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Em janeiro (que passou) ele faria quarenta e seis anos de vida.
É como se o seu desenlace espiritual me gerasse uma sensação física de perda, mas que o desconforto estivesse apenas no fato de não me ver vivendo nele. Quando ele dizia o quanto me amava, o quanto me respeitava, é como se eu vivesse nele também e isso me preenchia de alguma forma. A tal da referência sustentada pela reciprocidade incondicional.
Quando lembro, penso, converso com ele; sinto ele perto, como se ainda estivesse na mesma dimensão que eu. As passagens, as memórias se renovam. É como se o ontem virasse o hoje. Aí paro, reflito, e intuitivamente espero o mesmo. É quando me falta a fala, o abraço, o beijo. Ações que se foram com ele.
O que mais sinto falta? Da minha incapacidade de estabelecer um diálogo que me permita dar e receber. Eu falo, mas não ouço mais. Eu abraço, mas não sou mais abraçado. Eu beijo, mas não sou mais beijado. Ele vive em mim, mas não me vejo vivendo nele. É disso que tenho mais falta.
Saudades, meu irmão.
Há dias que a vida parece nos escapar
Há dias que as partidas somam milhares de vidas que vão para não mais voltar
Uns partem cedo, sem nem chegar.
Todos deixando ausência e saudades
Todos mostram a face da morte que não tarda, por mais longa que seja a vida.
São muitos
São jovens
São vidas
todas importam.
Saudade não é um sentimento de perca. É um sentimento de ganho. A saudade não significa que as pessoas se foram da nossa vida. Significa que elas vieram e cada segundo junto valeu a pena.
"Nunca se sabe quando será a última vez que você vê uma pessoa que ama, se esses últimos acontecimentos me ensinaram alguma coisa, foi nunca desperdiçar momentos importantes ou ficar com medo de dizer certas palavras. Se você ama alguém, diga de uma vez o tempo passa num piscar de olhos, quando você vê está perdendo alguém importante. O medo te dá as desculpas que você deseja para não dizer as coisas que sabe que deveria. Não podemos deixar esse medo nos segurar, só vivemos uma vez, e somente eu posso escrever a história da minha vida, então não vou desperdiçar essa chance."
"Estou em luto,
mas luto para sair
d'ele, pois é um sentimento
que leva-me a profunda
tristeza constante na mente
preciso vivê-lo
pra amadurecer
na certeza
que um dia irei
recomeçar
em um novo
amanhecer."
Na dança da vida, a morte é traiçoeira,
Surge sem aviso, sombria companheira.
Em dois velórios, dois diferentes cenários,
A dor, um elo entre tempos adversários.
Uma senhora de idade, 85 anos serenos,
Viveu sua jornada, partiu desse terreno.
Mas a dor entre os familiares é lógico que ainda persiste,
O vazio, a despedida, ninguém resiste.
No segundo cenário, a mãe da jovem, com 25 primaveras,
Grita alto, e, sua voz enche as esferas.
"Minha companheira", ecoa a aflição,
Um lamento que corta o coração.
Ao consolar, damos força e calor,
Abraços que acalmam a dor, o temor.
Mas no ir e vir, entre o consolar e o vencer,
Vejo o ciclo da vida se perder.
Pessoas focadas em metas diárias,
Enquanto a empatia se perde em rotinas diárias.
No caminho para consolar, a solidariedade se esquiva,
Entre a dor real e a busca incessante de uma vida ativa.
Escrevo, pois a alma chora em versos,
A dor,
o luto,
entre risos dispersos.
Me sinto um pouco mal de aproximar a perda de um amigo à perda de um amor, de uma companheira de vida, que parece pior. Mas aí eu penso que quando falamos de morte, falamos de vida, e das belezas da vida. Então escrever sobre o fim é também tratar do que se viveu. E quando contamos o que vivemos há a oportunidade da memória ficar ainda mais bonita.
O tempo é um pouco traiçoeiro, ele levará embora as pessoas que você mais ama, deixará lembranças que não irão mais existir, e te fará perceber o quão frágil somos.
Quando estiver diante de uma tragédia, do luto de alguém próximo a você e não souber o que dizer, fique calado. As vezes as pessoas precisam mais da sua compaixão do que das suas palavras.
Quando os pais morrem, você acaba os deixando ir. Mas quando morre um filho, ele fica no coração.
Quando eu precisava rir, você me contava suas piadas horríveis. E quando precisava de um ombro para chorar, era o seu. Agora você se foi e… Não me sinto mais inteira. Sinto muito a sua falta.
Senti uma brisa leve tocando meu rosto, então respirei profundamente. Sentei-me na sombra de uma árvore, fechei meus olhos e desliguei-me do mundo. Naquele campo verde com belas flores e ao som do cantar dos pássaros, pude, então, descansar.
A tempestade havia passado e o dia trazia novas promessas. O sussurro do vento cantava uma canção que dizia que era hora de recomeçar, desacelerar e seguir de onde o mundo parou. Então fui e aceitei a chance que me haviam dado. Nem tudo se perdeu.
Eu te amei ainda antes de te conhecer, eu sonhei com seus olhinhos, com seu rostinho, agora que não vou mais poder te conhecer, pereceu que uma parte do meu coração foi junto com vc, e ninguém no mundo jamais vai conseguir colocá-la de volta.
A nossa cultura não nos instrumentaliza para lidarmos bem com a morte. Na verdade, a gente lida mal com a educação sentimental como um todo. Somos criados em um sistema que menospreza os sentimentos. A gente vive na barbárie. Somos profundamente carentes de ferramenta para trabalharmos as emoções.
E de forma imersiva a solidão, encontrei-me quando partiste e esqueci quem um dia fui nos melhores dias ao teu lado.
Quando pessoas importantes partem, levam parte de nós que só existiam com eles. Esse é o fundamento da existência!
Francisco Luiz, meu ex-marido.
11/10/1949 - 07/02/2021
Ele era desprendido, não visava coisas alguma, mas viver um dia de cada vez , sem luxo, sem ganância, sem ambição, gostava de festas, músicas , bebidas, gente, pessoas. Estava o tempo todo cativando amizades, sempre visitando os amigos, não guardava mágoas, rancores, apaixonado por crianças. Creio que isso que fazia com que eu tinha admiração por ele, por essa capacidade enorme de perdoar, esquecer a dor, a humilhação, com sorriso aberto, para pobres, ricos, feios ou bonitos tinha um olhar com filtros que filtrava só o bem das pessoas. Eu falava sempre pra ele que o meu amor fraternal, por ele era cego e ele sorria. O amor carnal acabou, o que ficou foi o amor verdadeiro de irmão em Cristo pois 10 anos separados ainda usávamos chamar de “bem”.
A morte judia muito comigo, eu sofro muito, mesmo entendendo tudo que Deus é mais.
Sobre as flores
Quando morrer
Não se preocupe
Vão cuidar bem de você
Vão te vestir
Arrumar seus cabelos
Arrumar tempo
Cancelar compromissos
Mover-se para se despedirem
Irão chorar por você
Irão estar com você
Irão lembrar de você
Irão te elogiar
Mas por favor
Não espere isso enquanto estiver vivo
A saudade é como uma velha amiga, que volta e meia vem nos visitar, mas sempre deixa um gosto de "fica mais um pouco?".
