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Condenação
(Marcel Sena)
Desperto embalando o sono da morte,
Vagando num vale de sonhos desfeitos e escuridão,
A penumbra iluminando os gélidos passos,
Para os sombrios campos de desmoralização.
Em teus últimos suspiros. O Herege de joelhos cai.
Com a cabeça erguida para a morte, lagrimas lhe cairão.
Num ímpeto de coragem, branda a voz do coração:
Jaz aqui estarei, num momento de solidão,
Pecador somente serei pela fala da multidão.
Sentimentos oprimidos, deles livre serei.
Se na morte encontro paz, com a morte me encontrarei.
Sociedade julgadora enviada para lá sereis.
Ame este ame esta, importante é que amei.
Para o inferno só vós ireis, pois de amor eu me criei.
Cuiabá, 15 de setembro de 2016
Prevalecer em uma guerra no meio de bombardeios e balas perdidas é questão de fé; mas um soldado valente de honra, mesmo ferido persevera até a morte.
“O que comete homicídio será vingado de qualquer maneira, por Deus, ou, pelas homens; mas o arrependimento livra da morte."
Se o homem pudesse evitar o seu próprio nascimento, não se sentiria tentado depois de nascido, a buscar a sua própria morte.
Nós morremos muitas vezes durante a vida. Morremos ao perder um parente próximo ou algo de extremo valor. Morremos ao nos decepcionarmos, ao sermos traídos, desvalorizados, esquecidos, trocados. Mas essa morte é a morte do nosso interior, a morte dos sentimentos. Com certeza é uma morte pior do que a morte biológica propriamente dita. São mortes que apresentam fins antagônicos, ao mesmo tempo em que a morte biológica é a libertação, a morte do interior é o aprisionamento, o fechamento de si mesmo. Onde a tristeza e o sofrimento parecem ser infinitos, o tempo começa a passar mais devagar, a esperança deixa de existir. Por mais que pareça contraditório, um vazio enorme passa a preencher nosso interior, é um sofrimento que aparenta não ter fim. Apesar de tudo, existem duas consequências: ou você superará esquecendo, seguindo em frente, ou a frieza passará a fazer parte de você. No primeiro caso, isso servirá de fortalecimento para você mesmo, nada como a vida não consiga ensinar. Mas no segundo caso, poderá tirar o sossego das pessoas que te amam, e até magoá-las sem que seja a real intenção. O que todos queremos, é ver as pessoas que amamos felizes. Quando alguém que amamos torna-se frio, seja lá por qualquer motivo, isso nos atinge de alguma forma. Tudo que passamos durante a vida serve como aprendizado, são provas que desde nosso nascimento estávamos suscetíveis a enfrentar. Não há nada que o tempo não cure, às vezes inicialmente podemos discordar dessa ideia, mas posteriormente veremos que tudo não passou de um mero fortalecimento para nós mesmos. Qualquer exagero de otimismo, pessimismo ou realismo, fará com que fiquemos presos a um falso pensamento. Otimismo demais nos leva a uma fantasia, onde qualquer coisa muito ruim nos tornará pessimistas. Pessimismo demais nos leva a uma visão decadente, onde qualquer coisa muito boa nos tornará otimistas. Já o realismo, podemos dizer que nos leva a uma visão parcial de otimismo e pessimismo juntamente. Portanto, devemos prezar por doses moderadas de realismo, jamais exageradas. Qualquer exagero de uma dessas escolhas nos resultará no fracasso e no aprisionamento mental. Contra nossa vontade, os sofrimentos no nosso interior são pesadelos que vivemos enquanto acordados, e são mortes que sentimos enquanto vivos.
Meu sonho é me formar. Ir para a faculdade, conseguir um emprego. Ter filhos, criar os filhos. Viver uma vida comum e ter uma morte comum.
Quando a morte começar a desfiar, e encontrar nesse tecido o fio de vida que me mantém, dê-me flores.
Talvez hoje seja a última vez que escrevo. Talvez sejam essas minhas últimas palavras. Talvez minha última refeição seja hoje. Talvez o sorriso que viu partindo de mim seja o último que lhe darei. Talvez eu não esteja aqui no próximo alvorecer. Pode ser que o que não me disse hoje não possa dizer amanhã. Talvez até diga, mas não ouvirei. Pode ser que o "eu te amo" dito por mim a você seja o último que ouvirá com o som da minha voz.
Só percebemos a intensidade da vida quando entendemos que ela e a morte caminham de mãos dadas por um vasto campo onde uma semeia e a outra colhe.
Viver requer a nossa morte. Quando morremos (morte para o mundo), encontramos realmente a nossa verdadeira vida (vida nos caminhos de Deus). Tem um filosofo que diz “a vida é a soma de nossas escolhas” (Albert Camus). Concordava até observar que a Cruz também é sinal de vida. E também forma a soma. Logo a vida é a soma do Amor Vertical (Amor de Deus por mim, maior que todas as coisas) e o Amor Horizontal (Amor que tenho por mim e pelo meu próximo). Assim quando colocamos o Amor de Deus para fazer as nossas escolhas, poderemos nem entender o significado ou propósito, mas Deus sempre tem o melhor para as nossas vidas. Não temas. Apenas deixe-se guiar pelo sopro abrasador do Espírito Consolador.
Se, em meu diálogo com meu Deus interno, ouvisse dele que, por algum mérito, eu teria direito a uma graça, vêm-me à consciência ter recebido muito mais créditos do que débitos em toda a história escrita até aqui, não havendo nada mais a pedir. Assim sendo, a única coisa que ainda me restaria esperar seria um último momento sereno, entendendo isso como livre de sofrimento para mim a para os que deixo ao transpor meu portal. Mas sou capaz de assimilar que pelo entendimento de Deus essa serenidade se apresente de uma forma diferente da que concebi.
'A MORTE'
Inevitável, silenciosa e profunda,
A morte nos envolve em seus braços gélidos.
É a derradeira viagem, a travessia
Para o ignoto, onde o tempo se dissolve.
Sob o manto da noite, ela nos conduz,
Além das estrelas, além dos sonhos.
Ali, achamos o descanso almejado,
Onde não existe dor, temor ou pranto.
A morte é o derradeiro baile, o último alento,
A despedida da vida e do mundo que nos é familiar.
Mas, quem sabe, ela possa ser também
O prelúdio de algo novo, um percurso sem fim.
Assim, quando a penumbra vier ao nosso encontro,
Que possamos estender a mão com bravura e paz.
Pois na morte, porventura descubramos a verdade,
O esclarecimento dos enigmas que nos rodeiam.
