Textos de Clarice Lispector sobre Amor

Cerca de 30 textos de Clarice Lispector sobre Amor

Farei o possível para não amar demais as pessoas, sobretudo, por causa das pessoas. Às vezes o amor que se dá pesa, quase como uma responsabilidade na pessoa que o recebe. Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. É uma forma de paz… Também é bom porque em geral se pode ajudar muito mais as pessoas quando não se está cega de amor.

Clarice Lispector

...Embora amor dentro de mim eu tenha.
Só que eu não sei usar amor.
As vezes arranha
Feito farpas

Se tanto amor dentro de mim
Eu tenho, mas no entanto
Continuo inquieto
É que eu preciso que o Deus venha
Antes que seja tarde demais

Mas eu sei
Que vou ter paz antes da morte
Que vou experimentar um dia
O delicado da vida
Vou aprender
Como se come e vive
O gosto da comida

Clarice Lispector
Inserida por gtrevisol

Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.

Clarice Lispector in Aprendendo a Viver

Clarice Lispector
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Eu ainda não sei controlar meu ódio mas já sei que meu ódio é um amor irrealizado, meu ódio é uma vida ainda nunca vivida. Pois vivi tudo - menos a vida. E é isso o que não perdoo em mim, e como não suporto não me perdoar, então não perdoo aos outros. A este ponto cheguei: como não consegui a vida, quero matá-la. A minha cólera - que é ela senão reivindicação? - a minha cólera, eu sei, eu tenho que saber neste minuto raro de escolha, a minha cólera é o reverso de meu amor; se eu quiser escolher finalmente me entregar sem orgulho à doçura do mundo, então chamarei minha ira de amor.

Clarice Lispector

Eles pareciam saber que quando o amor era grande demais e quando um não podia viver sem o outro, esse amor não era mais aplicável: nem a pessoa amada tinha capacidade de receber tanto. Lóri estava perplexa ao notar que mesmo no amor tinha-se que ter bom senso e senso de medida. Por um instante, como se tivessem combinado, ele beijou sua mão, humanizando-se. Pois havia o perigo de, por assim dizer, morrer de amor.

Clarice Lispector
Inserida por cassiauruoca

Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.

Clarice Lispector
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É difícil compreender e amar o que é espontâneo e franciscano. Entender o difícil não é vantagem, mas amar o que é fácil de se amar é uma grande subida na escala humana. Quantas mentiras sou obrigada a dar. Mas comigo mesma é que eu queria não ser obrigada a mentir. Senão, o que me resta?

Clarice Lispector
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Piedade é a minha forma de amor. De ódio e de comunicação. É o que me sustenta contra o mundo, assim como alguém vive pelo desejo, outro pelo medo.

(do livro em PDF: As palavras [recurso eletrônico] : nada têm a ver com as sensações, palavras são pedras duras e as sensações delicadíssimas, fugazes, extremas Editora Rocco)

Clarice Lispector
Inserida por portalraizes

"Existir é tão completamente fora do comum que se a consciência de existir demorasse mais de alguns segundos, nós enlouqueceríamos. A solução para esse absurdo que se chama 'eu existo', a solução é amar um outro ser que, este, nós compreendemos que exista”.

( em "Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres".)

Clarice Lispector

Vamos fazer um brinde às noites mal dormidas porque eu estava o tempo todo pensando em você. Aos lugares que eu fui, somente por saber que você estaria lá. À fantasia que eu criei na minha cabeça, mas você acabou fazendo tudo exatamente ao contrário, fazendo eu chegar a conclusão de que tudo está sendo bem melhor desse jeito, do que de como eu desejava. Um brinde às suas piadas sem a mínima graça e nexo, que por esse mesmo motivo me fazem dar gargalhadas. Às vezes em que eu fiquei fazendo combinações com os nossos sobrenomes. Àquele dia em que nós brigamos e eu pensei que aquela seria a última vez em que nos falaríamos. Pelas marcas que você deixou em meu coração. Pelas cicatrizes que ainda permanecem lá. Ao seu jeito de não querer demonstrar o que sente. E às suas manias que tem de me irritar. Principalmente àquela que tem de fazer eu me apaixonar por você cada dia mais. Um brinde à maneira de como você entrou na minha vida tão de repente e à bagunçou de um jeito que nem mesmo se eu quisesse, ela voltaria a ser o que era antes. Às comédias românticas que me fazem lembrar da nossa história. À distância que por mínima que seja, consegue provar pra nós dois o quão fortes somos, por superarmos mais um obstáculo. Por me fazer rir descontroladamente quando o que você diz é uma verdade e eu não quero que você saiba. Por finalmente me fazer enxergar que os filmes românticos tem sentido. Vamos brindar à nossa imperfeição, que me encanta e me fascina por ser só nossa. Às falas e momentos que eu inventei e ainda invento dentro da minha cabeça antes de dormir. Ao dia em que eu pensei que nada, nem ninguém mudaria toda a minha frieza e o medo que sentia em depender do sorriso de alguém, mas que só acabou mudando por você ter aparecido. Aos textos em que a palavra “você” poderia ser substituída pelo seu nome. Aos dias em que a dor me corrói totalmente só de pensar em te perder. Mas um brinde principalmente, ao dia em que eu tive certeza de que estava perdidamente apaixonada por você.

Clarice Lispector
Inserida por Leticia3Cordeiro
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