Tenho um ser que Mora dentro de Mim

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Quando o poder precisa escolher entre ser amado e ser temido, a prudência política reconhece que o medo pode ser mais previsível que o afeto, desde que não se transforme em ódio.

Quem pretende exercer ou conservar poder precisa compreender menos aquilo que os homens dizem ser e mais aquilo que seus interesses, medos e ambições revelam que são.

A política não pode ser compreendida apenas pelas leis escritas; é preciso conhecer também os seres humanos que as interpretam, obedecem, contornam e utilizam na disputa por poder.

Quando o Estado acreditar conhecer toda a verdade, a liberdade começará a ser tratada como erro.

A máquina aprenderá a imitar o homem muito antes de o homem compreender o que significa ser humano.

O conhecimento é poder porque aquilo que compreendemos deixa de ser apenas acontecimento e passa a integrar nossa capacidade consciente de transformar a realidade.

Uma existência sem exame pode ser longa, produtiva e socialmente admirada; ainda assim, pode jamais ter sido verdadeiramente vivida.

A democracia necessita de cidadãos capazes de enxergar o outro como ser humano, inclusive como sujeito de direitos.

Uma sociedade pode ser economicamente rica e, ainda assim, privar seus cidadãos de capacidades fundamentais reconhecidas pelo Direito.

Uma decisão legítima não é simplesmente aquela tomada pela maioria, mas aquela que pode ser justificada perante os cidadãos e compatibilizada com o Direito.

A história das ideias também pode ser uma história das formas de controle exercidas por instituições.

A justiça não pode ser reduzida inteiramente à aplicação mecânica de uma regra.

A hospitalidade verdadeira começa quando o outro não pode ser completamente controlado pela norma.

A ética não deve ser limitada às fronteiras da própria espécie, embora o Direito ainda organize grande parte de sua proteção em torno da pessoa humana.

Quanto maior o poder do Estado para classificar uma informação, maior deve ser a responsabilidade jurídica sobre os limites dessa classificação.

Há informações que precisam ser protegidas para preservar a segurança do Estado; há outras que apenas permanecem ocultas porque o Estado se acostumou ao silêncio.

O fenômeno pode permanecer inexplicado; o fundamento jurídico do sigilo, porém, precisa ser explicável.

A experiência consciente possui uma dimensão que não pode ser reduzida facilmente à descrição externa, questão relevante também para o Direito da pessoa.

O fato de uma vida ser vivida por alguém importa moralmente e pode fundamentar a proteção jurídica da dignidade.

Perguntar o que é ser alguém é também perguntar o que significa possuir uma perspectiva juridicamente protegida.