Textos de Pessoas Espirituais

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Neste tempo, ainda se entende que os beijos são tímidos: são duas pessoas se conectando e vendo como reagem. Mas se o jeito formal continuar, não espere por sentimentos fortes na hora seguinte. A ligação não aconteceu.
Beijo é bom porque você sente o corpo do outro sem deixar marcas, é como mergulhar no escuro, uma ida sem volta. Beijo é um jeito de mostrar carinho, de sentir o gosto de quem você gosta, de falar muitas coisas sem dizer nada. Beijo é gostoso porque não cansa!

Ando sozinho




Andei sozinho pelos lugares e entre multidões de pessoas e mesmo assim me senti só, me senti diferente, sejam nas ideias, sejam nas atitudes,


Olho para a minha esquerda e não vejo nada, olho para a minha direita e não sinto nada,


Continuo seguindo e olhando somente para frente na esperança de um dia poder olhar para trás e ver se deixei pelo menos um rastro de direção.

É SÓ UMA REFLEXÃO I


As pessoas do passado sempre tiveram as mesmas expressões e comportamentos de hoje. O mesmo jeito de franzir a testa diante de uma notícia inesperada no rádio da padaria, a mesma curva nos lábios ao sentir o cheiro do café passado na cozinha da infância ou aquela paçoca pilada na hora pela avó. O tempo não apaga o ser estranho que somos, nem o muda na sua essência; ele apenas desbota as bordas da fotografia, mas o sorriso, aquele, continua sendo o mesmo...


Todos caminhamos pelas mesmas veredas do ontem, com aquelas flores sem cor que margeiam o asfalto dos nossos dias junto aquelas fotos sorridentes. E, de repente, sem aviso, sempre encontramos pessoas que nos fazem lembrar de quem fomos, de quem somos, como se o espelho do passado surgisse na fila do supermercado ou na pressa do ponto de ônibus. O reflexo somos nos mesmo. Somos os responsáveis pelos nossos atos...


Ventos balançando os cabelos, trazendo aquele cheiro de terra molhada que anuncia a chuva ou o aroma distante de um jasmim. Expressões com aquela mistura de sons e tristeza no olhar, como se a pessoa guardasse dentro de si o eco de uma música antiga e a poeira de um caminho há muito não percorrido. Os olhos fixos nos retângulos da vida, nas telas que brilham, nos livros abertos sobre a mesa, nas janelas dos prédios que testemunham silenciosos nossas alegrias e derrotas...


Às vezes um sorriso atravessa o cansaço do rosto, ou quem sabe um momento bobo, um riso solto no almoço de domingo, misturado com as lembranças dos bons momentos que teimam em ecoar. Estamos, hoje, debaixo das mesmas árvores das milhares existentes no mundo, sentindo a mesma sombra que acolheu nossos pais e amigos que se foram. Elas estão ali, silenciosas ou espantadas com o vento, fazendo parte de um dia de chuva, suas folhas sendo o único teto para os pássaros e nossas memórias mais antigas forçando uma lágrima embaixo de tanto poderio...


Às vezes, passar um tempo longe de um lugar ou de um rosto vira sinônimo daquela saudade que só sentimos poucas vezes no ano, como alguns feriados da alma. Adoro, simplesmente adoro ver essas expressões que se distraem em meio a tantas, um olhar perdido no horizonte enquanto o corpo parado espera o sinal abrir. E saber, com uma certeza calma, que sempre estivemos lá, na essência do mundo, correndo em meio às árvores dos parques, da selva, na pressa da juventude que fomos um dia, e na calmaria dos ventos que, ainda sopra em nós o cheiro de uma saudade que sempre vem...


--- Risomar Sírley da Silva ---

10:40 domingo 22 de junho de 2025


Sonhei hoje á noite com um cortejo, era de pessoas muito ricas, carros luxuosos algo assim, eu tentava identificar quem passava, mas eu não sabia quem era, só sei que alguém muito importante.
Eu e meu marido, estávamos dentro de um cemitério assistindo esse cortejo passar lá fora e eu me virava para ele, enquanto o abraçava, chorava e dizia "e quando for a gente amor?" Nós dois nos abraçamos e choramos, eu acordei






No dia 24 de junho do ano passado, eu tive um sonho, estava eu no banco de espera de um hospital, ao meu lado esquerdo estava uma mulher estranha sentada, eu não a conhecia. Eu perguntava para ela sobre a prima do meu marido que estava de frente para nós, me olhando fixamente, com o lado direito do rosto todo vermelho de uma mancha que parecia câncer. Ela me encarava bem séria.( Ela já é falecida há algum tempo, antes mesmo desse sonho) Ao meu lado direito eu virei o rosto e vi meu irmão mais velho, me olhando com uma cara de muita tristeza, enquanto a pergunta era o seguinte "É verdade que fulana está internada e só tem mais um ano de vida?" A mulher estranha ao meu lado respondeu"sim". Então, eu acordei.

Tentando desenhar o que vi no sonho...
Um barco caravela da era colonial em um cais, muitas pessoas descendo e subindo do barco...
Eu desci, e logo vi alguém encostado no parapeito da orla, era ele novamente o 'C', nos olhamos profundamente, e rimos um para o outro.


Me despedi desse alguém, e dissemos um adeus que seria para sempre...
Porque enquanto eu estava descendo naquelas terras, ele estava indo para outras.


Eu continuei caminhando, e indo com a minha mala cheia de pertences, para não sei onde...


Eu estava tão feliz naquele instante, mas alguma coisa me dizia que eu deveria embarcar com aquela pessoa de volta, porque depois daquele momento, nunca mais nos veríamos.


Lembro que eu estava com roupas de camponesa.
Uma saia longa e uma blusa de meia manga branca...


Porém, tudo o que fiz foi andar para frente, e olhar para trás, até sumirmos das vistas um do outro.


Ele me olhava com amor e ternura, como quem dissesse "fica comigo e vamos viajar juntos, para nunca mais nos separarmos..."


Antes de partir, havia me aproximado dele e o abraçado. Era como se fosse o último abraço das nossas vidas.


Tão intenso.


É só disso que me lembro ❤️
10/11/2021

⁠Embora a morte que deixa quase todos impactados seja só a morte física — muitas pessoas depressivas vivem à exaustão…


De tanto morrer a prestação.


Vitimando corpos que seguem em movimento enquanto o espírito já se despede em parcelas invisíveis, abatidos por uma dor que o mundo insiste em não querer contabilizar.


A depressão é, talvez, a forma mais lenta, silenciosa e medonha de luto: o indivíduo se despede de si mesmo gradualmente, sem flores, sem velório, sem alardes…


E o mais triste é que, ao contrário da morte física, essa não desperta o mínimo de compaixão — desperta julgamentos.


Às vezes, é muito mais fácil ver só fraqueza e frescura onde só há cansaço mental, e desleixo onde só há desespero, do que praticar a empatia.


Talvez um dia, quando entendermos que o sofrimento do outro também tem voz, ouçamos os que morrem devagar, antes que seja tarde demais.

Sempre houve, há, e infelizmente sempre haverá pessoas inidôneas em todas as searas profissionais.


Especialmente nas que são intrínsecas às nossas necessidades mais básicas.


Quer seja na Saúde, na Educação, na Segurança…


Ou até na seara Religiosa.


Esta última, infelizmente, é a que abriga os mais apaixonados.


Nela, se não fossem os inidôneos, talvez o próprio Cristo não tivesse experimentadoa mais medonha sinergia das fúrias humanas: perseguição, entreguismo e crucificação.


E para sustentar a premissa de que o crime jamais se sustentaria sem a coparticipação de parte do Estado — e de uma esmagadora parcela do povo —, há a retroalimentação do fanatismo.


Apaixonados que passam pano para desvios de conduta das suas paixões.


Ninguém do povo, com ao menos dois dos oitenta e seis bilhões de neurônios ativos,
deveria acreditar cegamente
que líderes religiosos e profissionais da segurança
são sinônimos de idoneidade.


Isso é mau-caratismo, capricho, fanatismo — ou ambos.


Foi-se o tempo das vocações…


Elas ainda existem, é verdade!


Mas os verdadeiros vocacionados são muito raros.


Nos bons e velhos tempos, poucos se vendiam.


Líderes religiosos eram quase sinônimo de santidade,
e policiais — de honestidade.


Infelizmente, a vocação levou uma rasteira da vaidade —
e muita coisa mudou.


E, infelizmente, para pior.


Hoje, o que se vê
é quase pura vaidade pela carreira, pelo status quo.


Só temo pela molecada…


E, pasmem, chamá-la de Nutella é bem mais fácil que ao menos tentar ser exemplo!


Ela segue cada vez mais sem norte,sem ter no que — e em quem — se espelhar.


Nos bons e velhos tempos em que muitos Moleques queriam ser Homens, não havia tantos homens fazendo papel de moleques.

De Pessoas e Posses

Demétrio Sena - Magé

Ninguém é minha mulher. Não comprei uma pessoa. Ela não me pertence. Tenho esposa, porque me casei; me tornei esposo. Não o homem de alguém; também não me vendi. Prometemos o que ainda pode ser "desprometido". Nossa jura de amor para todo o sempre não é cláusula pétrea de uma lei cujo descumprimento é passível de punição. O amor pode ser perecível.
Somos cônjuges, por contrato matrimonial reversível, quando e se um dos dois assim desejar. Livres, muito embora comprometidos mutuamente. Cada um é o dono de si mesmo e se doa voluntariamente ao outro, numa vida em comum. Não somos a mesma carne nem o mesmo espírito. Ainda seremos inteiros, no dia em que porventura resolvermos já não ser um casal.
As pessoas têm síndrome de pertencimento. São ávidas por serem donas de outras pessoas. E há pessoas que se aceitam como posses de outras. Como coisas compradas, doadas ou colhidas. Tolhidas de qualquer vontade; quaisquer arbítrio e direito a dizer não; de querer por conta e risco; não querer. Inclusive o direito a não saber se quer, não quer ou quando há de querer.
Que todo machão entenda isso. Que toda mulher submissa tome o próprio destino em suas mãos e decida sem medo qual será o seu destino. Não vale a pena viver sob nenhum jugo de moralismo, comando e rédea impostos por alguém ou pela própria sociedade. O que não é criminoso nem antiético é de nossa livre responsabilidade. Sem dignidade não há cidadania.
... ... ...

Respeite autorias. É lei

A BOLA DA VEZ!
Tem pessoas que dizem;
A melhor fase é a terceira idade.
Pois digo que não.
Fila incansável de atendimento .
Convênio médico impagável.
Abandono em asilo
Desprezo de entes queridos .
Doenças provenientes de cansaço.
Tristeza, amargura.
Memória comprometida.
Dores incessantes.
E principalmente:
Saber que lutou tanto pelos seus
E hoje não tem valor.
Olhar para trás e sentir saudade da juventude.
Olhar para a frente e saber que o inevitável está chegando.
Mas mesmo assim nunca desistimos.
E nunca perdemos a fé.

A normalidade


As pessoas normais estão presas à normalidade e a normalidade à loucura. As pessoas normais matam. Matam por ódio, ciúme, amor cobiça e nas guerras. E nas guerras matam por amor, cobiça, ciúme, ódio e por vontade de matar. As pessoas normais não estão satisfeitas com o mundo e querem reformá-lo e, assim, destruí-lo. O mundo reformado é repleto de plástico, gases, ácidos, radiação e tanto lixo que mesmo as pessoas normais percebem a enrascada em que se meteram. Quando estão deixando de serem normais, essas pessoas logo procuram um médico que as normalize. Isso não tem efeito e elas procuram uma saída normal, como beber álcool, cheirar cocaína, injetar heroína, respirar a fumaça de cigarros ou começar a frequentar um culto religioso. Isso não dá certo e elas procuram o mais normal: trabalhar desesperadamente e viver dos sonhos que o cansaço produz. Cansados do cansaço, os normais adoecem e morrem, sendo enquadrados num túmulo onde não podem mais reclamar dos elogios e outros delírios que os outros dizem sobre eles.

Agora


As pessoas vivem muito, embora só existam por um dia. Assim pensava eu, na poltrona, tentando descrever as sensações da tarde. Os ruídos da rebelião e do caos soavam lá fora e eu percebi que o ódio e a visão pessimista, que eram minhas, haviam se espalhado pelo mundo. Eu tinha medo pelo meu temperamento e aonde ele iria me levar, certamente longe daqui.
Temos apego à inércia e tememos o desconhecido. Quando a chuva fria chegou para acalmar os ânimos, parecia que Deus tinha se arrependido e procurava reverter a situação em que todos tinham perdido as estribeiras. Gritos, urros dos policiais contra a falta de dinheiro, o mundo havia deixado de ser familiar. Sentado aqui, eu examinava o funcionamento da vida. Parece que, a cada dia nascemos ao despertar e, no final, com o sono, morremos, para renascer no outro dia. Só que, ao nascer já éramos outros, melhorados. É uma bela ideia, mas, se formos humildes temos consciência da nossa ignorância. O que sabemos é que pela manhã acordamos com impressões vagas, fragmentos de sonhos, com um humor inexplicável que se manteve até agora. Temos muitos preconceitos para entender isso, e o preconceito errado: o de que eu posso antecipar e prever o que acontecerá até o fim do dia. Se nos basearmos em tudo o que sabemos, o que é muito, mas inútil, a vida começa pela manhã, transcorre pelo dia e termina quando dormimos. Isso é tudo. Mas, o que podemos saber, ao admitirmos a nossa completa ignorância? O que haverá daqui a um instante se a vida cabe num suspiro, como a gota que desgasta o rochedo?

Este mundo vai se acabar


Haverá um tempo em que existirão poucas pessoas e os poucos serão gente de qualidade, não muitos supérfluos. A propaganda não existirá para promover o muito, o inútil e o daninho à vida, ao contrário, virá do real desejo de preservar e promover o conhecimento da sua Natureza. Os materiais usados serão mínimos, ampliados pela imaginação, que será usada por todos para criar, através da arte, um mundo que realiza a sua beleza. Assim, só haverá Um. A doença da cobiça se findará e o dinheiro não será mais sinônimo de culpa e auto sabotagem. Apesar dos seus inúmeros defeitos, as pessoas encontrarão um denominador comum que as una, fazendo que parem de competir e se voltem ao apoio de todos por todos, acabando a inimizade recíproca. Isso é difícil de acontecer, mas é inevitável, sob a pena de não haver mais humanidade.

Caxias


As pessoas acham que viver irá preencher o seu vazio, isso acontece, pelo menos é nisso que elas acreditam. A ideia, aqui, é justapor as experiências com as emoções, as memórias com as sensações até que se crie uma história. Naqueles dias, no velho apartamento, sentávamos sob o sol. Nos esquentávamos, no frio do inverno, naquela nesga de luz e apreciávamos o gosto doce e ácido das bergamotas. Só que isso não existe. Eu estou velho e as bergamotas há muito foram comidas. A minhacachorrinha morreu, não existe. Percorrer as memórias ativa o banco de emoções e produz a sensação de uma volta ao passado. Eu não sou ninguém, apenas um vazio. Esta casca, que muitos desprezam e que acham que é a residência de algo interior, é a existência. Queres conhecer a verdade sobre o mundo? Ela está bem na tua frente, ao alcance das tuas mãos. A profundidade está na superfície. Qualquer um que tenha sensibilidade já compreendeu que a realidade é uma forma. É algo que muda constantemente já que estamos sempre a criá-la. É a forma da nossa mente. Ela é a forma que contém todas as outras formas e que está contida em cada uma delas. Eu pensei que estava sendo límpido e claro, mas surgiu quem discordava, e ainda ficaram ofendidos, e queriam brigar. Parece que as pessoas têm um enorme apreço pelas suas convicções e não admitem que se discorde, imaginando que os que pensam diferente podem corromper a pureza das suas ideias. Claro, podem brigar comigo, mas não adianta, porque eu não tenho convicções, só tenho ideias velhas. O que está na memória não tem valor no hoje.

⁠Uma prisão promovida pela liberdade

Em certas ocasiões, para determinadas pessoas, a pior prisão que existe é a liberdade.

A liberdade de fazer escolhas, fazem-nas prisioneiras da angústia, encarceradas pela ansiedade.

Reféns do medo, desejam não ter essa responsabilidade, que chamamos de liberdade.

A angústia da indecisão pode machucar mais que uma possível má escolha.

De fato, sofremos mais pelo que imaginamos, que pela realidade que vivemos.

Lembremos, que somos moldados por nossas escolhas, somos livres para escolher, e escravo das consequências.

Quanto mais opções de escolha tivermos, mais difícil será tomar decisão, e serão grandes as chances de não escolher nada, mas não decidir nada, também é uma escolha.

Pode parecer contraditório, mas muitas pessoas preferem abrir mão da liberdade de escolha, preferindo que escolham por ela.

Há também um fato relevante, quanto mais opções, menor satisfação teremos com opção escolhida.

Uma dica para tomar decisões, é tornar consciente de que tudo na vida é arriscado, ou seja, nada é garantido, tudo é imprevisível, por mais segurança que temos no momento presente.

Essa conscientização, faz com que tomemos a decisão, mesmo sabendo das probabilidades.

Saiba que, existe uma dor pior que a de se fazer uma má escolha , é a dor de não ter decidido nada.

Não tenha medo de errar, não digo para sermos inconsequentes, mas correr risco faz parte da vida, se a queremos “viver.”

Escolher é determinar o rumo da vida, e não deixá-la nos levar.

Como não existe escolha sem risco, nem opção com tudo que desejamos, o equilíbrio da razão com o coração pode ser a melhor ferramenta.

Só erra quem tenta, só acerta quem tenta, só vive quem faz suas próprias escolhas. É impossível agir sem algum grau de influência, somos altamente influenciados, pela cultura, ambiente, pessoas e vida pregressa; A chave é ter a percepção do que nos foi introjetado.

Por isso, o autoconhecimento é fundamental para uma boa escolha, quem pouco conhece de si mesmo, mas vulnerável é em suas escolhas.

Portanto, se queremos ser o cavaleiro, e não o cavalo de nossa história de vida, devemos investir em autoconhecimento, mas até isso é uma decisão pessoal.

VAMOS ESCULPIR NOSSA ALMA?

As pessoas hoje em dia estão dando tanta importância ao conteúdo externo…
e nem se tocam que o corpo é efêmero e em breve se desfaz…
virando cinzas e pó e no túmulo apenas uma frase:
- Aqui um corpo esculpido jaz, porque a alma e o cérebro já se foram há muito tempo atrás…

Eu sei o que é o Amor
Eu também sei o que é a Dor
As pessoas podem tentar ofuscar o seu valor
Podem tentar tirar o seu chão
Mas elas jamais poderão ser o que não são
Quando você tem raízes fortes
Ninguém te derruba, ninguém te ofusca!


Karin Raphaella Silveira
Autora de 'O Palco Das Flores'
e 'Cavaleiros de Beltane'

A POBREZA HEREDITÁRIA QUE MOLDA A SUA VIDA

Existe um peso silencioso que muitas pessoas carregam sem nomear. A pobreza. Não como uma fase pontual, mas como uma herança. Algo que atravessa gerações, molda escolhas, limita horizontes e ainda assim é tratada como falha individual. Você, homem ou mulher, em algum momento já sentiu essa culpa disfarçada de responsabilidade excessiva. Como se bastasse querer mais, trabalhar mais, tentar mais, para sair de um lugar estruturalmente desigual.
A pobreza não é um fracasso pessoal. Ela é um fenômeno histórico, social e familiar que se repete porque cria ambientes onde as opções são reduzidas desde cedo. Você não começa do zero. Começa do menos. E isso muda tudo. Muda o tempo que você leva para aprender, as oportunidades que aparecem, a margem de erro que você pode ter sem ser destruído ou destruída.
Quando alguém diz que basta esforço, ignora o custo invisível de crescer sem rede de apoio. Ignora o cansaço acumulado de quem precisa resolver o presente antes de pensar no futuro. Ignora que errar para quem tem pouco custa muito mais. Um erro financeiro, uma escolha profissional mal informada, uma doença, uma crise familiar podem empurrar você anos para trás.
A narrativa do mérito absoluto é confortável para quem recebeu reforços. Educação estável, apoio emocional, referências, tempo para errar, incentivo para tentar de novo. Quando esses elementos não existem, o esforço sozinho vira uma corda curta. Você puxa, mas não alcança o outro lado com facilidade.
Isso não significa que sair da pobreza seja impossível. Significa que é raro. E quando acontece, costuma envolver algo além da força de vontade. Um encontro, uma oportunidade específica, um acesso inesperado, alguém que estendeu a mão, uma política pública, uma mudança estrutural. Reconhecer isso não tira o mérito de quem consegue. Tira a culpa de quem ainda não conseguiu.
A pobreza também molda a mente. Cria urgência constante. Você aprende a resolver o agora, não a planejar o depois. Aprende a sobreviver, não a expandir. Isso não é falta de visão. É adaptação. O problema surge quando essa adaptação é julgada como limitação moral.
Você não escolheu nascer onde nasceu. Não escolheu o nível de instrução da família, o bairro, a escola, as referências. Essas condições iniciais influenciam diretamente o quanto de energia sobra para sonhar, arriscar e persistir. Dizer que tudo depende apenas de esforço é ignorar a realidade concreta da vida.
A pobreza atravessa gerações porque se reproduz no cotidiano. Na necessidade de trabalhar cedo. Na interrupção de estudos. Na normalização do cansaço extremo. Na falta de tempo para errar com segurança. Cada geração herda não apenas menos recursos, mas mais responsabilidades.
E ainda assim, você é cobrado e cobrada como se tivesse recebido o mesmo ponto de partida que todos. Essa cobrança cria vergonha, e a vergonha paralisa. Ela faz você acreditar que não merece querer mais, que sonhar é ingenuidade, que tentar é perda de tempo. Esse é um dos danos mais profundos da pobreza. Não é só material. É simbólico.
Reconhecer isso não é se vitimizar. É se localizar. É entender o terreno em que você pisa antes de se culpar por não correr mais rápido. Quando você entende o contexto, pode buscar estratégias mais realistas. Pode valorizar pequenos avanços. Pode procurar reforços externos sem sentir que está trapaceando.
Esforço importa. Mas ele não opera no vazio. Ele precisa de estrutura, de tempo, de margem para erro. Sem isso, o esforço vira exaustão crônica. E exaustão não liberta ninguém.
Você não é menos capaz por ainda estar onde está. Você está operando dentro de um sistema que exige mais de você para entregar menos. Isso não define seu valor. Define a dificuldade do caminho.
Sair de uma hereditariedade de pobreza exige mais do que vontade. Exige acesso. Exige suporte. Exige rupturas que nem sempre estão sob controle individual. Entender isso devolve dignidade. E dignidade é o primeiro passo para qualquer transformação real.
Você não precisa carregar a culpa de um sistema inteiro nas costas. Pode carregar apenas a responsabilidade possível, aquela que cabe dentro da sua realidade atual. O resto não é fracasso. É contexto.
E quando você para de se tratar como defeituoso ou defeituosa por não ter vencido uma corrida desigual, algo muda. Você passa a se mover com mais consciência e menos vergonha. E isso, embora não resolva tudo, já rompe um ciclo silencioso.
A pobreza não define quem você é. Ela explica parte do que você enfrenta. E entender essa diferença é um ato profundo de lucidez e respeito consigo mesmo e consigo mesma.

O FRACASSO CONDICIONADO QUE AFASTA PESSOAS

Existe um abandono que não acontece de uma vez. Ele vai se espalhando conforme você não conquista o que o mundo chama de sucesso. Quando não há posses, status ou resultados visíveis, as pessoas se afastam com uma naturalidade fria. Não é sempre hostilidade aberta. Muitas vezes é silêncio, distância, ausência. Convites que param. Conversas que não continuam. Você, homem ou mulher, passa a existir menos nos olhos alheios.
A pobreza e o fracasso funcionam como filtros sociais cruéis. Eles revelam o quanto a maioria das relações é condicional. Enquanto você tem algo a oferecer, presença é garantida. Quando não tem, o espaço se fecha. Isso dói porque confirma uma suspeita antiga. O valor que te atribuem não está em quem você é, mas no que você representa.
Esse afastamento costuma ser interpretado como prova de inadequação pessoal. Você pensa que há algo errado com você. Que não é interessante, útil, digno. Mas o que está acontecendo é outra coisa. As pessoas se afastam porque o fracasso as incomoda. Ele lembra que a estabilidade é frágil. Que o sucesso pode não durar. Que o sistema não protege a todos. É mais fácil se afastar do que encarar essa verdade.
Há uma solidão específica em não conquistar nada segundo os parâmetros externos. Você não é procurado ou procurada para conselhos, oportunidades, trocas. Você se torna invisível. E a invisibilidade machuca porque você ainda é o mesmo por dentro. Seus pensamentos, sua sensibilidade, sua lucidez continuam ali, sem plateia.
Mas existe um lado que poucos têm coragem de admitir. Esse afastamento também limpa o terreno. Sem posses, sem prestígio, sem resultados para exibir, não há interesseiros. Não há bajulação estratégica. Não há relações baseadas em conveniência disfarçada de amizade. Quem fica, fica por algo mais raro.
Essa fase mostra quem se importa com você e quem se importa com o que você pode fornecer. Mostra quem enxerga sua humanidade e quem só enxerga utilidade. É um aprendizado duro, mas extremamente esclarecedor. Porque você para de confundir presença com lealdade.
Quando você está no fundo, não há performance possível. Não há como impressionar. Não há como negociar valor social. O que sobra são vínculos desarmados ou nenhum vínculo. E embora isso doa, também devolve verdade. A verdade de que muitas relações eram sustentadas por expectativa, não por afeto ou respeito real.
Se um dia você vencer na vida, e isso pode significar muitas coisas além de dinheiro, você saberá com quem pode contar. Não porque essas pessoas estarão ao seu lado no topo, mas porque estiveram quando não havia nada a ganhar. Essa memória se torna um critério interno poderoso. Você não se ilude com facilidade depois disso.
A pobreza e o fracasso ensinam algo que o sucesso raramente ensina. Ensina a ler pessoas. Ensina a perceber silêncios, ausências, prioridades. Ensina que algumas despedidas não são perdas. São revelações.
Isso não torna a solidão fácil. Não romantiza o abandono. Mas retira a culpa que você costuma carregar. O afastamento dos outros não é prova de que você não vale. É prova de que muitos vínculos eram frágeis demais para atravessar a escassez.
Você aprende também a se tornar companhia de si mesmo e de si mesma. Não por escolha idealizada, mas por necessidade. E dessa convivência forçada nasce uma autonomia que não depende tanto de aprovação externa. Você passa a se ouvir mais, a se observar mais, a se fortalecer internamente.
Quando o mundo se afasta, você descobre que ainda existe você. E isso muda a relação consigo. Você começa a construir valor interno sem aplauso. E isso, paradoxalmente, prepara você para não se perder quando o aplauso eventualmente vier.
Se a vitória chegar, você não estará ingênuo ou ingênua. Saberá que nem toda aproximação é afeto. Que nem todo elogio é respeito. E terá critérios mais firmes para escolher quem entra e quem fica.
Até lá, essa fase de vazio relacional não é uma punição. É um período de depuração. Dói porque revela, mas também protege. Protege você de se cercar de pessoas que só caminham ao seu lado enquanto há algo a extrair.
Você não perdeu todo mundo porque fracassou. Você apenas perdeu quem não suportaria caminhar com você sem garantias. E isso, embora machuque agora, pode ser um dos aprendizados mais valiosos da sua vida.
Quando você entende isso, a solidão deixa de ser humilhação e passa a ser um intervalo de lucidez. Um tempo difícil, sim, mas honesto. E honestidade, no fim, vale mais do que companhia interesseira.

As pessoas esqueceram que as transições democráticas na América Latina foram negociadas na época com os próprios EUA para serem lentas e graduais, visando consolidar Estados fortes. Apesar das falhas, isso garantiu uma cultura de paz por muito tempo.


​No caso da Venezuela, uma transição 'a fórceps' não trará o paraíso esperado. Não saberão lidar com os 'coletivos' (herança de Fidel e Chávez) e a história ensina: intervenção militar unilateral não resolve conflitos, só agravam as crises humanitárias. Falam em 'retorno' da democracia, mas a verdade é que a Venezuela nunca viveu sequer 50 anos de uma democracia estável.


​A crise é muito mais profunda. Ela só poderá ser resolvida com oportunidades que incluam uma grande reconciliação nacional e a integração dos coletivos.


Condenar o regime do Maduro sempre condenei, durante anos escrevi um poemário extenso que registra inúmeras prisões políticas de presos políticos civis e militares.


Mas mesmo com tudo o que sabemos, os princípios de Direito Internacional não podem ser violados e a comunidade internacional reagir de forma irracional ou letárgica, porque se a crise humanitária transbordar ou ocorrer uma escalada ali ou em qualquer outro país do continente,
os EUA não pagarão a conta para nenhum país.


...

Procuro-te entre as pessoas,


embora resista a ser vista,


Ainda bem que é Carnaval,


e tudo termina em fantasia;


Porque no fundo sei que


aqui você não se encontra,


no meio da noite escura ---


Brindada com gotas de cristal


transformadas em prata pura


pela luz da iluminação pública,


a chuva cai solene nesta rua


misteriosa que é o silêncio,


Que me guiará para ser sua


pelo caminho da paciência


e da mais amorosa ternura,


Entre nós tudo continua


acontecendo mesmo cientes


que o melhor sequer


ainda nem mesmo começou,


Desde o dia em que nos conhecemos


o mundo nunca mais nos tocou.