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Gosto da metáfora da montanha russa, porque é exatamente assim que a vida é. Ora estamos em cima, ora embaixo. Por isso, não peço a Deus o marasmo de uma vida linear, peço sabedoria, fé, coragem e paciência. Sabedoria para que eu saiba aproveitar com entusiasmo os momentos que eu estiver no alto; fé para não me deixar contaminar pela ansiedade do declínio, que inevitavelmente virá; coragem para que em meio à angústia da descida eu não perca o controle e a esperança e, paciência para esperar sem desespero o momento de novamente estar no alto.
Se a vida fosse um problema de matemática, eu teria me dado melhor. Sempre desejei tratar as pessoas como fazia com aritmética: simplesmente encontrar os denominadores comuns e resolver.
Existem dois tipos de flores quando se trata de mulheres. O tipo que fica seguro num vaso bonito, ou aquele que sobrevive em qualquer condição... mesmo no mal.
Se eu fosse um árbitro, se a vida fosse um jogo, eu deveria ter parado e gritado Falta! ou Recomece! Mas não há árbitros na vida real, nunca há um recomeço.
Muitos provérbios são feitos de metáforas como adorno para ideias, pois, literalmente, estas últimas seriam menos compreendidas sem aquelas.
O amor verdadeiro é o aço mais forte que existe. É uma lâmina que pode ser derretida, cuja forma pode ser alterada a cada batida de um martelo. Mas ninguém é capaz de quebrá-la. Nem mesmo a morte.
Nodo norte e nodo sul.
Já fui morte, já fui ao azul
nublado e à dourada estrela
enquanto ardia em chamas púrpuras. Treda
sou, a verdade eu prego.
Neste planeta ou em outro,
não importa. Pra sempre eu
serei horrivelmente bela,
magnificamente torta.
Tu bem sabes que não adianta
mentir pra ti mesmo.
Nesta vida e em outras,
tal mania te trará autodesemprego:
vazio de ti, teu não-ser comandante do caos orquestral.
“Corre, e vê se acelera!
Te apressa que essa chance única
é escorregadia. Tu não merece nada além disso, vadia!”
E, assim, a lúdica ilusão te encarcera.
Coleira
José é dono de Kiwi
e o nutre com rações de qualidade.
Embora custe caro, a felicidade
recompensa enquanto amor tiver.
Tudo certo, tudo indo
até que Kiwi não consiga mais
respirar. O carinho mútuo permanece infindo,
assim como a dor de José,
que investe saúde mental de dez
vidas, e o cachorro nem consegue ficar de pé!
Kiwi morre, José desidrata
de tanto se lamentar: “pobrezinho do bichinho!”
Agora tu vira-lata é, senhor.
Fareja teu ex-lar
afim de te encontrar.
Os dois eram um.
Eram, no passado,
porque agora José é nenhum
e Kiwi tornou-se alado.
A mediocridade é como um tio falido. Depois que ele se muda para a sua casa, é quase impossível fazê-lo sair.
Pseudomoda
Fácil seria se tu me odiasses,
mas não tenho a coragem necessária
para adotar outras faces.
Te quero bem perto e bem longe, emoção hilária
esta! Tu já estás imersa em meu ser
e canta numa distância saudosista. O que adianta
te querer como quero, se essa mista
vontade-amor-dor já é finalista
nesse concurso de identidades não-santas?
Berrantes, eufóricas, barrocas, eu-fora
do eu-dentro. Adentro o pseudo-eu
que sou eu mesma. Perco-me nesse desfile
cruel, frio, pegajoso, estridente.
Pois não sou nada,
mas sou todas concorrentes.
Capa de chuva num dia ensolarado
porque, no altar, forte é a tempestade.
De acordo com o combinado,
os membros todos vestidos de ambiguidade.
Na igreja eles rezam, rudimentam-se e roem
suas próprias vísceras. Comida não há
e a sanidade os destrói.
As portas de madeira, lacradas. Lá
no céu, os portões enferrujaram.
“O altar está em chamas!
Socorro! Não quero morrer
tido como louco!”
“A água benta evaporou!
Deus, me perdõe
mas para o inferno sei que vou!”
E berram até perderem a voz
aqueles que não desmaiaram de pavor.
Morrerão, sim, todos. Nós
assistiremos tal sacro-divertimento sem respingo de dor.
Na literatura, o fantasma é quase sempre uma metáfora do peso do passado. Não acredito neles no sentido tradicional.
A vida é igual a andar de skate na ciclovia! Que uma hora ou outra alguem te passa! Mas quando você cai, aí você se conhecerá de verdade! Quem é você? Alguém que chora, vai para a mamãe e desiste do skate pq é muito difícil de andar ou é aquele que engole o choro, levanta, coloca o Skate embaixo do pé, levanta a cabeça e continua mesmo com os ferimentos?
É como se a dor tivesse sido coberta por um tipo de cobertor. Ainda está ali, mas as pontas mais afiadas estão... acolchoadas, ou algo assim. Então, às vezes, eu levanto uma ponta do cobertor, só para checar e – uau! É como se fosse uma faca! Não sei se isso vai mudar um dia.
Podemos afirmar, então, que se tratava de uma loucura inautêntica, desejada, como se a vida fosse um teatro onde as pessoas pudessem arvorar-se um papel e representá-lo enquanto lhes desse vontade.
Amor, substantivo abstrato.
Dois, numeral.
Pessoas, plural.
Planos, sujeito indeterminado.
Sentimentos, singular.
Nós, sujeito oculto.
Eu, metáfora.
[...]
O perdão é como um médico. Você não sabe o valor que tem até precisar de um. E nos dois casos será porque está doente.
