Textos de Amor Passado
Colorido
As nuvens se descortinam diante dos meus olhos. O vento era suave.
O jardim todo florido sorria no mais lindo colorido.
Um dia na minha vida.
Um dia repleto de coisas coloridas.
Um dia cheio de vida.
Um doce despertar...
Um leve caminhar...
Um majestoso poder de sonhar.
Uma esperança que nunca para de esperançar.
Meu caminho
Queria um caminho aconchegante.
Quente... como uma tarde de verão.
Claro... como um meio-dia de sol a pino.
Queria um caminho que me abraçasse.
Um caminho em movimento...
Andando junto nas andanças do vento.
Sem medo do que está depois da curva.
Sem receio de descer ao mais profundo abismo.
Navegar no mar sem fim...
Segura de mim.
Queria andar nesse caminho sem cerimônia.
Queria procurar detalhes que ninguém vê.
Queria enraizar amor
Por todo o caminho por onde eu for.
Emoções à tona
Tecelão literário...
Entrelaça palavras.
Diz tudo sem dizer nada.
Usa meias-palavras pra tudo dizer.
Esconde-se atrás das brumas.
Revela o irrevelável.
Mostra a crueldade do mundo com palavras amáveis.
Palavras amenas não canta o amor apenas.
Elabora sem medos do submundo os segredos...
Compõe os fios da vida.
Tece esperança.
Emociona.
Vive de trazer emoções à tona.
Melancolia
O frio da madrugada.
A escuridão que não me deixa ver nada.
Partiste e sozinha me deixaste.
Contigo toda a minha paz e alegria levaste.
Escrevo agora minha última poesia.
Sem rimas... sem métrica... sem nenhuma melodia.
Só uma nota triste que em toda ela persiste: a mais corrosiva melancolia.
A minha fé
Estou com saudades dos dias de sol...
Estou com saudades do agora que trazia um depois com gosto de mel...
Estou com saudades do seu jeito contente...
Estou com saudades de respirar sem medo do ar que iria sorver...
Estou com saudades de andar por aí e tranquilamente pelo mundo me perder.
Estou com saudades da intensidade da vida.
Estou com saudades de não sentir ansiedade.
Estou com saudades daquele tempo das laranjeiras.
Estou com saudades do cheiro do café.
Estou com saudades do tempo em que o que mais me movia e me mantinha em pé era a minha fé.
Estou com saudades dos tempos em que não sentia saudades...
Estava tudo no lugar certo.
Estávamos todos tão pertos.
O amanhã sempre parecia tão certo.
Levo minha vida no meu ritmo
Muitas vezes o ritmo do mundo ignoro...
Vou mais depressa... ou mais devagar...
O que acompanho é o teu caminhar.
Contigo é tudo o que me envolve.
Tua companhia é o que me conforta.
Ruas retas... ou ruas tortas...
Pouco... ou nada influem.
Não tenho pressa por algo...
Teu ritmo é o ritmo perfeito.
Depois que chegaste em minha vida
Não há mais portas de saída... minha moral nunca mais está em baixa.
Estou tão bem... como peça de quebra cabeças que se encaixa.
Muralhas
Vivo dentro de muralhas...
isso não pode estar acontecendo...
até há pouco tempo,
por bobagens eu estava
me debatendo.
Eram coisas tão bobas, triviais
que me incomodavam...
hoje é questão de sobrevivência
um coquetel único de anomalias...
tudo foge à norma, tudo é diferente do normal...
do habitual...
Saudades de quando tudo era tão normal e eu pouco caso fazia.
Não, eu não perdi.... nós perdemos.
De tão apavorados, preferimos viver uma vida vazia
de nós...
Há um bater de asas
O sol nasce devagarinho
Seus raios lentamente aparecem por detrás do montes...
Uma brisa suave traz até mim o perfume inebriante de flores...
Mais um dia começa...
Longa será a jornada.
Eu aqui parada... estagnada.
Não tenho forças pra começar o dia...
A noite foi de completa agonia.
Partiste...
Me deixaste tão triste.
Pergunto-me: de que adianta estar pelo mundo se não estás do meu lado?
Meu coração está desconsolado.
A cortina levemente balança com a brisa que entra...
Um pássaro pousa no peitoril da minha janela...
Fica alguns segundos a me olhar com se me dissesse: ‘há tanta vida lá fora’.
Minha alma no peito chora...
Há um bater de asas...
Um bater de asas que me move... meu coração se comove...
Há vida... me decido... vou vivê-la...
Meu coração tão padecido... apertado no peito...
Minha razão: ‘levanta-te... pra toda dor sempre há um jeito’.
Um diário em minhas mãos
Madrugada fria
A vida quase vazia.
Chove lá fora.
O quarto jaz numa penumbra que me arrepia.
Folheio lentamente um diário.
Nem sabia da existência dele...
O acaso colocou-o em minhas mãos.
Sinto-me como se estivesse
um altar profanando.
Dúvida cruel a me assaltar...
Ler ou não ler
aquelas linhas
... tão certinhas?
Olho-o... descuidadamente...
Como quem não quer olhar...
Como que por acaso...
Dou uma espiadinha.
Vejo o meu nome mais de uma vez escrito
naquelas folhas que vou folheando bem devagar.
De partes em partes há datas...
Uma lágrima rola.
Nossos instantes vividos estão todos aí
Meu eterno amor registrou tudo quando ainda estava aqui.
Um novo dia
Amanhece lentamente
As brumas da noite pouco a pouco são engolidas pelos anêmicos raios de sol que surgem lá no horizonte...
Mais um dia em que o frio não será vencido pelo calor do sol...
É inverno.
O céu parece que irá se cobrir de nuvens no decorrer do dia...
Talvez chova.
E as memórias não há momento em que não aparecem.
As lembranças de nós dois estão sempre onde eu estou...
Recordações, sempre as mesmas – tudo o que de nós restou.
Mesmo estando tão longe, sinto-as tão perto.
Ah! Esse mundo deserto em que tu não estás por perto...
A solidão se aninha em meu coração...
Como ontem se aninhou...
É a única a me fazer companhia...
Como ontem me acompanhou...
Passa dia... passa dia... sem nenhuma alegria...
Total letargia...
O combinado era que fosse todo dia um novo dia...
... e que fossem cheios de alegria.
Amar-te
Amar-te
no prisma
sonoramente refletido
no mais alto silêncio.
Amar-te
no corpo espelhado
sem máscaras
sem fingimento
no vazio do caos
imenso.
Quisera.
Amar-te
sem ameaça, sem perigo.
Amor atento e dedicado…
E, nesta via de mão dupla…
amar-te, intensamente amar-te…
e, ser amado.
Quem me dera…
Quem me dera acreditar em quimeras… sonhos, fantasias, ilusões…
Que bem fazem ao meu coração.
Quem me dera… quem me dera.
Daria tudo por um minuto contigo hoje.
‘Tua voz de outono modulada e rouca’
a me deixar louca.
Quem me dera acreditar na esperança...
Aquela que tem toda criança.
Foi-se... foi-se bordear outras paisagens...
Passou por mim...
esperança é coisa que só por mim
passou de passagem.
Esperança.
Deixou em mim nublada imagem
mansamente a se apagar...
fumaça desgarrada
a se desfumaçar.
Não encontro mais o que via
Passa dia... passa dia... passa noite... passa dia.
Ah... tu me fazes uma falta infinita de luz e paz.
Foi
Foi
Só um vento…
Só uma chuva
Só um verão
Só um tempo
Só um raio
Só uma flor
Só um momento
Só uma tempestade
Só um pássaro
Só um tormento
Foi
uma história
que ninguém viveu e que ninguém contou…
foi…
e passou.
Chuva que passa e não para
Em meio à correria
O tempo não se detém não
Passa depressa
Chuva que cai e passa, não para não.
Plante a flor, mulher.
Regue-a com amor.
Quando a primeira nascer
Pro meu amor vou oferecer.
As gotas de chuva
Escorrem pela janela.
Sabe mais ela de mim
Do que eu dela.
A chuva escorre e passa por mim…
Me faz de sua tela
Pinta um jasmim.
Me envolve
Me dissolve
E me leva embora.
Suplico, oh! Chuva!
Devolve a minha paz, minha vontade de viver…
agora.
Deserto
Atravesso desertos fora de mim.
Não encontro oásis no recôndito de minha alma.
Deserto incerto...
Nada é proporcional.
Miragens de mim.
Desejo intencional.
Deste-me um beijo.
Disseste-me adeus.
Gosto amargo e seco.
Tempestade de areia.
Uma serpente serpenteia.
Grito em silêncio.
Ecos num vazio amargurado...
Tudo desajustado.
Oásis embaciado.
Percepção
A sensação era de estar desperta...
Alerta!
Mas, na verdade, devia de sonambulismo constante sofrer.
O Sol não tinha o calor do verão...
parecia ter continuado a dormir depois de o inverno ter chegado ao fim.
Fazia frio...
Mas a fria sensação não a fazia tremer
Parecia não haver nada a temer.
Nada a atemorizar, nada a exorcizar.
Seus demônios eram só seus...
Na sua sonolência desperta...
Ou no seu despertar sonolento...
Ah! tanto faz...
de continuar do jeito que estava pela eternidade era capaz.
Nunca acordava totalmente... vivia um pouco dormente... em estado latente... demente.
Não via luz nenhuma no fim do túnel.
Não se sentia membro da raça humana.
Então continuava... do jeito que estava... continuava...
Mas... de vez em quando... não aguentava, meio que se revoltava...
... e chorava.
Who cares?
Saudades
A tarde passa lentamente.
O dia aninha-se nos braços da noite.
Pássaros cantam sem tanto alarde.
E eu... eu apenas contemplo.
Não há mais lamento
Tu te foste...
Outros braços te abraçam
E eu sorrio... sonho:
são os meus lábios que sentes
é o meu calor que te aquece...
Tu, de mim, jamais te esqueces.
Sonho... aos poucos umas lágrimas rolam dos meus olhos...
Silenciosamente... Sinto saudades.
Itinerante
Itinerante... percorro o mundo.
Mero vagamundo vagabundo...
Uma próxima jornada está prestes a acontecer...
Tudo o que vai ser simplesmente vai ser.
...
Perdas e danos você causou...
Gélida... glacial.
Insensível... indiferente.
Como se eu fosse invisível...
Diante de minha dor ficou impassível.
...
Amor perdido... confundido.
Unilateralmente sentido.
Tudo o que vai ser... vai ser distante.. errante
... de mim nunca mais nada você vai saber.
...
É inútil tentar escrever a própria vida palavra por palavra?
Terá o destino sempre a última palavra?
Não vivo
Tu e eu.
O mar.
O sol e o ar...
Entre nós dois uma espessa neblina.
Queria que fosses minha, linda menina.
Do amor não esqueço a magia...
Queria poder te dizer tudo o que sinto, um dia.
Da cumplicidade de sentimentos.
Da paz de nossos momentos.
Do meu amor que explode por dentro.
Menina, dos cabelos de caracóis...
Por ti esperarei milhares de sóis.
Loucuras que não vivi.
Dor que sozinho sofri.
Do presente – que não posso te ter bem aqui.
Do futuro – que não posso pensar sem ti.
Não vivo.
Bem lá na frente: não quero repetir que não vivi.
As cores da minha vida
Camaleão...
Não tenho convicções,
me adapto a qualquer situação...
vou e volto,
dou a volta,
depois volto...
Passo por cima,
passo por baixo...
me encaixo.
Preto e branco?
Comigo não...
domina a razão,
quem manda é o coração.
Meus sonhos têm a cor da minha vida
... colorida.
Repleta de contradições,
tudo me convence...
nada me vence..
começo e não termino
no meio do caminho...
largo tudo e volto
convenientemente
começo tudo novamente.
... mais uma vez.
Viu só o que comigo você fez?
