Textos de Lembranças
...Dona Maria descobriu-se portadora de um dom extraordinário e de uma maldição que a impedia de ser plenamente feliz: ela era uma viajante do tempo, capaz de revisitar qualquer momento de sua vida. Um eterno retorno, em pequenos recortes temporais. Se sua vida tivesse sido preenchida apenas por momentos felizes, realizações pessoais, encontros incríveis e grandes feitos, que bênção seria! No entanto, não foi assim. Ela era incapaz de controlar o destino de suas viagens, e é aqui que reside sua maldição. As chances de encontrar-se revivendo terríveis momentos de solidão, arrependimento, violência ou escárnio, prevaleciam...
Recorte do livro Tempo que o Tempo me deu
LEMBRAR VOCÊ
quando amanhecer a escuridão não irar dominar vc, mesmo que se o
nascer só irei se lembrar de vc mesmo que me faça chorar eu só vou lembrar
de vc mesmo que o mundo for se apagar eu só queria ficar mais um segundo perto de vc
mesmo sabendo que não irar durar mesmo sabendo que no final ira se lamentar
e na aquele momento as minhas lembranças iram se apagar, e no final só irar sobrar seu sorriso
o mais lindo do jardim.
Dia dos Primos
Hoje é dia dos primos
Que às vezes é como um irmão
Com quem muito rimos
E quando nos reunimos é só diversão
Ainda quando crianças
Juntar os primos é a maior alegria
São momentos de boas lembranças
Uma emoção que contagia
Quando vamos crescendo
Podem se estreitar os laços
E mesmo se não estamos nos vendo
Quando nos encontramos, há amor nos abraços.
Dia do Chocolate
Chocolate é muito bom, seja escuro, branco ou marrom.
Chocolate é tão saboroso e deixa o dia mais gostoso.
Chocolate é pra presentear ou pra criança se lambuzar.
Chocolate pode derreter e uma boa sobremesa fazer
Chocolate pode ser em pó, em gotas ou em barra, pode ir no bolo, misturado na massa.
Chocolate é bombom, é trufa ou brigadeiro, é item principal na mão do confeiteiro.
Chocolate pode ser divertido, em forma de doce colorido.
Chocolate pode ser lembrança pra alegrar a criança.
Chocolate pode ser um presente pra um amigo da gente
Chocolate. Seja como for, como forma de carinho, amizade ou amor.
Se tatuo a minha infância na pele
toda e completa extensão
do meu corpo não é suficiente
ele tem ligação direta na
linha da pipa colorida
que permeia o céu das
lembranças inalcançáveis
a infância dura
uma vida inteira no adulto
que busca voltar atrás
do que passou e ainda fica
o pular incessante
da esfera em consciência de saber
que mais vale uma infância bem vivida
do que uma vida adulta inteira
sem saber o que significa ser criança.
Ahh...
Não sabia! A merda que aconteceria, depois daquele dia.
Se eu soubesse que com aquele beijo me apaixonaria... ahh! Eu não te daria!
Se eu soubesse onde aquela ansiedade que me causava aflição na barriga me traria...
Eu nem te conheceria!
Se eu soubesse que aquele "sim, vou me arrumar e já vou" me enlouqueceria... eu não ia!
Se eu soubesse que o céu, o mar.. os papos naquele terraço, a primeira noite de conchinha, o tanto que me torturaria.. eu não subia!
Mas ainda bem!! Ainda bem que eu não sabia...
Hoje eu fui até a bodega do Sr. Nogueira
E chegando próximo ao balcão
Avistei uma baladeira, uma lamparina e um pião
Que me fez perceber quão inesquecível é uma infância no sertão
Meus olhos brilharam ao ver a bomboniere
Que girava e girava trazendo felicidade e doçura
Aí meu Deus que gostosura!
É a infância no sertão
Voltei para casa num pé só
Correndo pelas estradas
Parando só para apreciar a boiada que passava
Neste sertão já fiz de tudo
Subi em árvore, pulei cerca, fiz fogueira
E de vez em quando as brincadeiras deixavam uma cicatriz
Mesmo assim eu fui feliz no sertão que fiz morada
Comer a fruta tirada direto no "pé"
Tomar leite ordenhado na hora
Tomar banho de rio e ir de carroça para escola
Não há como esquecer.
Ficará para sempre em meu coração os momentos que eu vivi morando lá no sertão!
Pois é
já tive monaretta
sou do tempo que briga era treta
já fui em mattineê
já fui jovem como você
andava de Barra Forte
cruzava a cidade de sul à norte
joguei pelada
brinquei na enxurrada
andava descalço
brincava no mato
já tive pintinho e
porquinho da índia
já almocei na vizinha
roubava fruta
laranja manga
nunca usei drogas
sou de uma época
que isso era prosa
colhi mamona
vendi jornal
não fui engraxate
mas fiz todo tipo de mascate
sou orgulhoso
não me envergonho de nada
a vida não era fácil
era um empreendimento da pesada
já usei boca-sino
já fui menino
não fui coroinha algum dia quem sabe
mas minha mãe queria
que um dia eu fosse padre.
Por que você inventou morrer?
Partir assim de repente, sem avisar.
Por que você morreu?
Mania de ser do contra.
Só pra deixar saudade.
Pra deixar esse buraco no peito.
Pra deixar vazio o lugar na mesa.
Pra viver só nos sonhos
que insistem em deixá-lo vivo
todas as noites.
Inventou essa besteira de morrer.
quebrando o combinado
abandonando todos os seus projetos,
seus pensamentos, sua voz...
E nunca mais voltar...
EU QUERIA SER
Hoje senti saudades de você, mas nosso orgulho nos impede de nos aproximar. Por isso, eu queria ser algo que estivesse sempre ao seu lado. Queria ser o cigarro que você fuma, para encostar nos seus lábios e sentir seu toque. Queria ser a cerveja gelada que você bebe, para embriagar-te e te deixar eufórico por algumas horas. Queria ser sua cama e seu edredom neste dia frio, para sentir seu corpo e te abraçar, trazendo conforto.
Mas, talvez hoje, eu seja apenas alguns devaneios na sua mente, uma lembrança que aparece de vez em quando. Mesmo assim, a vontade de estar próximo de você é forte. Nosso orgulho pode ser grande, mas a saudade é maior. Quem sabe um dia poderemos deixar de lado o orgulho e nos permitir sentir tudo isso de verdade? Por enquanto, fico aqui, desejando ser qualquer coisa que te faça lembrar de mim, que traga um pouco de mim a você, mesmo que seja só em pensamentos.
Perdi o brilho do olhar, a vontade de viver edos meus sonhos realizar
Falhei comigo e as pessoas, deixei de amar
Me perdi neste mundo de dor, não sei sorrir, desaprendi
Nas lembranças eu só vejo muita dor e desespero, sinto medo
E nas noites não dormidas do passado não me esqueço
Sinto uma dor no peito e o coração acelerar
Tenho medo de viver e essa dor nunca cessar
Hoje acordei ouvindo uma musica,
Um som suave que me levou ao passado,
Trazendo com ela memórias adormecidas,
De risos leves, beijos quentes e abraços apertados.
Na melodia, senti o calor de outrora,
Quando as preocupações eram distantes,
E o tempo corria sem pressa,
Levando com ele nossos dias radiantes.
Hoje acordei, e por um instante,
Voltei ao tempo em que éramos nós,
Felizes sem saber, sem notar,
Que era o que tínhamos da vida a nos proporcionar
Agora, resta a doce nostalgia,
A lembrança de um tempo que passou,
Mas que vive eterno em cada nota,
Da música que hoje me acordou.
Lembrei de ontem que você me beijou a testa.
Senti o teu aroma fresco de lavanda ou alfazema?
Senti a tua voz aveludada em meus ouvidos.
Lembrei e depois esqueci.
Havia uma fotografia vetusta tua em minhas mãos.
Você sorrindo ao lado de alguém desconhecido.
Vi que era outono e flutuava folhas amarelas ao teu redor.
Um papel em branco me fazia querer escrever algo,
rabisquei um singelo versinho com as trêmulas mãos,
de criança que um dia corria pelos campos verdejantes
de minha primavera inocente.
A fotografia vetusta em minhas mãos,
aquela imagem amarelada te tinha ao meu lado.
Esqueci que você veio ontem me ver,
esqueci que você não estava mais aqui.
É por isso que fico olhado para o firmamento
tentando lembrar de mim, lembrar de te, lembrar de nós.
Baseado na música “SACRIFICE” de autoria e interpretação de Elton John.
Isso é normal para todos
Quando as coisas dão errado.
Lembranças viram fraquezas
E a tentação é grande.
Mesmo no local seguro de cada comprometimento
A fidelidade é perseguida pela doçura enganosa.
E então a dúvida se aninha nesse local antes seguro.
Há vezes, alguns corações congelam
Apesar do gosto adocicado.
Mas a verdade?
Algumas coisas são mais bonitas quando estão em desfoque.
O problema?
Não é nenhum sacrifício.
Pois é apenas uma declaração
Pois são apenas dois corações que se amam
vivendo em mundos diferentes.
Falar o que sente não é nenhum sacrifício
Não há sacrifício em declarar-se, nunca.
Mas feridas cicatrizadas depois disso
Levantam muros para a proteção
E é assim que tudo se acaba.
Nós?
Nós apenas perdemos a mão,
Deixando muitas pedras intocadas.
O olhar é calmo, sem nenhum maldizer,
Mesmo que o ciúme queime.
E o coração?
Ficará e seguirá gelado
Sem se importar com o gosto que ficou.
Então foi um erro?
Visto de perto, até diamantes tem defeitos.
E a verdade?
Nunca houve sacrifício,
Pois foram apenas declarações.
Não derramem lágrimas onde descanso,
Pois não estou lá, não sou apenas pó.
Sou o sussurro do vento nas árvores altas,
Sou o brilho das estrelas na noite calma.
Sou a melodia suave da chuva ao cair,
Sou o calor do sol que abraça o dia.
Quando sentirem falta da minha presença,
Basta olhar ao seu redor, e lá estarei.
Em cada riso, em cada abraço apertado,
Em cada brisa que acaricia o rosto amado.
Não derramem lágrimas onde descanso,
Pois meu espírito vive na eternidade do amor.
Você é o meu sol em dias frios.
Meu cobertor nos dias de inverno.
O sabonete que escorrega pelo meu corpo.
Minha orientação durante os momentos difíceis.
Meu colo quando choro.
O abraço mais esperado ao término do dia.
A luz que ilumina minha existência quando estou solitária.
Você é a minha pessoa favorita.
Eu ainda lembro daquela "Natureza-morta" na tua sala, pintada à mão em cores térreas e verdes.
Sinto o cheiro da tinta , da brisa, do dia, do tom: batom vermelho, aroma de frutas de mesma cor.
Chovia em mim e eu rio lembrando de cada detalhe da tua sala-de-estar que, na maioria das tardes, somente contia nós em laços pelo chão, em qualquer lugar.
Eu ouvia os teus olhos e olhava a tua boca atentamente. Meu bem, nossa natureza vivia naquela casa-coração.
- Tudo se foi e cá estou eu te fazendo presente
Ainda buscando me encontrar, voltando ao ponto exato onde me despedi de mim, e cai no abismo da inércia.
Não, não voltei do fundo do poço, voltei pra dentro de mim e despertei de um coma profundo, onde meu corpo estava adormecido, enquanto matavam minha alma sufocada, da forma mais desumana e atroz, que seja possível imaginar.
Acordei!
Voltei a respirar...
Sigo tentando abrir a caixa das lembranças, e recuperar as memórias de um tempo em que me reconhecia no espelho.
De quem é esse rosto?
Sim, ainda sou eu, com todas as marcas e cicatrizes que me tornaram totalmente diferente de quem eu era, porém mais intensa e forte.
Não tenho lembranças do meu sorriso de outrora, aquele sorriso inocente, da menina que esperava sempre o abraço que nunca veio.
Mas esse que hoje vejo no espelho é de alguém que sobreviveu, mesmo refletindo dor e cansaço, tem um brilho diferente.
Gosto dele.
Mostra minha verdade.
Não lembro mais daquela menina, ela está muito distante agora, portanto não saberia o que lhe dizer, como confortá-la, os sentimentos mudaram, alguns morreram, outros nasceram por pura teimosia. Porém, posso dizer a mulher que me tornei:
"Você foi incrível!"
"Que orgulho de você!"
Agora, sei de todas as minhas vulnerabilidades, por isso e por causa disso, conheço também a minha força.
E, só pra engabelar a vida, vou continuar sorrindo...
Já posso sentir a brisa suave do vento tocando o meu rosto.
Que alívio...
Sigo sobrevivendo...
(Nanci Cavalcanti)
O que é a morte, senão o esquecimento,
Um silêncio profundo que vem com o tempo?
O corpo pode cair, esvair-se no ar,
Mas o que somos, o que vivemos, ninguém pode apagar.
A morte não é o fim, mas a ausência do olhar,
A distância que cresce quando param de nos lembrar.
Mas quem toca a alma, quem imprime no peito,
Não morre jamais, permanece no perfeito.
O corpo se apaga, mas o espírito arde,
Em cada lembrança, em cada saudade que invade.
Na memória dos que ficam, a vida ressurge,
E nas palavras que ecoam, o ser se refugia.
A morte é só uma curva na estrada do ser,
Um ponto que nunca é definitivo, mas se faz entender.
E quando o último suspiro for dado, o último ato concluído,
Seremos eternos, pois o amor que deixamos será sempre ouvido.
Enquanto alguém contar nossas histórias com amor,
Viveremos, imortais, como a eterna flor.
A morte não pode nos calar, pois a vida é contada,
Na memória que preserva, nossa alma é eternizada.
Em Julho/2003, uma erupção destruiu um local que me deixou lindas recordações...
Passei lindos dias na região do Kivu, e lembro-me desses momentos lá vividos...
Ósculos e amplexos,
Marcial
CERTAS LEMBRANÇAS DA ÁFRICA
Marcial Salaverry
Este não é um capítulo de Um Brasileiro na África que, fugindo de alguma mamãe hipopótamo furiosa, apareceu aqui. Foi algo acontecido um bom tempo depois de eu ter voltado do Congo, mas atingiu diretamente minhas recordações.
Simplesmente, mais ainda do que as mazelas provocadas pelos governantes do Congo que se esmeram em cometer barbaridades, mais ainda do que as atrocidades que o próprio povo comete, em suas ridículas guerras raciais, vi algo que me entristeceu muito. Vi a Natureza cometer algo que pode ser chamado de crime, e um crime cometido pela Natureza é realmente entristecedor. Talvez tenha sido apenas uma reação, ou um aviso para os homens de que também ela sabe punir e se defender.
Lembrando que no livro UM BRASILEIRO NA ÁFRICA existe um capitulo que fala sobre a estadia no Kivu, quando narrei a travessia do Lac Kivu, e tentei descrever as belezas da cidade de Goma, que era um pequeno pedaço de paraíso, encravada no meio da selva africana. Pois bem, a Natureza resolveu acabar com essa beleza, e para tanto, um vulcão, que estava sossegado há centenas de anos, resolveu acordar, e resolveu acabar com essa bela cidade, com essa bela região.
Pelo que vi na televisão, pouco ou nada restou dela para confirmar o que descrevi no livro, pois Goma praticamente não existe mais. O Lac Kivu onde havia depósitos de gás metano, o que proporcionava um movimento semelhante às ondas do mar, certamente não deve mais ser o mesmo. Aquela Natureza exuberante, a mata verdejante, as belas mansões que existiam às margens do lago, desapareceram no caminho da lava fumegante. Pelo que me foi dado ver, a linda Avenue du Lac com as residências de veraneio e seus maravilhosos jardins, cuidados com tanto esmero, também foi engolida pela lava.
E as maiores vítimas, os habitantes de Goma, justamente os Intore, povo de maior cultura do Congo, e os de melhor índole, sofreram prejuízos incalculáveis. Os números oficiais falam em 45 mortos, mas com certeza, como sempre, procuram tapar o sol com a peneira, pois do jeito que ficou a cidade, da maneira como a lava varreu tudo, é impossível que tenha sido apenas essa a quantidade de desaparecidos. Bom seria se reais fossem esses números. Não creio.
Bem, são coisas da Natureza. O homem comete crimes muito maiores contra ela, e de vez em quando ela resolve dar um troco, e mostra sua força, mostra que também sabe destruir. Não é tão cruel quanto o homem, que destrói deliberadamente, mas também sabe fazê-lo. Lamento apenas que uma das minhas mais caras recordações, agora seja apenas uma recordação mesmo, e o mais chato, é que nessa viagem a Goma, ao invés de fotos, tirei “slides”, e estes, sofreram a ação do tempo, e se estragaram, e
assim não tenho portanto nada que possa ser uma "recordação física".... Tenho apenas que fechar os olhos, e lembrar de quando, às margens do Lac Kivu, “matei” a saudade de Santos, ouvindo o marulhar de suas águas, movidas pelo gás metano que agora fez tudo isso. Posso também recordar a visão da janela do quarto no Hotel Edelweiss, vendo a paisagem magnífica que se descortinava e que agora não existe mais. Guenta, coração...
Bem, desculpem-me esta “explosão melancólica”, mas foi mais forte do que eu... Ao escrever este texto em julho/2003 o fiz com a mesma melancolia que agora permeia meu coração, e agora constatei que fechando os olhos, ainda vejo tudo como na época em que lá estive, nos idos de 1971...Creio que agora, (2024), Goma já deve estar reconstruída e modernizada, e espero que assim esteja, pois a região era belíssima...
E nessa esperança, desejo simplesmente que essa lembrança do que foram alguns LINDOS DIAS lá vividos possam agora trazer UM LINDO DIA rememorativo, que divido com minhas queridas amizades...
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