Textos Reflexivos de Amor
Desacelerado
Tudo acontece tão rápidamente
Os botões são apertados e tudo se transforma
Acordo e parece que passaram dias
Ainda estou ensaiado em cima da cama
Os computadores de casa
Me acordam numa rajadas de beeps
Como um despertador
Em meio um bombardeio de noticias
Acorrenta-me pelas mãos e guia-me nas ruas
Movimentadas cheio de pessoas acorrentadas
Parece uma guerra no qual as pessoas só olham pra baixo
Quando olham o horizonte, não te enxergam, te atropelam
A um palmo a frente
Tomo meu café acorrentado
Almoço acorrentado
Janto acorrentado
Vou dormir, ele carrega ao meu lado
Não consigo mais largá-lo
Por que me tornei um pouco dele
Ele tornou um pouco de mim
Agora somos amigos automáticos
Ele, com suas batidas de beeps
Eu, com meu coração descompassado
Duas máquinas aceleradas
Precisamos nos soltar
Pra enxergar
O entorno
Deixar um pouco de ar entrar
A espontaneidade surgir
A criatividade brotar
O solidariedade fluir
O amor encaixando-se
No seu lugar
Seus braços são chamas.
Como tochas ardentes.
Sua boca é o sol.
Quando você me beija.
Você me queima por fora.
E me derrete por dentro.
O frio e a solidão da quarentena.
São evaporados imediatamente.
Seus beijos são chamas.
Seu corpo é o verão.
Aquecendo minha alma.
E esquentando meu coração.
Quando estou sem você.
No hay verano sin sus besos.
Rainha do deserto (versão 2)
Pedras a rodeiam,
desenhando suas asas,
jogada num cinturão de poeira,
o sol drena a água das raízes,
sobre sua cabeça emulando uma coroa.
Calibres de areia se moldam,
sobre as curvas do corpo emulando um vestido.
A encapada flutua nas areias quentes do Saara,
o véu distorce ao vento,
até ladeira abaixo ornamentada.
Guiada por calangos e dromedários,
abutres e carcaças,
levando fé, paixão e garra,
ela é a rainha do deserto,
a cigana flamejante das terras
áridas e quentes,
escultura de areia que resiste as dunas,
a seca, as tempestades e a poeira,
na imensa vastidão desértica.
Sambando na chuva da noite (versão 3)
Quero estar com você,
enquanto os trovões iluminam o céu,
numa noite de espetáculo de pirotecnia natural,
parecemos dois patos perdidos,
ornamentados pulando entre as poças,
vamos nos jogar na chuva,
molhar nossas cabeças,
esquecer nossas diferenças,
nossas manias,
nossas competições do dia-a-dia,
quero estar com você,
juntando nossas penas cheias de cores e ideais,
nossos dissabores do cotidiano,
nossas desavenças aqui morrem afogadas,
vamos nos jogar na chuva,
e molhar nossa consciência,
batizar nossas idéias,
esquecer nossas bobeiras,
e acender a magia do carnaval,
somos apenas dois palhaços notívagos de luar,
desligados dos barulhos do mundo,
vivendo nosso inquietante samba de romance,
até o sol raiar.
Não há lugar que possa correr
Se seus olhos penetram a invadir-me,
Tempestades de sentimentos caem sobre mim,
Como choro, regurgitadas,
Se seu coração bombardeia a fuzilar-me,
Emoções caem inquietas sobre mim,
Como desejos, insopitáveis,
Se seu amor eclode a refugiar-me
Redoma de acalento assenta sobre mim
Como amparo, escudado,
Não há nada que possa fazer,
Não há lugar que possa correr.
Perfume
Quero sentir aquela única noite,
Com as luzes vibrantes,
Que nos refletiam na parede,
Quero ter a realidade dos sonhos,
Viver o calor real,
Quando os corpos se juntam,
Passaram-se dias,
Correram-se anos,
Nunca mais nos encontramos,
E meus pensamentos voltando,
Como déjà vu de emoções,
Indescritível,
Inesperado,
Intenso,
Guardo naquela rosa,
O aroma da lembrança,
Num vidro blindado,
Um frasco de cheiro,
O perfume cuidado,
Do que restou do romance,
Sua essência,
Que se impregnou em mim.
Efígie
Foi-se como um sonho,
Devaneio de prazeres proibidos,
Deusa foragida do paraíso,
Flecha que acertou o mais destemido,
Desbravador de Quimera e Basilisco,
Um lobo temido,
Que sucumbiu nas graças,
De uma predileção,
Agora resta os encantos,
Na caligem das guerras,
Na esbórnia dos lambareiros,
O cavalheiro tornou-se assisado,
De coração ameno e ponderado,
Aflorado de talentos adormecidos,
Um fabro mudado,
Sua obra aos poucos foi-se talhada,
Dotada de formas delicadas,
Fruto de paixão e inspiração,
Efígie que sobreviverá aos tempos,
Viverá aos atentos,
Encantados por seus condões,
Que embeleza, gera e transforma.
Não te subestimes
Homem q se faz de dramático!
Honra sua vida!
Assim como milhares de pessoas q estão à lutar!
A vida das batalhas!
O coitado q se subestima!
Na autopiedade!
Rastejando-se ao chão!
Com tanto vigor!
Haverá sempre alguém distante!
Esperando alento!
Esfomeado por sentimento!
De q suas habilidades poderão se-lhe importante!
Nada é em vão!
Não é por acaso!
Haverá sempre alguém esperando-lhe doutro lado!
Por seu abraço!
Por sua palavra!
Por alguma atenção se quer!
Não te subestimes!
Não te subestimes!
Pois pra alguém serás sempre importante!
Que tristeza sinto em meu peito,
É ruim estar insatisfeito,
Quando você enxerga que nada é perfeito,
E seu corpo entra em rejeito.
Há pessoas que te encanta,
No fundo do poço te levanta,
Nos seus braços lhe sustenta,
Fazem da sua vida sua ferramenta,
E quando enjoam,
Desistem à toa.
Ainda quero acreditar,
Em um amor que me faz acordar,
Que de mim faça o seu lar,
E que possamos se somente se amar.
Que tristeza sinto em meu peito,
Quando vejo pessoas de todo jeito,
Que pelos sentimentos do outro não há respeito,
Brincam com eles e tiram proveito.
Que tristeza sinto em meu peito,
Por pessoas sem conceito,
Sujeitos,
Imperfeitos,
Cheios de defeitos.
Se aceitar ser moradia de alguém,
Não deixe que ninguém,
Tire o sossego,
Que vem do seu peito.
E tem que ser recíproco,
Correspondente,
Bilateral,
Mutual,
Retribuído.
As vezes as falhas estão comigo,
Não sei,
É uma dúvida constante carregar a culpa de algo que vejo que não é construído somente comigo,
Uma hora, bem menos, estamos bem.
As outras horas, quase sempre estamos em campos de guerra/batalha.
As guerras/batalhas que travamos saímos vivos,
Mas a alma fica desgastada.
E, não está sobrando tempo para cicatrizá-la.
A todo momento um "Adeus",
E esse "Adeus", aos poucos nos distancia.
E,
Não sei como ficarei depois,
Não sei como viverei depois,
Não sei como sobreviverei depois,
Não sei como serão minhas noites,
Não sei como serão meus dias,
Não sei como será a vida,
Não sei como será lidar com a saudade,
Não sei, não sei de nada.
Sei que irá passar,
Mas sei que, talvez não seria o que desejaria para o hoje..
ESQUINAS
Olhos de gato, mãos de fada, sonhos de mulher.
Ela caminha sozinha a espera de um futuro qualquer.
Qualquer dia, qualquer encontro, qualquer beijo. Aquele beijo.
Na rua, as gotas de chuva caem silenciosas e solitárias. E ela segue seu caminho, paciente, única, a espera.
A espera de olhos como os seus, olhos de gato, fulminantes, e a mão de um anjo com sonhos de homem, não qualquer homem, nem um para qualquer encontro. Aquele homem, aquele beijo.
E ele segue seu caminho, paciente, único, a espera. As gotas de chuva caem silenciosas e solitárias sobre ele também. Na mesma cidade, mesma realidade, mesmo desejo.
Na outra esquina.
"Certa vez, iniciei a criação de uma lagarta. Oferecia-lhe folhas e cativava cada momento. Cuidei dela da melhor forma possível. No início, ela parecia interessada apenas em se alimentar, mas, com o tempo, começou a apreciar minha companhia, a ficar ao meu lado, a ouvir minhas conversas despretensiosas. Ela me compreendia como ninguém. Até que chegou o momento em que precisou se afastar para tecer seu casulo. Compreendi que era o seu destino. Desde então, passei a admirá-la à distância. Quando finalmente emergiu, pousou em meu dedo antes de partir.
Em alguns momentos, vejo aquela linda borboleta. Ela me olha de volta e eu reflito: se ela não tivesse partido, se ainda estivesse aqui, talvez não tivesse asas e não fosse tão feliz quanto desejo. A maior prova de amor é, muitas vezes, deixar ir; é guardar os bons momentos e rezar para que ela sempre voe alto."
Alma em Solidão
Na solidão, me refugio em um abraço macio,
Um vício reconfortante, mas vazio.
Almejo um sorriso que aqueça meu ser,
Um beijo de bom dia para florescer.
Um "eu te amo" sussurrado ao anoitecer,
Um ombro amigo para as lágrimas verter.
Compartilhar alegrias, tristezas e sonhos,
Com alguém que me complete, sem tronos.
Quem recusa esse amor, se priva de viver,
De sentir a chama do afeto arder.
Ignora o que é amar, sonhar e vibrar,
Em um dueto de almas que se vão encantar.
Solidão, adeus! Pois chegou a hora
De abrir meu coração para a aurora.
Buscar um amor que me faça transbordar,
E nesse encontro, a vida celebrar.
Abraçar a sua sombra é parar de fugir do espelho. É olhar pra dentro e dizer “eu sei o que você fez" “e mesmo assim, ainda te amo” “porque você é tudo o que me sobrou e tudo o que me trouxe até aqui.”
Ninguém é inteiro sem seus pedaços escuros.
Ninguém é forte sem suas quedas.
Ninguém é livre sem primeiro encarar o cárcere da própria mente.
A ausência deixa espaço. E é nesse espaço que mora a dor. A memória do que já foi e talvez nunca tenha sido do jeito que a gente lembra.
Aqui a tempestade ficou engarrafada e o sentimento não resolvido é transformado em memórias que a gente não queima porque o cheiro da fumaça lembra casa.
Você diz que vai embora.
Eu digo “vai”, mas minha voz treme.
Você diz que me odeia.
E eu rio. Porque sei que no fundo você só não sabe mais amar.
Nem eu.
A gente se estraga melhor do que se ama.
Mas tem alguma coisa nesse caos que parece casa.
Alguma coisa doente, instável, mas familiar.
Hoje eu senti a necessidade de escrever, de transbordar em palavras aquilo que sinto. Ontem, permiti-me vazar, escoar as emoções que estavam represadas. Recordei-me de Viviane Mosé, que em seus poemas presos nos lembra da importância de dar vazão aos sentimentos. E foi isso que fiz: deixei que eles fluíssem.
Encontrei duas amigas queridas, com quem compartilho um amor de 12 anos. Ambas trilharam caminhos distintos, mas agora se reencontram. Apesar das marcas do tempo e dos desafios enfrentados, o elo entre elas permaneceu. É fascinante perceber como a vida, com seus fluxos e refluxos, separa e une as pessoas, quase sempre com um propósito maior do que conseguimos entender. Talvez o destino as coloque juntas novamente para que uma seja o reflexo e a transbordação da outra, preenchendo os vazios que cada uma carrega.
Ao observá-las, senti-me atravessado por suas histórias e pela beleza contida no reencontro. A essência de cada uma continuava intacta, mas transformada pelas experiências vividas. Nesse encontro, enxerguei a potência do amor que resiste, que sobrevive às dores e floresce em formas inesperadas.
É difícil para mim escrever sobre isso. Desde que desci da estação, construí um escudo protetor contra as dores do amor. Ainda assim, não posso negar: a estação continua linda. Cada amanhecer me encontra em paz, leve, livre. Mas essa liberdade é paradoxal – enquanto posso ir e vir, sinto-me, por vezes, sem saber o que fazer com tamanha vastidão. Ainda assim, é uma sensação boa, reconfortante.
Ao reler o que escrevi sobre solidão, percebo agora que a solitude começa a tomar forma. Talvez a vida nos ensine, incessantemente, que estamos aqui para curar e sermos curados. Cada despedida e cada reencontro trazem consigo lições veladas. A partida da estação me fez perceber quais trens não quero mais tomar. E, apesar de ainda nutrir certa descrença no amor genuíno, descobri que sou capaz de amar.
Reconheço o amor que passou, ou talvez ainda passe, por minha vida. Ele foi lindo – e isso basta. Ontem, durante a parada na estação, reafirmei para mim mesmo que o amor, mesmo atravessado pela dor, é belo. A dor, passageira como é, tem a estranha capacidade de nos iluminar, de nos fazer compreender nosso lugar no mundo.
Quando o amor floresce, ainda que sob a penumbra do sofrimento, ele deixa de ser dor para se transformar em calmaria. É como se, em meio ao desequilíbrio do coração, uma paz silenciosa se instaurasse. Assim, compreendo que o amor é, antes de tudo, uma experiência humana sublime: é a transformação da dor em beleza, é o reconhecimento da nossa própria vulnerabilidade e grandeza.
E assim, como as amigas que se reencontram e se completam, percebo que cada história, cada encontro, cada despedida, desenha um ciclo que nos convida a viver plenamente. O amor é, no fim, o que nos une a nós mesmos e aos outros, transbordando para além do tempo e do espaço. E na estação da vida, onde chego e de onde parto, carrego comigo a certeza de que o amor, mesmo atravessado pela dor, continua sendo o ponto de encontro mais bonito.
Havia um silêncio pesado no ar, um tipo de vazio que só o coração partido conhece. Sentado naquele banco, ele olhava para o espaço ao seu lado — vazio, frio, como se a ausência dele tivesse roubado a vida da própria paisagem. O vento soprava suavemente, carregando consigo as folhas secas que dançavam ao redor, cada uma como uma memória se afastando, lenta, mas inevitavelmente.
Nas mãos, uma única flor. Suas pétalas caíam uma a uma, marcando o tempo, assim como o amor que ele uma vez segurou tão firmemente, mas que agora deslizava entre seus dedos. A promessa de um "para sempre" que, como o pôr do sol naquele céu nublado, começava a se apagar.
Ele fechou os olhos, e por um momento, podia sentir o calor do riso dele ao seu lado, podia ouvir sua voz entre as árvores balançadas pelo vento. Mas, ao abrir os olhos, tudo o que restava era a saudade. O mundo, antes vibrante com a presença dele, agora parecia um quadro pintado em tons de cinza.
A chuva começou a cair. Pequenas gotas, como lágrimas que o céu chorava por ele. Ele não precisava chorar. O céu fazia isso por ele. Cada gota era uma lembrança, uma palavra não dita, um toque que nunca mais sentiria. E aí ele se tocou que: o amor, mesmo na dor, era belo...
Adoraria ouvir cada detalhe do seu dia
Adoraria ver cada detalhe do seu rosto
Adoraria passa a mão pelo seu corpo
sentir o seu calor
Adoraria te abraça nem que fosse pela ultima vez.
Seus olhos castanhos me fazem lembrar dos meus livros
Dos post-ti dentro dele com seu nome
Da vontade incessante de te conta cada história
Dos poemas que nunca te dediquei.
Do homem de ferro que o fiz pra ti.
Te amar de longe corrói minha alma,
Me agoniza,
Me faz triste e feliz... ou...
Um sentimento que não sei distinguir
Só sei que o amo.
- Você é feliz?
- Essa é uma boa pergunta... Nunca me perguntei sobre isso.
- Por que?
- Não sei explicar... Como se faltasse algo em mim.
- Partiram seu coração?
-Também, mas o que mais dói é a falta de alguém que foi embora mesmo querendo ficar.
- Por que não ficou?
- Porque não era a hora dele, eu acho.
- As pessoas são estranhas não acha?
- Sim, mas é bom ser estranho, é ser e viver diferente dos outros.
-Não digo nesse sentido, mas, no sentido de permanecer... Por que que uma pessoa iria querer ir embora mesmo querendo ficar?
- Medo, insegurança ou não sentir do mesmo jeito que o outro.
-Mas... Deveria ter ficado, os sentimentos mesmos que sejam diferentes, podem fortalecer juntos, só basta querer.
-Você tem razão, talvez ele não quisesse ficar ao meu lado.
-Se ele não quis foi burro de mais, a senhora parece ser uma pessoa incrível.
- Queria ser essa pessoa, talvez só aparento ser, mas to quebrada por dentro.
-Então se reconstrua, não devemos nos prender ao passado.
