Tenho um ser que Mora dentro de Mim

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O prazer de ser engraçado vale por si mesmo.

Tudo o que pode ser pensado existe. Todas essas músicas, pinturas, esculturas, desenhos, histórias, foram criadas por pessoas nas quais a sensibilidade permitiu que visitassem outros mundos, que, agora, existem.

Leve


No mundo, todos podem ser poetas. Vão produzir poesias com ideias comuns, como são as pessoas comuns, que nunca se aprofundaram nas rimas. Isso eu pensava sentado à mesa do bar, comendo um bolinho de batata, acompanhado de um suco de melancia. Existiria uma situação mais adorável? Eu tentava, em vão, me convencer de que havia algum motivo para que eu saísse dali e fosse para casa. Em outro lugar, em qualquer lugar é a mesma coisa: onde eu estou é a perfeição, não há a necessidade de esse ir e vir interminável. É aqui que eu estou, carregando a minha felicidade para toda parte.

O dia se repete infinitamente, a não ser pelos pontos chaves, em que podemos modificar o looping. Para saber quando mudar, isso só usando a intuição.

Como pode ser surpreendente a realidade, se, neste instante, estamos lhe criando os pressupostos?

Qual é a verdade da lógica dos sons? O que as cores têm a ver com a verdade? Ser escritor é mentir sempre, é criar a realidade. Ser artista é tornar pública uma visão pessoal.

É preciso, antes, ser medíocre, se atolar no lamaçal, sofrer pelas falhas, caminhar sem rumo, cultivar o desespero. É preciso chorar até que ser sequem todas as lágrimas. Assim, talvez, um dia, se possa recuperar a humanidade que perdemos nesses dias.

É possível ser genial sem fazer nada.

Eu sou anterior à ilusão, por isso sou livre. Eu venho do nada, por isso não posso ser determinado.

Ser genial é fazer as coisas da maneira mais simples e fácil possível.

O Que Te Faz Ser Você?

O que te faz ser você?
Não estou perguntando o seu nome.
Seu nome foi escolhido por alguém antes mesmo que você pudesse escolher qualquer coisa.

Também não estou perguntando sua profissão, sua idade, onde nasceu ou aquilo que conseguiu conquistar.
Estou perguntando algo mais difícil:
quando retiramos tudo aquilo que pode ser retirado de uma pessoa, o que permanece?
Talvez você responda:
“Minhas lembranças.”

Pode ser.

Somos profundamente feitos de memória.
Existe em nós a criança que fomos, mesmo quando ninguém mais consegue enxergá-la.
Ela ainda aparece em alguns medos inexplicáveis, em certas alegrias repentinas,
no cheiro de alguma comida, numa música antiga, numa fotografia esquecida dentro de uma gaveta.
O tempo envelhece o corpo, mas existem lugares dentro de nós onde o relógio nunca conseguiu entrar.

Talvez você seja também as pessoas que amou.

Porque ninguém passa verdadeiramente pela nossa vida sem deixar alguma coisa.
Há pessoas que nos ensinaram a amar.
Outras nos ensinaram a desconfiar.
Algumas nos mostraram a beleza da permanência.
Outras nos ensinaram, dolorosamente, o significado da ausência.
E assim vamos sendo construídos.
Um pouco pelas mãos que nos acariciaram.
Um pouco pelas mãos que nos feriram.
Um pouco pelos abraços que recebemos.
E muito pelos abraços que esperamos e nunca chegaram.

Mas ainda não é suficiente.

Porque, se fôssemos apenas aquilo que aconteceu conosco, seríamos prisioneiros da nossa história.

E não somos.

Existe alguma coisa extraordinária no ser humano:

podemos escolher o que fazer com aquilo que fizeram de nós.

Talvez seja aí que comece verdadeiramente aquilo que somos.

Você não escolheu todas as suas feridas.

Mas escolhe, todos os dias, se permitirá que elas firam outras pessoas.

Não escolheu todas as despedidas.

Mas pode escolher continuar amando mesmo depois de conhecer a dor da ausência.

Não escolheu todas as quedas.

Mas pode decidir se permanecerá no chão ou se transformará a cicatriz em aprendizado.

Por isso não somos apenas consequência.

Também somos escolha.

Somos aquilo que aconteceu conosco e aquilo que decidimos fazer depois.

Somos a resposta que demos à vida.

Talvez você seja suas contradições também.

A coragem que convive com o medo.

A fé que algumas vezes conversa com a dúvida.

A força que certas noites precisa chorar escondida.

A esperança que já pensou em desistir, mas amanheceu novamente.

Porque ser você não significa ser uma criatura perfeitamente coerente.

Significa carregar muitos mundos dentro do mesmo peito e, ainda assim,
continuar procurando um caminho entre eles.

Você também é aquilo que ama quando ninguém manda amar.

Aquilo que defende quando não existe recompensa.

Aquilo que faz quando ninguém está olhando.

As pequenas escolhas silenciosas dizem muito mais sobre uma pessoa do que os grandes discursos feitos diante de uma multidão.

Talvez caráter seja justamente aquilo que permanece quando desaparece a plateia.

Mas existe algo ainda mais profundo.

Você também é aquilo que procura.

Há pessoas que passam a vida procurando dinheiro.

Outras procuram reconhecimento.

Algumas procuram poder.

Outras procuram paz.

Há quem procure respostas.

Há quem procure perdão.

Há quem passe uma existência inteira procurando uma casa que talvez não seja feita de paredes,
mas de alguém diante de quem finalmente possa dizer:

“Aqui eu posso ser eu.”

Aquilo que procuramos revela muito sobre aquilo que somos.

Porque nossos desejos são espécies de bússolas secretas.

Eles apontam para lugares que nossos discursos nem sempre conseguem confessar.

E você também é suas perguntas.

Talvez até mais do que suas respostas.

As respostas envelhecem.

As certezas mudam.

As convicções amadurecem.

Mas existem perguntas que atravessam uma vida inteira:

Quem sou?

Por que estou aqui?

O que realmente importa?

A quem amei?

Quem amou melhor porque me conheceu?

O que deixarei quando partir?

Talvez viver seja passar anos tentando responder essas perguntas e descobrir, perto do final,
que o importante nunca foi terminar o questionário.

O importante foi a pessoa em que nos transformamos enquanto procurávamos as respostas.

Por isso, quando pergunto:

O que te faz ser você?

Não me diga apenas onde nasceu.

Conte-me onde renasceu.

Não me fale somente das suas vitórias.

Conte-me sobre a derrota que mudou sua maneira de enxergar o mundo.

Não me mostre apenas suas fotografias sorrindo.

Conte-me sobre a noite em que chorou sozinho e, mesmo assim, levantou-se na manhã seguinte.

Não me diga somente quem você ama.

Conte-me como você ama.

Não me fale apenas da sua fé.

Conte-me sobre as dúvidas que precisou atravessar para chegar até ela.

Não me mostre apenas suas cicatrizes.

Conte-me o que elas ensinaram.

Porque talvez você não seja uma coisa.

Talvez você seja uma travessia.

Uma obra que nunca fica completamente pronta.

Uma história que continua sendo escrita mesmo quando acredita ter chegado ao último capítulo.

Você é um pouco de ontem.

Um pouco de hoje.

E também alguma coisa que ainda não existe, mas silenciosamente está tentando nascer.

Talvez por isso seja impossível responder definitivamente à pergunta:

“Quem sou eu?”

Porque enquanto houver vida, haverá transformação.

E enquanto houver transformação, haverá alguma parte de nós ainda desconhecida esperando ser encontrada.

No fim, talvez aquilo que faça você ser você não seja apenas o que recebeu da vida.

Nem somente aquilo que perdeu.

Nem seus acertos.

Nem seus erros.

É a maneira como juntou todos esses pedaços e decidiu continuar.

Você é aquilo que a vida escreveu em você.

Mas é também aquilo que, apesar de tudo, você decidiu escrever de volta na vida.

“Soneto das Estações do Ser”

Quando te encontrei, nasceu primavera,
Brotaram flores no deserto da alma,
E o verão chegou com luz sincera,
Trazendo ao peito a mais perfeita calma.
És tu a lua que nas noites impera,
Guia celeste que meu caos acalma,
Farol que brilha quando a noite era
O vazio onde morria qualquer balma.
Sem ti, não há ciclicidade ou fluxo,
Nem o tempo cumpre seu ofício eterno,
Perco outono, inverno, até o luxo
De sentir renascer no que governo.
És tu a roda que ao meu ser conduzo,
As quatro faces do meu próprio inverno.

Seja o Seu Próprio Porto


SeguroCostumamos ser juízes muito severos com as nossas próprias falhas, esquecendo que somos almas em pleno processo de aprendizado e evolução na Terra. Olhe para a sua trajetória com mais compaixão e menos julgamento. Você tem feito o melhor que pode com a bagagem que possui hoje. Quando as pernas pesarem ou o cansaço bater, em vez de se cobrar por perfeição, acolha as suas fragilidades com amor. Trate-se com a mesma paciência e ternura que você oferece com tanta generosidade aos outros.

A mentira precisa ser bem contada para sobreviver; a verdade, mesmo em silêncio, dura a vida inteira.

Tudo pode ser ensinado, mas nem tudo pode ser aprendido.

A coragem de ser autêntico atrai ataques; mas economiza a energia gasta fingindo ser outra pessoa.

O leão reina pela presença; quem precisa rugir para ser respeitado já perdeu o trono. Isso não é sobre leões.

O parecer traz aplausos, mas o ser traz paz; sobrevive quando o show acaba e a plateia vai embora.

Ser Designer é: Dominar a arte de criar o que só existe na mente, de quem ainda nem sabe o que quer.