Tag silêncio
Fere-me alma e mente,
com teus gritos de silêncio;
condena-me ao nada.
Cada musa ficou para sempre
e nenhuma disse que me amava.
Uma a uma colecionei
pequenos prazeres e magoa.
Tenho tantas coisas para serem ditas. Talvez eu fale, mas não sou tão boa na arte da eloquência. Talvez eu escreva, mas não sou tão boa com as palavras. Talvez eu permaneça no silêncio e morra sufocada com o que era pra ser dito.
Não é através do silêncio que alguém tolo e confuso se torna um sábio. Aquele que é sábio, como se tivesse uma balança, pesa e adota apenas aquilo que é bom.
Na ausência de belas palavras, busque no silêncio não um discurso, mas sim, uma nova forma de encantar.
Às vezes, o silêncio fala volumes e na ausência de palavras, os olhares e abraços tornam-se a linguagem mais eloquente.
Silêncio
Faz tempo que não escrevo,
Estou no momento averso
Onde os versos não escarnam,
A voz se calou, o papel
Rasgou.
Fiquei como surdo,
Fiquei mudo,
As mãos não consegui
Mostrar o que existe
Na alma.
Hoje aprendi que o silêncio é a melhor resposta. Agora estou escutando os meus pensamentos com mais clareza.
O estágio mais elevado da sabedoria de uma pessoa não se dá com X ou Y anos, se dá quando independente da idade que tenha, ela aprende a calar-se.
Uma mente sobrecarregada perde a capacidade de admirar a simplicidade, esquecendo-se de que, nas pausas e no silêncio, encontramos as respostas que mais buscamos.
Gosto da solidão, do silêncio... Quando se está sozinho consigo, há uma paz, que não se sente quando está envolto em companhias vazias.
Não somos todos feitos de pedra
ou de aço que o sol endurece.
Há os que nascem de água,
de uma flor que desponta no silêncio,
e não sabem o peso do ferro,
nem medem a força no punho cerrado.
Mas dizem-me que são fracos,
os que não carregam montanhas,
os que não rompem o vento com o corpo.
E eu pergunto:
o que vale a muralha se a raiz cresce em silêncio,
se o vento a toca e ela cai?
Há uma força que não se vê,
uma coragem que não precisa de gritos.
No invisível dos dias,
nas pequenas lutas que ninguém repara,
ali também se ergue o mundo
e o seu peso é suportado
por mãos que não seguram espadas.
O desprezo não lhes cabe,
nem o desdém dos que se crêem gigantes.
Pois no fim,
não são os músculos que seguram o tempo,
mas o coração que, em silêncio,
faz nascer o dia.
O homem que ama o silêncio tem a oportunidade de conduzir sua vida de forma sábia e eficaz.
Há tempos, vivemos na tirania do imediato. Uma geração apressada, ansiosa por respostas rápidas, sem pausas para a reflexão. E assim, nos vemos aprisionados pelo frenesi do presente, entregues ao impulso de falar, sem medir as palavras, sem respeitar o compasso natural de nossas almas e o silêncio que nos habita.
O silêncio, que deveria ser nosso amigo, tornou-se um fantasma. Tememos suas profundezas, sua quietude que nos convida a pensar. Então, falamos. Falamos para preencher o vazio, para afugentar a solidão, mas sem notar que, ao fazer isso, muitas vezes apenas propagamos o vazio. Falamos sem ouvir, sem entender, sem sentir.
Ah, como seria bom aprender a ouvir o silêncio! O silêncio que não é ausência, mas presença plena. O silêncio que nos permite ouvir a nós mesmos, que nos dá a chance de encontrar a verdadeira voz dentro de nós. Porque é no silêncio que nascem as palavras que realmente importam. É nele que podemos descobrir a beleza de uma pausa, a riqueza de um momento de contemplação.
O ato de retribuir de maneira silenciosa não se configura como fraqueza; assim como a gentileza, não está relacionado à submissão ou à ecolalia da adulação em grupos. Tudo que se cultiva nas penumbras eventualmente virá à luz, descobrindo-se a própria potência. Ninguém estará isento de sua marca e talvez seja benéfico não ser poupado, dispensando a necessidade de um exército para ver transformar o que um lobo “solitário” não esperava por aclamações.
