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DEPENDÊNCIA
Bem que tentei resistir
Mas a força hipnótica
Desse teu feitiço
Neutralizou minha resistência.
Conseguiste deixar-me
A mercê do que querias
E, através de teus beijos,
Foste inoculando em mim
O ópio de teu amor
Até me tornares
Dependente irrecuperável
De ti.
O RIO DE MINHA TERRA
Passa um rio pela terra
De quase todo poeta...
Minha terra também tem um rio
Que passa e deixa lembranças,
Que passa e deixa saudades,
Que me inunda de amor
Pela minha terra
Toda vez que em seu manso passar
Molha-me o corpo e a alma.
Se o simples passar de um rio
Pela terra de um poeta
É poesia,
Que nome devo dar
A um rio passando
Pela minha terra
E pela minha vida?
BORDADEIRA
No universo mágico
De linhas e bastidores
Seu trabalho revela
A artista genial
Que existe dentro dela.
A agulha em sua mão
Vira condão de fada
E faz surgir no tecido
Pedaços de fantasia
Sob a forma de bordado.
SAPATEIRO
Na lide cotidiana
do interior da oficina,
quase sempre indiferente
ao movimento das ruas,
esse operário trabalha
a sola crua e a pelica,
preparando proteções
para os pés que dinamizam
o vaivém da vida
DE UM ABRAÇO NO VAZIO
À medida que os anos vão passando
as nossas ambições materiais
vão cedendo lugar às ambições
de natureza emotiva.
No campo da emoção
é sempre ou quase sempre assim:
mais avançamos na idade,
mais crescem, mais se acentuam
dentro de nós as carências.
A propósito,
um dia desses eu me perdi
na ansiedade da espera
por um abraço presencial
de alguém por quem tenho
um amor sem limite,
e que, depois de bom tempo de ausência,
esteve bem perto de mim,
mas não se dispôs a se aproximar
um pouco mais,
a fim de que meus braços abertos
não se fechassem no vazio,
sem que se completasse o gesto
do abraço esperado...
Saí de cena, sem lamento, sem choro,
sem condenação e sem buscar justificativas,
porque o tempo me ensinou,
além de muitas outras coisas,
a bloquear os prováveis efeitos
dos sentimentos menores,
tipo tristeza e mágoa.
Se algo me incomodou,
foi simplesmente a consciência
de não ter aprendido a lidar,
diante de uma grande expectativa,
com essas sensações
de frustração.
REALIZAÇÃO
Eu te encontrei, não sei se por acaso,
mas logo me encantei contigo,
quando eu já tendia a desistir
da busca por alguém
com quem compartilhar
verdades e mentiras,
ternuras e loucuras,
carinhos e arranhões,
erros e perdões
e tudo mais que flui da comunhão
do homem e da mulher,
na vivência do amor.
Entrei em tua vida,
não para visitar-te apenas;
sim, para fincar minha bandeira
na terra rubra de teu coração
e com tua cumplicidade
disfarçada em “nãos”
que eu entendia “sins”,
fixar-me, isso mesmo,
ficar permanentemente dentro dele
e dar-te sempre razões
para que o ouvisses bater de satisfeito
por eu tê-lo ocupado.
Era a única realização
que me faltava,
pois quando saí
em busca da mulher ideal,
que se materializou em ti,
deixei sepultados
no lugar de onde vim
todos os meus projetos
de conquistas amorosas,
exceto este, cujo objetivo
já posso declarar
plenamente alcançado.
ASSIM SERIA
Em secretos encontros semanais,
os dois nos demos ardorosamente
àqueles verdadeiros festivais
do que, em luxúria, a vida nos consente.
Foram sublimes relações carnais
de que a mão do prazer, a ferro quente,
fez questão de gravar vivos sinais
que não se apagarão de nossa mente.
E, se acaso tivesses a coragem
de retomar a nossa fantasia,
eu – da maneira como os loucos agem –
pronto estaria a ir aos meus extremos
e até à Química eu recorreria
para viver de novo o que vivemos.
DESEJO EXPRESSO
Não costumo nem gosto de falar
de minha inevitável viagem
para outro plano de vida
e sempre espero
que ela seja tardia e adiável
o quanto possível.
Mas isso não impede
que eu expresse o desejo
de que meus restos
não sejam cremados:
quero meu corpo sepultado,
dar minhas carnes mortas
à terra de minha terra,
e que isso aconteça
num clima de festa,
em que os cantos de alegria
não cedam lugar
a lágrimas e soluços
de tristeza.
Os momentos do adeus serão apenas
os do começo da travessia
da essência de mim para o desconhecido,
enquanto aqui começará a colheita
do que plantei e não colhi,
mas que não se esgotará
para as gerações futuras,
em cuja memória eu não pretendo
ser, do que fui e fiz neste plano,
simplesmente cinzas,
embora guardadas no mais rico
e belo dos cinzários...
O AMOR QUE EU SEMPRE QUIS
Não busquei um amor para um minuto,
para uma hora, um dia, um mês, um ano,
nem pretendi amor substituto,
por uma mero capricho leviano.
Quis um amor, sem me cobrar tributo,
sem metas a cumprir, sem grande plano,
que fosse livre, inteligente, arguto
e até capaz de se mostrar insano.
E te encontrei, sem procurar por ti,
porque de mim estavas muito perto,
tal como agora estás comigo, aqui,
ouvindo-me dizer que sou feliz
por nossa comunhão ter dado certo
e por teres me dado o amor que eu quis
A RESPOSTA
Nos encontros que nossa turma faz
para um chopinho em tardes de calor,
os meus verbais excessos em louvor
a Pedreiras viraram triviais.
Há nessa confraria um bom rapaz
que, um dia, me pediu para lhe expor
a razão de eu guardar tamanho amor
por uma terra onde não moro mais.
Só que o moço ficou meio sem jeito
quando eu, apontando para o peito
e expressando emoção, lhe respondi:
– É verdade que já não moro lá,
porém minha Pedreiras sempre está
dentro de mim, morando bem aqui!
Faz de-ti teu corpo em poesia; Então o lerei perante as madrugadas.
Transformai em cada verso a tua magia assim revoarei em cada tragada.
Perante vós não espero prazeres, mas só em tua presença já me traz deleites.
Perante nós não espero elementos complexos, só a liberdade de sentimentos sinceros!
O meu amor pela poesia,
surgiu pela necessidade de
refletir,e pensar mais sobre mim,
mas meus pensamentos vagos,e
distante da realidade,me fez procurar
algo me inspirava a verdade,aí a leitura
se tornou primordial,ler agora é o meu
habitual,a poesia me acompanha em
quase tudo,ele é o meu refúgio,queria
muito ser poeta sonhadora,mas isso
me tornaria apenas uma lacradora,não
uma pensadora,pensar de uma forma
ampliada sobre o mundo,é também falar
dos absurdos,infelizmente o amor não é
absoluto,mas o meu amor pela poesia
supera tudo,escrevo versos não por um
mero capricho,ou tornar bonito o meu
rabisco,mas pra tornar o teu pensamento
mais aguçado,e crítico,essa é a importância dos meus escritos..
A poesia ficou mais doce, mais linda ao receber você como uma estrela que brilha dentro da minha alma. Só não sabia que me tornaria solitário ao te conhecer, você foi capaz de transformar a amizade em amor.Agradeço te linda por me mostrar o amor!
Tempo, vê se não passa
Se passar eu lhe faço um pedido
Leve a dor da saudade consigo
Eu lhe peço, me faça o favor
Se eu namorar que seja contigo
Se demorar não seja perdido
E que o tempo tenha valido
cada memória do nosso amor.
Você se torna muito parecido com as pessoas que admira. Preste atenção onde pousam os seus holofotes.
São três e quinze da manhã, um silêncio se mistura ao som da fúria das ondas quebrando-se na praia, nesse momento sinto uma leve presença divina, é mais um dia...
Nada pessoal, isso é só um joguinho de palavras:
"Olha, hoje eu vou partir
Pra longe, e não mais te ver
Ando com a cabeça louca
Louca, pra te esquecer
Amo, como você sabe
Choro, por não ter você
Presa a você
Vivo, sem saber se vivo
Olha, hoje eu vou partir
Pra não mais te ver
Bem longe, longe de você
Te esquecer, vou viver"
19/06/2018.
