Termino de um Amor Proibido
Precisamos saber esperar Deus agir e, outras vezes, precisamos entender quando é a nossa vez de agir.
Afinal, tem momentos em que o que é impossível Deus faz e o que está ao nosso alcance é que fazemos.
Fácil é desistir daquilo que você ainda planejou e, quando passam os dias, vem o arrependimento daquilo que você não tentou fazer.
Nunca vamos saber se vai dar certo se não tentarmos fazer o que planejamos.
Não permita que controlem a sua vida, não dê espaço para que os outros invadam a sua alma. Esse território é seu e somente você é capaz de delimitar essa área. Faça do seu interior um altar sagrado e convide apenas quem você tenha certeza de que irá respeitá-lo. Quando houver o sacrilégio, expulse. Preserve sua intimidade, seus valores, seus desejos, o seu eu., EXCELENTE SEGUNDA FEIRA!, COM DEUS NO CONTROLE SEMPRE!!!
Cidade pequena tem dono!
Quem não é dono, é parente...
Quem não é parente, é compadre...
E todos pescam no mesmo rio.
Tem boca que fala bonito,
Tem boca que beija bem.
Tudo junto, é raro...
Mas porque tens,
Me cala fundo!!
A nossa liberdade está em nossa consciência, já que, por si sós, somos apenas matéria como qualquer outro objeto. Embora feitos de matéria, entendemos as nossas limitações e através do conhecimento, conseguimos trabalhá-las, modificando, até certo ponto, os sinais de pontuação que a vida impõe em nossas histórias. Não criamos as regras do jogo, mas aprendemos a usá-las a nosso favor; afinal, a mesma água que nos afoga é a que nos mantém vivos e o mesmo fogo que aquece é o que queima.
Isso nos leva a questionar a própria origem de nossas ferramentas. O termo "natural" é definido por boa parte dos dicionários como "aquilo que pertence ou é regido pelas leis da natureza". Por sua vez, a natureza é descrita como "o mundo material, especialmente aquele em que vive o ser humano e que existe independentemente das atividades humanas". Ocorre que, de certa forma, o ser humano, em sua essência, é algo que provém da natureza. Inclusive o cérebro, responsável por criar tudo o que é classificado como artificial, foi criado de maneira natural e é regido pelas mesmas leis.
Embora o cérebro tenha a capacidade de idealizar, tudo aquilo que é materializado deve seguir as leis da física; portanto, da mesma forma que tais leis regem o cérebro humano, regem também suas criações e manipulações. Onde surgiu, então, a diferenciação do que é natural? Se as leis da natureza são as mesmas que regem os seres humanos e suas criações ditas "artificiais", o conceito de natural seria ele próprio artificial?
Além do mais, o cérebro humano se enquadra nas características de "natural", visto que ele seria independente da atividade humana? A menos que ele materialize — ou melhor, que seja o princípio da atividade humana, o que é razoável supor. Pode-se dizer que o ser humano é fruto da reprodução de outros dois seres humanos, o que encerraria a questão biológica imediata; todavia, nem sempre foi assim. Sabemos que nem sempre existimos e que não somos eternos. Em algum momento, algo não humano originou o ser humano. Esse "algo", por definição, faria parte da natureza? Se sim, a consciência que nos dá liberdade é, no fim das contas, a própria natureza manifestando-se contra suas próprias limitações ?
MABUJES
No deserto quando eu era menino
Uma voz bem ao longe sussurrava
Que a verdade não estava no destino
Mas em cada passo que eu dava.
Cresci sobre dunas de areia
Aprendi com a observação
Segui a luz que clareia
Na candeia da intuição.
Vi homens brigando por certezas
Que julgavam ser a única verdade
E outros chorando de tristeza
Por terem confiado em falsidades.
Não estão no fim da jornada
As respostas que tanto procuro
Elas estão nas várias pegadas
Que deixo nos longos percursos.
E a voz que me chama
É o outro eu que reside
No âmago das entranhas
Que minha mente não atinge.
Vi impérios desmoronarem
E o poder deixar os poderosos
Vi pessoas se digladiarem
Por conceitos religiosos.
Servi sem esperar recompensas
Ouvi opiniões contraditórias
Aprendi sobre os pais das crenças
E sobre personagens da história.
Mas foi no templo do silêncio
Que encontrei as respostas
Aos muitos questionamentos
Que pesavam em minhas costas.
A luz que o peregrino
Anseia encontrar
Só estará no destino
Se lá ele a colocar.
O viajante que junta azeite
Nos trajetos que permeia
No destino encontra deleite
Ao ver brilhar sua candeia.
Limpe o vidro do espelho
Até que ele consiga
Revelar o ser mais belo
Que seu interior abriga.
E caso ele se quebre
Não interrompa a viagem
Porque o que ele reflete
Vai além da sua imagem.
Ele exibe o outro eu
Que sua essência ilumina
E que o liga a Deus
Por ser centelha divina.
Não no fim, mas no caminho
Está a chance de redenção
Para quem nos pergaminhos
Anota sua evolução.
Se a noite roubar as cores
Das flores que você plantou
Deixe o sol devolver às flores
As cores que a noite roubou.
Seja guia e inspiração
Para quem caminha a esmo
Porque no fundo todos são
Peregrinos de si mesmos.
Eduardo de Paula Barreto
02/04/2026
É no errar e reconhecer, que muitas vezes se encontra o norte da vida.
Quem julga que não erra, jamais o achará.
É preciso ferir os pés nas pedras do caminho e as mãos nos espinhos da vida, para sabermos quanto custou uma pequena fatia de felicidade.
ÁGUA NOSSA
Água nossa, que estás na terra,
Vivificado seja o teu nome,
Venha a nós o teu manancial,
Seja feita a nossa vontade
Assim sempre neste mal.
A água pão de cada dia nos dai hoje.
Perdoa-nos os crimes cometidos
Contra a natureza-mãe,
Que nós não sabemos perdoar
Aos ofendidos;
Nunca nos deixes sem uma gota
Que seja do teu bem.
............................................
E o povo rezava e o mundo orava
Aos deuses da água...
Mas a água não não veio.
Voltou o povo a rezar e o mundo a orar
Às luas das águas...
Mas as águas fugiram.
Então, o povo e o mundo não rezou mais!
Vieram todos e choraram,
Carpiram ao mesmo tempo
Em louco lamento...
Depois, a terra seca
Ficou inundada de água
Das lágrimas caídas
Vertidas
Pelo povo infecundo
E pelo mundo.
Amém!
(Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 16-08-2022)
“QUANDO AS GALINHAS CANTAVAM ÓPERA
Linda, a pastora penuda que comigo ia,
Calcorreando tão verdíssimos prados,
A pastar o gado da nossa fantasia,
De beijos, abraços e mais pecados.
E assim, lá íamos amantes babados,
Por entre folhagens e flores silvestres,
Almas puras, anjos sem pecados,
A não ser os fatais, dos terrestres.
Tudo era céu e luz brilhando,
Em piruetas de paixão vivida,
No colar de dois corpos, amando.
Oh, mas que cruel sina de vida!
A nossa, galo e galinha pastando,
Sem dentes para erva ressequida.
(Carlos De Castro, in Poesia num País Sem Censura, em 19-08-2022)”
SEGREDOS NA LUA CHEIA
Sempre vos quis segredar, ontem.
Antes que fosse anteontem.
Mas ninguém me ouviu.
Hoje, ouçam ou eu me agasto:
Fui feito da pedra de um crasto,
Minha mãe era a lua cheia
Meu pai era o brilho do sol
E desse amor, eu vim à boleia
Nesta estrada em caracol.
Segredo, guarda-se em cofre
Que tenha o coração ardente,
Se o não for, o confessor sofre
As penas de um ser demente.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2022)
Habituei-me de tal maneira às acidezes da vida, que hoje quando me querem dar a cheirar e degustar outras coisas revestidas de doçuras, eu, categoricamente, rejeito-as em nome da minha coerência.
EM MIM
Só agora, no fim, serei
O ser que não fui,
Porque errei no escolher
Da sorte, por não saber
Que ela só flui
A quem tem a coragem
De viver,
Sem querer entender
Se a vida é quadrada
Ou redonda
Como o mundo
Profundo
Entre a areia dourada,
A terra e o mar
E aquela onda malvada
Que nos arrebatou
E na tragédia nos levou,
Para um poço sem fundo.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 15-10-2023)
