Texto para um Bebe
O CÓDIGO DAS APARÊNCIAS, A ELEGÂNCIA DO VAZIO
Nunca fui eu quem viu o mundo de um jeito errado. Foi o mundo que se acostumou a olhar torto e chamar de normal o que o desnutriu.
Sempre observei com calma e clareza as vaidades humanas, essa fé cega nas aparências, esse culto ao tecido, à marca, aparência cara.
Percebi cedo que o tratamento muda conforme a roupa.
Se estou de acordo com o figurino, sou tratado como alguém digno de escuta.
Mas basta vestir o que é confortável, o que é meu, e já sou confundido com alguém menor, sem valor.
O traje é um passaporte social.
Quem veste o uniforme da convenção entra. Quem veste a própria pele é barrado na porta.
O mais curioso é que os mesmos que exigem elegância não conseguem enxergar educação no olhar sincero, nem grandeza em um corpo simples.
Confundem brilho com valor, perfume com virtude, mentira com sabedoria.
E nessa inversão de sentidos constroem o vazio que os engole e consomem seus filhos, vendem status, compram aprovação e chamam o aplauso de propósito.
Tristes dos que vivem da casca, só percebem o abismo quando o chão cede, e o chão sempre cede, porque foi feito de vaidade.
A sociedade adora o disfarce.
É por isso que respeita quem finge e rejeita quem sente. O código das aparências é a religião do vaidoso, onde o espelho é altar e a consciência é silêncio.
Mas há quem se negue a ajoelhar.
Há quem saiba que a roupa não sustenta caráter e que o corpo, por mais enfeitado, não abriga verdade alguma se a alma estiver ausente.
Não é rebeldia, é lucidez.
A roupa que visto não muda o que sei.
A aparência que esperam não define o que sou.
O mundo pode continuar se engomando, eu sigo sendo humano.
Prefiro o desconforto da autenticidade ao conforto de uma farsa bem passada.
Porque, no fim, o corpo fica, a roupa apodrece, e o que resta é o que ninguém viu, a dignidade que sustentou o silêncio, a verdade que não precisou de terno e a coragem de não caber no falso figurino.
Daqui não se leva nem o corpo, muito menos a fantasia.
A DIFERENÇA ENTRE SABER E SER
Um neurotípico pode estudar cinco anos de psicologia, buscando no título o que lhe falta em empatia.
Mas jamais verá o mundo com a lente de quem sente, de um neurodivergente, que pensa diferente.
O que pra uns é teoria e repetição,
pra nós é instinto, é pura sobrevivência em ação.
Enquanto uns decoram o que é ser humano, nós vivemos o peso e o mistério do engano.
Sentimos o outro até a exaustão, sem diploma, vaidade ou aprovação.
Porque não há curso que ensine o que dói,
nem ciência que alcance o que o silêncio constrói.
A FARSA DA VAIDADE
O ABISMO DO INVALIDADOR
Quando o trabalho de um indivíduo nasce da tentativa de diminuir o de outro,
em sua origem o invalidador já é uma farsa.
Usurpador que tenta galgar atenção com a ilusão do esforço alheio,
mentiroso sem escrúpulos que sustenta um corpo oco,
voando na brisa da própria enganação.
De todas as vaidades,
quem flutua em ilusão é sempre o primeiro a colidir com o muro da realidade.
Atravessam o tempo apenas aqueles que cultivam o esforço e, sem intervalos,
falam a verdade no silêncio, sem necessidade de cúmplices ou testemunhas.
Tem momentos que a hipocrisia de existir é procurar um sentido grandioso em coisas minúsculas.
Ter um pensamento apenas de olhar para uma folha que cai de uma árvore, qualquer árvore e falamos que essa folha especificamente dessa árvore, é a folha do divino, talvez seja, talvez não, mas a maior das incertezas é um inferno saber que a milhões de incertezas sobre si sobre o mundo e sobre essa "folha" totalmente inexistente, apenas está sobre nossas cabeças como palavras com significados "grandiosos" sendo que a maior grandeza é o pensar sem haver uma consequência de enlouquecer...
Sem um destino claro, a vida se torna um mar de incertezas. A falta de propósito nos deixa à deriva, onde cada vento parece contrário. A verdadeira força nasce quando definimos nosso porto: nossos sonhos, valores e metas.
Esse farol interior guia cada decisão, transforma obstáculos em ventos propícios e dá significado à jornada. Não tema traçar seu rumo. Ao escolher para onde navegar, você assume o leme da própria existência. O vento sempre soprará; cabe a você direcionar suas velas em direção ao horizonte que escolheu alcançar.
Aquele Lago
Aquele Lago de águas tão transparentes como uma vitrine,
A manifestar-se como um líquido céu azulado.
Ele dedica-se a saciar a sede de todos ao seu redor
Enquanto seus peixes e plantas aquáticas disputam suas águas doces.
Cada um puxando mais para o seu lado.
Tão líquido e transparente, mas envolto de recursos geniais.
Um Lago formoso, o maior dos patrimônios naturais!
Cada amanhecer é um livro em branco, e suas mãos seguram a pena. O mundo, um escritor ansioso, aguarda sua hesitação para preencher as páginas com enredos alheios. Mas você é o autor da própria saga!
Escolher é pintar o céu com suas cores, plantar os jardins do seu amanhã. Não delegue sua tela. Assuma o pincel, misture coragem e sonhos. A vida é sua obra-prima inacabada – e cada decisão, uma pincelada de legado.
Se duas retas podem se encontrar,
que um vértice surja entre você e eu,
e no ângulo de sua visão, possa me enxergar.
Porque, cada ponto em mim
precisa dos teus átomos,
e meus atos são por você.
Na continuidade e na sequência
existem frequências
que refletem em nós o dom de amar.
E cada vibração que tenho
dum amor que retenho,
ao todo, posso e quero te ofertar.
Rato
Foge como um rato de esgoto
Corre de um jeito meio torto
Mesmo todo desengonçado
Pula com facilidade os obstáculos
De um lugar fétido para o outro,
Come o que vier ao alcance
E ainda acha que é gostoso.
Mandrião cheio de talento
Na hora da guerra
Vira herói escondido
Em meio ao que está putrefato.
Aumenta o seu portfólio de cobiça
Para ter muitas crias
Agigantando seu exército de nojo.
Seu cantar é um guinchar
De dar arrepios
Que só pode encantar
Outros ratos do mesmo escoadouro.
Descaminho
Quando decidi estar com você
Aprendi além daquilo que imaginei um dia aprender
Aprendi o que é a mentira, o que é o errado
o olhar e o sorriso, falsos
e que não existe intervalo entre o amor e o ódio
entre o bem e o mal
Aprendi quando devo ceder para obter
Aprendi que sou capaz de aprender
o que é a mentira , o que é o errado, o que é o ódio e o que é o mal
autoflagelo para suportar o inóspito
Aprendi com a retórica do sofista
Aprendi que um desatinado pode me ensinar
contudo, aprendi a perder o juízo para surpreender
aprendi tantas banalidades
tresloucada, olho-me ao espelho e o reflexo é você.
Às cinco, o verão despejou seu alívio breve
em fios de água densa, cortando o ar quente.
Um banho de frescor, um instante de sono
que a tarde cansada guardava em sua mente.
Às seis, o silêncio molhado se instalou.
O mar parou em tons de chumbo e de segredo,
como um pensamento pesado, refletindo
o céu que agora era doce, era rosa, era medo.
Que mistério é esse, que a chuva nos deixa?
O temporal passa rápido como um susto,
e no rastro da água, uma cor surpreende:
o horizonte pintado num tom quase injusto.
Rosa sobre o cinza, suavidade sobre peso,
a luz brinca com a sombra que a chuva trouxe.
É o contraste que ensina: após o aguaceiro,
o mundo respira diferente, mais largo, mais doce.
E nós, que testemunhamos a rápida mudança,
guardamos na memória este encontro de cores:
o mar grave e calmo, o céu tênue e terno,
unidos no crepúsculo, como dois amadores
da beleza passageira, que a chuva provoca
e que a luz do ocaso transforma em poesia.
É um momento só, um suspiro da natureza,
que fica na alma, mesmo quando o dia termina.
Nirvana dos escombros
Este nirvana é um abismo calmo,
um silêncio que abafou o grito.
É a raiz que sonda o vazio
na terra árida e tolhida.
Sob a lâmina das cobranças,
cresci em solo de desamparo,
e o colo que a noite pedia
virou pó dentro do peito amargo.
Na adulta que não conquista,
só resta o sabor letárgico
de tentar ser o que esperam
e ainda carregar o fardo.
É o nirvana da decepção,
da alma inquieta e torta,
um céu de nuvens pesadas,
um porto que não aporta.
É raiva que não se grita,
desamparo enraizado.
É buscar um pouco de abrigo
e achar o mundo trancado.
E se paz existe em algum lugar,
não é aqui, não é nesta dor.
É só o vestígio da ressaca
de um amor que não veio, doutor.
Desistir de você e ir embora foi um ato de coragem. Ou fui covarde?
Doeu...
É triste deixar quem se ama, mas ficar séria não me amar
Seria cruel comigo e com você.
Essa é a parte dolorosa., sentir e ter que sufocar, tentar esquecer, fingir que não dói. E como está doendo.
Queria que você fosse o último, que nossa estrada fosse longa, que estivéssemos sempre juntos, ainda que fisicamente longe. Que toda mágoa fosse breve. Que fosse leve a nossa caminhada, ainda que pesasse a gente não desistiria do nós...
Que nossa vontade fosse livre.
Queria que pudesse me escolher sempre. E mesmo que eu seja minha, eu sempre seria tua. Mas, não foi assim..
PEDIDO
Um simples pedido eu quero fazer
Fazer pra você o que eu não pude ter
Um pedaço de torta e uma xícara de café
Como a brisa e uma prancha de surf em meio à maré
São olhos encantadores que você tem
Boca que carrega um toque sutil
Vejo-me um dia como seu refém
E meu coração ficando pulsatil
Às vezes me pego sonhando
Com o estado de um breve outono
Pequenas estradas se enchendo
De flores secas e sem alento
O céu já não é mais o mesmo
É escuro como o fundo poço de um grande celeiro
Sem pássaros livres para voar
Sem vida e casa para morar
Perante a sua fragrância eu pude acordar
De um sonho sem forma e quase real
Mais eu pude recordar
Que estávamos em uma cidade conhecida como candeal
Um dia quero conhecer
Suas grandes artes e pequenas manias
E poder compartilhar com você
Minhas poucas sinfonias e harmonias.
Poema : Rosas Secas
No refúgio de um tácito ataúde
D'onde qualquer sussurro traz espanto
Cujo lúgubre coloração de canto a canto
Consome o que restava da parca saúde
Esconde-se o putrefato cadáver pálido
Cujo olhar não mais se abre
À volta do pescoço segue a calabre
E a carne fétida traz o ventre esquálido
Cercado pela penumbra densa e mórbida
Aos grandes umbrais da vida finada
Cujas bocas seguem tão caladas
Na metamorfose da decadência sórdida
Aos balcões cinzentos que adormece
No frio cimento eternizados
Postos ao descanso contemplado
Onde a história se encurta e se esquece
Em frágeis ossos que viram poeira
Expostos ao tempo e ao lamento eterno
Mutações que agem no seu ventre interno
Definhando desta vida passageira
Revela o último sacrifício
De um espírito que no silêncio vaga
E das poucas palavras que propaga
Abundou da ganância como exercício
Ao flanco esquerdo então se nota o ramo
Que já fora adornado por diversas cores
Mas que hoje comporta enegrecidas flores
Junto a uma carta grafada em " Te amo "
Se vê então o que já foram lindas rosáceas
Outrora balsâmicas em figura crata
Mas que agora definham na gélida prata
D'onde se mostra lânguida como a cartácea
Sobre aquela lápide que guarda as vidas
Escrita está, no puro tom latim
Aquelas rosas secas, mortas ao carmesim
Um dia tiveram aroma e foram coloridas
Escrito por: Wélerson Recalcatti
Quando te amei...
Amava ver a forma que me via em você
Amava ver que havia um pouco de mim em você
Amava sentir orgulho de quem seríamos juntos
Meu amor era genuíno
Era doce
Queria te dar o céu
A lua
Mostrar como eram lindas as cores das estrelas
Mas...
Descobri no seu lado sombrio que eu não me via mais ali
Descobri nas mentiras que não havia nada de mim ali
Descobri que não seria bom nosso futuro baseado em um amor unilateral.
Quero seu gosto, seu cheiro, mas não posso mais ser sua.
Meu corpo te pede, mas minha alma grita por socorro
Meu coração sente falta, mas minha mente me guia.
Um dia te amei
Mas te deixo ir
Parei de ver meu reflexo em você.
Você poderia ter sido tanto, mas escolheu ser meu.
E anda agora comigo a tira colo, usa um anel dourado,
algumas compras feitas no mercado, e um bocado de contas.
Mas daí vem o sorriso compartilhado e as músicas que só a gente gosta.
Os fins de tarde dizendo coisa á toa, e um abraço apertado quando tudo desmorona.
"Ai de quem está sozinho"
É melhor estarem dois juntos do que um sozinho, porque tiram vantagem do seu trabalho, se um cair será apoiado pelo outro. Aí do que está sozinho: quando cair, não terá quem o ajude a levantar-se. Se alguém prevalecer contra um que está sozinho, dois juntos resistirão ao agressor. A corda tripla não se arrebenta facilmente.
(Eclesiastes)
Entre Continentes
Meu filho mora onde meus braços não alcançam.
Um oceano inteiro mora entre o meu hoje
e o teu agora.
A casa ficou grande demais
desde que tua ausência passou a ter endereço.
O silêncio aprendeu teu nome
e o tempo, sem você,
anda mais devagar.
Sinto saudade do que não volta:
do riso solto,
do barulho da presença,
do simples fato de saber
que você estava ali.
Te amo em fuso horário,
te espero em pensamento,
te abraço em oração.
E mesmo longe,
mesmo do outro lado do mundo,
você continua sendo
a parte de mim
que nunca foi embora.
**Cinco dias.
E bastou isso para que tua presença tocasse algo em mim,
como um vento leve que muda o rumo sem fazer alarde.
Depois veio o silêncio —
um silêncio que pesa,
mas que também guarda o que foi verdadeiro.
Mesmo assim, teu “bom dia” ainda aparece na minha memória
como um sol calmo, desses que aquecem devagar
e deixam marca.
Eu te vi, linda,
de um jeito simples e inevitável.
Não tentei te prender —
quem tem asas merece espaço.
Te ofereci minhas palavras mais sinceras
e deixei que o destino seguisse o próprio caminho.
Hoje, com a alma mais tranquila,
entendo o tamanho da mudança:
você despertou algo em mim,
me fez olhar para quem eu sou
e para quem posso me tornar.
Sinto tua falta
com uma delicadeza que não sei explicar,
mas guardo, com carinho,
os cinco dias que ficaram para sempre
gravados no meu coração.**
- Relacionados
- Poemas de aniversário: versos para iluminar um novo ciclo
- Frases de efeito que vão te fazer olhar para a vida de um novo jeito
- 58 textos motivacionais para equipe de trabalho
- Frases para falsos amigos: palavras para se expressar e mandar um recado
- Frases de perda de um ente querido para encontrar conforto em palavras
- Textos de volta às aulas para um começo brilhante
- 31 mensagens de aniversário para a melhor amiga ter um dia incrível
