Textos de Amor Não Melosos
Fonte de amor
De paz
E de luz,
Olha só a flor,
Que plantou Jesus
Com todo amor
Carregou a cruz
Nunca reclamou
Sempre nos ensinou
O valor da vida
Do grande amor
Da alma sabida
E da pequena flor
Então posso falar
Jesus quis nos ensinar
E você entendeu
O verdadeiro valor
Da palavra
amar
OUTONOS
Às vezes o amor parece belo
Às vezes é um elo com a dor
Às vezes tudo perece
E fica só uma flor
Marcando juras de um amor eterno
Presa entre as páginas
De um caderno perdendo a cor
Às vezes nada disso acontece
E a noite fica vazia
Às frases bonitas se calam
Se perdem na monotonia
Então os poemas não acontecem
As canções se perdem na nostalgia
As flores murcham entre espinhos
Nos outonos das nossas utopias
Todas as coisas agora me lembram de como o amor costumava ser. Taboas dilatadas em lugares
solitários. Condicionador viscoso em meus cabelos. Sólidos livros. Suas variegadas lombadas.
Turbilhão de palavras como um coquetel agitado, umbigo em torvelinho, pulsante asterisco.
O passado é isto: ter sido jovem e desejosa e não ser mais.
No futuro, as taboas explodirão sem mim. Oro para que elas
não passem despercebidas. Quem irá cavalgar os cavalos do cemitério? Loiras e incorrigíveis madeixas
soprando em seus olhos. Quando eu caminhava pelos cemitérios comentando
sobre os nomes estranhos. O presente: seguir um caminho sem amor é cortejar
um vazio roxo azulado, como uma gruta ou uma boate. Ou a caverna onde cadáveres
são armazenados no inverno, quando uma pá não consegue romper o solo congelado.
Eu já vi tais lugares. Já estive sozinha neles. Som de água marulhando.
Animais chamando uns aos outros. Eco da minha própria respiração. Fumaça saindo
da minha boca no frio. Memória, um intruso em um canto que quer matar,
pedra pesada na mão. E a poesia. Este poema agora. Este caso de uma noite.
Trad.: Nelson Santander
Fé infinita
O tamanho do universo é análogo ao amor de Deus: infinito.
A fé do homem deve ser na mesma proporção, também recheada de agradecimento e regada com perdão.
Cada amanhecer é um presságio do poder do Pai Celestial e um novo momento concedido pelo nosso Criador a todos nós.
A alvorada nos renova, e os primeiros raios de sol são bênçãos divinas.
Obrigado, Senhor, por mais um dia de vida!
"Equação sem solução"
Amor é experimento que insiste
em fugir da lógica,
um átomo errante que não para
no seu lugar certo.
Tentei medir, pesei reações,
calculei forças e distâncias —
mas é como tentar capturar
a luz que escapa pelo dedos.
É fórmula incompleta,
com variáveis que dançam
num choque quântico de vontades,
onde o certo e o errado são só hipóteses.
No microscópio da razão,
o coração explode em partículas,
mas nenhuma equação explica
a gravidade de um olhar perdido.
É um vírus gentil que infecta
sem anticorpos,
sorriso que desafia a física,
um elétron louco no corpo da alma.
E às vezes, no caos dos sentimentos,
me pego rindo, aceitando:
não há ciência capaz de aprisionar
esse mistério que pulsa, leve e insolúvel.
Porque amar é brincar com o infinito,
é navegar num oceano sem mapa,
é ser tanto enigma quanto descoberta,
é o mais belo experimento
onde o resultado é só sentir.
EQUAÇÃO INCOMPLETA DO AMOR
Passei anos procurando
a fórmula do amor.
/
Achei que fosse simples —
algo entre química e destino,
um cálculo exato
entre dois corações.
/
Tentei medir teus gestos
como quem mede estrelas:
um sorriso dividido pelo silêncio,
um abraço elevado ao infinito.
/
Mas o amor
não cabe em laboratório.
/
Ele muda as leis da física
quando teus olhos encontram os meus.
A gravidade se torna mais leve,
o tempo desacelera
como um relógio cansado de correr.
/
Às vezes penso
que o amor é um experimento eterno:
/
misturamos esperança,
um pouco de medo,
algumas lembranças futuras
e o acaso.
/
Se a experiência dá certo,
nasce uma pequena luz
no meio da rotina.
/
Se dá errado,
aprendemos outra variável do coração.
/
Talvez seja isso
o grande segredo da equação:
/
o amor não quer resposta.
/
Ele prefere
permanecer mistério —
uma fórmula aberta
que o universo escreveu
para ser resolvida
apenas vivendo.
/
E mesmo sem solução,
continuamos tentando
porque, no fundo,
há beleza
nas perguntas que o coração
nunca termina de fazer.
Pacto eterno de Amor
Te vejo...
E o meu coração
Acelera no peito.
Me perco em teus olhos
E, mais uma vez,
Insisto em te conquistar.
Esqueço quem sou
E o que significamos
Um para o outro.
Por centelhas de segundos,
Esqueço
Que você nasceu para me amar.
Nesse instante,
Somos apenas eu e você,
Aqui, agora.
Não me lembro
Das outras vidas,
Através do tempo.
Das noites quentes de amor,
Dos nossos casamentos,
Das vezes que me deixou.
Não me lembro
Do pacto que fizemos
De nos encontrarmos em todas as vidas.
Sou só eu e você,
Aqui, não em outros tempos.
Não por maldade —
Apenas não me lembro.
Que existe algo mágico,
Que nosso vínculo é infinito,
Que o nosso amor
É eterno e espiritual.
Esqueço
Que sinto o que você sente:
As lágrimas caindo
Do seu rosto,
O coração acelerado
— não é só o meu —
A raiva e a alegria
Que não são minhas.
Essa telepatia
Que não se explica,
Mas que está presente
No nosso dia a dia.
Mas por horas
Sou só eu,
Tentando ser vista,
Mostrando que existo.
Fico tentando chamar
Sua atenção.
Quero que me veja,
E que me ame de uma vez.
Esquecendo que você
Não vai se apaixonar por mim —
Vai se lembrar.
Lembrar quem eu sou.
Lembrar do contrato
Que fizemos:
De nos encontrarmos
E sermos felizes no final
Do nosso pacto eterno de amor.
A verdade do amor
Um dia pensei que poderia amar a todos.
Mesmo os que erram,
os que machucam,
os que me fizeram chorar.
Não por obrigação,
mas porque não sei guardar rancor.
Hoje não sinto raiva.
Sinto medo.
Algumas pessoas assustam
não pelo que fizeram,
mas pelo que ainda são capazes de fazer.
Minha capacidade de amar é imensa,
mas o instinto de sobreviver fala mais alto.
Amar à distância
é a forma que encontrei
de me proteger
sem perder quem eu sou.
E seguir inteira,
sem me dissolver
no ódio
nem na hipocrisia do mundo.
Semente do Amor
Nos teus braços, encontro o universo inteiro,
como a terra que recebe a semente,
teu ventre, jardim que floresce silencioso,
onde o tempo se curva em paciência e ternura.
Teu olhar é farol que guia almas pequenas,
rios de cuidado que correm sem cessar,
e cada suspiro teu é vento suave
que embala sonhos ainda por nascer.
Ser mãe é tecer estrelas no escuro,
é transformar lágrimas em rios de esperança,
é dar vida ao infinito em cada gesto,
e carregar o mundo inteiro dentro de um abraço.
Amor que rejeitaste
Carrego comigo este amor que rejeitaste,
Desde o instante em que partiste,
Deixando um vazio profundo
E o silêncio onde antes éramos nós.
Preservei cada sentimento sincero e puro,
Amei-te sem medidas, sem reservas,
Enquanto tu, impassível, deixaste escapar tudo.
E ainda assim, mesmo quebrado e sozinho,
Meu coração insiste em te buscar
Entre memórias sussurrantes
E sonhos que o tempo quase apagou.
Lareira
Teu amor é lareira acesa
no centro do meu inverno,
chama que conversa com
a noite e não pede permissão,
me aquece por dentro enquanto
o mundo neva por fora,
e até minhas cicatrizes aprendem
a descansar no teu calor.
Quando te aproximo,
o tempo vira lenha estalando lento,
os silêncios ganham cor,
os medos derretem sem pressa,
teus olhos são brasas que
sabem meu nome,
e meu coração, casa antiga,
volta a ter fogo no chão.
Se um dia tudo esfriar,
sei onde voltar as mãos:
no abrigo do teu peito,
feito lareira eterna,
onde o amor não ilumina
só o quarto
— ilumina o que em mim
quase virou cinza.
Cantarei o teu amor
Cantarei o teu amor
como quem descobre
o sol depois da mais longa noite,
como quem encontra no deserto
uma fonte escondida sob
a areia do medo.
Teu nome é primavera em minha boca, é brisa que desperta jardins adormecidos no peito que
já se dizia inverno.
Cantarei o teu amor
como o mar insiste em beijar a areia,
mesmo sabendo que a maré o afastará outra vez.
Teu olhar é farol em minhas tempestades,
é bússola apontando para casa
quando me perco em mim mesmo.
Em teus braços, até o silêncio floresce.
Cantarei o teu amor
enquanto houver céu
para sustentar estrelas
e vento para carregar promessas.
Se a vida for estrada de pedras,
farei de cada passo um verso teu.
Porque amar-te é transformar cicatrizes em asas
e aprender a voar
dentro do impossível.
Lembrança de um amor antigo
Guardo teu nome como
quem guarda uma carta
dobrada no bolso do tempo,
amarelada, mas intacta,
com cheiro de ontem e
promessas não ditas.
Teu riso ainda atravessa minhas noites, feito luz que insiste em janelas fechadas; foi pouco tempo, eu sei, mas alguns instantes
nascem eternos.
Aprendi teu corpo como quem aprende um caminho
sem mapa, só intuição e medo;
erramos muito, amamos torto,
e mesmo assim foi amor
— do mais verdadeiro.
Hoje sigo em frente, mas levo contigo uma saudade que não pede volta nem perdão; é só memória serena, lembrança viva de um amor antigo.
Beija-me com teus beijos de amor,
como quem ensina o coração a respirar,
demora teus lábios no meu silêncio
até que toda ausência aprenda a ficar.
Beija-me com teus beijos de amor,
e que o mundo pause no meio do gesto,
que nossas dores se esqueçam do nome
e virem abrigo no calor do teu peito.
Beija-me com teus beijos de amor,
não como promessa, mas como verdade,
pois quando tua boca encontra a minha
até o tempo se rende à eternidade.
Patinando no Amor
A gente entra no amor sem saber o equilíbrio,
escorrega nas expectativas, cai nos excessos,
ri de nervoso tentando fingir controle.
Amar também é perder o eixo.
Entre quedas e giros tortos, aprendemos juntos
que não existe coreografia perfeita.
Só passos improvisados, mãos dadas,
e coragem pra tentar mais uma vez.
E se cairmos de novo, tudo bem:
patinar no amor é isso mesmo.
O importante não é não cair,
é levantar com alguém disposto a continuar.
3 amores
O primeiro amor foi lâmina:
entrou sorrindo e saiu deixando dor.
Ali aprendi que o coração sangra em silêncio e que amar, às vezes,
é aceitar a ferida.
O segundo amor foi neblina:
parecia abrigo, mas escondia o chão.
Me ensinou que confiança não nasce de promessas, e que mãos vazias também sabem enganar.
O terceiro amor foi espelho quebrado:
não matou o sentimento,
mas rachou a crença.
Porque há quem diga
“eu te amor” como isca,
e parta satisfeito por ter
iludido quem só queria verdade.
Mas há uma promessa:
o amor vence.
Mesmo quando nos quebraram em mil pedaços, a fé no sentimento é real, e um dia ele curará cada ferida.
E tudo que sonhamos será cena de filme:
juntos, para sempre, com a pessoa certa.
O amor,
a gente escolhe viver.
O respeito,
a gente mantém mesmo
quando dói.
A bondade,
a gente reparte sem
calcular retorno.
O perdão,
a gente pratica
para não virar prisão.
Nem todos vão retribuir
do jeito que esperamos,
nem todos sabem vestir
a roupa da reciprocidade.
Mas seguir certo nunca
foi sobre aplausos,
é sobre dormir em paz
com a própria consciência.
Porque quando ninguém vê,
Deus vê.
E quando ninguém reconhece,
Ele reconhece.
A recompensa não nasce
da mão dos homens,
vem do céu
— no tempo certo, do jeito certo.
Amor de História
Nos apaixonamos como quem descobre um manuscrito antigo,
com cuidado para não rasgar o tempo, folheando silêncios,
lendo sentimentos escritos à margem.
Teu olhar era linha do tempo,
me levando do agora ao sempre,
cada palavra tua uma data marcada
no calendário secreto do meu coração.
Havia batalhas internas, tratados não assinados, um amor vivendo entre capítulos proibidos, como se o destino pedisse notas de rodapé para explicar o que não podia ser vivido.
E mesmo sem final oficial,
nos tornamos fato histórico
um no outro:
um amor que não se apaga,
apenas muda de século dentro da memória.
Carta Aberta
Meu amor,
Às vezes tento colocar
em palavras o que sinto por você,
mas é como tentar segurar
o vento com as mãos.
O que existe em mim porvocê
vai além do que se explica,
é um sentir que nasce no peito
e se espalha pela alma.
Desde que te encontrei,
tudo ganhou cor,
meus dias têm mais calma
e meu coração mais sentido.
Você chegou como quem
não quer nada,
e acabou levando tudo
o que em mim ainda era silêncio.
Te amo em cada detalhe —
no jeito que sorri,
no som da tua voz,
no teu abraço que parece casa.
Não sei quando começou,
só sei que ficou,
e que desde então,
tudo o que quero é estar
ao teu lado.
Talvez eu não seja bom com palavras,
mas se amar fosse uma língua,
você seria a minha forma de dizer tudo.
Que a vida te sorria sempre,
que teus sonhos se realizem,
e se for da vontade de Deus —
que eu continue fazendo parte deles.
Com amor,
[Seu nome] ❤️
Na infância, teu nome era refúgio
e o amor morava nos gestos simples.
Eu te amava sem promessas,
como quem ama sem medo do fim.
As memórias ficaram espalhadas em mim,
no cheiro do tempo, nas músicas antigas.
Teu riso ainda atravessa meus dias,
mesmo quando a saudade insiste em doer.
Nesta última carta, confesso o que calei:
que nunca parti por falta de amor.
Parti porque amar também cansa,
quando só um coração insiste.
Infelizmente, o tempo não volta
e nós viramos lembrança.
Mas se um dia pensar em mim,
saiba: eu te amei inteiro, até o fim.
