. O que muda é o nível de presença com que cada ser humano atravessa seu tempo. Você pode atravessar este momento repetindo o coro do fim, ou pode atravessá-lo como alguém que decidiu parar de fugir de si. Não é uma decisão confortável, mas é uma decisão adulta.
Este texto não existe para te acalmar. Existe para te lembrar de algo que você já sabe, mas evita encarar. O mundo não vai acabar para te poupar do trabalho interno. Ele vai continuar, exigente, indiferente, fértil. E você terá que escolher se vai seguir se perdendo em narrativas de desastre ou se vai recuperar o fio da própria consciência.
Não há promessa de redenção coletiva. Não há final épico. Há apenas a possibilidade diária de alinhar pensamento, ação e responsabilidade. Isso não salva o mundo. Mas impede que você desapareça de si mesmo enquanto ele segue existindo.
E talvez seja isso o que realmente importa.
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