Tem me Feito Tao bem
Nas profundezas
da América do Sul,
Se tornar um preso
de consciência tem
sido muito comum,
A prisão não escolhe
fardados ou paisanos,
Ela vem como uma
onda carregando
quem pensa diferente;
E neste Natal ainda há
um oceano de gente
sem hora da pena cessar,
As queixas são tantas que
tenho medo nelas me afogar.
Entra Natal e sai Natal
tudo tem se repetido,
Ninguém sabe quando
terminam as penas
de cada preso político,
A responsabilidade
por cada reclamo poético
sempre vivo assumindo.
Por utopia insistente
venho pedindo este
e os próximos Natais
com elevado sentido
de ter nunca mais
na vida presos políticos.
Não quero um Natal
repetido: com tupamaro
histórico perseguido e preso,
com professor desaparecido
com heróis reprimidos
e com culto a incoerência.
O quê tenho escrito
serve para mim, para ti
e para quem quiser tirar
proveito toda às vezes
que deixamos esquecido
o nosso protagonismo
independentemente
do grau de importância.
Porque enquanto houver
uma tropa inteira presa
e um General injustamente
preso por pensar diferente,
Onde quer que estejamos
estaremos presos sem
mesmo com que percebamos.
É honra da qual
me orgulho ter
nascido num país
que tem um Exército
que nunca
entrou em conflito
com nenhuma
outra Nação mesmo
que tal feito não
seja celebrado pelos jornais,
Mais valem homens
empenhados pela paz
nas fronteiras do que
deslumbrados pela guerra,
Às vezes faço eco
de reclamações
sobre quem tem
o poder de fazer,
Não para desafiar,
em sim para alertar:
E às vezes dar
até oxigênio para continuar,
Pois sei o quão
é difícil governar
quando cercado
de gênios difíceis
e o Império está
a desestabilizar,
O quê eu quero
mesmo desta vida
é só o heroísmo
poético de abrir
as portas da mente
para libertar quem
pensa diferente
que como o General
está preso injustamente;
Por isso de forma
íntegra e de cabeça
erguida que cada letra
íntegra que vem sendo
escrita são da minha total
responsabilidade
seja para falar dele,
da nossa América Latina
e recontar quantos
bolivianos foram
abandonados em Pisiga
(pouco mais de oito centenas),
E juntos chorar nossas penas
rezar rosários para dissipar
as nossas desgraças
e existenciais sentenças.
Na Pátria do Condor
_terra de traições_
tem acontecido
rotineiramente o pior:
aprisionado civis,
militares e mantendo
um General preso
injustificadamente;
E como sempre
a tal rotina fazer
a nossa gente vítima
de mil conspirações.
Nesta quarta-feira
de trevas evidente
em tenebrae fomos
traídos por gente
que não se importa
se no final da história
sobreviveremos até
o final desta curva;
Se faltar respirador
será culpa da tua
omissão covarde
e do Senado da República,
Que por antecipação
o peito ecoará
como cantava o poeta:
- Que país é este?
A cada dia aqui
só ocorre aquilo
o quê me aborrece.
Em strepitus de infinita
preocupação,
Versos que são como
velas que de tristeza
pouco a pouco
vão se apagando na Igreja
por um continente
que não se une
pela própria sobrevivência,
e nem para libertar
os presos de consciência.
Esta noite não tem luar,
não tenho idéia
se o General
vão de fato libertar.
Esta noite não tem luar,
não tenho idéia
se a tropa
vão de fato libertar.
Esta noite não tem luar,
não tenho idéia
se os cidadãos
vão de fato os libertar.
Esta noite não tem luar,
não tenho idéia
se o velho General
vão de fato
revelar onde ele está.
Esta noite não tem luar,
não tenho idéia
só sei que faltam elas
e se de fato vão as libertar.
Esta noite não tem luar,
e estão todos
conscientes que
em casa vão ter que ficar
até o inimigo ser vencido
e a Pátria se reconciliar.
Medidas substitutivas
de liberdade para
a convivência política,
Nada tem a ver com
harmonia e tampouco
com justiça,
Pouco a pouco elas
têm sido concedidas.
Rodada parcial muito
distante do que é real,
Rodada ficcional
e conta-a-gota que
não tem alcançado
muita gente e o General
que se encontra
com o físico fragilizado.
Recordando a prisão
sofrida do General
no fatídico treze
de março há mais
de um ano e meio
em meio a uma
reunião pacífica,
Da audiência preliminar
ninguém tem notícia,
ela sequer ocorreu.
A loucura saudosista
da época ditadura
anda a solta
neste continente,
Tem gente que pensa
que é gente fazendo
piada para invocar
a volta da censura,
Como não sabem
se comunicar
querem um AI-5 digital
de brincadeirinha,
No meio de tantos
jogos de ironia
há algo que se esforçam
para nos ocultar
de forma sobrenatural,
Pouco a pouco querem
nos acostumar aquilo
que não pode ser
chamado de natural.
Cai a noite,
e não com
o peso igual
de um mosquito,
porque ela não
tem sido leve;
No entanto,
o vestígio
está no corpo
do General
que de febre,
e de dores padece
sem saber
se é dengue
clássica
ou hemorrágica.
As estrelas do
dia quatro
de fevereiro
despencaram
no dia treze
de março,
Há mais de
um ano e meio.
Ou seja mais
uma amostra
desta tragédia
autoritária,
Um trato brutal
da inteligência
a inteligência
sem igual;
É imperdoável
o quê andam
fazendo tanto
com mais de
um General
colocando-os
em sufoco
para amedrontar
a tropa e o povo.
Cada poema
neste tempo
estranho tem
sido de minha
exclusiva
responsabilidade,
Todo o dia um
desentendimento
diferente vem
me corroendo
na integralidade:
Porque recobrar
um pouco de
lucidez para
uns parece um
crime de verdade.
O diálogo com
a minoria opositora,
Parece até que
abriu a famosa
'Caixa de Pandora',
Depois de tantas
farpas trocadas
lá para trás;
Tem sido tanto
tumulto que se
esqueceram
de libertar
até os Generais.
Não que eu aceite
o rumo dos fatos,
Embora não tenha
Sei que não tenho
autoridade para
falar porque se
trata de uma
Pátria que nem é
um pouco minha;
Busco só entender
o quê se passa
por crer que
insistir em cultivar
a hostilidade vai
levar uma Nação
inteira na desgraça.
Toda a pena
tem um início,
e um dia acaba,
conte-me
essa história
dos Guevara?
Dr. Mayora
retornou
a missão,
conte-me
da falta de
compreensão?
Ramo Verde
com visitas
suspensas,
como estão
os Comissários?
Em azul e branco
o quê se passa
na Nicarágua?
Depois do Exército
a GNB é a força
que tem mais
militares
prisioneiros,
conte-me...
Rondônia
em chamas,
não se sabe
o destino
da Amazônia,
Viver nesta
América Latina
é morrer
de medo
e de insônia.
Não aprovo
o uso do nome
do General
como escudo
dos receios
e caprichos
pessoais,
Ele está
injustamente
preso;
Se eu tivesse
autoridade
para tal
só autorizaria
mesmo é
o uso poético,
e ponto final.
Me perdoa, me desculpa
e sinto muito,
mas alguém tem que
ter a amorosa franqueza
de tocar onde há aspereza.
Militares têm sido
expulsos e degradados,
escrevo para rogar
por eles e por um
General que foi
injustamente aprisionado.
A conta só aumenta,
e falta pouco para
alcançar a uma centena,
falta consciência.
Nem o heróico Tenente
não deveria ter sido
expulso por não
querer portar um
calabouço mental,
e denunciado
as torturas no sótão.
Lágrimas do Arco Minero
correndo pelo Orinoco,
derretimento amazônico,
e excede a ganância
pela nossa América do Sul
não quero e resisto
abandonar a esperança.
Dizem que há deserções,
que não estão unidos
e que estão submersos
em inconformações:
são sinais de que estão
faltando calma,
diálogo para tocar na alma
e ansiedade para a indomável
madrugada da reconciliação.
A cela do General
que está preso
injustamente
não tem janela,
não deixam
entrar ventilador
e lá está
quente como
a Amazônia
ardente pelo
fogo destruidor;
é um claro sinal
de que se estende
o quê é um horror,
e ele segue sem
acesso ao devido
processo legal.
Estranhos
estes tempos
modernos
estranhos,...
Abrem
e fecham
as asas
do condor.
Ah, Colômbia!
Não preciso nem
entrar em detalhes,
A tua política
perdeu o andor
desde o dia
que iniciou
a fazer
a Pátria Grande
conflitante.
Posso até vir
perdoar as
heranças dos
maus hábitos
oligarcas,
porque perdoar
é cristão,
mas o tempo
e a história
são diferentes:
ele(s) não.
Na voz do pequeno filho
que ainda nem tem
vocabulário para falar,
E assim sou a voz
dos que não
podem ter voz,
mas justamente
todos estes me têm;
Eis me aqui a reivindicar
junto a sua consciência
para que coloque toda
essa história no lugar,
Inclusive, sou contra o feroz
bloqueio que não deveria
nem ter começado,...
Cadê a liberdade
do General
que nem deveria
seguir aprisionado?
Enfim, superam cinco
centenas de discordantes
pelos cárceres,
os militares em mesma
situação há confronto
de cinco dados,
mas superam
a duas centenas;
Não dá para esperar
para trabalhar
por um país reconciliado.
Bandeirante
Doçura do Meio Oeste
que tem como símbolo
o Ipê que une o país inteiro,
És um rincão precioso
do meu Brasil Brasileiro.
O teu povo alemão e italiano
fez deste solo a Pátria infinita
lutando na lavoura e fixando
bandeiras onde buscou viver
unidos com os irmãos gaúchos.
Semeando Tradições
vai mostrando nas danças
que o teu sangue e o peito
seguem nos ritmos do tempo.
Bem próxima da Argentina,
filha dos tempos doces
e de conversa macia,
Eu amo a tua gente guerreira
e me orgulho de ser brasileira.
Cada letra poética minha
tem sido Inconfidente,
onde ninguém aprendeu
a lição e se valoriza
o pior para a nossa Nação.
Ninguém aprendeu a lição,
todo o peso dos poderosos
sempre é colocado
no lombo da população
e nos tornamos sem reação.
Ninguém aprendeu a lição,
todo o peso da injustiça
sempre é a vida mais
humilde que aqui se sacrifica.
Ninguém aprendeu a lição,
conspira-se, julga-se,
prende-se e se faz justiça
com as próprias mãos
criando sempre novos Tiradentes.
Ninguém aprendeu a lição,
por ingenuidade, comodismo
ou até mesmo ambição:
não sei o quê será desta Nação.
Ninguém aprendeu a lição,
viramos Tiradentes perpétuos
por omissão de quem teria
o dever de fazer e outros
são Tiradentes até sem perceber.
Ninguém aprendeu a lição:
Tiradentes perdeu a vida
por não querer mais a colonização,
e foi feito patrono civico da Nação.
Pelo amor que o céu
tem pela nossa união,
Pelo azul turquesa do mar
mais paradisíaco,
Jamais deixarei o orgulho
que sinto do nosso amor bonito.
Ainda se fala
sobre o dia
mais sombrio
do Exército,
Todo o dia
tem sido levado
um General
para ser detido
sem explicação.
A História vem
se repetindo,
como vocês
não querem
murmuração?
O General foi
preso porque
deu opinião,
e sobre
o paradeiro
dele não há
nenhuma
explicação,
Há mais
de 50 dias,
E você em
silenciação.
O General foi
arrancado
no dia 13
de março
no meio
de uma
pacífica reunião.
Todos os dias
irrazoavelmente
têm sido trágicos
para as tropas,
Não posso fingir
que não vi e me
eximir de falar
simplesmente,
Destes tristes
e outros fatos
do continente.
O General está
desaparecido,
Creio que não
esteja mais vivo,
Não há nenhuma
notícia de alívio
E não vou parar
de perguntar
até o encontrar.
O silêncio grita
alto nos ouvidos,
Dois Generais
e dois destinos
convergentes,
Ambos presos
injustamente
por proposital
falta de provas
para torturá-los
sistematicamente.
Tem a poesia própria
A exaustão do povo
Buscando uma solução.
Sem resposta insisto,
Continuo escrevendo
Para saber de você.
Tem a poesia própria
O mau líder que os alucina,
Estabelecida a tal covardia.
Sem notícias persisto,
Continuo escrevendo
Para saber aonde está você.
Tem a poesia retrógrada,
A eleição imposta,
Para mandar o sonho embora.
Quero saber
Se você está inteiro e vivo,
Pois já é passada a hora...
Não há nada que obriga
estes quatro versos
a rimar nessa instância
que tem doído no peito.
O silêncio só faz crescer
a indignação monumental,
a vizinhança já conhece
a ignorância constitucional.
Por nada nesse mundo
jamais irei parar de falar,
o sol há de voltar a brilhar
e trazer a justiça para o lugar.
A dança dos astros
está em movimento pleno,
A Terra tem o seu eixo,
o destino fará o alinhamento.
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