Texto de Reflexão de Amor
Diante do absurdo da vida, nos resta
aceitar nossa fragilidade intrínseca,
como bem disse Montaigne em sua obra.
Nessa inconstância, a verdade se atrapalha.
Nossa existência é feita de incertezas,
num constante vai-e-vem que não se acalma.
Mas não se esqueça, amigo, de Epicuro,
que a morte não é nada para nós,
já que, enquanto vivos, ela não tem futuro.
Assim, devemos viver intensamente,
sem medo de que algo nos cause dano,
pois a vida é breve, mas é suficiente.
Oh, vida tão doce e tão amarga vida,
Sou um poeta, maldito, incompreendido,
Através das rimas, a dor é desmedida,
E o mundo em volta, é um fardo caído.
Charles Baudelaire me ensinou a sonhar,
Com o ópio deixa a mente a delirar,
Rimbaud mostrou o caminho da loucura,
E o café, ah, como ele desperta a ternura!
Mas o vinho é a minha droga preferida,
Ele me faz esquecer da solidão sofrida,
E acalenta a minha alma tão ferida.
Ser um poeta é uma sina, é um destino,
Com as palavras, eu navego sem tino
A minha alma transborda em verso divino.
O que você está construindo em sua vida.
Faça agora, sem hesitar, os sonhos que antes não se atrevia a sonhar.
Arrisque-se, crie, desafie-se,
aproveite cada momento que a vida lhe der.
Não espere que a vida passe,
ou que as oportunidades se esgotem.
Sinta cada respiração, cada batida do coração, e não deixe nada para amanhã, nem para depois.
Não deixe que o tempo fique para trás,
pois o tempo é precioso demais.
Viva, ame, crie, faça acontecer,
e faça antes que seja tarde demais.
A vida é uma teia de contradições
O bem e o mal se entrelaçam no mundo
E muitas vezes são duas condições
Que caminham juntas, não vejo outro rumo.
Há o amor, mas também a desilusão
A felicidade, mas também a dor
É como um carrossel, em movimentação
Onde a tristeza pode ser o condutor.
Há quem viva a sorrir e outros a chorar
Há quem busque a paz e outros a guerra
Mas em cada ser há um pedaço a amar.
E assim a vida segue sem parar
Com suas contradições em movimento
E nós, como espectadores, sempre a admirar
Sigo perdido, em busca de sentido,
De um propósito para minha vida,
Mas o vazio parece tão desmedido,
E a solidão é mais forte que a lida.
Não há respostas para as minhas perguntas,
Só o eco do silêncio a me responder,
E a angústia que me invade em ondas conjuntas,
De um futuro incerto e sem querer saber.
A vida é um labirinto sem saída,
Um caminho já traçado sem escolha,
E mesmo que eu tente mudar a partida,
O destino insiste em fazer sua escolha.
Talvez a verdade seja a inexistência,
E a morte a única certeza do fim,
E eu continue nessa inquietude latente,
Até que chegue a hora, e eu chegue a mim
Os versos que escrevi ficaram presos
Nas páginas dos livros que deixei
Mas antes que a vida em mim se desfez
Senti o amor que em mim sempre fez lei.
Lágrimas não rolem, não em meu nome
Nem flores nem velas nem saudades
Fui feliz, amei, fiz de ti meu nome
A poesia que o mundo jamais invade.
Leiam-me ainda, que eu estarei presente
Em cada verso, em cada rima farta
E dançarei em noites mórbidas e quentes
Em cada copo, em cada voz que me desata.
Já não importa a lápide ou o monumento
O poeta que eu fui viverá o momento.
A alma, o corpo e a mente do poeta
Que, em sua inspiração, se rende
Ao divino, à vida, à bênção completa.
A sua arte é como uma dádiva
Uma missão que ele recebeu
E com ela, cria a alma viva.
Oh, Poesia, tu és o véu que esconde
A dor, o amor e o mais profundo
Tu és o fio que liga o mundo
O mais belo e profundo abismo
Onde realidade se confunde
És a beleza que transcende
Oh, efêmera existência humana!
Tão breve é a vida tão plena de dor
Ela é frágil como uma rosa que murcha
Que fenece antes do seu esplendor
Nós somos como a areia da praia
Que vai e vem com as ondas do mar
Pois a nossa existência é passageira
E o tempo é o nosso algoz a ceifar
Mas, ainda assim, seguimos adiante
Construímos nossos sonhos com afinco
Regamos com suor cada planta, cada cante
E vamos em frente, sem desanimar
Porque sabemos que somos uma centelha
Na Vida maior, que nunca vai cessar.
A vida humana é mais breve que um sonho
Um sopro, uma brisa tão efêmera
É breve, como um caminhar medonho
Mundo cheio de escuridão e estranho
Do nada, crescemos no tempo veloz
Aprendemos a amar, grandeza e fama
A glória é curta, uma brisa estanque do oz
Alma voa, deixando para trás a montanha
Somos como móveis na roda do tempo
Enganando-nos com riqueza, poder e brilho
A verdadeira riqueza está no amor, lamento
Tolo é não vê que a vida é um trem curto
Efêmera existência humana, um mito
Ah, quem dera podesse ter mais tempo
Segue o caminho que só tu podes trilhar. As pontes que precisarás construir. E o rio da vida que terás de atravessar. Só tu és capaz de te superar e prosseguir
Não te deixes enganar pelos atalhos fáceis nem pelas falsas promessas dos semideuses, pois a tua essência é única e preciosa, e tua autonomia é o que te faz vitorioso
Segue o caminho que te leva além do rio Pois nele encontrarás a tua verdadeira essência, não importa onde ele leva ou o que nele há
O importante é que só tu podes segui-lo, e ao final da jornada, o teu coração será preenchido, pela satisfação de ter trilhado o teu próprio caminho.
Em busca de sentido
Vida frágil, infinita é busca
incessante de sentido,
Caminhos tortuosos,
destino incerto,
tudo perdido.
Em busca do mundo anterior,
Proust nos conduz,
Ao passado distante,
memórias
que nos seduz.
Mas o presente é fugaz,
um instante adormecido,
Amanhã nunca é certo,
futuro desconhecido.
A inquietude do espírito
em busca de paz,
Mas a guerra consigo
mesmo e com o mundo
é o que jaz.
Deus e o semelhante,
alvo da nossa ira,
Mas a compaixão e o amor
devem ser a nossa mira.
Tão efêmera é a vida,
tão breve é a existência,
Aproveitemos cada instante
com plena consciência.
Não busquemos respostas,
apenas vivamos intensamente,
Pois a fragilidade da vida
nos mostra o quão valioso
é cada momento presente.
Sou imortal na minha arte,
Inspirado pelos astros,
pela natureza e pela vida,
Com minhas palavras,
encontro o caminho
para a eternidade.
Meu coração pulsa,
minha mente cria,
Cada verso
uma nova história,
um novo universo,
Compondo um poema
vivo e imortal.
E mesmo que a morte bata
à minha porta,
Minha poesiacontinuará a viver,
Preenchendo corações,
iluminando mentes,
Eternamente imortal.
Na brevidade da vida, a morte leve,
Um sopro suave em nossa existência,
Como uma bola de neve que se move,
Num vai e vem que escapa à nossa ciência.
Passamos pelos dias, como o vento,
Numa dança fugaz de alegrias e dores,
E assim seguimos, num eterno movimento,
Em busca de sonhos, em busca de amores.
Mas eis que a vida foge em seu trajeto,
E a morte, silente, nos abraça enfim,
Como uma roda nos esmaga com efeito.
A cada instante, somos lembrados assim,
Que a vida é breve, o tempo é suspeito,
E devemos viver cada momento, até o fim.
Como gaivota no céu, um cometa seduz,
A bailarina se move, se solta no ar,
No palco da vida, seus passos conduz
E faz a arte sutil de se equilibrar.
Cada giro, um voo livre, um suspirar,
Seu corpo, sopro etéreo, rima dissonante,
Seus braços, a poesia de se reinventar,
Em cada salto, um verso instigante.
Seus pés tocam o chão com firme doçura,
Deslizam suaves como fina melodia,
É dança, é luz, é mar, é coragem e ternura.
Bailarina, sua beleza é arte que apraz
No palco da vida, força e candura
De um sonho que ao vento se faz.
Soneto da Vida Plena
Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê, não ouve a música do ar,
quem não encontra graça em si, se apaga,
e ao amor-próprio, deixa de amar.
Morre lentamente quem se deixa escravo
do hábito, dos mesmos trajetos, fiel,
quem não muda a marca, não arrisca o novo,
ou não conversa com um estranho, cruel.
Morre lentamente quem faz da TV um guia,
quem evita a paixão e o mundo inteiro,
e prefere a certeza, a sombra fria.
Morre lentamente quem evita o mistério,
quem se queixa do destino, o tempo é traiçoeiro,
e abandona o sonho, antes de vê-lo inteiro.
Vértice do Absurdo
A vida é um charco sem fundo,
um reflexo turvo de estrelas mortas.
Gritamos contra o caos, mas o caos não ouve.
Ele ri, como uma fera que mastiga o silêncio.
A revolta é um jogo de crianças cegas,
chutando pedras no vazio infinito.
O universo não tem orelhas,
nem olhos para testemunhar nossos gestos inúteis.
Que é o homem, senão pó fingindo ser luz?
Um grão na tempestade,
uma mentira que respira por hábito.
Resta-nos o quê? A queda? A rendição?
Afundamos em perguntas como num pântano,
nossas respostas são véus rasgados
flutuando na brisa podre do absurdo.
Deus é uma sombra que perdemos ao meio-dia.
E mesmo assim, caminhamos.
Entre ruínas, sob céus que nos odeiam,
rimos de nossa carne apodrecida,
fingindo que ela não carrega o peso da eternidade.
A vitória? Não existe.
O caos vence sempre,
não porque é forte, mas porque é eterno.
E nós? Nós somos apenas ecos,
gritos que se afogam na noite sem fim.
A verdade sobre a vida e a existência não precisa ser decorada com promessas de transcendência ou adornada por conceitos de pecado, redenção e salvação. É um alívio quase indescritível, um regozijo íntimo, perceber que podemos viver fora dessa discussão — desse embate interminável sobre inferno e paraíso, sobre continuação ou fim.
Se o homem morre e tudo se acaba, não há culpa a carregar, nem redenção a esperar. A vida, como já afirmou Pessoa, é apenas a vida. As coisas são o que são, e não precisam se estender para além de si mesmas para serem válidas ou reais. É doloroso, confesso, ver tanta gente boa presa nesse engano, acreditando que a existência só se completa se for continuada noutro plano. Não percebem que a busca pela eternidade os arranca do agora, do que realmente existe.
E, no entanto, essa necessidade de crer no eterno, de imaginar que a vida continua depois da morte, é profundamente humana. Talvez seja mesmo inevitável. A ideia de finitude parece insuportável para muitos. Mas, paradoxalmente, o reconhecimento dessa finitude pode ser uma forma de eternidade em si. Se tudo se encerra aqui, o agora se torna absoluto — e, nesse sentido, infinito. Não há mais o peso de uma vida além desta; só resta o fluxo contínuo do que somos.
É nesse entendimento que encontro paz. A vida é suficiente em sua simplicidade. Não precisa transcender para se justificar. A eternidade que tanto buscamos pode ser encontrada no momento presente, nesse "agora" que se alonga indefinidamente enquanto vivemos. Tudo está aqui, neste instante, e isso basta.
Assim como Pessoa escreve, com sua visão desarmante e lúcida: não precisamos de outros mundos para validar este. A existência não requer continuação ou transcendência para ser plena. O desafio é aceitar essa simplicidade — e, talvez, essa aceitação seja a liberdade suprema.
Na vida, tudo demais quer existir,
mas é preciso saber reverter,
transformar, como arte de ofício,
e buscar o que liberta, que alivia.
Pessoas de vida, pessoas de morte,
uns merecem pérolas, outros não,
como diz o provérbio:
não jogue pérolas aos porcos.
Mas há quem, em sua total apatia,
não mereça poemas, nem flores,
tão imunes ao amor, tão cegos nos desamores,
que não aplaudem, não batem palmas.
Essas pessoas não devem ser tratadas bem,
mas ainda assim, tratamo-las com gentileza,
porque nossa conduta não é deste mundo,
falamos do belo, mostramos o que é puro,
mesmo que o mundo fique mudo.
A minha maldição é ensinar poesia aos brutos,
filosofia aos estúpidos, amor aos indultos.
Amor em forma de indulto, talvez,
não sei, só sei que o gesto de amar
se faz com quem sabe receber.
E quem não sabe, recebe o silêncio.
VEJO A VIDA PASSAR PELA JANELA
Todo dia, sobretudo à noite, tenho a impressão de que a vida escorre pela janela. Não como um acontecimento brusco, mas como um escoamento sutil — uma espécie de adeus cotidiano que ninguém percebe, exceto quem aprendeu a olhar.
É pela janela do meu quarto que observo a lua — testemunha antiga dos meus poemas, cúmplice dos versos que escrevi para minha amada, esposa, musa. Foi ali que derramei palavras como quem tenta deter o tempo. Foi ali também que vi meu gato desafiar o espaço, se equilibrando entre o vidro e a rede de proteção, como se pressentisse que a vida, afinal, é esse jogo instável entre o risco e o repouso.
Às vezes me pego contando os dias. Não com a ansiedade de quem espera, mas com a lucidez de quem sabe que tudo se esvai. Como quem vira páginas em um calendário invisível, um calendário metafísico onde cada dia é uma página escrita com o que não vivi plenamente.
E então me pergunto: será que me resignei diante da finitude? Ou apenas me acostumei a contemplar, a escrever, a esperar? Me tornei íntimo da lua, confidente das madrugadas, contador de silêncios. Talvez tenha aceitado que a vida não se segura — apenas se observa. Como quem sabe que o tempo não espera por ninguém, mas pode ser tocado, por um instante, no gesto de olhar com atenção.
A cada noite, sinto que estou escrevendo — com meu corpo, com minha espera, com meus olhos voltados à lua — uma lenta despedida.
Fragmento de Alguém
Não há começo.
Há restos.
O que ficou depois que a vida passou
e os olhos ficaram presos à janela.
Não é nome o que se carrega,
mas marcas —
de amores que queimaram antes de aquecer,
de palavras ditas tarde demais,
de silêncios que falaram por nós.
Já se imaginou inteiro,
quando a juventude ainda ardia
e alguém dizia que o tempo era um engano
e amar, uma vertigem sem rede.
Depois, aprendeu a ternura dos gestos mínimos.
O chá servido com mãos que tremem,
a música baixa que cobre a ausência,
o toque que não exige, mas ampara.
Não se busca memória.
Busca-se não sumir.
Não se deseja contar,
mas apenas soprar os cacos
de quem ainda respira entre ruínas.
Não se sabe terminar.
Nem os versos.
Nem os dias.
Nem a si.
