Texto de Reflexão de Amor
Recorro as fórmulas
- mais secretas -
Abraço a condição
- mais obediente -
De dobrar-me à todos
- os mais sublimes -
E humanos poetas.
Dobrada ao menos
- tento -
Embalar amenos
- versos -
De enluarar-me toda
- ao sabor das noites -
E dos ciganos etéreos.
Feitiços aos pedaços
- saborosos -
Ritmados pelos sentidos
- temperados -
De estrelas dos céus
- reverenciados -
E convertidos em caminhos.
Esculturo o soneto
- sem tropeço -
Confesso o segredo
- inconfesso -
De estrelar-me em pêlo
- perdendo-me nas horas -
E revelar-me a mais sutil
De todas as finas senhoras.
O som deste poema é auto
de confissão de uma paixão,
A viola é a haste de letras
tão irisadas quanto doídas,
A vida poderia ter nos unido
de tanto que nos amávamos,
Os versos que saem em todos
os tons e o peito que alto
Se declara culpado por não
ter os desafios por ti enfrentado.
Bailarina da minha dor,
Poetisa sem rima,
Concubina da Literatura,
Declaro ao Universo:
- Eu te pertenço, ainda sou tua!
Profetiza de um amor,
Fiel sem pastor,
Colombina sem Pierrô,
Declaro ao Inferno:
- Eu vencerei a pena com louvor!...
O tom que grita este poema e auto
de confissão deste coração,
É viola que cairá nas mãos
do violeiro amado,
O exílio que te forçaram
nunca fará de ti um amor
Esquecido e deste peito apagado.
É noite no Balneário dos poetas,
aqui cruzam as estrelas nas letras.
Os nossos dias são cheios de poesia,
daqui nascem cantos de revolução.
Balneário onde as poesias pousam
- como tranquilas gaivotas -
A vida deu mais do que mil provas:
o destino segue o curso do coração.
É noite no Balneário dos poetas,
[Balneário de intensos poemas!...
Os dias regam as doces palavras
que hão de ser para sempre lembradas.
É noite no Balneário dos poetas,
noite repleta de claridade...
Noite para dizer o suficiente:
- Deixe-me viver em liberdade!-
É noite no Balneário dos poetas,
para saudar o girar dos astros.
Tenha-me em sua lembrança,
mas não siga os meus passos.
É noite no Balneário dos poetas,
para dizer que: - Eu escrevo por arte.
Leia-me por inteira...,
não me procure, e não me queira.
É noite no Balneário dos poetas,
para dizer que: - Eu te amei por um triz!
O Universo não nos quis,
aceite o traçado do destino, este é o caminho!
A minha poesia arderá para sempre,
porque sou movida à paixão.
A vida já deu mil mostras...,
que Ele escreve certo por linhas tortas;
Deixe-me no Balneário dos poetas,
a perder-me nas ondas do mar,
escrevendo livre nas areias:
poesias feitas de renda - e inteiras!
O teu olhar tem a cor da noite,
a tua boca tem o sabor do mel.
O teu olhar não menos meu,
é tão caro quanto [brilhante...
A tua boca é plena e saborosa
possui lábios tão extasiantes:
Conjunto que me fez flamejante.
A tua existência é concreta,
a urgência que tenho secreta:
a primavera que não passa
(...) Primavera, eterna!
O teu gingar inesquecível,
e a tua pele incrível
Em mim [permaneceram];
a poética que nem os guerreiros
e a noção de pecado não derrotarão,
Estarão nos meus versos plenos
Repletos para fazer eternos
- dois corações -
Que a distância superarão.
Não me roube de mim mesma,
Eu me pertenço!
Sou filha da boa franqueza...
Não me roube a paz
De construir a vida
Que eu sempre quis
Eu deixei tudo para trás.
Não me veja com outros olhos,
Eu sou como sou!
Sou poesia, sangue e sonhos...
Não me tire o tempo
De procurar o amor
Imaculado no peito
De alguém que seja
- inteiro -
E seja cheio de candor.
Não me faça como passatempo,
Eu sou dona da minha vida!
Não se faz ninguém perder tempo...
Não me venha com intenções:
Primeiras, segundas e terceiras...
Eu busco muito mais que o teu querer:
Busco o verdadeiro amor
Talvez na dimensão que você viva,
Jamais irá entender, não queira me prender!
Não é justo fazer-me de objeto,
Sou dama de fogo e ferro,
Deixe-me no meu caminho certo.
Não é legítimo e nem legal,
Arrancar a poesia lirial,
Tirar a honra do meu andor,
De andar orgulhosa
Por cultivar o jardim celeste
Que florescerá com o meu sonho de amor!
Suspensa no topo da Galáxia
Escuto o teu saboroso canto,
Embalando o meu corpo
Despertando do bom sonho,
Que estava no teu porto.
Apenas do sono despertada,
Mas não menos apaixonada.
Porque quando se ama:
A alma sonha acordada.
.
Sonetista do farol da ilha
Escrevo com poeira estelar,
Querendo a rota contar
De um particular encanto,
- Que veio para renovar! -
Sem me importar com a correção:
Caí em completa perdição
Sob o teu incorreto e erótico
- domínio -
Estou guardada no teu coração,
Rendi-me às tuas armadilhas sensuais,
De dentro de mim você nunca mais sai,
Deixei-te nos braços do tempo,
Não fazes conta de quanta falta você faz.
Sem se importar com a opinião:
Tu me buscas em nome da paixão
Sob os aromas indutores da doçura
- mística -
Com as cores do Sol e da Lua,
Vesti-me de estrelas para ser toda tua
- odalisca -
Dançando até o raiar do dia,
Encantarei-te como o fogo da fuga.
Resguardo para ti no final de tudo,
E até mesmo no final de um dia comum:
O beijo mais doce de todo o mundo,
Descanse, meu bem
- Tranquilize-se
A força do destino vivifica:
Algo que a alma não decifra
A coisa boa que você me faz
Só sei que sem o teu amor não vivo mais.
Fantasio na surdina,
Revivo na alvorada,
Comemoro na aurora,
Estive ao teu lado,
Embalada pelo beijo,
[Selo] de outrora,
Universo de poesia,
Outrossim, sinfonia.
Prevejo na calada,
Rememoro a neblina,
Esparramada alfazema,
Sensualidade albatroz,
Provocação extrema,
Janela aberta audaz,
Terra de Geraes provada,
Por ti entreguei-me inteira,
Ainda te pertenço sem dilema.
Vento que assobia,
Que desassossega as folhas,
Vento que brinca,
Que desinibe a flores,
Vento que sacode,
Que do livro vira as páginas,
Vento que transporta,
Que leva o meu perfume,
Que faz com que ele penetre
Nas tuas frestas e bata na tua porta.
Sou o vento que balança
A tua janela, espera!
Quem espera sempre
- alcança -
Nunca se perca de nós;
Entenda a nossa cumplicidade
Que vive de esperança
E de pé na Terra.
Tarde ensolarada à beira mar
E ritmada ao modo do vento,
No ir e vir do balanço do mar
Como o teu jeito manso,
A tua voz de suave encanto,
O teu riso aberto, sincero;
Trazendo a tua voz presente
Anunciando contente:
- a nossa reaproximação!
Os pássaros são anjos inteiros
De plumas adornados,
Cantores da anunciação,
Saudando o tempo e a distância;
Pela incapacidade de desfazerem
Uma verdadeira paixão.
Os divinos cantores
De asas abertas,
São ainda mais lindos
Anunciando a liberdade,
Que só o amor pode trazer
A verdadeira salvação.
Os sentimentos não se dissociam,
Amor e paixão tem uma fórmula
- secreta -
A nós foi nos dada à missão:
De sermos boticários da anunciação
De uma mística que Deus secreta.
Toco as estrelas com os dedos,
Abre as portas da tua alma!
Traz para mim os teus beijos,
Ventos de um forte presságio!
Nasci para ser amor irreversível,
Tornei-me a primavera dos desejos.
Tateio entre os giros do Universo,
O destino fez do meu coração
- um verso disperso
Escrito para ser inesquecível
De uma doçura de derreter o inverno.
Teço um caminho de fina seda,
A minha loucura por você não é lenda,
Talvez a minha suavidade surpreenda,
Dançarei na Lua para que não se esqueça.
Toma-me pela mão, e escreva!
Virarei poesia, e até mesmo odalisca;
Tenho coragem até de ser ousadia,
Fazendo que por mim você persista.
Te adorarei sempre por inteiro,
De janeiro a janeiro,
Do jeito do poetinha,
Tenho a marca de todas a revoluções,
E o perfume das mil tentações.
Tudo em ti virás em mim,
Sou cantiga que te nina,
Sonata que lhe rouba o chão,
Sou a magia do amor que invadiu
A tua alma, a tua mente e o teu coração.
Toco as orquídeas do nosso jardim,
Respiro nelas os teus aromas
Doces da tua flutuação,
- Estás em todo o lugar! -
Tranquilidade um dia a gente terá,
Um dia a gente irá se reencontrar.
Conhece a chama ardente
Do meu corpo sob o teu,
Arranco o teu chão e o teu sono;
Com o meu bem servir ao Dono,
O teu caminho também é meu.
Amanhece comigo no [riso,
Entardece comigo no teu colo,
Anoitece com o meu [cio;
Eu te arrepio, sem frio,
Eis o nosso verão: eu anuncio!
Esquece este mundo vazio,
Presenteie-se com o luxo de abandonar
- tudo -
Em nome do melhor do prazer;
Não temos nada a perder!
Vamos nos deliciar,
E celebrar sobejamente:
- Só eu e você! -
A minha imagem é viva
Ela jamais descansa,
A minha imagem é de carne
Ela jamais te cansa,
A minha imagem ferve
Ela não te dá descanso;
A minha imagem verte
Em cada um dos teus poros.
A minha imagem é presença,
Que traz consigo a sentença,
De prestar-lhe obediência,
É mais do que isso:
É emprestar a minha indecência
Fugidia de qualquer coerência,
Entortando-lhe até os ossos.
A minha imagem é malemolência
Feita de vidro quando estou longe,
E feita de papel quando estou perto;
Na tua mão sou página de livro,
Que se dobra, mas não se vira,
Sou o teu caso sério, admito.
Como páginas que não se viram,
Escrevendo inequivocamente
Juntos uma nova história no Universo.
A chama se [revela
Como noite acesa,
É brasa inconsumível
Da tal ardente estrela,
Que ilumina e [celebra
A vontade que nos cerca.
A chama se [destaca
Como palavra fina,
É incenso perfumado
Da divindade incrível,
Lira de apaixonado,
Feito nó que não [desata.
Valsa em nós o Universo,
O meu íntimo te pertence,
Talvez ainda estás [perdido,
A saudade é nossa - sempre;
De estarmos na mesma corrente
Nadando somos o curso do rio,
Da poesia inequívoca sou o verso:
Dolente, apaixonado e [atrevido.
É questão fora de [tempo,
Sempre em todos os tempos,
Todos musicais ou [não;
Ambos pagãos ou divinos,
Tão satânicos ou bíblicos.
A chama [ardentemente
Em tempo há de contar,
Que nunca [deixou
De por ti se apaixonar;
Vontade que não vai passar.
É questão além do [tempo,
Sempre e em todo o lugar,
Quando paro para [pensar:
Bate o sentimento, o tal penar!
Essa distância irá acabar.
A cada gota perfumada
Fundem-se os aromas
Cálidos em plena erupção,
A cada toque de paixão
Tocam-se as melodias
Refugiadas no Balneário,
A cada tom de emoção,
Assim trazes-me pela mão:
Ofereceste-me o teu corpo,
Fisguei o teu [coração]...
A cada balanço das ondas
Chegam os beijos das sereias,
Tilintando viram conchas
Porque nós somos divinos;
Filhos do imprevisível,
Somos dia sol e tempestade,
No Universo estamos escritos,
Sabemos o que queremos:
- Estamos famintos.
A cada asa aberta na Terra,
Somos a tal liberdade,
Nascemos para o amor,
Sublime, intenso e eterno;
Este é o nosso segredo,
Do jeito que me trazes
- pelos cabelos -
A cada arco-íris dos instantes
Reinventamos os desejos...
Você previu a minha solidão,
Sou flor solar perdida na duna,
Em busca do teu lindo coração.
Não te acho porque livre não estás,
Estás confinado numa prisão,
Decepcionado com a minha decisão.
Você previu a minha infelicidade,
Pela minha falta de coragem,
De não ter mergulhado de cabeça
Nos braços do amor, nossa eternidade.
Você no fundo me conhecia
Melhor do que eu mesma;
Que na verdade, sempre fui poesia.
Não te encontro, porque me perdi,
Estou confinada nas letras,
E aprisionada na minha ideologia
- demagogia -
Eu deveria ter feito tantas coisas,
Mas não fiz, descumpri e me prendi.
Eu sou o caso mais complicado,
Que vi nesta vida,
Sou a 'tal mosca na sopa',
O 'dedo na ferida',
Sou ferida que não sara,
Dor que não para,
Ferida que não cicatriza,
Poesia que anarquiza,
Chave que liberta,
Loucura sem cura,
Amor que não passa,
Fera que reage mesmo ferida,
Um dia farei-me libertada,
Para de vez libertá-lo;
E resguardados do mundo,
Recuperarmos o nosso projeto
De viver de amor a cada segundo.
Mãe Aparecida,
Materna poesia,
Minha Senhora,
Castíssima Rosa,
Padroeira do Brasil,
Com o seu manto azul anil,
Zelai por nós,
Que o tempo não seja algoz,
Por nossas fronteiras,
Do nosso povo não te esqueças,
Por nossas águas,
Pelo verde das matas,
Por nossos ares,
Proteja os nossos lares,
A tua presença,
Vai muito além dos altares,
Ela está em todos os lugares.
Os grãos das areias formam:
O nosso castelo sobre a duna.
Os ventos do Norte roçam:
O rastro da Lua marfim.
A pele que o Sol aqueceu:
O amor ela floresceu.
Como a tua mão carinhosa,
Surgida na primavera rosa,
Feita de poesia íntima e corajosa;
Porque amar é ter coragem,
É viver a poesia da vida,
Iluminando tudo a toda hora...
As flores da duna me comovem,
Presas aos grãos das areias,
Lindas tiaras das sereias,
Balançam as pétalas como harpas,
Desse meu amor você não escapa,
E nem do meu verbo que te enlaça.
Sei de tudo um pouco:
- Sei estar entre elas.
Sei te esperar,
Sei te despertar,
Sei ser grão e duna,
Sei viver só, e ser tua
Entre as flores amarelas.
Sei o quê fazer e como fazer,
Dosar na medida certa,
Para assim você não me esquecer.
Sei e sempre sobre estar,
Com as correntes a meu favor,
Você irá me ter no oceano de amar.
O vendaval formou nas areias
Um pequeno ciclone,
O vendaval levou até longe
Uma pequena semente,
A flor da duna adormecida
Que na livre altura oculta,
Uma ternura resoluta
Que embala toda uma vida.
O vendaval cantou no meu ouvido
Uma coisa que eu não havia percebido:
Que até nos teus passos eu dou sentido.
O vendaval plantou na duna,
Ele fez a boa semeadura,
Eu hei de abrir-me florida,
Nas tuas mãos carinhosas,
Por todo o amor que haverá nesta vida,
O vendaval trouxe-me da altura,
Para viver das venturas mais amorosas,
E depois fingir-me nos teus braços adormecida.
Abraça toda a poesia do mundo,
Longe de você vivo em vero luto.
Palmilha a estrada florida,
Para que voltes a fazer parte da vida.
Entende os caminhos que fiz,
Perdoa-me... Eu te fiz infeliz.
Agarra a felicidade, ela voltou,
Para ti que tanto me amou...
Esqueça o que passou, esqueça;
Opte pela estrada cor de violeta.
Escute tudo o que tenho para falar,
Perdoa-me... Aprendi o quê é amar.
No jardim do amor, doce humildade,
As estrelas preparam a estrada,
Para que a eternidade de amar encontre
O lugar que pertence e não seja abandonada.
Entenda, ao menos me ouça:
Fiz o quê ninguém fez ou ousa...
Ninguém ama sozinho,
Esteja bem certo disso.
Procuro a tua libertação,
Que é mais minha do que tua;
Nas letras e nas brumas da Lua.
Estenda além do conceito,
O amor nada tem de estreito...
Quando se ama espera,
Perdoa até o quê magoa.
A distância supera,
A alma se entrega
E alimenta-se de toda a poesia.
(...)
Deitada nas macias dunas,
- e verdejantes
Tocada no fundo d'alma
- tilintante
Embalada pela lira poética,
- em tons extasiantes
Sigo observando os teu passos
Talvez tu não tenha percebido
Que a manhã chegou,
Cheguei sem fazer ruído
Tocando com carinho,
Sou o sonho adormecido
Que tranquilamente acordou,
O amor que não se apagou
Por obra da noite e da aurora;
Personifiquei o sonho de outrora.
Doando passagem para o teu sonho:
Tornei-me realidade.
Eu te amo em castidade,
Pertenço ao desenho mais pleno
Ao sabor da liberdade.
Nada revolve mais a lembrança,
Pois, tu me fortaleces.
Cultivada no aroma da esperança,
Pois, tu me renovas,
Porque quem espera sempre alcança,
Como ninguém tu me perfumas,
Embalada pela oração de uma criança.
A masmorra ainda nos separa,
Sofro como Marília também sofreu,
Chorando na beira do mar,
Contando as conchas para distrair
A falta que tanto faz Dirceu.
Ainda tu reclina-te em memória
O teu peito emoldurando o teu olhar,
Tão lindo e tão puro que nunca há de se apagar,
Os nossos vultos na tíbia luz fizeram história.
Por obra inconfidente, silencio
Guardo do mundo os momentos de amor
Restritos a dois vadios;
Porque de mim carregas o mais sublime:
Tens o amor da estrela,
És o meu sideral espaço, doce e infinito.
(...)
