Texto para um Bebe
Que neste dia, mesmo nublado,
a luz encontre um jeito de te abraçar.
Que o céu cinza não pese no peito,
mas te ensine que até as nuvens passam.
Que haja calma no que você não entende,
força no que você precisa enfrentar,
e fé — daquela silenciosa —
que sustenta mesmo sem você perceber.
Porque nem todo dia precisa ser bonito por fora,
quando Deus já está cuidando de tudo por dentro.
Helaine Machado
Viver no Brasil, às vezes,
é sorrir por fora
enquanto algo grita por dentro.
É um país hospedeiro,
bonito na vitrine,
mas desigual nos bastidores.
De um lado,
os que limpam o chão,
que acordam cedo,
que carregam o peso do dia nas costas.
Do outro,
os que decidem,
que discursam,
que pouco sentem o peso da própria decisão.
A diferença não é só de dinheiro —
é de tratamento,
de respeito,
de humanidade.
Quando a lei alcança uns,
vem pesada, fria, sem escolha.
Quando toca outros,
vem leve, quase gentil.
E assim,
entre celas lotadas e salas refrigeradas,
o povo aprende a sobreviver —
não a viver.
Mas ainda assim,
no meio dessa revolta toda,
existe algo que não conseguem tirar:
a voz.
E é ela que, um dia,
pode mudar tudo.
Helaine Machado
Tempo Moleque
Um menino atrevido, impiedoso, jamais nos espera.
Seu tic-tac corta a vida como lâmina afiada,
um compasso que não retorna,
arrasta dia e noite sem pedir licença,
e ri de nossa impotência.
Brinca de nos surpreender,
adora novidades;
por instantes parece parar —
mas é uma armadilha,
uma ilusão que nos faz acreditar que dominamos.
Segundos e minutos escorrem como areia entre os dedos;
tentamos congelá-lo em uma fotografia,
mas ele escapa, zombando,
e nada jamais será o mesmo.
Passa, passa, e nos deixa vazios,
restando apenas lembranças que ardem.
Esse moleque cruel pinta e borda nossas vidas,
sem medir consequências, sem pedir perdão.
Nada detém o seu riso impiedoso:
o tempo moleque, tirano invisível,
faz de nós simples humanos
seu brinquedo favorito.
Helaine Machado
Pensar se torna um ato de sobrevivência. Questionar, uma forma de não aceitar o absurdo como normal.
Não se acostumar com o errado. Não silenciar diante do que fere.
Porque “não pirar” não é ignorar —
é entender, sentir, refletir… e ainda assim escolher não se perder.
Helaine machado
Eu prefiro uma verdade que dói primeiro.
Depois cura.
Às vezes prefiro um soco no estômago.
Daqueles que tiram o ar e a maquiagem.
Que me deixa sem ar, sem máscara... sobra só eu.
Verdadeira. Inteira. Crua.
Eu não preciso de quem passa a mão na minha cabeça quando eu tô me sabotando.
Preciso de quem segura meu rosto e diz:
“Olha pra você. Para de fugir”.
Prefiro a frase dura da amiga do que o abraço falso do inimigo.
Porque quem te deixa cair sorrindo não é amigo. É plateia.
A verdade é remédio amargo.
É faxina na alma.
Se não ardeu, não limpou direito.
Então respira. Ajeita a postura.
E agradece: foi o tranco que te salvou da queda.
— Van Escher
UM ALERTA
Cuidado, ó poderoso porque até o sono mais profundo tem um limiar. E cuidado, ó povo adormecido porque quem prefere o berço à estrada, um dia acordará num cárcere que ele próprio ajudou a construir. A única magia forte o bastante para quebrar o elixir e dissipar o sonambulismo chama-se consciência desperta. Ela não vem com rugidos, vem com o primeiro silêncio em que se ouve, afinal, o próprio coração bater.
O Elixir do Poder
O poder não é uma ferramenta, é um alquimista. Ele não transforma o mundo; transforma primeiro a alma de quem o segura. O homem que toca no cetro acredita estar moldando o metal, mas é o metal que, silenciosamente, molda sua mão e depois seu coração. A embriaguez começa com o primeiro gole da ilusão: a de que se é diferente dos que estão abaixo, imune à própria corrupção. No ápice, o bêbado de poder já não ouve os gritos do vale; só ouve o eco de seus próprios decretos.
VERDADE E IMAGEM
A verdade tornou-se um espelho partido; cada fragmento reflete a vontade de quem o segura, e a imagem do todo é apenas a soma das nossas solidões.
No reino da imagem fabricada, o maior acto de rebeldia é ainda procurar a porta da realidade, mesmo sabendo que, para a abrir, talvez seja preciso derrubar a nossa própria imagem refletida.
Há um ponto silencioso dentro de cada ser humano onde a verdade sempre esteve intocada pelas máscaras, imune às distrações, alheia às ilusões que o mundo insiste em vender.
Não é sobre rebeldia vazia… é sobre lucidez.
É sobre abrir os olhos quando todos preferem dormir.
Viver de verdade começa quando você percebe que a maior prisão não está fora, mas dentro: nas crenças herdadas, nos medos aceitos, nas rotinas que anestesiam. O mundo moderno oferece entretenimento constante não para te expandir, mas para te manter ocupado o suficiente para nunca se questionar.
Consciência exige desconforto.
Exige encarar a própria sombra sem fugir.
Exige assumir responsabilidade total pela própria existência.
Exige abandonar a necessidade de aprovação.
Viver consciente é parar de reagir no automático e começar a agir com intenção. É observar seus pensamentos como quem observa o céu sem se confundir com as nuvens passageiras. É perceber que a maioria das escolhas que você faz não são suas… foram programadas.
E então, pouco a pouco, você começa a se libertar.
A cada dia vivido com presença, você retoma um fragmento do seu poder.
A cada ilusão que cai, sua visão se torna mais clara.
A cada distração que você recusa, sua essência se fortalece.
Não se trata de se afastar do mundo, mas de não ser dominado por ele.
A verdadeira liberdade não está em fazer tudo o que se quer, mas em não ser escravo de nada nem dos próprios desejos, nem das expectativas alheias, nem das narrativas impostas.
A luz, nesse caminho, não é conforto. É clareza.
E clareza transforma.
Viver de verdade é estar desperto enquanto o resto do mundo sonha.
É escolher consciência quando seria mais fácil se perder.
É lembrar, todos os dias, que existir não é o mesmo que viver.
E que viver… exige coragem.
O deus do agnosticismo é um suposto criador oculto e irrelevante que torna
o agnóstico apenas um crente enrustido, ou ateu medroso. O agnosticismo serve só como um frágil e covarde dispositivo psicológico que tenta aproximar religiosos e ateus. Mas é impossível tentar conciliar dois sistemas totalmente contraditórios. Num debate cada um deve defender a sua posição e não tentar mesclar as posições.
Argumento contra o Livre-Arbítrio.
Premissa 1: A consciência humana funciona como um processamento de informações moldado pela genética, pela física e pelo ambiente.
Premissa 2: Cada pensamento ou decisão é o resultado obrigatório do estado em que sua mente e seu corpo estavam no momento imediatamente anterior.
Premissa 3: O livre-arbítrio só existiria se uma pessoa pudesse agir de formas diferentes em uma situação onde todas as condições (internas e externas) fossem exatamente as mesmas.
Premissa 4: Se a consciência segue as leis da causa e efeito, não existe espaço para uma "escolha diferente" sem que se quebrem as leis da realidade.
Conclusão: Portanto, o livre-arbítrio é uma ilusão, pois nossas ações são o único resultado possível de causas que vieram antes de nós.
Tudo poderia ter sido diferente
Eu sou um exímio destruidor de sentimentos
Programado para explodir a todo momento
E te deixarei pra trás como um cão sem dono
Bem como um espírito em constante abandono
Acho que você já esperava por isso
Quando fingiu não precisar de mais
Eu sei que o meu toque vicia, garota
Agora sua vida é minha, essa e outra
A sua conversa furada não agrada
Não acredito mais na sua chegada
Tudo poderia ter sido diferente
Se você não fosse tão ausente
Agora os dias passam, tudo continua
Você e o seu jogo de mulher de rua
Como se isso pudesse me conquistar
Nunca serei seu, não adianta tentar
Quando eu estiver em frente à sua porta
Parado ali, esperando por algum sinal
Não pense que é por você que eu vim
É um elemento do meu planejado ritual
Depois você corre atrás de mim de novo
É uma pena que a sua situação seja essa
Desesperada, perdida, sem ter sossego
Logo por quem você criou tanto apego
Sabe, no fundo eu adoro te ver deste jeito
Logo aquela que parecia se dar respeito
Querida, eu destruí seus sonhos, acabou
Mas o seu pesadelo, ele apenas começou
Lembre-se de ter alguém para culpar
Após mais um desses seus fracassos
Deve ser dura a sua rotina promíscua
Vivendo apenas por alguns amassos
Esse nosso lance está virando passado
Faz quanto tempo isso, alguns meses?
Para mim é como se passassem anos
Ao ter que te aguentar por tantas vezes
Repito, após um adeus, nunca serei seu
Embora você continue sendo só minha
Esqueça que um dia seu coração bateu
Nós chegamos, enfim, ao final da linha.
Desfilando na chuva
Certa vez, um aventureiro saiu a caminhar
Estava chovendo e ele permitiu se molhar
Sem apressar o passo, optou pela sensação
Enquanto todos corriam, ele era a exceção
Sabiamente, refletiu acerca da fuga alheia
Era como se cada um quisesse a sua aldeia
Muito calor no verão, muito frio no inverno
Sempre há o que reclamar, um ciclo eterno
Imaginou o que eles imaginaram ao vê-lo
Sozinho, encharcado, em total desmazelo
Sequer possuía um guarda-chuva: coitado!
Já que é tão comum se prevenir um bocado
A sua intenção era lógica: sentir a chuva
Ao mesmo tempo que tinha gente de luva
Que pecado! Que blasfêmia! Que heresia!
Não ser mais um desesperado em demasia
Ele poderia ter ficado gripado e não ficou
Ter optado por chegar antes, mas desfilou
Parecia insana a curtição naquele cenário
Mas a felicidade não tem prévio horário.
Hoje, pintaria um lindo quadro sobre seu dia,
Talvez não tenha a devida capacidade,
Talvez não tenha a devida honraria,
Pois, pintar sua vida, Marcele,
Requer a atenção e maestria
Dos grandes olhares da poesia,
Sem se preocupar com a vida acelerada,
Usar a mesma concentração de Van Gogh,
Quando pintou a "Noite estrelada,"
De da Vinci, quando pintou" Monalisa",
De Velasquez, quando pintou as ""As meninas"".
Porque você, preciosa filha,
É minha obra de arte,
É assim que te vejo,
Exatamente como Klint,
Quanto pintou o "Beijo".
Eu construí meu castelo com as pedras que atiraram em mim,
fiz do silêncio meu elo,
para um novo e forte motim.
Não serei mais o mesmo que antes
eu juro que não serei,
sou agora as minhas variantes
Em tudo que me tornei.
Me reinventei, sim, me refiz
Com a luz que em mim encontrei,
Enfim, me achei, fui feliz,
E para sempre serei.
Capricho
Talvez eu não passe de um capricho seu
Que você lembra só de vez em quando
Quando os compromissos ficam de lado
E não tem ninguém para você obedecer
Talvez você nunca tenha sonhado comigo
Da mesma forma que eu sonho contigo
Como dois estranhos que vivem juntos
Como colegas de uma empresa caótica
Ou talvez você pense mais do que deveria
Imagine uma história que não é realidade
Deixando de lado o que poderíamos ser
Evitando conversas que poderíamos ter
Eu sei que deveria gostar de outra guria
Já tentei, mas não consigo virar a página
Eu sei que poderia me declarar de uma vez
Só que seria como me lançar em um abismo
Pode ser que esse capricho não passe disso
Pode ser que esse capricho me deixe louco
Apesar de tudo, agradeço por te conhecer
E enxergar fantasia em meio a uma ruína.
Entre o Que Permanece
Não foi em um dia
que dois caminhos se perderam.
Foi aos poucos —
nos detalhes ignorados,
nas palavras não ditas,
no cansaço que foi ficando.
E, ainda assim,
há algo que não se desfaz.
O que foi verdadeiro
não termina —
apenas muda de lugar dentro da gente.
Não se sabe quando foi
que tudo se soltou,
ou em que curva da vida
houve desencontro.
Mas há um tempo de silêncio.
Um tempo de espera.
Um tempo em que a dor
aprende a se transformar.
Se é tempo de recolhimento,
que seja sem culpa.
Se é tempo de reconstrução,
que seja com cuidado.
O que foi vivido permanece
sem necessidade de explicação,
sem a tentativa de reescrever finais,
sem diminuir o que foi real.
Porque algumas histórias
não precisam continuar
para permanecerem inteiras.
E, no que fica,
já não há posse —
apenas o desejo sincero
de que o outro fique bem.
E, quem sabe um dia,
em algum ponto tranquilo do tempo,
os caminhos voltem a se cruzar —
sem dor, sem pressa,
apenas em paz.
Mesmo que de longe.
Se um dia a senhora ler esta mensagem, quero que saiba o quanto a senhora foi uma inspiração em minha vida. Este pequeno texto é uma singela homenagem cheia de gratidão e alegria por tudo o que aprendi com a senhora. Muito obrigado por cada lição, professora Tânia P.
Com muito carinho e admiração, seu ex-aluno, Vitor Ferreira de Paula. 2024.
Envio estas palavras ao universo, desejando que um dia cheguem até você. Mesmo ausente, você viverá em minhas lembranças. Viva plenamente, encontre felicidade, ame intensamente, cuide-se e espalhe bondade. Hoje, uma pergunta me fez refletir sobre como mudar nossa visão do mundo. Que essa reflexão traga inspiração e alegria à sua vida. Seja feliz.
Vitor Ferreira de Paula
"Um sentimento de Paz invade
meu ser, uma mansa brisa com
sabor de aconchego invade meu
dia. Um aroma suave passeia pela
minha pele, como um desabrochar
de rosas se abrindo, meu dia esta
assim, doce e suave com gostinho
de vida, que me leva ate você. Vejo
o Sol por detrás do teu sorriso. E a
Lua disse baixinho ... eu sempre soube
que era sua"...
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