Tenho um ser que Mora dentro de Mim

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Quando uma afirmação religiosa sobre o mundo físico pode ser testada, ela entra no território da ciência; quando não pode, sua avaliação exige outra linguagem epistemológica.

A evolução não necessita de aprovação religiosa para ser investigada, assim como a liberdade religiosa não necessita de aprovação científica para ser protegida.

Quando o Estado se torna religioso, a fé deixa de ser apenas convicção e começa a adquirir poder de coerção, enquanto a dúvida agnóstica pode transformar-se em suspeita política.

O Estado laico não precisa decidir se Deus existe para decidir que ninguém pode ser perseguido por acreditar, não acreditar ou admitir honestamente que não sabe.

O Estado laico não declara que todas as religiões são verdadeiras; declara que nenhuma pode ser juridicamente obrigatória, deixando em aberto a própria questão metafísica que o agnosticismo se recusa a encerrar artificialmente.

O que significa ser humano quando podemos criar máquinas que imitam aspectos da consciência humana?

Como o ser humano constrói significado sabendo que sua existência é limitada?

O que acontece com o Direito de Família quando casamento deixa de ser a principal estrutura de intimidade e a inteligência artificial passa a oferecer formas de companhia?

A consciência é o território onde o ser humano descobre que também pode ser estrangeiro de si mesmo.

A saudade é a forma que a ausência encontra para continuar habitando o ser.

Toda intimidade exige a coragem de permitir que outro ser contemple nossas imperfeições sem a máscara da autossuficiência.

Há quimeras que, cultivadas com lucidez, deixam de ser fuga e tornam-se direção.

O tempo é o escultor absoluto: retira de nós aquilo que julgávamos ser e revela aquilo que conseguimos permanecer.

O homem começa a ser livre quando ousa perguntar se os valores que recebeu merecem continuar governando sua vida.

“Onde o poder transforma o ser humano em instrumento, o Direito deixa de ser apenas norma e passa a ser o último território da dignidade contra a arbitrariedade.”

“A liberdade começa quando o homem deixa de ser objeto das vontades alheias e se reconhece como fim em si mesmo; o Direito existe, em sua forma mais elevada, para impedir que qualquer poder lhe retire essa condição.”

A dignidade começa quando o ser humano deixa de aceitar que qualquer pessoa possa ser reduzida à condição de instrumento.

A moralidade começa quando o interesse particular encontra uma lei que poderia ser reconhecida mesmo por aqueles que não compartilham de nosso interesse.

A consciência moral é talvez o lugar onde a liberdade deixa de ser abstração e começa a adquirir responsabilidade.

O esclarecimento começa quando a autoridade deixa de ser argumento suficiente para uma consciência que aprendeu a perguntar.