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As palavras vão saindo, se queimando em meus lábios, letra por letra. Quando vi, já torrei minha própria língua...

É bem melhor ser coautor de coisas brilhantes do que autor solitário de coisas medíocres.

A beleza exterior atrai os olhares, aproximam as pessoas, mas tempo corrompe beleza e os que se aproximou de ti por ela, por ela também se vão. O interior encanta e também aproxima as pessoa, mas esse, o tempo não leva. A beleza interior é como o vinho, a pessoa prova, e quanto mais tempo passa , melhor vai ficando. É esse sabor gostoso da veracidade, da autenticidade, da transparência, que nos faz apreciar o seu interior. Idêntico a uma garrafa de um bom vinho, o rótulo chama atenção, mas a pessoa só volta atrás dela se o conteúdo for bom...

Em mil vidas eu seria grata por você ter me tornado poeta. Mas até hoje eu não entendi porque meu coração precisou ser quebrado.

Navegue. Mas seja forte ao naufragar.

Cola em mim pra eu gravar teu cheiro.

E eu irei cuidar de você para todo o sempre do nosso amor.

Não crie expectativas. Crie mecanismos de defesa.

A segurança pública virou caso de segurança pública.

Não foram os pregos que o prenderam na cruz, foi o amor Dele por nós. E foi por esse amor que Ele também ressuscitou. Por isso, celebre a vida todos os dias e viva intensamente todas as formas de amar; não deixe que o sacrifício Dele por nós tenha sido em vão. Feliz Páscoa!

⁠👏Quarta feira chegou...Simbora, para luta? Que a vida continue seguindo seu rumo, depois desta forte sacudida, sem esquecer de valorizar e celebrar as pequenas coisas de cada dia. viver e amar nunca mais serão separados. Bom dia, cheio de saúde e paz para todos nós!🙏

Nunca desiste, porque amanha pode ganhar

Passarela

Beija-flor a beijar a rosa.
E a menina encantada
Dançando balé, enquanto
Todos estáticos admiravam.
Carro buzinando, garoto
Querendo vender balas,
E outros fazendo malabarismo,
Postes acesos fora de hora,
Prédios que fecha o azul do céu,
Onde a minha visão poderia
Buscar ver algo além…
Rádio ligado em toda parte,
E a música que fica na minha memória
Parece que varia.
Escola a tocar a sirene, estudantes
Indo para casa.
Eu aqui parado a escrever
O que nunca tenho visto
Na minha vida.

Valter Bitencourt Júnior
Passagem: Poesias, 2017

Paz

Porque foram as ramagens de folhas
Que sussurraram vagarosamente
Sem que ao menos pedisse, e livre
Aceitei todo o aroma
Que exalava o vago perfume.
E todo o tecido de lã
Que costurava o vento.
Algodão a voar pelo ar
E um banho de neblina;
Surgia das cachoeiras,
Por entre os seixos, o disfarçar
Do dia, o esconder da beleza por
Entre o róseo de cada instante.
Eu a mim desmanchar por entre
As nuvens, moro por entre os castelos
Suntuosos, preso por entre a prisão da noite,
A minha imaginação pensa
Vivenciar cada elemento...

Sou uma criança, a brincar de barquinho
De papel...

Sinto-me sensível,
Sinto-me fraco,
Quero voar!

Desculpa...

Desculpa!
Se o meu amor por ti
Não é eterno,
Passamos as mãos
Em uma ilusão contínua,
Mas tudo quer dar um basta.
Desculpa!
Se não sei ou não soube
Dar-te meu amor,
Apesar de existirem
Muitos afetos...

Valter Bitencourt Júnior
Toque de Acalanto: Poesias, 2017.

Diz

Gosto de quem gosta de mim.
Gosta, e simplesmente gosta,
Gosta do meu ser em si,
Eu gosto, de quem gosta de mim.
Pessoas são pessoas,
Pessoas não vivem sem pessoas,
Uma pessoa precisa da outra.
Sou gente, e gente gosta de gente,
E se não gosta perde,
E se não gosta, não gosta,
Mas um dia aprende a gosta de gente,
porque gente é gente.
Gosto da gente, gosto de gente
Com muito amor, gosto de quem gosta do
Meu ser, e quem não gosta aprende a gostar.
Sou gente, você é gente, somos povos
Meu povo, pertenço,
Pertenço também ao seu povo.
Gosto de tudo, gosto de você,
Você pode gosta de mim..
Gosta, gosta, diz!

Exercício

Subi a ladeira
Desci a ladeira
Subi a ladeira
Desci a ladeira
Salvador, Bahia, Brasil
Faz bem ao coração.
E assim subo ladeiras,
Desço ladeiras,
Entro em becos
Saiu de becos,
Subo ladeira
Desço ladeira
E em cada esquina
Uma música
Um reggae
Um rap
Um funk
Um pagode
Um samba

E vou seguindo
Subindo ladeira
Descendo ladeira
Entrando em uma esquina
Saindo em outra.
Salvador, Bahia, Brasil
Pulsa em meu coração.
Pertenço
A Bahia.

Malandragem

Vem do nada...
- Diga aí, cara!
Como vai, “broder”...
E eu respondo
Vou indo, mano...
Como vai a mina?
A desconfiança responde
- A nega está estirando
Os cabelos chapa.
- E a sua mãe,
Broow, como vai?
- A coroa vai levando
Meu...
-(Chega à bisteca).
...Beijos...
-seus cabelos, hem!...
Gata estilo rock hooll
Mana...
E o amigo dá no pé
No dia seguinte
Surge do nada
-diga aí, cara!...

Valter Bitencourt Júnior
Toque de Acalanto: Poesias, 2017.

Livro / cérebro

Vou conectar o meu cérebro ao livro,
E fazer de cada livro uma leitura
Um interpretar, um convívio
Quero penetrar no livro, andar com
as palavras e aprender cada
significado, seu sentido
real e abstrato.
Quero que o livro faça parte da minha vida
E a minha vida quem sabe venha
A fazer parte do livro.
Quero ser mais que cabeça,
Quero saber a hora de me colocar
Em todas as situações
E a hora de sair de fininho
Ou de não me colocar
Em situação alguma.
Quero conhecer um pouco de tudo,
E fazer o máximo para conhecer
mais ainda o mundo, a vida, os seres, as coisas…
Quero ter ideias, quero praticar
as ideias, quero vivenciar cada
situação num livro e fora do livro.

Quero conectar o meu cérebro no livro,
fora do livro,
dentro do livro,
na capa do livro,
nas folhas do livro.
No mundo do livro.

Meu aniversário

Meu aniversário, 25 de junho,
21 anos, anos atrás nascia
Em 1994, e o tempo passa
Sou poeta, e continuo vivo

Passar de 21 anos, não é muito
Neste tempo de poetas maior
De idade, que sobrevive
O tempo em nossa contemporaneidade

E vejo dentro do meu ser
A confiança de que cresci
E ganho autonomia

Vivo cada instante e momento
Quero todo dia,
Poder respirar poesia.

Valter Bitencourt Júnior
Aprendiz: Poesias, frases, haicais e sonetos, 2021.

Moça do meu sonho

Não sei quem era,
Mas tinha uma noiva
Nas areias
Do cais

Era uma virgem
Dona de um olhar
Casto, de um corpo terno
De um jeito singelo.

Não sei por que
O sonegar.
De tanto negar,
De tanto brincar.

Tinha uma marca
Danúbia
De um corpo adulto
De uma alma jovem

O vestido pesava
Mas estava só
Não sei mais onde...
Naquele altar!

Valter Bitencourt Júnior
Toque de Acalanto: Poesias, 2017.

Não me esqueça

Venhas pros meus braços
Não se aflija!
Quero sentir a essência
Do seu perfume de jasmim,
Quero designar
A cor dos teus olhos.
Teus olhos são o azul do céu
Mesclado com o amarelo
Das flores
E resultam nos verdes dos rios
Venha meu amor,
Saciar minha sede,
lembrar momentos
Perdidos
Que sequer sabemos
Onde achar!

Valter Bitencourt Júnior
Toque de Acalanto: Poesias, 2017.

O Cálice do Chico

O cálice do chico
Não foi feito pra beber
carrega a censura
De homens fardados no poder.

O cálice do chico
Traz em seu olhar
Uma canção, dá pra ver a tristeza
Que passa em seu coração

O cálice do chico
É um protesto
Um pedido
Mais que humano

“Pai afasta de mim esse cálice”
E a ditadura buscava calar
E já calou diversos artistas
E esse trocadilho de palavras

Dá força a música
Transforma a canção
Em poesia, penetra na mente
De quem raciocina

E busca fazer a revolução
Um cálice, de muitos cálice
Muitos sangues já foram
Jorrados no chão

Até hoje nos querem
Empregar
O cálice, maldito,
Que mete medo na nação.

Bola

Sou uma bola entre espinhos
Sem peito, sem ar,
Humilhado e chutado
Por um ser inadmissível!

Valter Bitencourt Júnior
Toque de Acalanto: Poesias, 2017.

Perfeição

Olha a perfeição,
Rebolando,
Dançando,
Cantando,
Como se fosse uma rosa,
Olha a perfeição rosa,
Morta em sua direção como
O céu ao vento
Olha a perfeição tranquila
Beijando o relento.
Olha a perfeição vermelha cor
De guerra chorando a beleza…
Olha a perfeição como o sótão
Escuro; como a cortina da noite,
Suja; como o branco de um assento,
Visível; como a transparência
Do dia.
Olha a perfeição jogando tudo
Pra trás e se entregando ao seu
Inverso…
Olha a perfeição
Não está mais perfeita.