Textos Amorosos
A ROSA ESCURA DA DOR.
Do Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão. Ano, 2025.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Todos temos dores que não pedem cura, apenas permanência.
Elas florescem no interior como uma rosa que se alimenta do próprio sangue do sentir.
Não gritam. Não suplicam. Apenas se abrem, pétala por pétala, no silêncio mais denso da consciência.
A dor que aqui habita não deseja redenção.
Ela existe como rito, como escolha íntima de quem compreendeu que certos sofrimentos não são falhas, mas revelações.
Há uma voluptuosidade secreta no padecer que se reconhece, uma dignidade austera em suportar a própria sombra sem implorar por luz.
O espírito inclina-se diante de si mesmo, não em derrota, mas em reverência.
Cada pensamento torna-se um espinho necessário, cada memória um perfume escuro que embriaga e ensina.
A alma aprende que nem toda ferida quer ser fechada, algumas precisam permanecer abertas para que a verdade respire.
Há uma doçura austera no ato de suportar-se.
Uma forma de amor que não consola, mas sustenta.
A consciência, exausta de fugir, ajoelha-se diante da própria dor e a reconhece como mestra silenciosa.
Assim floresce a rosa escura.
Não para ser admirada, mas para ser compreendida.
Não para enfeitar a vida, mas para dar-lhe gravidade.
Pois somente quem aceita sangrar em silêncio conhece a profundidade do que é existir.
Sobrevoou um lindo pombo branco sob o céu azul. Símbolo da paz. De repente, ouviram-se um estampido forte. Viram à direção. Um homem em fuga com a arma do crime à mão. As penas se espalharam gravitando ao ar. E, o sangue irrompeu mesclando-se à cena de um lindo dia. Aglomerados de gente observavam destroços da ave ao chão com a alma rasgada de tristeza.
"Só o amor pode construir um mundo melhor. Paz!”
Os avós observando as galerinhas. Disputando espaço para ver a eclipse lunar. Uns falavam mais alto do que outro. Com celular de última geração para tirar fotos da Lua. Eles estavam esquecidos nos cantos da sala. Ninguém lembrou de levá-los para participar deste evento. Afinal, eles dão trabalhos. Não andam. Estão velhinhos gagas. E ninguém se propôs a interagir. Nem celular eles têm!
- Olha a lua q linda que tá hoje! Gritava alto uma das adolescentes, para que todos pudessem ouvir. Click. Click. Todos tentando pegar o melhor ângulo da eclipse. - Olha que linda! Esqueceram os idosos sentados e pensativos.
Mas, a lua... Os filhos, os primos e amigos estavam em festas. A Lua!!!!
Desatentaram-se. Ao que está tão raro. O Amor! Quase q extinto. Raro de se ver.Até existe sim. O "amor" pelo interesse. Tá até espalhado pelo mundo. Mas, o amor genuíno. Raríssimo. Tão extraordinário qto a lua distante. O amor. Tão lindo quando há entre os irmãos. Impossível ser registrado pelos melhores celulares.
A Lua passou!!! Os momentos foram registrados. As fotos. As melhores. Foram postadas. Quantas curtições!!! 👍👍👍👉👌 Ops! Dois últimos não.
Quando tudo acabou. Alguém se lembrou de levar, aqueles que tanto deram amor aos filhos e netos, para a cama. Um dos filhos fez q já não existiam. Impaciente. Tiveram de cuidá-los. Obrigação.
Enfim, muitos perdem tempo com algo tão distante. E que não aquece a alma da humanidade. Sendo objeto de exploração do homem. Enquanto, que o amor transforma o mundo. Combate o ódio, o preconceito, a desunião, a destruição. Inclusive, a ganância q está destruindo o planeta. O AMOR entre os q estão próximos. Que até há de preservar a lua da destruição humana. Pq a terra já está comprometida.
Até a próxima eclipse! O amor está aí do lado. Aproveite!!
Um dia serei algo
Nem que seja um derrotado
Um homem sozinho, isolado
Astuto, instável, inconsolado
Fora de si, louco, transtornado
Um verdadeiro desgraçado
Um dia serei algo
Nem que seja um defunto
Ou ainda um conjunto:
terra, lama, pó, rejunto.
As vezes eu até pergunto:
serei eu um consunto?
Um dia serei algo
Há quem diga um mineral
Absorvido por um animal
Internamente, parte visceral
Terei um destino cru e fecal
Serei um efeito colateral
Um dia serei algo
Nem que seja uma memória
Talvez eu entre para história
Triunfarei com a minha glória
Ou apenas, terei uma vida ilusória
Um fracasso, azarado, sem vitória
Um dia serei algo
Nem que seja um sonhador
Um memorável doutor,
Um senhor sem pudor
Ou apenas um desfavor
Para uma vida sem amor
Um dia serei algo
Nem que seja um destroçado
Há quem diga um milionário
Um grandioso empresário
Ou apenas um esfomeado
Em uma rua, desolado
Um dia serei algo
Nem que seja amigaço
Um super-man, homem de aço
Um beberrão, um bagaço.
Ou quem sabe Pablo Picasso
Ou apenas um palhaço
Um dia serei algo
Nem que seja um velho instável
Há quem diga um ditador inigualável
Populista, com caráter formidável
Ou apenas, um pobre velho deserdado
Sem afeto, simplesmente, abandonado.
Um dia serei algo
E assim, com caráter ferrenho
Com esforço, confiança e empenho
Digo a única certeza que tenho:
É que um dia serei algo.
Eu tento, não entendo, teus sinais não compreendo.
Não sei o que quer dizer quando me toca.
Não sei o que pensa quando me olha.
Não sei o que sente quando vou embora.
Me perco no tempo e confundo o que se foi com o agora... Foi-se embora?
Está de volta?
Saudades te trouxe à minha porta?
Na lama me joga e na ausência se joga, o que faço?
E agora? Entendo teus sinais, agora, foi-se embora...
Quantos corações se abriram para mim e para tais corações eu fechei o meu?
Quantos sonhos foram sonhados em mim e não fiz de tais sonhos os meus?
Quantos olhos me olharam com amor e paixão e em mim, tais olhos, encontraram apenas dor e solidão?
Quantas lágrimas já foram derramadas por mim, e eu, por indiferença, não as quis secar?
Quantas me amaram e por amar-te, não pude ama-las?
São perguntas que atormentam e o medo das respostas aumenta a cada dia que passa...
Crio uma fantasia e me fantasio.
Te fantasio.
Nessa fantasia já não mais sobrevivo.
Eu vivo.
Vivo pois, nessa fantasia, te tenho comigo, meu paraíso.
Te vivo.
Mas para a tristeza desse homem...
Fantasia é desejo e desejo é delírio.
O amor é sofrimento e o coração partido partiu contigo...
"Musa da pele morena e do sorriso sem jeito.
Musa do cabelo preto e do rosto perfeito.
Musa que, pelos instantes que me olhou, me ganhou por inteiro.
Musa que parece uma lenda, me lembra um índia.
Musa que inspira belas palavras mas tais palavras, em sua frente, me perdia.
Musa dos olhos negros de pura perdição.
Musa da voz doce, canção doce, pro meu coração.
Musa que desperta amor, fogo e paixão..."
"Então adormeci e sonhei contigo.
Sonhei que estava comigo
Sonhei que a cada olhar era um sorriso, ah aquele sorriso.
Sonhei que a Lua em uma noite nos encantava com seu brilho.
Sonhei que nessa noite estava com meu mundo, em meus braços, ali comigo.
Sonhei que em seus olhos me faltava as palavras, me faltava o juízo.
Sonhei que era seu anjo da guarda, confidente preferido.
Sonhei que me amava mas ainda não havia descobrido.
Então de tal sonho lucido, desperto estarrecido.
Te olho nos olhos e te digo: - Sonhei contigo..."
"E aquele sorriso? Um aríete de corações.
Da nossa paz, derruba os portões.
Sempre despertando devaneios, desejos e paixões.
Ah, aquele sorriso... Quantos homens foram presos em seus grilhões?
Quantos peitos, por ele, explodiram como trovões?
Sorriso lindo que inspira poemas e canções.
Sorriso que, na noite fria é o motivo de minhas lágrimas e lamentações..."
"Fiz do Sol e a Lua, testemunhas.
Dessa ferrenha luta.
Luta que travo com dor e labuta.
Ir à sua busca.
Mas não me escuta.
E dá a entender que tudo o que nos separa é minha culpa.
Me julga.
Me trata com indiferença é preferível o teu ódio à essa tortura.
E a saudade não me ajuda.
Essa situação só nos machuca.
Virá a minha busca?
Eu irei à sua?
Me deito repleto de rancores e perdido em dúvidas.
Se errei, peço-lhe desculpas.
E dos meus arrependimentos?
Fiz do Sol e a Lua, testemunhas..."
"E é mais uma vez ela.
Aquela que quando lembro do sorriso, o coração acelera.
A mão gela.
Do sorriso perfeito e sem jeito, moça da felicidade perpétua.
Dona de uma beleza divina, poema aos olhos do poeta.
Me pego em devaneio, imaginando como seria bom estar com ela.
Me lembro dela, minhas esperanças se renovam, minha alegria se completa.
A presença me alegra, tua companhia é me festa.
E essa distância é minha cela.
Cela em que me encontro preso, moribundo.
Quisera eu, que o meu mundo, estivesse do meu lado e não do outro lado do mundo.
Em meio à olhares rasos, me afundo no seu olhar profundo.
Teu abraço é meu Dilúvio.
Arrasa, destrói e ainda sim impõe sua calma e purifica o impuro.
Te olho, te desejo, te quero... perdão...assumo..."
"Não vejo sentido.
Das minhas frases e versos não quer ser o motivo.
Não quer que eu seja dono desse sorriso.
Mas é nesse sorriso que me inspiro.
Não faço sentido.
Quando você está em meus pensamentos, eu delírio.
Perco o sentido.
Minha paixão reluz sua perda e tua companhia é o meu vício.
Poemas e frases de amor, pra quê tudo isso?
Sendo que, no fim de tarde, não te tenho comigo.
E agora?
O vazio se tornou meu vício.
O desespero meu amigo.
E meu próprio coração, um inimigo.
Olho ao longe, vejo tudo, mas...
Não vejo sentido..."
"Acordo de manhã.
Vejo a doce manhã.
Brisa leve da manhã.
Lembro o que me disse Djavan.
'Branca é a tez da manhã.'
Ela faz manha na manhã.
Teu cheiro doce, perfume de maçã.
Pele morena, recebe os meus e os beijos da manhã.
Querer-te é meu afã.
E com a solidão da manhã.
Faço da manhã meu divã.
Do amor tornei-me escravo e de ti tornei-me fã.
Doce manhã.
Dos meus sentimentos, pensamentos à fiz guardiã..."
"E como sempre, mais uma vez, lembrei da gente.
De quando estávamos juntos e nos parecia não existir toda aquela gente.
Só a gente.
Que se entende.
Que se surpreende.
Que quando o frio dos nossos olhares se cruzam, nos torna a alma quente.
Amor, paixão, saudade, desejo é tudo diferente.
Mas perto ou longe de você, quando se trata de ti, tudo se torna igual é surpreendente.
E no fim, as tristezas e alegrias nos mostra que, em algum momento, terá que ser a gente.
Te peço, imploro, das coisas do coração você entende.
Pense em mim, pense em nós, pense na gente..."
"Eu venho e lhe escrevo.
Nessas linhas te vejo.
Em minhas palavras me perco.
Fito seus lábios, fantasio um beijo.
Peço-lhe uma chance, minha felicidade eu vejo.
Tua negação me veio.
A tristeza me pegou de um jeito.
A solidão é me um berço.
Me deito.
E na escuridão, perdido, só teu brilho eu vejo.
Sua alegria é meu desejo.
Por ti, grita meu peito.
E para tentar amenizar minha dor.
Eu venho e lhe escrevo..."
"Antes eu não sabia o que sei agora.
Não sabia, que os seus olhos, me perseguiam a toda hora.
A surpresa veio e bateu na minha porta.
Claro como o dia, o teu olhar me devora.
Linda como uma doce manhã é você agora.
Ainda mais quando sorri e ilumina tudo à sua volta.
Raio de luz, estou aqui, por você agora.
Apaixonante, perfeita, da minha felicidade és a porta..."
"Eu sou escravo das suas mentiras.
Que já se tornaram minhas verdades.
Sou vítima das suas malícias.
Que me traziam bondades.
Eu sou refém das suas carícias.
Que me traziam felicidade.
Eu abdiquei das minhas alegrias.
Para viver suas vaidades.
Eu hoje vivo um todo de tristezas.
Pois me afoguei nas suas palavras de serenidade.
Eu escolhi me enganar com as suas fantasias.
Que viver minha vã realidade.
Quisera eu que, minhas palavras fossem mentiras.
Mas para o meu desalento, são todas verdades..."
"O meu coração é um lacaio.
Fito seus lábios, te olho de soslaio.
Me acho esperto mas em suas armadilhas de amor eu sempre caio.
Um tolo amante e na paixão, um lobo solitário.
Seu sentimento não me é solidário.
Uma relação onde tudo nos é demasiadamente precário.
Os beijos, as carícias, as palavras, os abraços.
Me assemelho a um tipo de pirata, quiçá um corsário.
Que veleja nas águas profundas do seu olhar, totalmente despreparado.
Em busca de um tesouro imensurável, impossível de ser encontrado.
Velejaria os 7 mares para encontrá-lo.
Uma vida ao seu lado.
E em mais uma noite chuvosa, acordo decepcionado.
Os ventos e as enxurradas, mais uma vez, não me levaram esse sentimento despedaçado.
Eu sou um pobre coitado.
Dos males, o maior, foi um dia ter lhe amado.
E após horas ínfimas de reflexão, desamparado.
Sussurro só, pela madrugada, com o peito acelerado.
- Mais uma do Famigerado..."
"Naquele estranho fim de tarde, o céu sangrava.
A Lua, a pouco, já brilhava com sua timidez pálida.
O vento quente, me trazia lembranças de ti e me gelavam a alma.
Aquele abraço levou-me a calma.
O tudo, sem você é nada.
Quisera eu, ter controle das rédeas dessa paixão desenfreada.
Viver, morrer, sorrir, chorar, amar, odiar, se o faço, faço por ela.
Meu maior sonho, se tornou um dia, não ser capaz de encontrar a paz e a felicidade nos olhos dela.
Aquele sorriso me atropela.
O teu amor, é me uma cela.
Encontro-me em uma prisão perpétua.
Mais uma vez, não evito, tais mazelas.
Tento, aos poucos, matar um amor que, quanto mais se fere, mais rápido se recupera.
Quisera eu, ter sobriedade sobre minha alma ébria.
E enquanto o céu sangrava, mais uma vez eu sussurrava: 'Tudo por ela'..."
