Tag poesia
Seja nadando no Rio Itajaí-Açu
ou flutuando por aqui
pelo Médio Vale do Itajaí,
Na Língua Portuguesa
encontro o meu gentil
e verdejante poema de cada dia,
e é no Pico do Montanhão
que fica em Rodeio é que
se esplende o corolário da poesia.
Resolvi escutar
a Lia de Itamaracá,
Enquanto olhava
as estrelas a cirandar
e comigo você não está,
Como estratégia
de forma que nem
mesmo você perceba;
Optei ser sorrateira
e te coloquei entre
os meus poemas
até o dia que decida
comigo encontrar,
juntos estrelar
e o amor aceitar.
Olhando nos meus olhos
as tuas mãos se entrelaçaram
com as minhas mãos
para dançar a ciranda praiana
dos nossos destinos,
Você me deseja do tamanho
que te desejo todos os dias,
Com balanço e amor atlântico
um traz o outro fascinado
pelo naufrágio divino
nos beijos tão desejados
e de outros tipos de astúcias
que permitidas só aos apaixonados.
Dos versos, das pausas
e das consequências,
Me ocupo mais das consequências
do que com os versos,
Falar de amor só combina
mesmo é com a pausas
feitas olhos nos olhos,
e não com pausas literais.
Onde umas se preocupam
em se autoamaldiçoar
tornando-se Princesas-Cobras
e para virar gente sugar
o sangue do outro
para existir testando os limites.
Prefiro ser Janaína flutuando
no oceano do teu amor,
Em vez de erguer uma
cidade encantada,
Sou mais é erguer fortalezas
que nos abriguem
com poesia e tranquilidade
para ver a tempestade
dançar o seu baile e passar.
Igual no Sul Brasileiro
o meu amor primeiro
é meu amor derradeiro
em terras catarinenses,
também sendo escrito
aqui na cidade de Rodeio
no Médio Vale do Itajaí.
A Língua Portuguesa
é o maior poema
do Hemisfério Sul,
que por mim e por todos
continua sendo escrito,
[mesmo que passe
por alguns despercebido].
O nosso amor indelével
primeiro e derradeiro que
tem asas de Sabiá-Laranjeira
rimando na Língua Portuguesa,
signo da Pátria Brasileira,
[que traz a devoção perfeita
de portar este estandarte,
guia e inabalável poema].
Idioma nascido do espírito,
escrito pelo atlântico destino,
que por nós sendo falado,
estudado, lido, escrito,
cantado, pintado, esculpido,
traduzido, conhecido, vívido
e orgulhado por cada
peito enamorado reunido.
Na água joguei perfume,
você está vindo só pelo cheiro,
Você sabe que sou a Icamiaba
e você é meu guerreiro,
No final de tudo vou te dar
o Muiraquitã para não me
tirar do coração e do pensamento
nunca mais por nenhum momento.
Por acaso fui no embalo
convidada pela sua vizinhança
para o coco alagoano,
Na tua casa chegamos
um pouco atrasados
e todos batiam com os pés
fazendo o ritmo
no chão de barro
como manda o figurino,
Foi quando o teu olhar
inesperado cruzou
tão bonito com o meu
e fez o meu coração apaixonado:
Você é o presente que a vida me deu.
Fui ver como sempre
se havia chegado
uma correspondência,
A rua estava ainda
mais sem movimento,
Não havia nenhum
sinal dos vizinhos,
Havia pairado
um silêncio abissal.
Na caixa de correios
ele estava lá olhando
para mim e fiquei
olhando para o grilo,
e pensei que não
só existe deste tipo.
Rir foi inevitável
e pude entender por
um instante o quê se tratava
realmente de uma
[correspondência grilante].

Desta vez fui
eu que balancei
a sua estrutura
com certeza sei
dançar zabumba,
Te fiz você seguir
no ritmo certo,
Você girou para lá
e girei para lá,
Desde o dia que
descobri que sou
poeta o seu coração
toca tão alto que
não consegue disfarçar.
Resolvi espalhar
o meu perfume no ar,
A minha poesia
está por todo o lugar,
O teu coração está
igual a um tambor,
E a ideia de ser meu
te coloca requebrando
no Coco de Zambê,
Para retribuir você
só falta mesmo
é uma atitude sua
para tudo acontecer.
É óbvio que te quero
deliciado, e como quero!
Dá para perceber
que entre nós não tem
nenhum mistério;
Se você está certo
de ser meu, que venha!
Desde que você venha
e me leve com o respeito
de um Samba de Gafieira,
Sejamos um para o outro
como um amoroso poema,
E quando estivermos juntos
desliguemos os telefones
para que do mundo a gente
se esqueça e a paixão nos aqueça.
As lágrimas de Iaçã
pela dor que não
tem reparação foram
notadas por Tupã,
Ele a levou para perto
d'Ele e para a tribo
trouxe a solução.
Tupã e Iaçã olham
e protegem a todos
o tempo todo,
Chorar não seja mais
permitido aos filhos
desta nossa Nação.
(Quando faltar doçura,
não pode faltar
a recordação que uma
tigela de Açaí sempre
faz bem ao coração).
Ultimamente você anda
sorrindo do nada,
Eu sei que ando mexendo
contigo por dentro,
A sua vida não tem
sido mais a mesma,
eu mudei a sua rotina.
Imagino quando provar
o sabor do Damurida Poético,
Aprender comigo a receber
amor gostoso todo o dia,
e continuar querendo
receber sempre muito mais.
Meu Uirapuru bonito
que com seu canto tem
feito o meu coração
todos os dias rendido,
Não há ninguém que
se compare contigo,
Por premonição
vejo você comigo.
Observando como a Natureza manifesta a própria
[escrita da poesia assêmica],
escrevo igualmente a minha
mesmo que não encontre
a compreensão alheia,
e não me importo que seja
chamada de prepotência.
Morando na cidade de Rodeio
onde o Médio Vale do Itajaí
com o seu próprio tempo
também dá continuidade
a leitura da poesia assêmica
a todos que sabem ler
com jeito e sensibilidade.
A escrita da poesia assêmica
do Pico do Montanhão
nesta tarde de terça-feira,
leio com os olhos do coração
ela sendo iluminada pelo Sol,
poder ler o quê eu leio
nesta leitura mística cotidiana
é o quê me entretenho.
A poesia escrita assêmica
também é escrita pela nobreza
do Rio Itajaí-Açu com todos
os espaços, contornos, cheias
e até com a própria seca
para acenar que é preciso
ler quando ele manda recados.
Há poesia escrita assêmica
entre nós quando falamos,
quando calamos, quando
captamos presságios,
quando nos apaixonamos,
por onde nós passamos
e até quando desabafamos.
Há poesia assêmica em mim,
em ti, em tudo e em todos;
sobre quem na vida que
se mascara ou se maqueia,
pode ter certeza que haverá
sempre alguém que leia
a sua oculta poesia assêmica.
Coloquei na mesa
o Pirarucu Rondon
para você provar
como é bom,
Gentileza de amor
posta na mesa
também é poema
para quem sabe ler
da melhor maneira.
Ovelha da Poesia
Com Rita eu sorria,
sem a nossa Rita
não há mais alegria;
Santa Rita rogai por
esta ovelha da poesia.
In Memoriam a genial Rita Lee.
Sonhei com você esta noite,
eu sei que ainda está distante,
Você junto comigo no cortejo
do Catumbi do Itapocu,
Não sei se é aviso ou seu desejo,
só sei que penso o tempo
todo como deve ser o seu beijo,
Só sei que se este sonho
se realizar é certo que
contigo encontrei o meu lugar.
Esta noite resolvi
contar uma História
daqui de Rodeio
que fica no belo
Médio Vale do Itajaí.
Uma História de amor
infinito que talvez só
os antigos tenham
conhecido, visto ou ouvido.
Um imigrante italiano
que tocava acordeão
em todas as missas
e que entregou o coração
para uma freira da antiga
Congregação sem esperar
nada em troca por parte dela.
Um dia a freira adoeceu
de uma enfermidade
desconhecida e todos
os dias no final da tarde
ele ia tocar para ela
no antigo Convento
que está fechado na cidade.
Numa dessas tardes
o apaixonado acordeonista
recebeu a notícia
que a amada não resistiu,
e partiu sem saber do amor
que ele mantinha por ela:
este homem naufragou
numa tristeza profunda
e num silêncio incalculável.
Como um italiano oriundo
de Trento viveu o luto
diário e inquietante,
Quase não dormia, quase não
comia direito e comparecia
as Missas com a tristeza
estampada na fronte.
Os fiéis e as pessoas mais
chegadas sabiam que a razão
desta tristeza era a partida
da freira para junto do Pai,
mas evitavam falar na frente
porque ele manteve
uma atitude distinta até
o último dia de vida da amada.
E foi numa determinada manhã
que os companheiros de lavoura
sentiram a falta dele,
Todos ficaram preocupados
porque o companheiro era pontual,
e foram até o ranchinho
que o apaixonado italiano
morava sozinho e encontraram
ele com os olhos fechados e um ar
de serenidade abraçado ao acordeão.
Um dos companheiros percebeu
que o companheiro de tantas lutas
havia partido e alertou os demais
que ficaram atônitos
e ainda mais perplexos porque
naquela cena o acordeão
que estava diante deles nos braços
do falecido havia desaparecido;
E foi assim que o sofrimento
deste amor não resolvido se
deu por definitivamente findado:
primeiro foi a freira e depois
o acordeonista que
partiu para junto do Pai.
O acordeão inexplicavelmente
havia desaparecido,
só sei que depois disso
alguns escutavam
o som do acordeão tocando,
uns viam o acordeão voando,
outros viam o acordeão
nos locais mais inusitados,
E quando iam procurar
não havia acordeão nenhum
ou quando olhavam de novo
não o encontravam mais.
(Ficou gravada na memória
antiga esta História de Amor
que acredito que nos dias
de hoje ninguém encontra mais).
#lendas
#poetisabrasileira
Separei um pouco
de cheiro verde,
O quê eu queria
mesmo é te dar
um cheiro bem gostoso,
É Costelinha de Tambaqui
que estou fazendo
só para ver a alegria
nos olhos do mais lindo moço,
Como quero que ele
me ame como eu o amo,
Trazer sabor, carinho
e poesia faz parte do meu plano.
Um acordeão com detalhes
feitos de prata que veio
da Itália junto com o seu
dono cruzou o Atlântico
para viver um destino triste
e ao mesmo tempo romântico
aqui em Rodeio no nosso
sublime Médio Vale do Itajaí.
Não é segredo para ninguém
que a freira amada pelo italiano
partiu por causa de uma
enfermidade desconhecida,
e sem saber do amor dele em vida.
Quando a freira se foi
para junto do Pai,
não demorou muito para o italiano partir em seguida sem ter
declarado o amor dele em vida.
Há quem diga que o acordeão
desapareceu e outros
dizem que foi roubado,
Um dizem ver e outros dizem
escutar a voz do italiano
indignado pedindo
o acordeão ser colocado
em cima do túmulo dele
para não ser amaldiçoado.
Sei de uns que dizem
que além do acordeão veem
a freira voando em busca
dele para restituir a paz
para a alma do amigo
italiano que foi furtado.
Desta história de amor
mal resolvido,
do destino incógnito
deste acordeão,
alguém deve ter escutado
ao menos uma única vez:
Só sei que não existe
quem não fique abismado.
Para cada Cobra Grande
de duas pernas
vivendo fora d'água
eu respondo
com silêncio e oração,
Tenho mesmo é que
me preparar para receber
o amor no coração:
Deus é meu guardião,
E não vou viver
para alimentar a maldição.
A festa que você faz
todos os dias no meu
coração merece ser
retribuída com "pato,
tucupi, jambu"
e toda a maravilha.
(Porque o quê eu
vejo nos teus olhos
só a poesia explica).
