Textos de Jardim
A Revolta dos Gatos
QUANDO A CAÇA SE TORNA CAÇADOR...
A revolta da tribo dos Gatos do Parque. Cansados de serem perseguidos pelos cães, alguns gatos se reuniram e passaram a conjecturar como seria possível se proteger diante dos frequentes ataques dos cães. Um Gatinho sugeriu que houvesse uma lei, obrigando os donos a colocarem guizos nas coleiras de seus cães. Um Gato Marrom ponderou que havia muitos cães sem dono, os temíveis Vira-latas. Outro Gato Cinza descartou a ideia, justificando que não havia Gatos vereadores para aprovar tal projeto de lei. Um Gato rajado acrescentou: " - E além do mais, mesmo que tal lei fosse aprovada e sancionada, iria demorar muito para ser aplicada." A cada instante mais gatos chegavam e a reunião se transformou em uma Assembleia dos Gatos. Muitos oradores se manifestaram. Democraticamente quem quisesse miar, perdão, digo, se pronunciar podia ocupar a tribuna, improvisada em cima de uma barrica. Após muitas horas de assembleia, um Gato Preto subiu a tribuna, exigiu silêncio e dissertou sobre a importância de treinar artes marciais para enfrentar os cães. E ao final concluiu: Devemos andar em grupos e atacar em conjunto cada cão vadio que se aventurar em nosso território. " - Eu declaro aqui e agora GUERRA AOS CÃES VADIOS. Os cães domésticos serão poupados, vamos nos concentrar nos cães sem dono." O Gato Preto foi ovacionado e sua proposta aprovada por unanimidade. A partir de então, muita coisa mudou naquele distante vilarejo, situado a meio caminho de onde Judas Perdeu as Botas.
(Contos Inacabados - © J. M. Jardim - Direitos reservados - Lei Federal 9610/98)
O tempo não para
Não te espera
Te acelera.
O tempo não voa.
Passa.
Flui.
As águas escoam.
Paixões rolam.
Amores vem e vão.
O tempo não volta
Lembranças sempre
Saudades, vez em quando.
Tempo escoando
Você rolando
Vida passando.
(© J. M. Jardim - Direitos reservados - Lei Federal 9610/98)
"Um olhar.
Apenas isso.
Não mais que um simples olhar.
Não peço mais do que isso,
musa adorada.
Simples para você,
que dispensa apenas
mais um singelo olhar,
mas muito valioso aos que
anseiam por brevemente
usufruir desse privilégio.
E depois,
depois passar horas à fio
devaneando
com tua doce imagem e já
antegozando o próximo olhar,
talvez seguido de um sorriso,
uma pose..."
(© J. M. Jardim - Direitos reservados - Lei Federal 9610/98)
ELA VOLTOU... A GAROA VOLTOU NOVAMENTE...
Hoje o sol surgiu na Capital paulista, meio tímido, mas ao menos apareceu, porém, não ficou muito tempo e se escafedeu, encoberto pelas nuvens ameaçadoras. A senhora que aguardava o ônibus desdenhou: " - Quem tem medo de nuvens? Eu temo trombadinhas motorizados." Ergueu o queixo, cruzou os braços e me deu as costas. Respirei fundo, resisti alguns segundos, contando até 10. E respondi: "Quem não tem guarda-chuva tem medo de chuva. Quem tem celular tem medo de trombadinha. Assim caminha a humanidade, nesta cidade. Sem dó nem piedade, pro marginal tua vida vale a metade." Ela se voltou, soltando chispas pelo olhar. Felizmente o ônibus chegou e ela se foi. E eu fiquei a relembrar os anos 50, 60, quando no outono e inverno a névoa úmida dominava as madrugadas. O sol só aparecia depois das 9 horas. E pontualmente às 15 horas a garoa se apresentava, por vezes seguida de densa neblina. Bons tempos. Mas este ano São Pedro nos pregou uma peça: o verão veio fantasiado de outono-inverno. Será a nova moda?
(Juares de Marcos Jardim - Santo André / São Paulo - SP)
(© J. M. Jardim - Direitos reservados - Lei Federal 9610/98)
Borboletando...
As mariposas se deslumbram com a luminosidade de qualquer lâmpada. Porém, as multicoloridas borboletas buscam algo mais, buscam a liberdade, o sabor da brisa, a luminosidade radiante do sol, o aromático e natural perfume das flores....
Juares de Marcos Jardim - O Sacy Pererê do Grande ABC paulista.
As lágrimas expressam profundos sentimentos. Quando me emociono diante de um poema, de uma imagem, de uma situação, meu coração bate mais forte, minh’alma fala pelos olhos e se expressa pelos dedos, ao criar poéticas prosas, românticos contos. A lágrima é uma das expressões do amor incondicional. Quem não lagrimeja ao ouvir "Eu te amo?" Ao ver o dia amanhecer? Ao respirar profundamente com o sol a pino ou ao se enternecer, no magistral anoitecer?
(© J. M. Jardim - Direitos reservados - Lei Federal 9610/98)
DUALIDADE…
A dualidade nos permeia desde a concepção.
Gerar ou não gerar. Homem ou mulher.
O riso e as lágrimas.
O prazer e a dor.
Alegria ou tristeza.
Saudável ou doente.
Claro e escuro.
Frio ou quente.
Sol e lua.
Forte ou fraco.
Alto ou baixo.
Atirado ou retraído.
Sapo ou príncipe.
Passado ou presente.
Fada ou bruxa.
Racional ou irracional.
Amor ou ódio.
Presente ou ausente.
Leal ou infiel.
Vencedor ou perdedor.
Muda ou semente.
Beleza ou inteligência.
Bicho ou gente.
Verdade ou mentira.
TEM QUEM AGUENTE ?
(© J. M. Jardim - Direitos reservados - Lei Federal 9610/98)
"Cultuar o passado é respeitar nossos antecedentes, plantar bons hábitos no presente e garantir o futuro das novas gerações. A história permite diferentes interpretações, o que torna ainda mais apaixonante a missão do historiador. Em especial numa época em que as disciplinas História, Geografia e Sociologia são relegadas a segundo plano, quando não plenamente ignoradas.
(© J. M. Jardim - Direitos reservados - Lei Federal 9610/98)
"A cada instante, o recomeço. Em cada amanhecer, o renascer. A cada piscada, novas cores, mais luz. Uma nova respirada, a esperança renovada. Um novo quadro a cada pincelada, novos horizontes em cada escalada. Ao sabor da brisa, no vai e vem das ondas do mar, assim nossas caleidoscópicas vidas, nossos multifacetados amores."
(© Juares de Marcos Jardim - Direitos reservados - Lei Federal 9610/98).
CAUSOS PÓS CORONAVÍRUS 2020
Uma vizinha do meu condomínio interfonou: “-Alô, é o Dr. Jota? Me desculpe, aqui é a Leda do apartamento 122, a gente nunca se falou antes, mas me disseram que o senhor é uma pessoa muito legal. Preciso falar com alguém. Ouvir vozes, pelo menos, já que não podemos nos abraçar.” Pasmo, quedei mudo, por instantes. “Doutor, o senhor está me ouvindo?” Mesmo sabendo do risco, decidi Compartilhar: “-Sim estou ouvindo sim Dona Leda. Fique à vontade para conversar. No que eu posso ser útil?” Mal falei e me arrependi. Soou igual aos atendentes das lojas. Dona Leda prosseguiu: “Posso te chamar de Jota? É mais íntimo...” Vixe. Agora que ela ouviu minha voz (grave, envolvente), vai ser difícil administrar. Mas vamos lá, a causa é humanitária. A solidão é atroz para muitos idosos. Mesmo tendo familiares não muito distantes, a maioria é ignorada pelos parentes. Não é por maldade, apenas cada um tem suas próprias preocupações e prioridades. Poucas pessoas (Anjos de Luz) dedicam algum tempo àqueles mais frágeis, mais vulneráveis. Interessante notar que muita gente faz doações (em espécie ou em dinheiro) para instituições e causas diversas, mas nunca pensaram em saber como vivem alguns familiares menos afortunados. Duvido que vocês não tenham pessoas próximas que se comportam assim. É rápido e confortável fazer doações pelas redes sociais e ou transferências bancárias, sem necessidade de “encarar a realidade”. Tudo bem, sem críticas, somos imperfeitos e cada um faz o que pode. “-Como o senhor está enfrentando esse confinamento? Eu sempre fui “rueira”, desde que me aposentei na Rede de Ensino Pública passei a sair com as amigas, ir aos shoppings quase diariamente, aos cinemas e teatros pelo menos uma vez por semana...” Pensei bem antes de responder, esse tipo de papo é o ideal para profissionais que cobram “por hora”, com pacientes confortavelmente deitados no divã, o que não é o meu caso. Decidi encurtar a conversa: “Dona Leda, foi prazer conversar com a senhora, mas estou com duas panelas no fogão que exigem minha atenção. Podemos falar em outro horário? Legal. Muito obrigado por ter me ligado. Saúde e boa sorte.” Ela foi compreensiva e se despediu, agradecida. E lá fui eu cuidar dos afazeres domésticos, afinal, há muitos anos moro sozinho e é preciso “se virar”.
(Juares de Marcos Jardim - Santo André / São Paulo - SP)
(© J. M. Jardim - Direitos reservados - Lei Federal 9610/98)
GENTE!!!!
Meu shampoo acabou, o cabelo grisalhou
Minha barba branqueou, a dívida cresceu
A preguiça se instalou
A barriga aumentou
A Aposentaria desvalorizou
A despesa cresceu
A geladeira, antes farta, está quase vazia
No armário pouca lataria sobrou
Antes, frutas e verduras, carnes, laticínios
Agora, quando muito, arroz, feijão e ovo
E então, meu povo?
Será que iremos comemorar o Ano Novo
Em 2022?
Juares de Marcos Jardim - Santo André - São Paulo-SP
(© J. M. Jardim - Direitos reservados - Lei Federal 9610/98)
Podemos ajudar aos próximos e orar pelos distantes
Abraçar as pessoas com a alma
Apoiar, acolher, ter compaixão
Diante do caos manter a calma
Estender se preciso as mãos
Não custa disseminar boas intenções
Priorizar a paz, a compreensão
Reagir sem violência a provocações
Deixar fluir sinceras emoções
Devemos olhar ao derredor com os olhos do coração.
Juares de Marcos Jardim - Santo André - São Paulo-SP
(© J. M. Jardim - Direitos reservados - Lei Federal 9610/98)
Fé é como Flor
Quanto mais você cultivar,
regar e cuidar,
mais bonita ela ficará
e florescerá.
Sim, haverá dias em que sua flor
poderá até murchar... cair... e morrer.
Mas você não pode se entristecer
nem jamais se esquecer que
o seu coração é o jardim.
Quanto mais Fé você cultivar
mais florido, bonito ele será.
Imagina que coisa mais linda
seu coração todo florido de Fé.
quando te conheci jamais pensei que estaria apertando o gatilho para minha própria morte. você me matou por dentro, seu veneno percorreu por todo meu corpo. meu coração que um dia bombeava amor, apodreceu com sua toxidade.
não te culpo por nada, a culpa foi minha de ter acreditado que você era bom de verdade. um dia eu ainda irei florescer, e você vai ver o jardim enorme que perdesse, cheio das cores que eu pintei minha vida.
Ela é sua flor, então seja como sol para ela.
Dê a ela o melhor desse mundo…
Não me refiro ao material.
Mas sim ao sentimental
Esteja ao lado dela como as estrelas da Disney.
Se precisar cante para ela…
Mesmo que sua voz seja feia.
Grite para ela mesmo que pareça pouco.
Ame ela como louco
Engula o orgulho na hora da raiva.
Não guarde converse, isso pode machucar.
Seja como o Fera cuide até a última pétala.
A incapacidade do ser humano de aceitar a diversidade de opiniões, de aceitar as diferenças.
Infelizmente nos dias de hoje, ainda é possível se encontrar alguns seres que se acham a última bolacha do pacote e insulta m o coleguinha. A impressão que temos é que mesmo após decadas de convívio, estamos ainda no jardim da infância.
Guto um homem rico. Que podia se notar o brilho de ouro em seus olhos que tomavam formas de diamante azuis.
Sempre visitava as famosas boates do país, pois,
sua vida era o traçado perfeito por vias de
cristais com caminhos de rubis.
O amor para Guto bastava com as belas garotas das boates.
Mas um dia seus olhos que brilhava ouro. doaram parte de sua atenção para.
Uma elegante dama que passava pelo lado de fora daquele clube.
O comprido cabelo da dama corria como uma cachoeira pelos ventos da noite.
Se podia sentir o calor de sua pele. Quando o ar frio da noite tocava-la com delicadeza. Guto ouvia o som de calefação que saia do corpo quente da dama.
Guto a chama sem saber seu nome a chamando de minha vida.
Ouvindo aquilo a dama interrompi seus passos e mira com seus olhos de cor madeira ao homem.
Sorrindo como um branco de neve em sua boca.
O homem rico se apresenta e exibe sua riqueza para a dama.
Que pouco ligou, pois, Guto conversava com a pessoa mais rica daquele mundo.
A dama sem perde seu tempo, diz a seguinte frase para o homem.
Eu te amo, como o sol ama o dia e o dia dar vida as plantas, te amo como o suspirar do fim e o começar de uma vida e te amo como um dia amei todos os homens.
Guto o homem que tinha tudo, acabou de ter sua paixão, perguntando o nome da dama.
Guto, sou o que você cuida e preserva sou sua Vida.
Não entendendo e achando que havia encontrado sua paixão
Pensa em convida a bela dama de cabelos compridos para um encontro.
Vida aceita seu convite antes de Guto, pensar em fazê-lo.
Então amanhã as oito horas do anoitecer ao lado de sua melhor boate.
Na manhã seguinte entra em seu avião com destino ao outro lado do país.
Onde estava a melhor boate, chegando restando 5 minutos para o início de seu encontro.
Os olhos de Vida encontram aos seus ao lado daquela exata boate
Como sobeste que a meu lugar favorito seria este?
Você me desejou aqui meu amor sou a vida te dou tudo o que desejar
O encontro foi perfeito a noite passou e o casal ainda estavam sentados, sorrindo, conversando ao dia.
Naquele mesmo lugar Vida pede Guto em casamento.
Nasceram um para o outro. Os olhos que brilhavam ouro
Saíram lagrimas de diamantes.
Se casando no mesmo dia.
Guto tinha tudo e Vida tinha Guto
O casal perfeito desse mundo.
O amor para Guto virou Vida, mas um dia um sonho perturbou o homem rico
Acordando desejando voltar, porém esse poder não possuía
Quem seria a mulher do sonho de Guto, que fazia ele desejar passar o dia como morto dormindo
Vida sentiu que seu marido tinha algo diferente naquela manhã
Guto estava distante da vida
Um único sonho a deixado doente, os médicos deram dias para; Vida despedir de Guto.
Pois ele tinha uma doença sem cura, que nem vida poderia ajuda-lo
Passaram 2 dias e Guto o homem rico, dormia na cama do hospital
Havia aquele sonho a acompanhá-lo
Novamente via aquela mulher sentada em um jardim, solitária
Com seus cabelos presos e negros que compunham parte de sua única beleza
Sempre carregava uma caneca vazia, dizendo que um dia encheria aquele jardim solitário
Guto se apaixonou por aquela mulher em seu sonho
E exibiu sua riqueza, mostrando que poderia encher a caneca para aquela mulher e ainda sobraria quantia para transborda um rio
Logo a mulher responde, que sua riqueza não pode comprar o que ela precisava.
Vida acorda Guto de seu sonho, impedindo de continuar a conversa.
Guto com todo aquele amor pela sua Vida diz.
Você tem que me deixar parti.
Aonde eu estava encontrei o meu amor
Vida sem entender se deita com Guto em sua Cama hospitalar
Eu te amo sentindo a pele de Guto fria.
Vida começa enrolar seus compridos cabelos ao corpo de Guto.
Eu vi a mulher que quero passar o meu mundo.
Ouvindo isso a esposa de Guto: Vida o sega para ele nunca mais poder ver.
Outra vez essa mulher.
Mas não adianta evitar que o coração te esqueça.
Guto volta para seu sonho e encontra aquela mesma mulher
Que agora se notava uma diferença com sua beleza ainda mais perfeita
Ela sorria para Guto e uma única flor crescia a seu lado
Guto você é um homem rico e eu sou uma mulher simples e solitária.
Tem a Vida ao seu lado a mulher mais rica e linda do mundo
Por que insiste em ficar aqui em meu jardim
Eu prometi encher sua caneca e trazer felicidade para perto da senhorita
Nunca vou deixar você sozinha
Sabe quem sou eu Guto?
Vida acorda Guto que agora não enxergava e estava quente enrolado nos seus
Compridos cabelos de cachoeiras
Eu não consigo ver e não tenho mais frio
O que aconteceu?
Vida com ciúme sega seu marido e o aquece prendendo em seus cabelos
Evitando que ele veja a mulher de seu sonho e o leve seu calor que mantinha ela viva.
Guto não podendo ver a mulher de seu sonho.
Morde sua língua com tanta força que seu coração entra em choque
Decidindo abandonar toda sua riqueza, que não encheria a caneca da solitária mulher
Foi então que ele pode ver a mulher de seu sonho novamente, mas nunca a tocar, pois, Vida possuía seu corpo, enrolado em seus compridos cabelos.
Guto ficou preso pela Vida, mas deu seu coração para Morte consegui encher sua caneca e sentir o sabor de seu amor
Queria eu ter o poder de mudar o mundo de alguém.
É tão fácil você parar e escutar alguém desabafar
Ao mesmo tempo tão dificil porque na verdade
Minha vontade é tomar aquela vida arrumar tudo e entregar tudo resolvido e apenas dizer,era assim que tinha que ser feito.
Mais não é bem assim que funciona, o que te acho bom para mim pro outro não será,o que me causa muita dor em você poderá fazer algumas cócegas.
Podemos até ajudar mostrando nosso ponto de vista
Mais são coisas da vida e ela segue independente de tudo.
E se você não pode mudar o mundo de alguém
Plante umas flores faça um jardim bem bonito e aproveite o que há de melhor por ali.
O Menino e o Jardineiro
O menino corria pelo quintal contemplando os pássaros, as borboletas, as flores do jardim e um pequeno lago com peixes dourados, em frente da sua casa tinha muitas árvores, pé de frutas silvestres o qual os passarinhos, abelhas e o menino desfrutavam, sua mãe costumava pagar alguém para capinar o quintal e o jardim o qual o menino adorava plantar cravos, margaridas, palmas e onze horas, ficava ansioso esperando dar onze horas para ver a flor abrir, no fundo do quintal também tinha cana de açúcar, um pé de ameixas e girassóis, o qual ficava se perguntando o porquê do girassol estar sempre olhando para o sol, aquilo tudo era sua floresta o qual brincava de índio e outras vezes de filmes de faroeste o qual costumava assistir, a mãe do menino contrata um homem baixinho, meio corcunda pelo peso da vida, com os olhos azulados pelo desgaste do tempo, a mãe ficou sabendo que se tratava de uma pessoa muito pobre, mas que fazia questão de trabalhar para se sustentar e assim o fez, o homem começou ao amanhecer, o menino estava na escola o qual adorava desenhar escutar as histórias do bairro em que vivem, seus professores eram todos moradores do bairro, assim que o menino chegou a casa, sua mãe preparou um prato de comida e uma jarra com água fresca pediu que o levasse para o jardineiro, ele aproveitou e sentou se no chão perto daquele homem com o rosto tão enrugado as mãos tremula, ele pegou o prato de comida, tirou o chapéu preto desbotado ou talvez fosse cinza, agradeceu e começou a comer, o menino então pergunta qual era o seu nome, ele com uma voz roca e pausando diz Picidone, o menino achou estranho e disse que nunca tinha conhecido ninguém com este nome e perguntou o porquê da sua mãe dar este nome, o jardineiro então com uma lagrima nos olhos respondeu que não sabia o porquê deste nome, o menino viu as lagrimas em seus olhos azulados pelo tempo, mas nada falou o menino então pergunta por que ele era corcunda e andava com aquela bengala feita de um galho de árvore, o menino na sua inocência não entendia que as pessoas envelhecem para ele as pessoas nasciam como ele (Criança) ou como o senhor Picidone, antes que ele respondesse, a mãe chama o menino e diz para ele deixar o jardineiro almoçar sossegado, o menino pergunta a mãe se ele mora perto, se era o homem corcunda do filme, ele é rico ou pobre, o menino não entendia o porque tinha pobres e ricos, na escola a Professora explicava que no mundo existiam pessoas ricas e pessoas pobres, o menino indagou a Professora porque não pegava o dinheiro de todo mundo e depois dividia igual para todos, assim ninguém seria pobre, esta indagação lhe custou um bilhete no caderno pedindo para sua mãe ir até a escola falar com a Professora (estava em plena Ditadura e a Professora queria saber onde o menino tirou aquela ideia), o menino então retornou para o quintal onde o senhor Picidone trabalhava, mostrou algumas plantas e flores que ele teria que tomar cuidado para não cortar, ficou mais um pouco por ali mexendo nas minhocas que saiam da terra misturada nos matos, o sol começa a se recolher o menino leva o senhor Picidone até o portão e diz até amanhã, ao entrar em casa começa a fazer perguntas a sua mãe e ela com toda paciência explica que o senhor Picidone era muito pobre, um homem da roça muito sofrido e que precisava trabalhar para poder comer e ter um lugar para dormir, o menino não entendia o porque, o porque ele era pobre, o porque ele era corcunda, o porque ele andava com uma bengala, o porque ele tinha a pele escura, o menino fora criado respeitando todas as pessoas, raças, religiões sem se importar com a cor da pele e se era rico ou pobre e assim ele foi dormir cheio de duvidas e inconformado porque a vida era assim tão desigual, no dia seguinte na escola ele contou para os amiguinhos sobre o jardineiro Picidone, que ele era igual o homem do filme (corcunda de notre dame), o menino era muito atento, se preocupava com as injustiças da vida, assim que chegou em casa correu para o fundo do quintal para ver o jardineiro, novamente ao se sentar para almoçar o menino começa a perguntar e o senhor Picidone lhe conta que nasceu na Bahia e seus pais eram escravos em uma fazenda, ele nasceu na lei do Ventre Livre, mas teve que esperar completar dezoito anos para vir trabalhar com seu tio que já estava aqui trabalhando na fazenda, ele dizia que tudo ali era uma grande fazenda que com o passar dos anos foi transformada em chácaras e depois em lotes e que ali as margens do córrego onde o menino morava era uma plantação de algodão feita por arrendatários, uma família de japoneses que plantou bambus nas margens esquerda do córrego, onde o menino costumava brincar se pendurando nos bambus e envergando o até a outra margem do córrego, contou lhe também que todas as ruas eram de terra e só existia uma trilha de carroças, sobre a primeira construção de dois andares ( a casa do português Sr. Antônio), a construção da linha do trem, a construção da principal Avenida que cortou o bairro no meio, a primeira igreja e assim muitas coisas que serviram para o menino tanto na escola como em sua vida, e assim foi por uma semana as conversas com o jardineiro, mas não só um jardineiro, o Senhor Picidone, um homem que não sabia ler e escrever, más que tinha uma grande sabedoria e que dera grande contribuição na formação do menino e daquele dia em diante passou a ver com frequência aquele homem franzino, curvado pelo tempo, olhos azulados pelo desgaste da vida com seu terninho e chapéu desbotados e sua bengala feita de um galho de árvore, foi doloroso pro menino quando o Senhor Picidone aos cento e três anos de idade partiu deste mundo, então o menino chorou, mas nunca esqueceu as histórias daquele jardineiro com o nome de Picidone...
(Ricardo Cardoso)
"A aventura da Alma Gótica – Parte III de um dueto com o Músico Petrificado":
E após reconfortar-se nas águas geladas
Alma continua seu passeio pelo jardim sereno.
No antigo tronco oco, de uma árvore ressequida,
Oculta suas antigas angústias.
Ora bem sabes: muito tempo guardadas viram veneno.
Tão triste e solitário jardim sereno!
Mas por sorte ou por desejo forte
Vem intenso e impassível: o vento!
Sopra sem piedade e varre num lampejo
O pouco que lhe resta da melancolia.
Não murcham mais as margaridas de seu pensamento!
É sempre belo e pleno, suave jardim sereno.
Não, neste lugar a noite nunca dormia...
Sob o véu do luar a Alma protegida
Vislumbra brilhos de estrelas escondidas.
Tão claro e precioso jardim sereno!
A aventura da Alma Gótica – Parte III de um dueto com o Músico Petrificado
