Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

A dor do amor.

Como é difícil às vezes esperar pelo amor.
Ainda mais quando há barreiras a serem superadas.
A pior dor do amor é quando temos o amor bem perto e não podemos desfrutá-lo.
Ou quando a outra parte não age com a mesma intensidade, com a qual gostaríamos que agisse.
O problema deve ser este, em esperar demais pelo amor ou do amor.
Temos que aprender a amar, a doar amor sem cobranças, assim como uma criança que ama e não pede nada em troca.
Tenho vontade de gritar: quero aprender a amar! Será que isso existe?
Espero que com o tempo, este amor resista a estes momentos de dor.
E venha a ser vivido com toda liberdade, sem barreiras, sem interrupção e com intensidade.

Daiana Pais

MENTIRA!
Só pode ser MENTIRA!
Não acredito em ti! MENTIRA!
Tiraste-me tudo, esvaziaste-me de mim. MENTISTE!
MENTIRA!
O que mais dói foi ter acreditado em ti, foi ter acreditado em NÓS!.
Um nós que mais não era do que MENTIRA!
Odeio-te.
Odeio-me por te amar.
Odeio-me por amar a verdade que me fizeste crer ser real.
MENTIRA.
Quem dera fosses tu também uma mentira na minha vida.
Seria tão mais fácil esquecer-te e não sentir esta dor que teima em perdurar.
MENTIRA.

O amor é sentido e sentidos.
O que nos separa
São mais que ruas e distâncias
São mais que credos ou universos
O que nos separa
São mais que mãos, abraços,
Bocas, beijos ou corpos.
O que nos separa ...
São tantas coisas ditas, não ditas
Ou esquecidas...
O que nos une?
Talvez sejam só pensamentos
Mas com que sentimentos?

Catorze meses depois …

Muito amor, muita paixão
E alguns amuos por vezes
Não escondo esta EMOÇÃO
Passaram catorze meses

Com os meses a passar
E os dias a correr
Que bom é contigo estar
Nosso AMOR está a crescer

Espero que penses comigo
E continues a SONHAR
Sou feliz por estar contigo
Sinto-me bem em te amar

Tudo temos p’ra dar certo
Também sabes que é verdade
Se não te tenho por perto
Falta-me a outra METADE

Por ti o meu coração
Transborda paz, alegria
P’ra dar lugar à PAIXÃO
Que cresce dia após dia

Meu coração não se cansa
Vive amor e fantasias
Porque vive na esperança
Na esperança de MELHORES dias

Com os dias a passar
E a idade a crescer
Eu CONTIGO quero ‘star
Contigo quero viver

Quando estás longe de mim
Isolas-te no teu mundo
Mas jamais será assim
O nosso amor é PROFUNDO

Agora tudo é diferente
Sinto em ti muita alegria
O teu CORAÇÃO já sente
Que nada é fantasia

Quando estou junto de ti
Sei o que é FELICIDADE
Quando estou longe de ti
Também sei o que é SAUDADE

Aquele que balança mas não cai,
vive cada momento como se fosse o último, aproveita as oportunidades, sabe que a vida é passageira, que não existe fábulas e finais felizes, mas sim momentos bons, que vive o presente tirando lição do passado, sem medo de encarar o futuro, e que ama em segredo para não machucar as pessoas que os cercam, para não acabar com a esperança daquelas pessoas que acham que tudo é perfeito, e algo vai ser pra sempre...

Existe um dito popular que acentua, com propriedade: “mente sã, corpo são”. Verdadeiramente, apoiamos essa assertiva, por se fundamentar, com todos os rigores, na lei da justiça e do amor. O homem de amanhã, juntamente com o progresso, apresentar-nos-á os novos horizontes da mente, reconhecendo nela o energismo divino, de onde programa todo o comando para o corpo físico e todo equilíbrio para os centros de força, encravados no corpo espiritual. A autoeducação da mente é como portas que se abrem, ensejando à alma esperanças indescritíveis.

O complexo humano é cópia perfeita do universo, obedecendo às mesmas leis, de acordo com a sua estrutura, função e tarefa perante a vida. O espírito nunca sentirá paz na consciência, enquanto desconhecer a si mesmo, o que, de certa forma, é Deus frente a frente, convidando-o para as belezas da vida. A argamassa fisiológica se apoia em uma rede de glândulas, principalmente as de secreção interna que, por vias diretas, enriquecem o sangue de vitalidade, para que o espírito encarnado encontre a harpa afinada no sentido de dedilhá-la com desembaraço e, como maestro, harmonize todos os órgãos em uma só dimensão de ideal, com variados tons, para que a sinfonia orgânica alcance a plenitude do equilíbrio e da paz.

Contudo, os astros endócrinos, nos céus da forma física, têm profundas ligações com os chacras desenvolvidos no corpo espiritual, de alta função divina e terrena, pois eles são como duplicatas das sete glândulas de maior responsabilidade no corpo. E a mente se representa o comandante, o chefe no topo da cruz humana, pousada como pássaro celestial no maior computador do mundo, o cérebro, distribuindo ordens, analisando conceitos, ampliando e estimulando a química orgânica, encorajando altos interesses pelo progresso e por meios ainda desconhecidos da Terra, eternizando as leis de Deus nos escaninhos do próprio ser.

Eis que os horizontes da mente são inconcebíveis, por enquanto, perdendo-se na noite dos séculos e milênios, apoiando-se no grande ser que denominamos Deus.

A disfunção do mundo glandular provocará em vós inúmeras enfermidades, que a medicina, até hoje, procura debelar com poucos resultados; e estes, quase sempre nas pautas da transitoriedade. A ciência do futuro, no que diz respeito à saúde do corpo físico, está marcada para uma radical transformação de conceitos, de ética profissional e de diretrizes, no tocante aos métodos para os tratamentos.

Surge um novo sol na psiquiatria, com uma profusão de remodelações, tendo na mente a responsável direta por todas as enfermidades, o germe de todos os desequilíbrios do vaso físico. O problema fundamental, em primeiro plano, vai ser educar e, depois, instruir os indivíduos sobre como usar a faculdade de pensar, a maior força de todos os planos da existência.

O medo em demasia abaixa a vibração do energismo espiritual, retarda os centros de força e desequilibra a função glandular, que projeta veneno de todas as espécies no sistema nervoso e alcança todo o mundo celular. A ordem para a química do metabolismo é, igualmente, deturpada. A coragem com excesso, que sai das linhas da fraternidade, também é responsável por distúrbios maléficos ao organismos e, nesta seqüência, poderemos enumerar a maledicência, a vingança, o orgulho, a dúvida, a infidelidade, a maldade, o ciúme, etc.

Por isso, colocamos o Cristo como o sol das nossas vidas. Encontraremos no Evangelho os métodos mais simples e os meios mais fáceis, preceitos que nos levarão à verdadeira saúde do corpo e da alma. Já presenciamos pessoas melhorarem muito de saúde, pela concessão de um simples perdão. Vamos condicionar a nossa mente a bons pensamentos, para que estes tomem formas e levem a vitalidade a todo o organismo, sem queima do divino que nos liberta, revigorando todas as nossas atitudes no bem. Pensar e falar sempre na saúde. Pensar e comentar assuntos de alegria pura. O humorismo sadio é portador de esperanças e de paz. As boas maneiras, a decência, a cordialidade, o equilíbrio das emoções, tudo isto são toques de compensação funcional do corpo, que nascem na mente, passam pelos centros de força, ganhando amplitude nas glândulas que fornecem vitalidade hormonal a todos os departamentos somáticos.

A felicidade se inicia no pensamento. O trabalho é vosso. Começai e sereis ajudado por Deus

Julieta

Se eu estivesse neste momento em algum lugar do passado, contido nas linhas do tempo, encontraria você, e o que seria mais surpreendente e interessante, é que tu estarias iluminado o palco de um lindo teatro, decorado de poesia e arte, onde você seria a Julieta de Shakespeare, bela e iluminada, onde o amor seria imortalizado pela tua interpretação única e sublime, e eu, um poeta apaixonado, estaria lá parado, admirado com tua perfeição, te desenharia em versos e prosas meu coração, e ao fechar as cortinas, após o beijo envenenado, correia para teus braços, para sim comprovar que realmente tudo era encenado, e assim alucinado, te daria um beijo de amor.
Talvez encontre você, em algum lugar deste passado, que não sei por que razão invade meu pensamento, ao ver teu rosto suavemente rosado, e ler teu nome perfeitamente alinhado, senti um acréscimo de mim mesmo, como se abrisse uma janela, que a muito não se abria, quem é capaz de entender o sentimento? Quando nos habita aqui dentro, como um pássaro que esta prestes a voar, rasgando o céu da paixão, talvez um único olhar por todo este momento perpertuará, talvez um beijo em suas mãos, um suspiro em seus cabelos, adorada Julieta, quem sabe o tempo venha se entregar para este encontro, então saberemos de fato, que não seriamos apenas dois no mesmo retrato, mas sim as mãos de Deus entrelaçadas, abrindo as portas deste lindo teatro.

O contrário da morte é o desejo?
O contrário do espetáculo é o fim?
O contrário do alheio é o que há em mim?
O contrário do nada é o que não vejo?

O contrário da sede é saciar-me?
O contrário da margem é a margem?
O contrário da fé é quem a desarme?
O contrário: os que ficam ou os que partem?

O contrário do contrário é a frase.
O contrário da frase é o abismo.
O contrário do abismo é a valentia.

O contrário do valente é a sua base.
O contrário da base é o seu batismo.
O contrário de Deus? O Homem cria.

TU ÉS MARAVILHOSO

Tu és único, Tu és invencível,
Tua palavra tem poder.
Nela vemos o impossível,
Basta nela crer.

Tu és verdadeiro, Tu és amigo,
Em teus braços me sinto seguro.
Nas tormentas Tu és meu abrigo,
Tuas mãos me guiam no escuro.

Tu és Pai, Tu és maravilhoso,
Teu amor é incomparável.
Sou teu filho orgulhoso,
Sou teu servo inseparável.

Tu és paz, Tu és amparo,
Imensurável é teu poder.
Por Ti estou apaixonado,
Teu amor não vou deixar de ter.

Ele é Rei, Ele é milagroso,
Ele te resgata quando estás a deriva,
Ele te ampara em todos os momentos,
Ele é quem te dá a vida...

Tu és Deus de amor, Tu és Deus de respostas,
Tua luz me guia nos caminhos da vida.
Teu poder é que me abre as portas,
Quando parece que não há mais saída...

AMIGO

Amo-te meu amigo,
Porque a amizade,
É o maior dom Divino...

Amo-te meu amigo,
Porque tu, és tu...o meu refugio,
Sem mentiras,
Sem constrangimento...

Amo-te meu amigo,
Porque tu me dás,
A vontade de existir, de viver!

Amo-te meu amigo,
Pelo dom da ternura,
Com que me doo,
E tu te doas...

Amo-te meu amigo,
Por seres a pessoa linda,
O amigo terno que és...

Amo-te meu amigo,
Pela alegria contagiante,
Que sempre trazes,
Quando a mim te chegas...

Amo-te meu amigo,
Porque és a luz da minha vida...

O primeiro sintoma de que estamos matando os nossos sonhos é a falta de tempo. As pessoas mais ocupadas têm tempo para tudo. As que nada fazem estão sempre cansadas.

O segundo sintoma da morte de nossos sonhos são as nossas certezas. Porque não queremos olhar a vida como uma grande aventura a ser vivida, passamos a nos julgar sábios no pouco que pedimos da existência. E não percebemos a imensa Alegria que está no coração de quem está lutando.

O terceiro sintoma da morte de nossos sonhos é a Paz. A vida passa a ser uma tarde de domingo, sem nos pedir grandes coisas, e sem exigir mais do que queremos dar.

Paulo Coelho

Nota: Trecho adaptado do livro "O diário de um mago".

Se queres saber de mim
Não olhes os meus retratos
Julgando saber-me assim.
»«
Se queres saber quem sou
Não busques nas minhas respostas
Quando perguntas onde vou.
»«
Se queres saber quem é
Esta que te sorri
Não olhes para a mulher.
»«
Que não me saberás pelo sorriso
Não me conhecerás pelas respostas
Meus retratos são imprecisos
A cada dia traço novas rotas.
»«
Se queres porventura, um dia
Entender deste coração
Olha meus olhos primeiro:
É neles que mora a poesia
Que me explica dia após dia
E me mostra por inteiro.
»«
Se queres saber-me de facto
Recomendo-te menos cuidado
Muito carinho, pouca fala
Mais riso e tato, muito tato

“Musico”

Vendendo as entradas
De suas doces palheta - das
Conduzidas lentamente

Cantando que o amor não mente
Sobre as margens do entardecer
Na superfície do céu até as cores do amanhecer

Em suas melodias e doses de harmonia
Encontrando um caminho prematuro
Longes de dor, extensos de amor.

O QUE FIZERAM DA INFÂNCIA?

Fico observando essa nova geração e me perguntando o que foi feito da infância, passa criança e o que consigo ver são pequenos “adultos” alienados com coisas da moda, marcas, conversam entre si como se fossem “pessoas grandes”.
Sabe que na minha infância e olha que não faz tanto tempo assim ainda corríamos uns atrás dos outros brincando de pique- esconde, amarelinha, bandeirinha, pique-pega ate de roda brincávamos, hoje as crianças sabem o que é Internet, jogo de rede, onde você mata, rouba no próprio jogo que dizem ser infantil você escolhe ser assassino ou policia, ah você pode do nada entrar no shopping e atirar em todos, ou furtar um carro e sair com ele atropelando pessoas, fico perplexa com a maneira de diversão dessa nova geração, na minha época éramos mais ingênuos, mais humanos.
O que mais me preocupa é quando paro e começo a refletir em que tipo de adultos estamos formando, num futuro não muito distante teremos adultos que pensam que tudo lhe é licito, hoje já temos visto isso quando adultos estressados com o nada, revoltados sabe Deus com o que, simplesmente sacam armas e atiram por coisas supérfluas tão medíocres quanto a própria atitude.
Rogo a Deus todos os dias que voltemos à ingenuidade às brincadeiras de roda, nos tornemos seres pueris capazes de respeitarmos ao próximo.

Desejo
Sou capaz de fazer meu pensamento voar longe e chegar até você
Posso olhar nos teus olhos e ver o reflexo das estrelas até o amanhecer
Posso segurar suas mãos e beijá-las, assim com a chuva beija as pétalas das rosas apaixonadas, posso te abraçar num abraço proibido, indecente, porém forte e envolvente, sentir o perfume de seus cabelos e despertar meu desejo em forma de poesia, posso querer tirar o mel de sua boca e sentir o seu mais doce beijo, assim como a abelha senti o gosto da flor do desejo, posso querer perder-me em seu corpo e nunca mais ser encontrado, é assim que eu me sinto, como um beija- flor apaixonado, e por você não estar aqui, choro junto com minhas lagrimas, minha porção de oceano

"Uma pena o ocorrido na noite anterior.
Denegriu-me na frente de meus amigos e suas amigas, sem pensar.
Sua "meninada" não fez bem e causou um mal-estar, sabe disso. Peço que controle seu ciúmes de maneira a torná-lo mais sociável, mais brando!
Não pode de maneira alguma imaginar-se dona de alguém e sim companheira, amiga. Penso estar fazendo algo que deveria ter feito ontem, mas... Foi a melhor escolha, pois não tínhamos cabeça para tal, pelo menos eu não tinha!

Pequena, sou como um pássaro: se livre, canto aos deuses minha felicidade; se preso, me debato e faço noite no viver da pessoa amada.
Sou vítima de minha idade, por isso tenho medo de gostar/ amar você. Sabe por quê? Por que minha juventude não me permite, onde a certeza de estar com uma pessoa íntegra não me deixa errar e o erro é a forma do novo aprender, crescer.

Espero que me entenda e releve tal situação, pois "A forma mais justa de amar é não enganar.”, como sempre fiz.
Sua pureza é ímpar e por isso... Se um dia você reclamar saudade, me desculparei."

Hoje sou cética, hoje sou vil.
Hoje sou careta, hoje sou vinil.
Hoje sou louca, sem eiras nem beiras,
nem bagagens, nem fronteiras.
Hoje sou hippie, sou hype, sou underground.
Hoje sou grunge, sou punk, sou canibal.
Hoje me misturo nesse mundo animal.
Hoje me encanto com baixo percentual.
Nao me limite, nao me queira bem.
Hoje eu quero ir muito mais além.
Hoje sou livre, sou leve, sou solta.
Sou louca, sou ego, sou tonta.
Nao me pare, não me engane.
Nao é facil, nao SE engane.
Se quer fale logo, não me arrisco por tão pouco.
Se deseja corra atrás, se não te deixo louco.
Se desfaça, não planeje, não tente, não me atormente.
Me contradigo e sempre faço.
Não é fácil, não é barato.
Pegue as malas, vou-me embora, mundo afora: prazer!
Sou mais eu.. e vc?É mais você?

Sebastian: - Eu só vim te dar tchau.
Anette: - Vai embora?
Sebastian: - Vou.
Anette: - Pq?
Sebastian: - Por sua causa!
Anette: - O q eu fiz?
Sebastian: - Vc é hipócrita e eu não ando com hipócritas.
Anette: - Pq vc diz q sou hipócrita?
Sebastian: - Vc diz o tempo todo q vai esperar pelo amor, e aqui está ele, na sua frente e vc ta dando as costas pra ele. Isso faz de você uma hipócrita. Eu vou embora e vc, vc vai passar a vida inteira sabendo q deu as costas pro amor. Até a próxima vida!

Meus grandes momentos de felicidade não coincidem com grandes

momentos. Não se tratam de rituais de passagem, de grandes realizações, não têm holofotes, arranjos de flores, entradas triunfais, rufar de tambores. Poucos deles ficaram na memória associados a uma data e são muito mais sensações, frases soltas, pequenos gestos do que propriamente grandes momentos. Foram, na verdade, ordinariedades simples capazes de parar o tempo e me mostrar a perfeição do instante, de revelar milagrosamente, como quem tira um coelho da cartola, a felicidade irretocável que eu estava vivendo. Gérberas enroladas em papel pardo numa manhã de sábado. Café com empada e jornal na Rua da República. Banheira e sopa de abóbora temperada de lexotan. Saguão de aeroporto esperando amigos que conversavam fumando. A mão que brinca por debaixo das cobertas com a minha tornozeleira. Cadeiras lado a lado no salão de beleza com a irmã que vai casar. A subida da serra num carro 1.0 com Facelo de co-piloto e DJ. Amigos dividindo pão de queijo e café pra se despedir. Um quarto de hotel num fim de tarde fúcsia com os Morelembaum de trilha. A boca cheia de spaguetti. Calor, refrigerante, poeira e 8.000km num carro sem ar condicionado. Nininha fritando bolo de batata. Ser embalada aos pulinhos. Um anel escondido nos lençóis. "Ticcia, Ticcia, ó, não tê lua, tê estelinhas". O Frescão na chegada ao Rio. Roupa manchada de laranja 60 percebes depois. Chope do Liliput. O elogio de um cara genial. A escada rolante do desembarque. Sentir-me em casa.

TP 179.
Passaram poucas horas juntos, com a sensação de que seu encontro era mais que uma conspiração de acasos. Não puderam entristecer-se, felizes que estavam com aquela brecha de vida que desenrolava uma fita, que tecia um urdidura rara e frágil. Falaram da vida e do mundo aproveitando cada instante, sem reservas ou medo, sem querer estar em nenhum outro lugar além dali mesmo, ao lado, desfrutando os minutos com a entrega absoluta da iminente finitude. Mereceram esquecer-se da vida que existia fora daquelas circunstâncias, porque concederam-se experimentar as possibilidades, ainda que as possibilidades fossem nada mais do que desejo secreto e improvável. Descobriram que podiam partilhar uma invenção do mundo em que só eles eram o que realmente eram e que lhes permitia serem assim, na simplicidade do acaso, um pouco um do outro como não tinham experimentado ser para ninguém, sem plano ou aquiescência, sem querer. Habilitava-se uma cumplicidade irrepetível que fazia o ar mais doce, mais calmo e seguro, subentendida a singularidade do que estavam vivendo, como se sussurrassem em silêncio para que cada segundo fosse sorvido, gravado, absorvido, tatuado na memória dos sentidos. Sem tristeza ou pesar, procuravam reter tudo o que eram capazes um do outro, relicário de imagens e sons, o riso, a maneira de mexer a boca, erres e esses, a cor das mãos, o nome dito por aquela voz, a marca dos lábios no copo, os cílios inquietos, os cabelos em desalinho, um cheiro de perfume e sono, o formato das unhas, o volume do corpo. Sabiam que não ousariam rebelar-se contra o que se fazia posto e acabado na vida que era para além dali, mas queriam guardar um do outro, ainda que ainda não soubessem, recortes e fragmentos para contarem sua história de outras formas, de outros jeitos, com outro enredo que lhes permitisse experimentar o gosto da boca, dos líquidos, o peso do corpo, o calor das mãos, suas sombras, noites, vento, manhãs. Porque precisavam disso, do que eram e da rebeldia escondida do que poderiam ser, mesmo longe, mesmo reinventados, mesmo nas lembranças imaginadas do que nunca teriam vivido, uma dobradura feita daqueles momentos, como se pudessem transformar os instantes em uma outra coisa qualquer, sem lógica ou tempo, viva por si mesma dentro deles em algum lugar. Secretamente viva e possível, assim que ousassem vivê-la.