Tag pensamento
Para Ana
Não leve
Os móveis que são tão herméticos
e não cabem dentro deles
Toda sua imaginação
Não leve
Os pratos e as louças tão frágeis!
Você é lutadora.
Não leve
Os anéis, tão vadios
Que vão dedos em dedos
Pois você é determinada.
Leve
As palavras, as lembranças,
as risadas
As presenças cheias de saudades
os conselhos
as críticas filtradas
Leve
Os desejos e os sonhos
que são suas pernas
e a realidade
de todos os dias
que formatam
toda sua existência.
Leve
As lembranças
A trança
de todos seus amigos
que foram plateia
de suas angústias
E te recolheram
quando a coreografia não estava no
compasso
e se calaram
Leve
O respeito
pela lágrima
que escorre
a qualquer hora
E pense:
Se tudo não aconteceu
conforme suas verdades
não são fracassos
São os anjos que desviaram
do seu caminho
aquilo que nunca poderia
viver e entender
Porque não existem fracassos
mas intervalos
para pensar
reestruturar
Mudar
Livro Pó de Anjo
Autora: Rosana Fleury
Entre o pensamento e a ação há uma linha tênue e só depende de um passo para que um se concretize no outro
Agosto
Vou tomar um banho
Longo
Para espalhar seu cheiro
Vou sentar-me à janela
Mirar o mar
Amar os momentos que passamos
Vou beber um rosé
Leve
Embebedar-me da
Sua ausência
Vou cultivar cada frase
Reescrevê-las em
Minha memória
E perguntar-me qual
É a urgência
Vou resolver minha criatura
E nesta curva
Fazer uma declaração
A um fantasma.
Vou acabar flutuando
Sobre a noite
Curvar-me
Entre o beijo e o amanhecer
E neste breve espaço
Sem mistérios dizer
O quanto te amei.
Livro Pó de Anjo
Autora: Rosana Fleury
O Corredor
As tardes caíam cada vez mais longas, sem expectativa e numa falta de prosa desconcertante.
Já ia longe a guerra do silêncio entre o casal em sua primeira disputa. Era difícil aplacar a angústia do que ia acontecer, disfarçar a ansiedade da volta e representar que tudo vai bem ou ia bem.
A janela foi objeto do desejo de disputa.
Abre a janela, Ana, está um calor danado desse jeito não consigo dormir, o quarto está abafado isto só dá pesadelo. Ela retrucou:
Pesadelo são os morcegos que entram no quarto e ficam assombrando o meu sono. Passo a noite vigiando a janela, de sentinela, enquanto você se refresca e dorme. No outro dia fico exausta.
— Assim não dá, Ana você acende velas no oratório, fecha a janela e o quarto fica mais abafado do que igreja em dia de Semana Santa. Isto já virou tormenta na hora de dormir, perde até o gosto de se deitar. Suar na escuridão é triste.
— Gosto da janela cerrada, dá mais segurança...
Vou abrir, Ana. amanhã é dia de serviço, a esta hora ainda não peguei no sono... deixe a luz da lua molhar o seu corpo, soprar o cheiro da flor do pequizeiro a perfumar o quarto.
Empertigada, Ana levantou-se:
— Então fique aí com a lua, os morcegos e as formigas dos pequizeiros. Vou para o outro quarto.
— Você é quem decide, Ana.
No corredor, quando as tábuas estrilaram, já bateu arrependimento.
Ana mastigou o conselho da avó: “Nunca saia de sua cama a volta é mais difícil''.
E foi assim. Tião ficou no quarto do oratório, de cortinado, as melhores cobertas, com a luz da lua, de janela aberta. Ana penava no final do corredor em colchão de capim, suando de calor e medo, disputando espaço com as muriçocas. Toda noite planejava e ameaçava: vou lá no outro quarto; “Amanhã tiro o cortinado...” Mas clareava o dia e pensava: “Quem vai subir e pregar este peso nas alturas?"!
Não se conversou mais sobre o assunto. Os pequizeiros floresceram, cheiraram, derramaram seus frutos, caíram suas folhas e não conversou mais.
O inverno chegou, a janela cerrou e Ana emperrou no quarto do corredor. Tião apostava até quando?! Aqui neste sertão sozinhos era só esperar...
Agora quem deixava Ana de sentinela eram seus pensamentos, haja tijolo quente debaixo da cama para aquecer a solidão, além da trabalheira, dos dedos queimados, dos pés gelados a indecisão deixava o corredor da volta mais comprido.
Tião matutava: tinha que tomar atitude, Ana ia botar fogo na casa. Coitada! Moça da cidade não tinha costume da roça. Levantou-se, encheu-se de coragem, pegou a vela para atravessar o corredor. A cálida luz iluminou todo esplendor de Ana que de vela na mão também voltava ardendo de saudade.
Entreolharam-se e gungunaram:
— Oiiiii.
Cruzaram o corredor cada um em sentido contrário. Ana adentrou no quarto do oratório com cortinado e Tião no quarto do corredor com o colchão de capim. Sentou-se na cama desolado, contrariado, acanhado e deitou-se.
Palpitando de ansiedade Ana mal conseguiu sentar-se na cama: no instante sentiu o cheiro das roupas de Tião que exalavam da cama ainda quente o que disparou suas lembranças e encurtou o caminho da volta. Com as mãos e os pés frios da noite, com o coração ardendo de coragem, a chama da paixão iluminou o corredor e caminhou para junto de Tião.
No espaço exíguo da cama deitou-se com o coração apertado acomodando seu corpo ao de Tião. Ele entrelaçou sua cintura em sinal de reconhecimento. Ana com os pés gelados encostou seus pés ao dele para roubar seu calor. Ele a aqueceu e perguntou:
— Não estamos brigados, Ana?
Rindo afirmou:
— “Pés não brigam”.
Livro: Não Cortem Meus Cabelos
Autora: Rosana Fleury
"Ignorância."
A pior ignorância é aquela que grita sem saber da razão,aquela que está implantada no fanatismo cego!!!
Muitas coisas na vida até parecem obras do acaso. Mas, para que certas coisas aconteçam, devemos dar oportunidade ao que chamamos de acaso; trabalhando bem com o tempo e estando prontos, para quando as oportunidades surgirem. Ou seja; o que você pensou ser obra do acaso, provavelmente não era.
Podemos não enxergar ao escuro, mais, possamos adaptar-mos a escuridão. A luz que clareia nossos caminhos, também, cega nossa visão!
Coisa Nenhuma
Quem roubou
Tua risada
Meu bem
Diga
Que vou buscá-la
Para cobrir
Sua boca
Quem tirou
Tua espontaneidade
E hoje fica nu, encolhido
Diga
Que vou buscar
Outra roupa
Quem tirou sua dança
Ficas parado
Feito estátua de sal
Diga
Qual é a música
Vou tocá-la
Para ti.
Diga
Por favor
Quem colocou
O mar dentro
De teus olhos
Mas sou eu
A praia
Venha para mim
Não se afogues
No pranto
Diga
Diga
Porque eu
Te amo
Quero levá-lo
Ao meio da pista
Nu como estás
Para dançarmos
E recomeçarmos
Com ritmo
Sem lhe roubar
Nada
Livro Pó de Anjo
Autora: Rosana Fleury
A idolatria tira o que uma pessoa tem de mais importante, a capacidade de raciocínio, impossibilitando a pessoa de dar uma opinião vendo todos os ângulos possíveis.
"Um pouco ou muito pra Esquerda, um pouco ou muito pra Direita? Leite? Tá bom, vou tirar foto com café.
Ideologias, Sistemas? Do que adianta?
Sempre haverá uma criança sem cama, como uma em berço de ouro. Uma com realidade virtual e hambúrguer e outra com fome e uma 9mm."
"Mentira."
Por que me senti ferido por só ter aguentado de pé a dor de uma mentira?Talvez por saber que embora tarde a verdade sempre aparece!!!
Fazer um filme sem preparar o elenco (ou sem um elenco preparado),
é o mesmo que pegar um punhado ingredientes selecionados e
"tacar" dentro de uma linda panela tudo de uma só vez, colocar no fogo e ao final querer que saia um bom prato.
É desleal com os ingredientes, com quem cozinha e principalmente com quem vai degustar.
Não Cortem os Meus Cabelos
Thersila era linda, o conjunto fazia a graça da sua beleza e o que mais impressionava eram os seus cabelos, tão longos como as horas de nossas vidas.
Sua mãe dizia: “corte os cabelos, estão muito compridos! Fez promessa?" Mas, ela se calava e seus cabelos cresciam feito horas de espera: intermináveis. Cresceram... Cresceram... que para lavá-los ia até ao rio Corumbá, desatava as tranças o que levava horas, e deitava sua longa cabeleira no cascalho das águas do rio.
Neste instante, os cabelos encharcavam e tomavam o movimento das águas e mais pareciam galhos e gravetos esparramados pela chuva. Lavava, secava e perfumava seus fios e retornava à casa.
Sua mãe bradava: "Que é isso? Promessa?” E os seus cabelos ainda mais cresciam... cresciam tanto, que seu marido fez deles seu colchão e suas cobertas, apaixonado pelos longos fios sedosos e cheirosos.
Amanhecia emaranhado, que o prendia feito teias, para que não abandonasse o leito.
Conselhos não adiantavam: corte as pontas, da força!
E não entendiam. Thersila fez promessa? Todos ficavam impressionados com ela sentada na poltrona trançando os fios esparramados pelo chão.
Ela passava horas a fio a desembaraçar e ajeitar os fios na cama e cobrir seu amado, confiando no enlace da paixão.
Num dia de irritação, ele entrelaçado e embaraçado em seus fios, bradou e cortou os seus cabelos.
Thersila, nesse instante entristeceu, empalideceu e emudeceu.
Sentou-se num canto da sala, começou a tecer os fios cortados, como teias, num crochê complicado e os dependurava nas janelas, como cortinas.
Ele desesperado com a sua mudez, pediu:
— Fale Thersila, são seus cabelos que lhe fazem falta?
Ela então falou:
— Você cortou meus cabelos, junto deles a minha história. Agora teço com o que restou, teias, para que os fios não voem pela janela afora, como palavras perdidas de uma história de amor que levei anos e anos para contar e lhe ACONCHEGAR!
Livro: Não Cortem Meus Cabelos
Autora: Rosana Fleury
Quando a esperança se esconde do amanhã
Quando as flores param de desabrochar e o sol se recusa a brilhar
Quando as águas não querem mais correr
E o dia não vê mais porque nascer
Se é necessário tecer
Se nos cabe esperançar
Do contrário, tudo fica no mesmo lugar
Mudar, se ressignificar
Buscar vida na dor
Se escorar no amor sem pudor
"INDIGNAÇÃO."
É quando tuas lagrimas caem sem que a pessoa mereça.
É quando a tua explicação cheia de verdades fica sem sentido ao outro.
É quando tenhas absoluta certeza de que com tudo queres fazer o bem.
É ai que tens de ser consciente e acreditar de que fizeste o certo,pois pessoas bondosas normalmente sofrem sem ter cometido grandes erros.
"Indiferença."
Ela costumava dizer que não fazia indiferença com filho...acabei descobrindo que só tinha um.
Pensamento
Penso, penso, penso.
Todo o tempo, penso.
Mas qual tal motivo?
Se não fosse tu,
Não seria pensamento.
Penso, penso, penso.
Tu és meu passatempo.
Olá, esses dias estava pensando muito em você.
Pensando como seria sua carinha, suas noites, seus dias, será que seria parecido comigo ou nem tanto?
Pois é, fiquei pensando, eu estava com tudo planejado, iria ter disciplina, teria hora para dormir, acordar, comer e brincar, seria rígida, mas também sua amiga.
Estava pensando, como seria a decoração do seu quartinho, como seria minha emoção de ouvir suas primeiras palavras, coração bate forte só de pensar.
Continuei pensando, será que seria tão certinho ou certinha como eu?!
Ou iria me surpreender, me mostraria outro mundo.
Pensei tanto e tanto, achei que estaria crescendo aqui dentro, imagina 9 meses de parceria, estava empolgada para isso.
Pensei, pensando tanto que a cabeça até doeu, não só a cabeça, mas tudo aqui dentro.
Queria parar de pensar, mas como seria ia te esquecer?
Então achei melhor pensar, se quisesse até chorar já que as lágrimas descem sem eu controlar.
Quando eu chegar aí em cima você me procura, e me conta por que foi rapidinho assim.
O carma do poeta, é buscar inspiração para suas frases, poemas e versos ... em sua própria fragilidade.
Nunca, mas nunca mesmo, peça espaço ou tempo e assim, permita uma pessoa do signo de Leão, fazer uma análise fria dos fatos ou eventos que ensejou a situação....
O resultado certamente será irremediável e a condição,
irretratável e irretroatível.
A maioria das pessoas não tem problemas de relacionamento, mas sim problemas de pensamento, pois quando você pensa errado, tudo que se fizer será errado.
Pois pra se fazer algo certo é preciso antes pensar de forma correta.
