Tag negro
Dia da Consciência Negra para mim não é apenas uma vez no ano, mas sim 24 horas, sete dias da semana, o ano inteiro 100% negro.
Genocida
a polícia sabe onde atirar
não é no alvo...
a mira é um ponto preto
colado na própria retina.
É urgente reagir se realmente desejamos integrar a sociedade brasileira de modo que, num futuro próximo, ser negro no Brasil seja, também, ser plenamente brasileiro no Brasil.
[O negro] tem que se dar o valor e não se olhar com pena. Nem usar a cor como justificativa para as suas falhas. A conscientização tem que começar na gente. Temos que saber nosso valor e nosso poder.
Aquarela
Sob um céu negro o Chevette amarelo corria jogando barro vermelho pra trás, e ao longe estava em azul o lugar que ela foi de branco colorir sua vida.
Só avisa para o racista o seguinte: quando o corpo dele virar pó, terá a mesma cor que a minha.
Isso não me incomoda nenhum pouco!
Bem-vindo.
Besouro Negro
Sou um gafanhoto verde, várias pernas.
Devoro plantações inocentes e indefesas.
O Besouro Negro me ajuda, na lerdeza.
Se revira, ali fica em tua agonia eterna.
Mas existem as danadas das rapinas
Que num sopapo arrancam-me as ancas.
As formigas cinzudas respeitam a rotina,
Não tardam a derrear minha matança.
Se não bastasse, ali vem as baratas:
Asquerosas e incompetentes companheiras.
Só trazem o nojo de sua forma e cor asca.
Nem são azuis, nem verdes, nem vermelhas.
São marrons... Cor inferior e sem graça.
Se fossem brancas, talvez tivessem alguma beleza.
(Besouro Revirado)
TODAS AS FORMAS DA ESCRAVIDÃO
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Desde que somos país, já estava aqui este povo,
contraparte de sua carne, de sua alma e seus valores.
O último deles aqui chegou – proibido, em contrabando.
As correntes – do mar e ferro – trouxeram-no quase ao fim
da forma antiga da escravidão.
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Talvez fosse mulher, talvez homem...
Vou supor seu retrato: porém, jamais revelado;
vou pensar o seu corpo: ferido-acorrentado.
Para nome, darei Maria,
para não dizer que é João.
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Vocês queriam canções: doce-brancas como açúcar...
Mas, do oceano que lambe as praias, eu só quero falar destas gentes:
dos males que lhes fizeram, do pouco que lhes demos, do tanto
que lhes devemos
(vou me ater, no entanto, a Maria – aos seus filhos e pentanetos
Vou lhes seguir cada passo, geração a geração).
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Deste povo, “Todas e Todos”,
todos nós temos um pouco.
Levante a primeira gota quem souber ou achar que não,
e depois disso se cale, ou se vá para a Grande Casa,
se não se sentir como irmão.
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Primeiro nasceu Pedro, já depois da Abolição.
Filho enfim liberto de Maria, quase ficou famoso
por ser primo do já célebre Operário em Construção.
Mas não encontrou trabalho,
e, por isso, roubou um pão.
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Foi linchado em via pública
por gente de bom coração,
e isso na mesma época, em que num país mais ao norte
– entoando canções patriotas – matava-se à contramão.
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Pedro, coitado, nascera
na Era dos Linchamentos.
Já longe, entregue ao rio dos tempos,
ia-se a Era Primeira – a da velha Escravidão.
Ao norte, matava-se à farta – aqui, por um pouco de pão.
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Mas então nasceu Jorge – de uma nova geração.
Chamaram-lhe para uma guerra, para defender o país
dos tais fascistas que nos queriam impor outra escravidão.
Como neto tão direto de Maria, não lhe deram qualquer patente,
mas lhe atribuíram missão: deveria buscar minas (quando fosse a folga
de ser bucha de canhão).
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Em um passo em falso, pisou na morte!
Não teve sequer a sorte – o bravo soldado forte –
de merecer uma Missa Breve, ou de ganhar um monumento
(“É um pracinha desconhecido, de fato, mas não é da cor que queremos;
o mármore que temos é branco, passemos a honra ao próximo:
eis aqui a solução”).
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Iam-se os tempos da Escravidão,
fora-se a Era dos Linchamentos,
acabara (de acabar) a Idade da Desrazão.
Abria-se novo momento: A Era-Segregação!
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Datam de então as Favelas
tão próprias para todos; mas especialmente talhadas
para os bisnetos de Maria.
E ali, no calor de um dia,
nascia o nosso João:
finalmente um João!
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Pouco sabemos dele
por falta de documentos.
Dizem que morreu das meninges
no mais duro chumbo dos anos tristes,
na época em que a doença – proibida nos jornais –
aceitava a segregação.
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Só sabemos que foi pai
do Trineto herdeiro de Maria.
Este, por falta de qualquer emprego,
e por vergonha de pedir esmola,
tornou-se um bom ladrão.
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Roubava dos ricos para dar a pobres,
ainda que nem precisasse tanto:
seu destino já fora traçado,
indiferente à profissão,
nesta Era da Prisão.
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Também ele deixou filho
– o brilhante e sábio Tetraneto de Maria –.
A vida deste bateu na trave: quase recebeu a cota!
Mas então soube que já chegava
a Era da Assombração.
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[BARROS, José D'Assunção. publicado na revista Ensaios, 2024].
"Emancipar-se da condição de barbárie conformada pelo racismo.
Racismo esse criado, alimentado e mantido de pé, através dos mecanismos de controle da burguesia e escravista brasileira. Romper com a noção de ser negro sumiço imposta pela burguesia através do controle e da administração estrutural, impressa na cultura industrializada e vendida cotidianamente, através do discurso da representatividade, da igualdade e da inclusão" do negro "único"
Eu digo que: Nós pretas e pretos precisamos romper para além das falas de ordem ... Se somos irmãos de cor e de dor, temos que nos incentivar e nos abraçar nessa luta por cidadania . Pra deixar de sentir as brasas é uma ferramenta usada para marcar nosso povo ,marcou nossa alma e nos torna onde que estejamos um só...
Tudo que conquistamos de fato é nossa ancestralidade que é nosso legado Agora precisamos mostramos as garras da "pantera", beleza ,força a dominação não exterminou ... Nos reinventamos hoje mais que nunca, infelizmente em alguns casos reproduzidos pelos capitães do mato da modernidade que rendeu-se ao sistema opressor.
Infelizmente!
- Não e fácil ser herdeiros de DANDARA,ZUMBI e tantos outros que vieram antes ...
A população negra continua a sofrer em nosso país . Além de resistir, a gente precisa existir e não coexiste ...
Que a sonoridade exista de fato para todas as mulheres e pretos juntos, porque entre nós existe a Rebeldia que é nossa liga e alimento.
Consciência
Se conscientizar é acordar
É despertar
É entender
Compreender
Tem relação com tomar ciência
Abandonar a indiferença
Perceber a desigualdade
Lutar pela igualdade
Tem relação com a percepção de povo, de raça
Honrar a cultura, ancestralidade, crenças
Semelhança
Diferença
Valorização da luta
Reconhecer a contribuição, importância, relevância de um povo
O povo negro
A pele cobre o corpo
Embaixo dela todos feitos de células, músculos, ossos
Em essência, fisiologicamente iguais.
É preciso romper as barreiras do racismo estrutural
Negro na política
Negro no legislativo
No Judiciário
Em BMW
Em jatinhos
Comandando empresas
Nas universidades
Queremos mais....!!!
“Ter consciência negra é valorizar nossa ancestralidade, nossa cultura, independente de dogmas religiosos. É olhar e valorizar a cor da alma e não da pele; o valor humano e não monetário; o valor da paz e não da guerra; o valor do amor e não do ódio”. Rose Rozendo
#ConsciênciaNegra #Valorização #CulturaAfro
Tão novo nesse drama no fundo do poço, às vezes penso e se eu morrer agora, eu só deixei desgosto👌🏾
A colheita
Ceifado foi
a mando do seu senhor.
No canavial que trabalhava
uma emboscada lhe fizeram
enquanto sua boi acomia
a luz do meio-dia.
Gritar não podia,
lutar não conseguia,
teve suas mãos e pés amarrados
como um Cordeiro a ser imolado.
O facão amolado
a cana não cortou
mas, sim, o pescoço do escravo o degolou.
O sangue encharcou a terra seca
pois a chuva lhe faltou
e o sol foi sua sua única testemunha
nessa covardia tamanha.
O seu corpo foi enterrado
numa vala comum
e uma cruz lhe puseram
com o nome João de Jesus.
Esse fato aconteceu
e entre os seus
ninguém ousa comentar.
Que isso lhes sirvam de lição!
disse o Capataz
a quem não obedece o seu patrão.
Resta aos negros
cantarem uma canção
de saudade e de esperança
até que chegue o dia da libertação.
Se você é homem, não discuta com uma mulher sobre machismo.
Se você é branco, não discuta com uma pessoa preta sobre racismo.
Se você é hétero, não discuta com um gay sobre homofobia.
Não discuta!
Se você não tem conhecimento de causa, apenas escute e apoie.
E se não concordar, se cale e respeite.
Pois talvez você nunca entenda como é injusto viver sempre tentando convencer alguém de que a vida não é tão justa
Por um mundo onde o negro, possa ser visto pelas suas escolhas e ações e não pela cor da sua pele.
A minha cor não define quem eu sou!
Eu não quero só um Dia de Consciência Negra, quero 365 dias vendo vidas obtendo paz e respeito.
No mundo com tantas etnias, religiões e opções, o povo insiste em perseguir o tom de pele.
Os animais dão uma aula de humanismo, não matam, não ferem, não abandonam seja qual for a cor da sua raça ou até mesmo a do seu "humano". Triste ver esta falta de consciência até entre os próprios!
Afeto entre nós é conexão ancestral.
Por que eu não te amaria se eu me vejo em você?
Pode parecer narcisismo, mas olha sua cor, tão perfeita! ela parece com a minha. Seus olhos castanhos e seus cabelos negros, seus traços, seus gestos, tudo em você é tão sutil e agressivo ao mesmo tempo que me sinto afetada. Encantada.
Afeto.
Seus lábios grossos, quentes. Sua pele num "tom aveludado", suas mãos, suas dores; elas se parecem com as minhas. Nos seus olhos eu consigo ver todo julgamento que jogam em você, eu sinto o peso que é estar nessa pele. Não no corpo, o peso do teu corpo eu sinto de outra forma, sinto fisicamente. Mas o seu sofrimento, o seu olhar me mostra.
Por isso me sinto afetada. Por isso eu quero sentir a temperatura da sua respiração no meu pescoço. É como um café quente, recém coado que me estimula nas manhãs.
Quero aliviar, pra gente, tudo que já passamos. Dentro de mim tem uma vontade incansável de te salvar de todo o caos que já nos causaram. Te oferecer isso é como se estivesse fazendo a mim mesma. Por que eu me vejo em você.
Quanto te tenho em meus braços é como se me abrigasse num mundo feito de nós mesmos. Naquele mundo que nossos ancestrais nos mostram naqueles sonhos lúcidos feito de nostalgia de uma vida que não sabemos como as vezes vem a tona, mas sabemos que existiu.
Eu te quero, te aceito, te mantenho em mim. Por que me vejo em você e você é para mim tão importante quanto eu.
Ontem o continente africano foi o suporte da escravatura negra e da riqueza do homem branco, hoje o negro africano é o suporte da "novus-escravature" e da pobreza do homem africano com a conivência do Ocidente.
Somente a mente de um negro corrompido pelo sistema colonial pode pensar que a sua cor é fruto de alguma maldição, o ocidente deixou parte de suas sementes em África "negros que acham abominável seus traços e cor".
In, Machado pesado
O Olho Negro da Superação"
No centro da pequena vila de São Miguel, vivia um jovem chamado Pedro. Ele era conhecido por sua paixão pelo esporte, especialmente pelo boxe. Desde criança, Pedro sonhava em se tornar um grande pugilista, inspirado pela história de lendários campeões que superaram inúmeras adversidades.
Um dia, ao se preparar para um importante torneio, Pedro enfrentou um desafio que testaria sua resiliência como nunca antes. Durante um treinamento rigoroso, ele sofreu um duro golpe que resultou em um doloroso olho negro. Com o rosto marcado pela contusão, Pedro precisava decidir se continuaria ou desistiria de seu sonho.
Enquanto o mundo o aconselhava a descansar e se recuperar, Pedro não se deixou abater. Ele viu o olho negro como uma prova do esforço que estava dedicando para se tornar um campeão. Cada vez que se olhava no espelho, via o reflexo de sua coragem e determinação.
Semana após semana, Pedro treinava com foco redobrado, superando a dor e as dificuldades. A cada luta, ele deixava sua marca no ringue e nos corações daqueles que o assistiam. Sua persistência e dedicação inspiravam a todos, mostrando que o verdadeiro significado da vitória estava além de troféus e medalhas.
Chegou o dia do tão esperado torneio. Pedro subiu ao ringue, olho negro ainda visível, mas sua confiança e garra eram inabaláveis. Lutou como nunca, dançando entre os golpes adversários e revidando com coragem.
Ao final do torneio, a vitória não lhe foi concedida pelo título, mas por sua capacidade de se superar e enfrentar todas as adversidades. Pedro se tornou um símbolo de perseverança e coragem para sua comunidade.
A partir desse momento, cada vez que alguém via um olho negro, lembrava-se da história de Pedro e do poder da vontade humana. Seu espírito resiliente continuou a inspirar gerações, provando que, assim como o sol sempre brilha após a tempestade, a superação é possível mesmo nas situações mais difíceis.
Portanto, quando o mundo olhar para um olho negro, lembre-se da história de Pedro e permita que ela o motive a enfrentar seus próprios desafios com valentia e determinação, porque a verdadeira força está em nunca desistir de seus sonhos.
