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Carta sem endereço


Escrevi em linhas abertas o meu sentimento. Mostrei em palavras o amor que sinto. Escolhi um papel delicado, adornado com borboletas – símbolo de despertar, de alma e de espírito. Minhas mãos tremiam enquanto eu derramava sobre a folha todo meu afeto, meu carinho, minhas intenções.


A carta ficou pronta.
O problema é o endereço.
Não sei onde ele mora.


Talvez more nas lacunas escondidas do tempo, em algum canto perdido entre o momento e espera. Talvez viva dentro do meu peito, oculto nas entrelinhas do que ainda não foi dito.


Dobrei o papel com cuidado, coloquei-o em um envelope e guardei. Quem sabe, um dia, ele entre em contato – e eu possa entregar pessoalmente. Cartas assim, sem data, podem esperar em uma gaveta. E, se não chegar ao destinatário, ao menos aliviam o peso da alma que ama silenciosamente.


Rita Padoin
Escritora

Incisões de uma Alma Poética


O tempo
e o vento
levam tudo...


Nunca
as palavras
germinadas,
entalhadas
na alma...


O tempo devora,
o vento dispersa,
tudo se vai...


Tudo,
menos as palavras
que sangraram da alma,
gravadas em silêncio,
como cicatrizes
que não cedem
à erosão dos dias...


O tempo passa,
o vento leva...


Mas ficam,
no âmago,
as palavras
que um dia floresceram
em terreno de dor e beleza,
raízes sutis
que o esquecimento
não alcança...
✍©️@MiriamDaCosta

Antigamente, os políticos eram tão discretos
em suas ações e palavras que,
mesmo quando cometiam alguma corrupção,
o estrago, quando chegava ao conhecimento público… não se apresentava assim tão rápido... tão óbvio... e tão descarado...

Hoje, ao contrário,
a corrupção desfila pelas ruas
como se fosse rotina,
quase um costume socialmente aceito...

A diferença é gritante:
antes, ao menos, havia o sentido da vergonha.
Agora, perderam até o último vestígio de pudor.
Mesmo diante das evidências,
mesmo com o escândalo estourando
na cara do país inteiro,
continuam se exibindo
orgulhosos de suas próprias falcatruas.

Perderam a discrição,
perderam a vergonha,
perderam o mínimo senso de decência,
e ainda pretendem impor leis
que os protejam,
com a mesma naturalidade desonesta
com que cometem seus crimes.

Cínicos,
atuam como se o Brasil
devesse agradecer
por sua delinquência institucionalizada...

Parece até ...
que ser político virou sinônimo
de ser orgulhosamente criminoso
com licença de roubar
e sabe-se lá o que mais...

Essas atuações escancaradas e descaradas
contornadas de cinismos e deboches diante
da Constituição e dos eleitores devem ter um FIM.
✍©️@MiriamDaCosta

Entre as palavras e o mundo
que as recebe
há sempre um abismo...


Um rio escuro, fundo, largo,
onde poucos ousam entrar,
e menos ainda conseguem nadar
sem se afogar nas próprias sombras...


Interpretar virou um esforço raro,
um músculo atrofiado
num tempo em que tudo
precisa ser rápido, raso e imediato...


Separar fato de opinião
tornou-se um labirinto estranho,
onde muitos tropeçam,
confundindo seus medos e traumas
com verdades
e suas certezas frágeis
com argumentos...


Há gatilhos emocionais pendurados
como armadilhas invisíveis
em cada palavra que se lê ou escuta...
Eles disparam antes do entendimento,
empurrando a razão para fora do caminho...


A polarização cavou trincheiras profundas,
pontos cegos viraram muralhas,
e qualquer nuance é assassinada
antes mesmo de nascer...


O TDAH coletivo,
fabricado pelo excesso de telas,
transformou mentes em páginas
que vivem sendo atualizadas
e nunca realmente lidas...


O viés narcisista ampliou seu império,
ou seja:
se não reflete o meu mundo,
se não confirma meu umbigo,
não serve, não presta, não existe...


A lógica perdeu espaço,
o pensamento analítico
virou peça de museu,
onde poucos o visitam...


E assim,
falar e escrever,
esse direito tão humano
e tão legítimo,
não garante mais compreensão...


Porque entre a boca e o ouvido,
entre a mão e os olhos,
há um rio imenso e profundo...
E nem todos sabem nadar.


Entre a fala e a escritura
há a audição e a leitura...
E nem todos sabem ouvir e ler.


✍©️ @MiriamDaCosta

* Ode ao Escritor ✍


Escritor é quem respira palavras,
quem sangra letras nas madrugadas,
quem transforma o invisível em verbo
e o silêncio em fonte de palavras...


Carrega o mundo no peito,
traduz o indizível em versos,
costura lembranças,
cria eternidades...


No rastro de sua pena
há luz,
há dor,
há redenção...


Escritor é o que faz da alma,
um livro sempre em construção...


O escritor é aquele que coagula a tinta,
que mastiga a própria sombra
para dar sabor à palavra...


Habita o abismo do sentir,
sem medo do corte,
sem medo do eco,
sem medo de si...


De sua dor faz aurora,
de sua loucura, asas,
e do verbo, o único altar
onde ousa confessar-se humano...


Escrever é morrer um pouco
para renascer inteiro no papel...


O escritor é um guardião de mundos,
em sua pena dormem memórias
e acordam estrelas em forma de letras...


Nas linhas que traça,
colhe o perfume do tempo
e o murmúrio da alma...


Escrever é um gesto de amor,
silencioso, profundo, eterno...
É tocar o invisível
com os olhos do pensar
e o olhar do sentir...


O escritor não escreve apenas histórias,
ele se escreve e se liberta
em cada palavra que cria...


✍©️@MiriamDaCosta

Minhas palavras nascem do nada
e ao nada retornam.
No intervalo entre um silêncio e outro,
você lê os meus versos,
esse espaço nu,
onde, sem defesas,
tudo o que sou se revela.


Minhas palavras rasgam o nada
e sangram até o nada.
No meio do corte,
você lê meus versos,
sangue, suor,
lágrimas, vísceras,
âmago e silêncios
que eu não soube calar.


Ali estou,
eu inteira,
sem pele,
sem metáfora de defesa,
descrita não pelo que digo,
mas pelo que já não consigo esconder.


Minhas palavras não começam,
explodem do nada.
Não terminam,
implodem no nada.


Entre uma explosão e outra,
você lê meus versos
como quem abre um corpo vivo
sem anestesia.


Ali estão meus nervos expostos,
minha carne em estado de verdade,
meus silêncios suplicando forma.


Nada foi poupado,
nada foi simbólico.
Tudo sou eu,
visceral,
em hemorragia
de linguagem.
✍©️@MiriamDaCosta

Comecei a ler poesia
antes mesmo de aprender
a escrever e juntar letras.


Antes das palavras,
meu sentir já soletrava
afetos e ausências,
chegadas breves,
partidas longas,
silêncios que diziam tudo.


Antes das sílabas,
meu coração já sabia
o que doía,
o que machucava,
o que era justo,
e o que nunca foi.


Aprendi, ainda pequena,
que a poesia
não reside nos livros.
Os livros é que tentam
acolher, tardiamente,
o que a vida sussurra
no avesso dos dias.


Quando me ensinaram
a ler palavras,
eu já lia o mundo
com a alma poética
e os sentidos alfabetizados.
✍©️@MiriamDaCosta

No tremor das letras,
sou terremoto de palavras,
no tsunami dos meus versos.


Abalo sílabas,
desloco sentidos,
rompo diques de silêncio.


Não escrevo:
erupciono.


Não declamo:
transbordo.


Sou falha geológica
no solo raso do óbvio,
placa que colide
com a hipocrisia das margens.


E quando a maré baixa,
não sobra calmaria,
sobram ruínas férteis
onde germinam
novos alfabetos de fogo.
✍©️@MiriamDaCosta

Existe um vai-e-vem infinito de palavras,
um trânsito inquieto
onde nem todas sobrevivem ao próprio nascimento.


Algumas se perdem
no labirinto das intenções mal resolvidas,
girando em falso,
como pensamentos abortados
antes de tocar o território da consciência.


São ruídos disfarçados de linguagem,
ecos que não encontram corpo,
sons que se esfarelam
antes de se tornarem sentido.


Mas há outras, raras,
que atravessam o silêncio
como quem rompe
uma membrana invisível,
e mergulham fundo
na gravidade do que é essencial.


Essas não se dispersam
e nem pedem permissão ao caos.


Elas se erguem
e deixam de ser palavras.


Tornam-se ideia que pulsa,
verdade que inquieta,
permanência que resiste
ao desgaste inevitável do tempo
e à fragilidade transitória
da linguagem.
✍©️@MiriamDaCosta

Eu sou uma alma profundamente
poética e romântica.


Não daquelas feitas de palavras ensaiadas
ou de gestos moldados por circunstâncias,
presas à conveniência de datas comemorativas.


O meu lirismo e o meu romantismo
se impõem de forma natural,
quase instintiva,
sem regras, sem horários,
sem datas marcadas no calendário.


Como quando, pela manhã,
olho pela janela
e encontro o céu cinéreo,
com uma chuva fina anunciando,
tímida, quase sem querer "incomodar",
a chegada do outono.


E então me aproximo do vidro,
suspirando versos,
tomada por uma imensa gratidão
pela beleza de ser e existir,
em comunhão com as estações do mundo
e com os ponteiros secretos do relógio
do meu próprio âmago.


✍©️@MiriamDaCosta

Palavras, quando harmonizadas com atitudes, desenham paisagens de beleza rara. Tal qual na vida, é preciso exercitar a presença, evitando palavras impensadas.

“Palavras pintam paisagens.”

O amor é delicado e precioso; um gesto impensado pode desfazer castelos de sonhos. Por isso, quero compartilhar como me sinto ao teu lado: leve e feliz, como se estivesse abençoada. Sinto uma nova oportunidade de viver um sonho que reflete minhas aspirações de família, estilo de vida e de como quero viver um amor.

Cuide-se! Adoro você.

Alexsándra Duárte

"O que fazer com tantas flores?


Teu gesto me encanta.
Tuas palavras perfumam meus dias.
Me perco nessa ânsia de te encontrar.
Meus pensamentos voam além desse infinito mar que nos separa a procura do seu olhar...
A distância, você consegue tocar meu coração
que pulsa e sonha com essa paixão.
Me conte seu segredo.
Me diga quem é você que colhe meus sorrisos, me beija em meus sonhos
e me faz perder a noção do tempo observando o céu da noite."
(Faby Poesias)

O homem pode transformar suas condições ao transformar suas palavras.
A forma como você nomeia a sua realidade molda a forma como você a vive. Palavras não são apenas sons, são direções internas. Elas definem o que você acredita ser possível, o que você aceita como limite e o que você enxerga como caminho.
Quando você muda o discurso que repete para si mesmo, você muda também a qualidade dos seus pensamentos. E pensamentos, repetidos com constância, se tornam escolhas. Escolhas constroem hábitos. E hábitos constroem destinos.
Não se trata de negar o que é difícil, mas de não se aprisionar na linguagem da limitação. Porque aquilo que você insiste em dizer, você começa a viver como verdade.

O VALOR DO QUE É ETERNO
(Homenagem Póstuma Rita Lee)


​Existem palavras que a gente escreve e que ganham asas próprias. Hoje, decidi fazer um resgate de um momento que foi um verdadeiro divisor de águas na minha trajetória literária.


​Os que estão me conhecendo agora talvez não saibam, mas essa frase de minha autoria — que nasceu no início das minhas publicações aqui no site Pensador que acabou atravessando fronteiras que eu jamais imaginei.


​Em maio de 2023, durante a despedida da nossa eterna Rita Lee, essas palavras foram escolhidas pela atriz Isis Valverde, para prestar uma homenagem póstuma que repercutiu em veículos como a Revista Caras.


​"O que importa é o talento que vem da alma, o corpo é perene e em breve se desfaz... a alma se perpetua na imortalidade!"


​Mesmo após algum tempo, faço questão de trazer esse registro novamente. Primeiro, porque a imortalidade da alma e do talento (como o da Rita) nunca sai de moda. Segundo, para reforçar que cada micro-conto, cada crônica e cada verso que compartilho aqui carrega essa mesma verdade e dedicação de anos.


​Agradeço a cada um que faz parte dessa jornada comigo, desde o início ou desde agora.


Lu Lena / 2026

Quem tenta curar o mundo através das palavras costuma ter a alma mais fina, e é por isso que o buraco deixado por uma ofensa dói de forma tão profunda e silenciosa.


Existem seres que brilham no virtual para tentar esquecer o vazio do real, mas basta uma palavra de ódio para que toda essa luz se esconda atrás do choro.


SerLucia Reflexoes

AMOR,EU SEI QUE TU ESTÁS AÍ.
Catarina Labouré.
Filho é para ti que insuflo estas palavras empregnadas de amor e o amor é inegavelmente coragem para todos os momentos.
Recorda-ti desse sentimento no âmago do teu íntimo e diante da dor mais profunda que te faz verter lágrimas dorídas, mergulhes na solidão que sentes em teu inexprimível sofrimento para dizeres: _ Amor! Eu sei que tu estás aí. Vem ser minha companhia visível.
No momento da raiva incontrolável que fadiga as fibras de todo o teu cérebro à afetar teu corpo o entorpecendo em dormência estática. Vai no teu íntimo e evoques esse puro sentimento inato a todos,mas tão postergado,o amor, digas tu em profunda e emocionada rogativa: _ Amor, eu sei que estas aí.
Diante da ofensa que lançan-ti sem misericórdia na face vos procurando fulminar maldosamente os teus sagradas idéias refugia-ti no pensamento próprio procurando se firmar vai secretamente em teu caminho entronizado ainda pela luz que tu amas sem ser enfadonho e grite para dentro de ti: _ Amor, eu sei que estás aí.
Quando as perseguições te espreitarem por onde quer que vás, nutra-ti de coragem,siga adiante mal grado os perigos penses alegre e evoques as figuras dos perseguidos injustamente e aparentemente vencidos, libertes junto as vozes e exemplos desses mártires repetindo--lhes a inolvidável vivência e cantes junto a esse coral: _ Amor, eu sei que estas aí.
Na alegria que vives mesmo que embora poucas vezes,pois a presença da solidão não vos esqueces, não olvides a missão da simples flor que mesmo na escuridão e esquecida não deixa de evolar a beleza e o perfume que lhe faz sobrepor o desprezo e com a mesma resiguinaçao fazes emitir de tua fala tristonha,mas confiante no porvir: _ Amor,eu sei que estas aí.
Segue meu filho! Redimido porque em todos os instantes nunca permitista estares só e revoltado.O amor te acompanha e vos atende. As noites poderão ser solitarias,exteriormente frias mas em ti fostes fiel e o amor vos dirá:-Amado,eu aqui em tua porta,ansioso para que tu a abras para mim e ser contigo.
Votos de muita paz.

⁠Envio estas palavras ao universo, desejando que um dia cheguem até você. Mesmo ausente, você viverá em minhas lembranças. Viva plenamente, encontre felicidade, ame intensamente, cuide-se e espalhe bondade. Hoje, uma pergunta me fez refletir sobre como mudar nossa visão do mundo. Que essa reflexão traga inspiração e alegria à sua vida. Seja feliz.

Vitor Ferreira de Paula

Palavras jamais expressariam o que
sinto. Só quem ama ou já amou sabe
o que estou sentindo. È bom você se
sentir especial na vida de alguém, é
bom saber que existe alguém que te
conhece por inteiro, que sonda seus
pensamentos e invade sua alma de uma
forma que ninguém jamais ousou conhecer.

Hoje precisei de colo, de um abraço, qualquer gesto de carinho.
Hoje as palavras se silenciam, sei que a cura para o que estou sentindo
é o Amor. É o amor daquele que sempre te ampara quando esta sozinho,
é o amor daquele que sabe tudo que se passa em seu coração. Este amor
sara, cura e purifica a Alma.
❝...As vezes nos bate uma incertezas, medo, lutas diárias, decepções, sentimentos de que alguém esta sendo ingrato contigo, sensação de perda, de fracasso, nos sentimos fracos e impotentes.
Mas Deus em seu infinito Amor nos da a chance de recomeçar, renascer outra vez...
Precisamos aprender a doar mais sorrisos, pois assim receberemos mais sorrisos também. Dar mais amor, receber mais amor, perdoar mais, ajudar mais, ser solidário com aquele que sofre.
O amor é o remédio para a tristeza, que não tem preço, nem prazo de validade. E este Amor
se chama Amor de Deus... ❞
------------------------Eliana Angel Wolf

⁠⁠O Vício de Brincar com as Palavras e as Imagens, tem seus Riscos: às vezes são elas que se juntam para brincar com a gente!


Brincar com Palavras e Imagens sempre parece um gesto inocente — quase infantil.


Mas quem se arrisca nesse ofício sabe: nada é tão simples quanto parece.


Porque, palavras têm memória!


Imagens têm humor.


E ambas, quando percebem que estamos distraídos, fazem complô.


Às vezes se juntam para dizer o que não ousamos.


Por vezes até revelam o que tentamos esconder.


Às vezes devolvem à nossa própria mente uma pergunta que nem formulamos…
mas que, de alguma forma, já nos habitava.


Brincar com elas é um vício, e sim, — do tipo que não pede perdão.


E cada frase escrita, cada imagem criada ou editada, leva um pouco de nós…
mas também devolve algo que não sabíamos termos entregue.


No fundo, talvez o risco maior não seja brincar com elas.


O risco mesmo é quando elas resolvem brincar conosco —
e, sem pedir licença, sem medo e sem culpa, revelam aquilo que nós estávamos evitando descobrir.