Talvez eu Esteja Precisando de Voce
Talvez a maior heresia não seja o ateísmo, mas a religião. Nesse caso, deus e os ateus estão do mesmo lado.
“Talvez o Cupido tenha sido bondoso comigo: errou de propósito suas flechas, me concedendo o tempo livre necessário para que o destino acertasse, na hora certa, a pessoa certa.”
“Talvez o Cupido tenha errado de propósito, só para me ensinar que a pessoa certa chega na hora certa.”
Talvez a reencarnação seja como as plantas e os frutos: tiramos uma muda, plantamos outra vez, e a vida retorna — não igual à anterior, mas com a mesma essência aprendendo a crescer de novo 🌱✨
As pessoas boas demais talvez encontrem o paraíso, mas, antes disso, serão excessivamente usadas aqui na Terra.
Se os presídios se tornaram poderosas incubadoras de facções, talvez a prisão domiciliar seja só um jeito torto de afastar criminosos da pós-graduação.
Talvez o patriotismo gestado no berço do ódio ao outro e à opinião contrária — e retroalimentado pela admiração externa — não seja, de fato, o mais genuíno.
Se o mundo não tivesse dado voz aos idiotas a pretexto de descobri-los, talvez não veríamos tantos inteligentes flertando com a estupidez.
Talvez um dos maiores riscos da Preguiça de Pensar seja nos apaixonarmos pelos que fingem que o fazem.
Sem o avanço exponencial do fanatismo velado, talvez a instrumentalização religiosa não tivesse tanto palco nem tanta plateia.
Talvez não haja golpe mais cruel que confiar a alma ao diabo para “salvar” o país e vê-lo tentando vendê-lo para se salvar.
Num mundo onde quase tudo pode ser dito, mas quase nada escutado — talvez o bom ou mau-humor seja nocivo aos Donos da Verdade que não conseguem se despir da Toga do Moralismo.
Onde se fala muito e ouve-se muito pouco — o ruído é constante, e o humor se torna muito perigoso.
Talvez o bom ou o mau-humor sejam nocivos apenas aos donos da verdade, esses que vestem a toga do moralismo como se fosse um escudo contra qualquer desconforto.
Não suportam o riso porque o riso desarma, não suportam a ironia porque ela revela, e não suportam o espelho que o humor, em sua essência, quase sempre oferece.
Enquanto o mundo se divide entre os que falam e os que reagem, o ouvir continua sendo o ato mais revolucionário — e o rir de si mesmo, o mais Libertador.
Pois, para os que não conseguem rir de si próprio, as palavras perdem o dom de tocar para alimentar o vício de ferir.
Se soubéssemos ao menos admirar a disciplina dos japoneses como eles admiram o nosso futebol, talvez a nossa primeira derrota não fosse tão vergonhosa.
Talvez não haja obscenidade maior que a busca por rostos doces, embalados por vozes aveludadas, enquanto se despreza a beleza bruta das palavras alicerçadas na verdade.
Talvez não haja falta de sentimento mais tacanha e equivocada que a pessoa acreditar que só ela tem sentimentos.
Talvez a mais sutil das violências seja a de tantos cidadãos de bem — que consomem sem se importar de onde vem...
Vivem do jeitinho que lhes convém e só enxergam culpa nos Bandidos Assumidos e no Estado.
Enquanto boa parte da sociedade se embriaga com o Espetáculo do Confronto — Helicópteros, Caveirão, Operações, Manchetes e Discursos Inflamados — a verdadeira violência continua onde sempre esteve: no cotidiano do cidadão comum que normalizou o Jeitinho, a Indiferença e a Conveniência.
E a minha indignação é tão grande, mas tão grande que já não quero só escrever; agora meus dedos querem gritar.
Mas o grito, se não for lúcido, vira só mais um ruído — e tudo que eu não quero é apagar fogo com gasolina.
Não dá para insistir em colocar a violência somente na conta do Braço Armado do Estado ou na dos Bandidos Assumidos — enquanto estes últimos, por vezes, sobrevivem às nossas próprias falhas.
A pergunta que não ousamos fazer é: E se não consumíssemos os produtos deles?
Se a indiferença e o jeitinho deixassem de alimentá-la, talvez a violência perdesse parte de sua força silenciosa.
E, no fim, talvez tudo que eu precise fazer seja deixar cair o pincel — para que a consciência de cada um pinte o quadro que o mundo precisa.
Talvez o jeitinho mais charmoso de escapar das insídias da polarização seja instigar os próprios neurônios.
E, quem sabe, instigando-os, consigamos tirar para dançar os apaixonados por ela — sem precisar dançar no mesmo ritmo, pisando em pés ideológicos.
O difícil é provocar alguém a pensar com a própria cabeça quando o aluguel já foi pago pelos discursos prontos, pelas frases feitas, bordões ou slogans.
O conforto das frases feitas é tentador e embala muita mente cansada.
Pensar dá trabalho...
Repetir, nem tanto.
É muito mais fácil vestir um discurso à pronta entrega do que costurar uma ideia.
Mas o exemplo ainda tem o poder de constranger a preguiça mental que a polarização — reinventada — promove.
Talvez o melhor lugar para se Demonizar a dúvida seja o aconchego das Verdades Aveludadas.
É curioso como o ser humano, em nome da paz interior, constrói castelos de certezas com tijolos de incertezas mal resolvidas.
E, uma vez confortavelmente instalado, passa a olhar com desdém para qualquer sopro de dúvida que se atreva a bater à sua porta.
A dúvida, porém, é visita nobre — é ela quem areja as salas abafadas da mente, quem desmancha o mofo dos dogmas e faz circular o ar do pensamento.
Mas o aconchego das verdades aveludadas é macio demais!
E poucos se arriscam a trocar o travesseiro da convicção pela cama fria da reflexão.
Talvez por isso se demonize tanto a dúvida: porque ela incomoda os que aprenderam a amar o próprio engano.
Mas, ai daqueles que o fazem…
Ai daqueles que, embriagados pelo perfume das próprias certezas, caminham pelas estradas espinhosas da arrogância intelectual.
Renunciam à graça de poder se questionar, mas se julgam aptos a questionar o mundo — esquecendo que a mente que não duvida — não floresce — apodrece em Silêncios.
Aprendamos a fugir do aconchego das verdades aveludadas!
Amém!
Talvez a pergunta que se faça seja: o que esperar de uma CPI do Crime Organizado feita pelo Crime Desorganizado?
O espetáculo começa antes do expediente.
Os refletores acendem, os microfones se aquecem e os justiceiros-influencers ajeitam o paletó como quem ajusta o figurino do herói.
O povo, já acostumado à reprise, senta-se diante do mesmo palco e ainda finge surpresa.
Enquanto o Crime Organizado age com método, silêncio e disciplina de quartel, o Crime Desorganizado tropeça nas próprias narrativas, encena virtudes e ainda transforma a nossa indignação em conteúdo patrocinado.
Um se esconde nas sombras; o outro, nelas se promove
Dizem que o desorganizado é menos perigoso — mas o caos, quando ganha crachá e holofote, se torna uma arma mais letal: convence a parte apaixonada do povo de que combate o mal, quando apenas disputa o comando dele.
O resultado é o mesmo: o crime segue impune, apenas muda de palanque.
E o público, anestesiado por discursos reciclados, ainda aplaude a encenação da ética feita por quem a vende em lotes.
No fim, o verdadeiro crime não está nas ruas, mas nas mentes que já se acostumaram com o circo.
Porque o que se investiga, afinal, não é o crime — é o espetáculo do crime.
E o país, cansado, segue acreditando que o palácio difere da cela... apenas porque as grades do poder são douradas.
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