Tag poesia
Borboleta de asas um tanto quebradas,
sempre presa num mesmo lugar,
quando curar-se e tiver liberdade,
será que ainda saberá voar?
A sombra se encanta pelo sol todos os dias, segue-o pelo chão, rasteja na saudade a cada novo crepúsculo,
quando em alquimia transforma-se em noite cálida,
até o alvorecer, onde tudo recomeça
desde a eternidade do tempo que não sabemos,
sombra e luz,
sol e lua,
você e eu,
tão perto e tão separados...
Que admiração sinto
pelos chefes de cozinha,
que com umas tirinhas de carne
dois tomates e temperinhos,
criam um prato apetitoso,
todos comem lambendo os beiçinhos
Aqui, com meio boi -coitadinho-
quilos de cogumelos,
molhos e tudo mais,
faço um prato que as cobaias
chegam perguntando, desconfiadas:
- O que é isso? kkkk...
e com coragem enfrentam o rancho
de capacete, luvas e armadas!
Quando uma lágrima solitária e teimosa, cisma em descer pelo meu rosto, ignoro-a, porque já não tenho mais a ansiedade da espera e nem o temor da ausência !
Na manhã silenciosa de estio,
onde apenas o sol resplandece,
noto os passarinhos sem um pio
e pergunto-me o que será que acontece?
Em dias assim de tanta nostalgia,
a alma pede apenas um abrigo,
se as aves não cantam, perco a poesia,
sou apenas uma poeta de castigo
Penso que nada sou,
sigo e nem sei onde vou,
mas uma coisa percebo,
cada segundo é um a menos,
e um passo mais adiante
para aquilo que sabemos ser o fim,
mas ainda é tão cedo !
ah...porque a vida tem que ser assim?
Que o teu sono seja bem sereno,
enquanto a lua viaja na amplidão,
que um anjo te proteja bem de perto,
dando imensa paz ao teu coração
Toda mulher sempre é linda,
mas olha o espelho com espanto,
saiba que não existe mulher feia,
jogue êsse espelho num canto !
As vezes, em algumas noites,
um silêncio só meu,
chega impassível, doce e até singelo,
então pensativa e um tanto ausente
como lua nova, envolta em sombras
fujo das auroras solenes,
deslizando,
escondida dentro de mim
As vezes canso de tudo, quero parar,
mas aos solavancos ainda vou,
porém vem a vontade de estacionar,
virar uma estátua, que ao tempo se entregou
Vem as águas, transbordam os rios
e o povo festeja, sorri e até chora,
muda a estação, vem o estio
e pela chuva todo mundo implora,
Vem o amor, transborda o coração
e os lábios beijam sem demora,
vai-se o amor, que desilusão!
vem as lágrimas, coração só chora...
Sempre haverá uma interrogação sem resposta, da humanidade já quase perdida, à procura de si mesma e do que virá em seguida...
Ouvi um passarinho cantando
junto a uma moda de viola,
onde? não sei, no entanto,
o som chegou sem demora !
Que linda era a melodia,
bem afinada e sonora,
encheu a paisagem de alegria,
saudando uma nova aurora !
As vezes há a necessidade
de parar a mágica euforia,
das letras em descompasso,
na presente e constante melodia
Apenas guardar as palavras,
como em um ninho secreto,
acarinhando o coração,
ali dentro, o amor discreto
Porque ele é verdadeiro,
calmo, alegre e profundo,
não precisa ser posto ao vento
para ser espargido ao mundo
Mãe,
Um ser que dá a vida,
alimenta, ampara, educa,
protege em cada segundo
Mãe,
é ternura sempre,
compreensão, lágrimas, sorrisos,
é o maior amor do mundo !
Meus passos em andanças variadas,
alguns aqui e outros bem mais acolá,
levam-me a observar discrepâncias
que a vida sempre tece sem parar
Pessoas falando de grandes amores,
outras querendo a bondade exaltar,
algumas impondo-nos suas flores
sem no entanto de nenhuma cuidar
Noto a grande e urgente necessidade
de estar sempre num palco para aparecer
numa mostra de sua interior realidade,
são inseguras, fazem isso para não sofrer
Não sucumbi às vagas ferozes que vinham
em cascatas mortais tentando me levar,
não sucumbi a tsunamis, vendavais,
nem às pedras atiradas nas vidraças,
não sucumbirei nem a ataque nuclear,
tenho um bunker que é pura proteção,
aço indevassável, alimento, água e ar,
é a poesia pura, germinando no coração,
dela nunca irão me separar
De onde vens, oh! nuvens da tarde?
que tristeza é essa em seu olhar?
névoa, seiva e ventos,
para aonde vai as tuas certezas?
é pouco teu sorriso,
é forte o teu cheiro,
a cerviz da vida é dura,
mas o que procuras
tão longes assim?
Aguas de repouso?
alegria do sopro
o que significa essa roupa branca
que se desfez com o vento ?
O viajante iluminado, "conversando com as nuvens".
A experiência da poesia,
aquiesce a chama da esperança
avia-se, a vida a harmonia das cores
dialoga, com o sublime interior
Experiência de peregrino.
.
Eu via uma terra de viajantes, terras distantes.
Alguns jovens sentado à margem, pássaros cantando,
ramos de flores, algumas cores do presente.
-- Vi uma geração, cantando alto aos montes,
vi brilho de criança, com sorriso de paz,
havia mares ao redor da ilha,
o sol era quente; havia nascentes de águas puras
observei e vi vidas, saindo da semente,
músicas clássicas em cantos gregorianos,
os velhos não envelheciam, à espera do final
Havia uma escola de cantos,
fogo sagrado em cada instrumento,
os instrumentos eram homens
que através da história
buscavam fazer uma cidade melhor
Sábios, juntos da palavra,
sábios, perto de Deus
cidade fortificada,
cidade poética
Do telhado,
eu vi o rosto da eternidade
as pombas circulando
em meio ao vento,
o tempo, invisível
fluindo os sentidos,
no ar das inspirações.
o amor, as vezes é verde
semelhante a árvore
nela mora, muitos seres
deveres, histórias e estações.
Escrevo-lhe,
sombras, símbolos e insígnia
vem dos olhos
a imagem das flores,
e dos amores, as letras a vida.
