Textos para os meus Amigos Loucos
CAÇADOR DE AFETOS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Hoje cato meus cacos do sentido
que movia os meus passos pra você,
mas trincou na frieza de seus olhos
e quebrou no Saara do seu chão...
Já nem tento repor o desperdício
do meu tempo, meu sonho, minha fé
em seu dom de respostas afetivas;
no seu pé de motivos pra sonhar...
Não queria o reflexo perfeito;
que su´alma entendesse um coração
tão afeito ao acúmulo de afetos...
Só queria sentir que você sente
ou que tem o poder da fantasia;
sua mente não priva seu instinto...
E POR FALAR EM QUEM FALA...
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Lido com as pessoas de meus relacionamentos, dentro de suas condições pessoais de conviver comigo. Sempre acho, embora muitas vezes equivocado, que tenho bem mais elasticidade para recebê-las, com suas variações de comportamentos, do que elas a mim.
Com algumas pessoas me permito ser essencialmente quem sou, em todas as minhas esquisitices, manias e charadas. isso tem muito a ver com a confiança de ambos os lados. E acredite; para lidar comigo, há que se ter muita confiança; tanto em mim, quanto em si próprio.
Com outras pessoas, para seu próprio bem, já me permito podar um pouco, se houver algum compromisso de convivência. E com outras mais, externamente nem sou quem sou, pelo quanto me adéquo, me ambiento e me aparo, no caso de ser especificamente necessário conviver.
Não sou falso. Ser falso é fingir para ter vantagem, trair ou prejudicar alguém em determinado momento, como jamais será meu caso. Apenas reconheço que não sou de fácil compreensão. Nem aceitação. Nem discernimento. A depender de com quem convivo, é necessário eu mesmo proteger essa pessoa de minhas nuances; minha liberdade; minha integralidade vivencial. Preciso estar menos eu, naqueles momentos que me põem próximo de quem não tem condições de conviver com as minhas verdades.
Então às vezes mudo. Não a identidade, mas a forma de apresentação. Isso acontece quando concluo, depois de muita convivência e observação, que a pessoa em quem confiei ao ponto extremo de não ter segredos, formalidades, e assim estabelecer uma entrega honesta e desarmada, não entendeu o contexto e o tamanho do afeto. Não houve qualquer entendimento de minha falta de noção.
É aí que acerto o compasso. Passo a ser para tal pessoa, o que ela pede que seja, desde que isso não me descaracterize para mim mesmo, ao que seria melhor o rompimento definitivo. Pense bem. Pense muito bem, antes de se permitir conviver com alguém tão cru. Tão sem cozimento, confeitos e aparatos.
MEUS NÃOS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sempre me caço em minh´alma, e passo de um querer para outro em busca de um destino viável. São muitas as incertezas que me habitam, mas todas dizem respeito ao que ainda pretendo conhecer, fazer, descobrir e alcançar.
Ao aprender comigo mesmo que o ser humano é passível de tantos erros, também aprendi que é possível não repetir aqueles que já cometemos. Ademais, precisamos de tempo para cometer os incontáveis erros novos e aprender, com suas lições, a praticar os acertos.
Se ainda convivo com tantas dúvidas, elas estão relacionadas aos sins de minha existência. Não tenho dúvidas de meus nãos. Hoje sei exatamente o que não quero, quem não sou e como não vejo a vida.
POEMAS DE AMOR
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Meus poemas de amor são do tempo que sobra
dos protestos, do medo e da má previsão,
têm o dom da visão de verdades ocultas
que não moram no mundo em redor dos sentidos...
Eles vivem de sonhos que o sono ignora,
são essências da vida que a vivência extingue,
do sorriso que chora, o choro que sorri
sob o bom sofrimento que o poeta rege...
Nos poemas de amor todo amor é bonito
por ser mito na forma com que se decantam
sentimentos reais que são suas matrizes...
Entretanto é de amor que se faz qualquer verso
sobre vida, universo, política e sonhos;
os de amor são poemas de confessionário...
BÚFALO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ter apenas meu canto; meus canteiros;
uma rede, o repouso, tempo justo;
ver janeiros, agostos e dezembros
numa ida sem pressa nem conflito...
Minha idade se vai como rebanhos
que apreciam seus brejos e pastagens,
tomam banhos de chuva e manguezais
e não temem, pois não sabem temer...
Alcancei meu instinto primitivo,
quero apenas os dias que já vejo,
porque vivo de chão; de céu; de ar...
Mas ninguém tangerá sequer um passo
do que faço e do que perco da vida;
não sou boi de fazenda e matadouro...
AUTORRETRATO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Os meus versos te pegam no pós-banho;
nos teus olhos de quem se masturbou;
eles fazem teu show perder a classe,
porque mostram quem és no camarim...
Meus poemas arriam tua calça
onde a tua nudez não é bem-vinda,
quando a falsa moral quer pecadores
para dar pôr na berlinda ou na fogueira...
Só não posso negar para mim mesmo
que me pego na minha hipocrisia,
pois a minha poesia me revela...
Sou a própria expressão do réu confesso;
se meu verso te flagra no teu flato,
denuncia minha mão amarela...
LIBERTADORA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Tuas chaves destrancam segredos tão meus,
que se tornam tão teus quanto mais de ninguém,
algo em ti é meu campo de pouso e corrida,
uma vida num mundo inteiramente novo...
Vou ao fim do meu túnel, redescubro a luz,
me refaço, renasço, recomponho enredo,
não há medo em seus olhos, eles dão coragem
ao meu sonho de voos que jamais ousei...
Desabrochas em mim cada flor escondida,
suavizas espinhos que agora não ferem,
querem só descansar no caminho que doas...
És com quem sou quem sou e jamais atinara,
minha rara magia, vara de condão,
chão que os pés não sentiam sob a própria planta...
A PEDRA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
O que meus olhos procuram é aquele olhar que não faz curvas. Vai direto aos olhos que não fogem do rosto. Vêm direto aos meus, para dizer sim ou não. Na chegada, no adeus e para dar a notícia que alivia ou dói.
Minha voz vai no tom dos olhos: tem seu alvo traçado e seguro. Seja doce ou rascante, não desvia o tema. Não frauda o contexto. Tem a gema no centro de sua clara intenção de soar o que diz. De fazer o que fala.
Sou do tipo sem tipo. Jamais deixei de fluir meu afago sincero, mas também a pedrada, se minha ira precisa desse arroubo. Tenho laje de vidro, mas quando fervo em meu todo não quero saber se a pedra será ou não devolvida.
É por isso que peço e não me acanho: confies em mim, sem temor do após. Sejas muito bem-vinda em meu começo, meu fim, sem qualquer meio termo. Comigo é céu ou inferno... meus extremos são à prova de limbo.
POEMA DE RUA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
É na rua que os risos encontram meu rosto,
que meus olhos encontram olhares acesos,
o meu corpo se livra de pesos e sombras
ou de velhos assombros que nunca se vão...
Lá na rua estão vozes, expressões que vibram,
correm vidas num rio pra todos os lados,
corações misturados esbarram nos outros
e se ferem, se curam, dão sentido ao tempo...
Neste canto faz frio que vence o calor
de qualquer estação, por mais quente que seja,
não há dor nem alívio, qualquer vibração...
Só as ruas fervilham de gentes e coisas,
interesses humanos, defeitos, virtudes,
atitudes e gestos que movem o mundo...
POEMA DE RUA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
É na rua que os risos encontram meu rosto,
que meus olhos encontram olhares acesos,
o meu corpo se livra de pesos e sombras
ou de velhos assombros que nunca se vão...
Lá na rua estão vozes, expressões que vibram,
correm vidas num rio pra todos os lados,
corações misturados esbarram nos outros
e se ferem, se curam, dão sentido ao tempo...
Neste canto faz frio que vence o calor
de qualquer estação, por mais quente que seja,
não há dor nem alívio, qualquer vibração...
Só as ruas fervilham de gentes e coisas,
interesses humanos, defeitos, virtudes,
atitudes e gestos que movem o mundo...
PEDIDO AOS MEUS VERSOS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Se os meus poemas puderem,
não tiverem compromisso
com alguns plagiadores;
algumas cartas de amor;
um editor satisfeito
sem ter direito a pagar...
Ou se não for triste caso
de já cansados de si,
de mim, do meu coração
e da minha compulsão
de compô-los toda hora,
pularem fora das pautas...
Não custa nada os meus versos,
os meus poemas de tudo,
perversos, de amor, de vida,
sinceros, sonsos e tristes,
alegres, duros, sensíveis,
fazerem este favor...
Se os meus poemas puderem,
quiserem, lhes der vontade,
já peço desde o momento,
que me abandonem à sorte
segundos depois da morte,
mas vão ao sepultamento...
SEJA BEM IDA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Pergunte aos meus ex-amores que um dia resolveram partir, como foi fácil me dar adeus. Como lhes dei prontamente o sinal verde. Alforria imediata para o que não era escravidão.
Depois pergunte ao meu coração, se por acaso ele saiu pela boca. Também indague ao meu peito se lhe faltou ar; se a pulsação coronária o nocauteou. Você há de constatar, talvez com alívio, que não me rasguei todo em tiras e que a polícia, em todas essas dispensas, não teve o menor trabalho comigo. Nenhuma das algumas partidas de meus ex-amores terminou em prisão para mim, porque nunca tentei ser prisão de quem um dia me amou ou fez que o fizesse. Respeito amores e vontades. Verdades e mentiras. Não cobro juros por juras não cumpridas.
Se seu desejo é partir, não se avexe. Só preciso saber. Não posso responder ao adeus não dado, e quem quer partir não sou eu. Sendo assim, não imponha esse jogo de me cansar. De me fazer tomar uma decisão que é sua. Facilitar o que já é fácil, quando afinal, será exatamente como foi com os demais amores desistentes. Não se acanhe por me desamar e se desmentir de seus tantos “eu te amo”. Do seu automático “não vivo sem você”. Da sua mania de “você é tudo pra mim”, entre outras declarações que se tornaram clichês; carimbos compulsivos de seus lábios que já nem precisavam articular para reproduzir esses textos.
Conheço bem essa hora. Esse olhar. Essa distância, mesmo de perto. Esse mesmo silêncio. Tive outros amores que seriam pra sempre. Que até foram, mas o sempre se limitou. Ficou curto. Depois mais curto, até se tornar nunca mais, e sempre com o mesmo jogo no qual não entrei: o de forjar minha desistência; dizer adeus em meus lábios; acenar com a minha mão. Quando não teve outro jeito, a surpresa: foi tão fácil me dar adeus; fui tão compreensivo e liberal, que me acusaram de frio; que se revoltaram posteriormente com a facilidade, pois doeu na vaidade humana.
Vá em paz. Não é preciso jogar. Estendo meu tapete à sua partida. Seja bem ida e se avexe não... a porta pro mundo é a serventia... do meu coração.
VERDADES OPOSTAS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
De repente não sei despir meus olhos
dos teus olhos, teu riso, tua estampa,
tudo acampa no bosque da saudade
que brotou em meus campos afetivos...
Tua voz acompanha meu silêncio
e me faz esquecer os sons externos,
meus eternos motivos de sonhar
se renderam à tua novidade...
Não há pressa em saber se já te amo,
pode ser um sussurro de carência
ou daquelas paixões de meninice...
Mas a minha verdade não é tua;
minha lua não cabe no teu mar;
o que sinto é só meu, de mais ninguém...
DEPOIS DO TEMPO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Tenho muito a domar nos meus impulsos,
a conter nos meus passos desmedidos,
nos avulsos de minha intransigência
sobre tantas questões que não domino...
Levo tantas verdades prematuras
que as verdades formadas logo abortam,
minhas asas começam a se abrir
e se cortam no vento mal cortado...
Uma lida já gasta e não aprendo,
não me rendo ao sentido que não faz
tanta busca por pouco a ser fruído...
Quero muito querer pousar meus sonhos
nos arbustos da idade resolvida,
pra que a vida resolva o que fazer...
ÀS MARIAS E OUTRAS MÃES
Demétrio Sena, Magé – RJ.
A estas horas, os meus irmãos estão nostálgicos como eu. Imagino-os, cada um em seu canto, remoendo um universo de vivências. Muitas e muitas, tristes; algumas alegres; mas todas envolvendo amor, esperança e uma luta insana pela sobrevivência e pelo “ficarmos juntos”, que era um bordão de nossa mãe.
Temos, de fato, este universo de vivências com nossa mãe. Mas o tesouro imensurável que nos restou de todos aqueles anos é a cumplicidade que nos envolvia. Entre choros, percalços, privações e muito trabalho, nós sempre tivemos uma relação intensa de amor, apesar dos momentos de revolta contra tudo e todos ao nosso redor. O amor intenso, a presença forte, a coragem e a determinação de nossa mãe, cuja única ambição era conseguir nos criar como pessoas de bem, preparadas para o mundo e aptas para sobreviver com dignidade nos transformou ao longo dos anos. A revolta foi permeada pela ternura, e o sofrimento nos deu experiência e força para conseguirmos nosso lugar no mundo graças ao trabalho e à criatividade que aprendemos a ter com a nossa Maria cheia de graça, para driblar as horas difíceis. Ela nos tornou vencedores.
As lembranças e a saudade não se limitam à data instituída. Mas a data instituída nos organiza dentro de um turbilhão de afazeres e até de outros afetos, para separarmos um dia dentro de um ano, de nos dedicarmos como em todo o mundo, especificamente às homenagens. É boa essa corrente, mesmo com a consciência da exploração comercial que nos remete ao consumo. Que faz o comércio e a indústria comemorarem não especificamente o amor às mães, mas o dia do ano que só perde para o natal, no que diz respeito ao lucro, o que não condeno, pois isso atende ao anseio dos filhos de mães vivas, a lhes dar um agrado como símbolo e demonstração de amor e reconhecimento.
Quando viva, nossa mãe conseguia nos reunir, nos últimos anos, a cada dia das mães. As reuniões se tornavam grandes festas, porque somos nove irmãos; todos com filhos. Alguns com mais de um filho. Outros com netos. Somando-se as esposas, não era necessário ter mais ninguém para encher e movimentar um ambiente. A grande alegria de nossa mãe nunca foi ganhar presentes. Ela nunca deu a menor importância para utensílios, bens, roupa nova e qualquer outro agrado material. Sua maior felicidade era ver todos juntos e nos encher de comida, como se para compensar os muitos anos de pouca, e às vezes, quase nenhuma comida, mesmo com tanto trabalho para que pelo menos o alimento nunca faltasse à mesa simbólica. Simbólica, porque poucas vezes tivemos mesa. Quando tínhamos, era feita por nossa mãe, de caixotes velhos de feira.
Desculpem se quase sempre os meus textos que tratam de mãe soam meio lamuriosos. Não é minha intenção. Até porque, lamentável, mesmo, seria não termos tido a mãe que tivemos. Hoje nem todos os irmãos conseguem sair de casa para se juntar em só ambiente com o fim de homenagear nossa mãe. A certeza de que não a veremos nos desestimula um pouco, e nos faz priorizar a homenagem presencial às mães de nossos filhos e, algumas vezes, às nossas sogras. Homenagens muito justas, porque todos nós nos casamos com grandes mulheres e, em maior e menor escala também filhas de grandes mulheres.
Neste dia das mães, além da homenagem à memória de nossa Maria, quero também homenagear a memória de outra Maria, mãe de minha esposa Eliana, por quem tive grande afeto, e a grande mãe que a Eliana aprendeu a ser com sua Maria. Esta homenagem se estende a todas as mães que fazem jus à maternidade.
DEPOIS DE TI
Demétrio Sena, Magé – RJ.
O que sobra de mim depois de ti
são meus olhos perdidos no infinito;
é um grito afogado no silêncio
da saudade nutrida por lembranças...
Sobram dias eternos; noites gastas,
uma treva no rumo pro futuro,
há um muro que nunca transporei
pra saber o que ainda nos cabia...
Foste o sonho de nada me faltar,
meu altar de certezas afetivas,
um ebó de alegria e gratidão...
Falta chão, sobram vagas e desertos
sem oásis de sonhos e quimeras;
não existe depois, depois de ti...
PRESENÇA REMOTA
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Sempre foste a caverna que retém meus gritos
e jamais me devolve o mais ínfimo eco,
minha pura verdade secreta e medrosa
por qual peco a viver uma grande mentira....
Eu te quero com todas as não pretensões;
quero apenas, não quero num tom terminal,
só desejo atenções e momentos de trocas
abstratas, remotas – de perto à distância...
É no aço do espelho que busco teu rosto,
é no gosto que arranco desta solidão,
que te arrasto comigo e no fim jamais vens...
És ausência presente no campo dos olhos,
minha mão sempre soube que não te acharia,
mas meu dia só conta se minto pra mim...
MINHA HORA
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Quero murchar
feito planta,
com os meus tumores,
humores e amores,
meus nós na garganta...
Fluir em silêncio
e desaguar
como um rio,
levando meus medos,
coragens, segredos,
meu por um fio...
Não serei retalhado
nem remendado,
cheio de nó,
pois quero secar
naturalmente
até virar pó...
Sorrirei de completo,
de ter vivido
a minha hora,
feliz de saber
que fui por dentro
e serei por fora...
BASTA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Aprendi a conter os meus rompantes
de carinhos, cuidados,atenções,
meus instantes de quando sou notório
aos teus olhos de pouco acolhimento...
Resolvi me afastar das tuas fugas;
teus temores de minha confiança;
dessas rugas na testa inquisidora
das verdades do afeto que devoto...
Já me calo no tom do teu silêncio,
me resfrio no freezer dos teus traços
e nos braços cruzados do teu ser...
Tua guarda montada em cada gesto,
cada linha indigesta sobre o rosto
têm um gosto que chega de sentir...
SUCATEADO
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Sei que tenho conserto, mas não sei mexer
em meus eixos, engenhos, os meus parafusos,
meus estados confusos de preservação
nem minh´alma tomada por vírus e vícios...
Mexo até na fachada, lustro a lataria,
ponho óleo, adereços, me faço notório,
mas a minha utopia me acorda por dentro
e me faz perceber como nada mudou...
Quem tiver oficina de mexer com gente;
ferramentas, virtudes, preparo afetivo,
será todo motivo que preciso ter...
Pegue todo meu ser e dê novo sentido,
porque sei que não sei me refazer de mim,
neste fim que me pede pra recomeçar...
