Terra
Ah, saudade! quantas vezes já lhe disse que hoje não era uma bom dia para você me visitar? volte outro dia. /i
era para ser somente um sonho.
era tudo uma brincadeira,
uma mentira qualquer...
onde mais e com quem mais a não ser com você?
mas a mente valente, dominou o coração inocente,
calou a saudade, soltou as correntes e nem olhou para trás; partiu!
quem ficou, ficou esperando sem acreditar que fosse de verdade, mas era quase tudo verdade, mesmo brincando de "brincadeira". /i
.....é um roubo levar as lembranças embora.
elas não nos pertencem. sozinhas não sobrevivem, não têm vida...morrem. /i Ivo Terra Mattos.
(Já postado algumas vezes)
...e eu nem tive tempo de agradecer. Quem sabe um dia..
Em frente a pracinha, havia um cinema; Cine Rios.
Nos intervalos das "engraxadas' (eu era engraxate. Iniciante) eu ficava na porta no cinema e viajava naqueles painéis de fotos de "mocinhos e bandidos". Depois ficava esperando a matine de domingo, quando, então, aconteciam aquelas batalhas do "bom contra o mau". O "mocinho bom" sempre vencia. No fim do filme sempre tinha a continuação dos seriados intermináveis, que deixavam um suspense no final. Acho que era para a gente voltar no próximo domingo. Perto do cinema havia uma sorveteria . A mais linda do mundo. (Eu só conhecia aquela) Os sabores dos sorvetes eram homenageados nos painéis(desenhos) que ficavam expostos nas paredes. Eu viajava naqueles sabores. O meu preferido era o banana splits, mesmo não conhecendo o sabor. Gostava da imagem.
O dono da sorveteria classificava os meninos que podiam ou não entrar no recinto, lógico, pela aparência. Como eu era um dos que não podiam entrar, o negocio era ficar olhando pelo lado de fora e imaginando. E foi ali, naquela sorveteria, que um dia, um homem bom, usando botas e chapéu de boiadeiro, mandou que o homem ruim, servisse o melhor sorvete (aquele da foto que eu estava admirando banana split) para aquele menino que não podia entrar na sorveteria. O que foi feito sem relutar.
Do outro lado da pracinha, tinha um bar que vendia umas balas com figurinhas de jogador de futebol, com direito a ganhar uma bicicleta, desde que você preenchesse um álbum imenso. Ganhar aquela bicicleta era quase impossível. Mas foi assim, que um dia, com 8 anos, eu comprei o salário inteiro do meu pai em figurinhas, mesmo ele não tendo álbum de figurinhas e nem ter ganhado a bicicleta. /i Ivo Terra Mattos
com o tempo a gente vai esquecendo
nem se lembra mais daqueles que tinha ascensão sobre nós, até porque, muitos, com o tempo, caíram.
eram tão incipientes que não tinham o discernimento da maldade
que praticavam.
não eram seres diferentes, somente achavam que eram, talvez culpa do meio que viviam.
não tínhamos acesso ao meio que eles julgavam serem os donos, se mais quiséssemos, nada mais era nos dado.
como nada tínhamos, éramos cobiçadores do pouco que eles tinham. com o tempo, vimos que aquilo não era nada perto do tudo que podíamos conseguir e conseguimos.
pobres separatistas que se multiplicavam entre si. pobre seres
ignorantes, desprezíveis, se vocês soubessem o mal que fizeram para muitos, teriam vergonha de serem chamados de seres humanos.
Um sábado de sol.
Trajeto na parte da manhã:
-Passar da casa do Dr, Cleon engraxar os sapatos dele. e saborear um doce de banana feito pela esposa dele. Sempre tinha.
-Grande Hotel. O professor Antônio deixava os sapatos do lado de fora para ser engraxados. Sempre pagava no próximo sábado.
-Vez ou outras engraxava as botas o seo Otávio, no açougue do seo Júlio.
-Um giro pela rodoviária olhando os ônibus imaginado um dia viajar num daqueles.
´-Uma passagem na farmácia do ikeda para me pesar e medir a altura.
-Uma olhada na camioneta que vendia mexerica ponkan, sempre sobrava alguma doação.
-Uma entrada sorrateira na sorveteria, na esquina, e esperar que o dono desse uma "colherada" tipo, assim: vaza.
-Ficar ouvindo musicas na sapataria Paraiso,
-Ver os painéis de filme do cine Rios.
-Chegar no ponto e esperar os "clientes" com suas botinas incrustada de barro.
-Na hora do almoço, esconder a caixa e a cadeira na prefeitura e descer para casa,
Na parte da tarde ia direto até as 18 h. Haja botinas e botas.
-Acho que eu era feliz assim. Gostava daquela felicidade, não conhecia outra
queria ter te amado
ter ganho um abraço
sentir orgulho de ser seu
mas você não me ensinou
seus olhos não me buscavam,
mas sua indiferença, sim
queria ter te beijado,
ter te abraçado, mas você nunca estava
queria ter te amado sem ser imitação
amar com o coração
mas você não me ensinou
nem sabia o que de fato eu era seu.
tudo teria sido diferente
não teria que ir me desfazendo de você
pelos caminhos.
não teria tido tantos pesadelos e tantos medos.
tantas perguntas e tantas angustias.
você poderia ter sido meu amigo de fato. /i Ivo Terra Mattos
se eu pudesse ler seu silêncio..
entenderia seu sofrimento. abraçaria você com tanta força que ficaríamos um só. aí, então, eu poderia amenizar as suas dores e se fosse necessário, eu ficaria com elas para mim. /i
as velhas lembranças, iguais raízes, se esparramam pela
nossas memórias. se agarram, se entrelaçam e vão ficando
quase como se fossem uma planta só.
São cheias de momentos de felicidades, de dúvidas, de lutas ganhas, outras perdidas.
Tempos de alegrias simples, de futuro presente.
talvez você seja maior do que seu próprio designo.
humilde, se deixou moldar pelas almas dos bons ao seu redor.
você é um ser verdadeiramente diferenciado.
que bom que você está próxima de nós!
Feliz Aniversário. Roseni, Amamos você, sempre..
às vezes, quando você menos espera,
elas fogem pelas lágrimas.
são as saudades segregadas que nunca se foram.
saudades injustas, solitárias.
bastaria, talvez, um abraços de adeus, para ter um fim, para que se fossem para sempre.Ivo Terra Mattos
hoje fico espreitando meus sonhos que ainda sorriem junto a você brincando de heróis imortais,
pulando pedaços de memorias tristes,, fingindo esquecimento.
nem percebi,
foi muito rápido
ainda ontem chovia nos verões e perfumava sua terra vermelha,
no inverno havia aquela fumaça branca que saia das suas entranhas e molhava nosso rosto de criança.
O velho Agenor.
Conheci o a Agenor há uns dez anos.
Na verdade ele foi adotado, tipo assim, amor a primeira vista. Ele era de um casal de amigos; Selma e Zanotti.
Quando o conheci ele estava morando numa garagem com outros elementos, de estirpe diferente, ele era o único de sua raça.
A primeira coisa que fiz foi comprar umas roupas novas e também novos sapatos. Tanto as roupas como os sapatos, esses ortopédicos, foram substituídos por modelos mais condizentes com a idade dele. Por falar em idade tive que fazer algumas intervenções cirúrgicas. Seus joelhos foram operados e receberam novas cartilagens. Os olhos, já apresentavam sinais de cataratas e foi necessários a colocação de lentes corretivas.
Por ter ficado muito tempo se alimentando mal, foi necessária uma lavagem estomacal completa. Com essas atitudes o Agenor remoçou alguns anos.
Seus dias passaram a ser mais tranquilos, agora com um lugar somente para ele e com alguns passeios à tarde e finais de semanas. Mas como nada é eterno ocorreu uma mudança de destino novamente, o Igor, meu filho, adotou o Agenor como se dele fosse o que acabou se concretizando. Dado o carinho e cuidados que ele tinha passei a guarda do Agenor para ele.
Eu tenho um sobrinho, Fernando, que mora em Belém. Num de seus passeios por Santa Catarina ele conheceu o Agenor, já o conhecia de fotos e de ouvir falar, mas ainda não tinha visto ele pessoalmente. O Fernando se apaixonou pelo Agenor e tanto insistiu que o Igor passou a posse para ele, mas logo se arrependeu e o Agenor voltou para ele. Mas a saga continuou e houve uma segunda tentativa, aí não deu retorno e lá se foi o Agenor morar em Balneário Camboriú. Coube a mim leva-lo. Numa manhã pegamos a estrada, eu ele e o chicão. Quando o Agenor sentiu que estava numa estrada, se transformou. Rejuvenesceu uns quarentas anos. Parecia um foguete alado. Passava todos aqueles pangarés. Buzinava, dava sinal de luz pedindo passagem, ultrapassava pela esquerda, pela direita, uma festa só, mas depois de uns 80 quilômetros veio a canseira, acho que falta de ar e tivemos que parar. Tomou água, descansou e continuamos a marcha. Chegando em Balneário deixei ele na sua garagem, bem moderna por sinal, e ali ele ficou descansando da viagem, afinal foram oitenta quilômetros de aventuras.
Mudanças de planos: por acumulo de bagagens e de passageiros o Agenor teve que retornar para Joinville para ajudar no transporte,, a mais ou menos cinco quilômetros da minha casa, outro incidente: por falta de alimento o Agenor não aguentou chegar até o destino. Depois de alimentado, concluímos o percurso. Um mês depois voltei para Balneário, agora definitivo. A viagem igual as outras. Quando ele se via na estrada se transformava. A velocidade tinha que ser controlada se não era multas e mais multas por excesso.
Dessa vez havia, no prédio, mais uma moradora junto à sua garagem: uma mercedinha (paquitinha) linda. Claro que o Agenor, por ser um senhor, teve todo o respeito em dar à ela a parte frontal da garagem, ficando ele, com o fundo. A semana retrasada eu estive com ele. Levamos os dois no salão de beleza para fazer uma limpeza de pele e dar um passeio na nova orla de Balneário, diga se de passagem; linda.No lugar que ficava a paquitinha havia uma marca de sujeira no piso. Liguei para o meu sobrinho e disse que a paquita estava fazendo xixi no piso, Sabe o que ele me falou? Que era do Agenor; O Agenor, mesmo sendo um senhor, jamais faria aquilo, e outra coisa, ele não tem incontinência urinária. Eu disse a ele, mas ele não acreditou. Na despedida do Agenor, senti uma tristeza no seu olhar, agora não mais opacos, pois foi operado da catarata. Tive a impressão que ele sabe que vai passar por umas interversões traumáticas. Meu sobrinho vai trocar o coração dele, Vai colocar um mais potente, fazer um transplante de pulmões e colocar sapatos esportes. Ah, e novas lentes de contatos para enxergar mais longe.
Infelizmente não posso interceder. Só posso desejar boa sorte e que tudo corra bem. Ivo Terra Mattos
Vivi num tempo certo.
No tempo que me pertenceu
Por muitas vezes estive à deriva
Levantei, aplumei e continuei
Sei que em muitas quedas, me levantaram.
Em algumas me feri, assoprei a ferida, mas não esmoreci.
Fiquei longe de quase tudo do pouco que eu tinha e tive que deixar.
Não negociei com o destino, aceitei e deixei o vento ir na frente, sempre me desviando dos retornos.
Ainda não cheguei no fim, não tenho discernimento para questionar o mistério da vida se é que existe mistério para viver. Ivo Terra Mattos
Não importa o tamanho do buraco em que você esteja. Pense que, por enquanto, ainda não há terra em cima.
Morro antes da minha hora e meu corpo será devolvido à terra e devorado por vermes. Que insondável abismo entre minhas desgraças profundas e o eterno Reino de Cristo! Admira-me que, enquanto os sonhos ambiciosos de minha pessoa e os de Alexandre e os de César sumiram no ar rarefeito, um camponês judeu - JESUS - seja capaz de estender as mãos através dos séculos, e controlar os destinos de homens e nações.
Um dia você vai parar pra se perguntar, não somente por que a terra é azul, ou como as crianças nascem, e sim, por que você existe. Vai pensar na vida como se fosse um filme, e fará planos, que talvez, não serão lembrados. Vai pensar no porquê de toda vida. E por quê?Um dia você vai se perguntar por que você errou. Por que você acertou. Por que você aprendeu. Vai perceber que o tempo não se controla, e perguntar se houvesse uma segunda chance, como seria. E, por mais que pareça que foi tudo em vão, um dia você vai lembrar de cada coisa errada, como tivesse sido tudo certo. Não vai importar que você de sua vida por uma pessoa, simplesmente ela pode não querer isso. Vai achar que tudo tem um preço, mas tudo tem é um valor. Vai amar e odiar a mesma pessoa. Vai querer morrer, e vai querer viver mais. Vai se perguntar o porque de gostar. O porque de amar. Vai rir das coisas que passou, vai rir de como você era, de como você é, e de como você pensa ser. Vai querer mudar de nome. Vai querer ser outra pessoa. Vai perceber que você mudou muito, ou que você sempre foi a mesma pessoa. Vai querer entender o que te faz feliz, quem te faz feliz, e porque te faz feliz. Vai achar pessoas, perder pessoas, amar pessoas, esquecer pessoas, e ver que você é uma pessoa também, que pode ser achada, perdida, amada e esquecida. Vai querer voltar atrás, ou andar a dois passos de cada vez. Vai querer rir com vontade de chorar, chorar com vontade de rir. Vai acreditar, e desacreditar. Vai se perder em sua própria vida. Vai arriscar, mesmo sabendo das conseqüências. Vai deixar de tentar por medo. Duvidas. Vai se arrepender. Vai querer voar. Vai querer sumir, se mudar pra outro país. Vai querer recomeçar, mesmo nunca tendo começado. Vai fazer planos com outra pessoa, mesmo ela nunca ter feito parte disso. Vai depender de alguém. Vai pedir ajuda. Vai perder o orgulho. Vai perceber que mesmo sendo sempre a mesma pessoa, você nunca é você mesmo. Vai entender porque mudar é bom, porque tentar ajuda a ser feliz, porque arriscar perdoa as duvidas, porque você simplesmente existe. Sua vida nunca será sempre a mesma. Vai entender que de um dia pro outro tudo pode mudar, sim. As pessoas podem esquecer você, podem lembrar de você. Você vive, você existe, e isso tudo faz parte. Um dia você vai se perguntar porque você se pergunta. Por que você deixou de agir, por que é tudo assim? POR MAIS QUE NÃO PARECA , NADA É EM VÃO . TUDO UM DIA FAZ SENTIDO , POR MAIS TARDE QUE SEJA
