Tag escritor
Lamentavelmente,
Não sei contar histórias,
Nunca aprendi.
A narrativa que me perdoe,
Mas foi na rima que me perdi.
Eu só quero poder acreditar em Deus, cara.
Do meu jeito, à minha maneira e com um objetivo real e prático. Sem nenhum religioso fanático, me dizendo o que eu não posso fazer. Sem nenhum cientista lunático, me dizendo o que eu devo fazer.
No início, desejamos mudar o mundo. Então o tempo passa e com ele, se vão as esperanças, ideologias, sonhos e utopias. Enfim, você compreende, que a questão nunca foi mudar o mundo e sim, sobreviver a ele.
Translações
Dentre trezentos e sessenta e tantos dias,
Que compõem os anos,
Foi este que escolhemos,
Foi neste que estreamos,
Juntos.
Entre presentes e vestimentas finas,
Roupas íntimas e trajes estranhos,
Nos trajamos na nudez,
Viemos da raiz aos ramos,
Juntos.
Hedonista convicto,
Extremista libertário,
Pretendente insensato,
Contra-o-verso persistente.
Trezentos e sessenta e tantos dias,
Uma volta completa, nossa intersecção.
Ângulos retos, agudos, completos,
Juntos e obtusos, radianos ou não.
Um aspirante a aprendiz,
Vitorioso em fracassos,
Submetido a tuas normas,
De anormais embaraços.
Recolhendo estilhaços,
Contorcionista teu,
Teu trapezista hilário,
Teu tristonho palhaço.
Na linha horizontal
somos pontos de fuga,
Irradiamos proporções em plena vertical,
Desequilíbrio, assimetria e relatividade,
Nossa constituição é desproporcional.
Contorcionista teu,
Recolhendo estilhaços,
Teu trapezista hilário,
Teu tristonho palhaço.
Na linha horizontal
somos pontos de fuga,
Nossa constituição é desproporcional.
Abrimos mão do consenso
Sobre a resposta correta,
Trezentos e sessenta e tantos dias
Ou uma volta completa.
Indiscutivelmente Bela
Ela era lindíssima !
Indiscutivelmente bela.
Tornava-se belíssima !
Através de seu ar indebelável.
Mechas em castanho-claro lisíssimas,
Modeladas em franjas esvoaçantes,
Compunham seus traços rubros,
De feições escarlates e vidrantes;
Olhos de um castanho-escuro,
Naturalmente realçado,
Por longos cílios arqueados,
Em desproporção ao seu rosto,
Simetricamente traçado.
Alongando-se num semi-losango,
Avolumado,
Moldurado por sobrancelhas torneadas
E questionadoras.
Ela era lindíssima !
Indiscutivelmente bela.
Tornava-se belíssima !
Indiscutivelmente bela.
Despontamos no epicentro dos vendavais,
Deixamos a unanimidade para trás.
Nossos corpos consolidam a união,
Somos o Delírio Absoluto da Multidão.
Canções do Olhar Inconsolável
O olhar inconsolável,
Denuncia a vida cativa,
Na privação do ser,
Ao qual foi negada a liberdade.
A existência aprisionada,
Faz do calabouço nosso lar.
Mais um soneto inútil,
Outra película estúpida,
Difundindo teu veneno,
Consciência podre a nos intoxicar.
Faço um esforço tremendo,
Para crer em tudo que digo,
Discordo de tudo o que dizem,
Contudo, não diga nada a ninguém.
Entendo tudo sobre perder. Perdi tantas vezes na vida, que acabei me tornando profissional nisso. Sou o melhor perdedor que você vai conhecer.
Inominado Forasteiro
Foi o semideus
Que incendiou o limbo,
Um ateísta santo
Que afogou os mitos.
Violando belas ordens
Sem consentimento,
Profanador congênito
Inebriando-se ao relento.
Partiu faminto e enfermo
Ao Gulag desértico,
Lançado em cova rasa
Por tuas heresias.
Após ser condenado
Por teus ensinamentos,
Salvou povos santificados
De tuas convenientes tiranias.
O extremo ermitão
Em solo trivial,
Derradeiro eremita
Do solilóquio corriqueiro,
Ateando tuas máximas
De teor espiritual,
Foi mencionado como
O Inominado Forasteiro
O derradeiro eremita
Do solilóquio corriqueiro,
Foi mencionado como
O Inominado Forasteiro.
Gritos de Felicidade
(O Clichê não Basta)
Lembro-me do pátio, da sala, da praça;
Recordo-me da biblioteca, do teatro,
Do parque e Dela.
Imagino seus risos, gestos,
Comentários sem sentido,
Imortais em minha lembrança.
Ouço gritos na cozinha e pra lá do muro,
Querem dizer algo,
Não quero entender o que dizem.
Houve um período
Em que gritos me faziam tão bem,
Precisava deles, esperava por eles,
Me preenchiam.
Gritos de felicidade.
Uma das melhores sensações
Das quais podemos provar.
Gritando qualquer coisa,
Para que todos nos ouçam;
Eles, os outros nos ouçam.
Saborear e sorver nossas vidas.
Encher os pulmões de oxigênio,
Desatar qualquer forma de medo,
Com relação a mais sincera expressão,
Num sopro que nos proporciona existência.
Fiquem paralisados,
Endurecidos, emudecidos e chocados,
Sem reação com tal atitude impensada.
Somos muito pouco espontâneos,
Penso que esse seja nosso grande pecado.
É nisto que acredito.
Vivemos acurralados por nós
E isso também não é novidade.
Não se resume ao que fizeram e fazem,
Mas ao que nós fizemos e fazemos;
Muito já foi dito a esse respeito,
Esse comentário é apenas mais um plágio,
De toda cópia produzida e reproduzida do restante.
Mas é assim, precisamos apenas do clichê,
Para continuarmos.
As demais características
Não passam de adereços.
Gritos de felicidade.
Uma das melhores sensações
Das quais podemos provar.
Gritando qualquer coisa,
Para que todos nos ouçam;
Eles, os outros nos ouçam.
Pois o clichê, nem sempre basta ou bastará.
Für Matchenka
Sei que poderia escrever uma frase,
Uma dedicatória, um texto, uma música,
Um conto, uma crônica, um poema ou poesia,
Um relato, reflexão, trova, divagação ou
Singelos pensamentos avulsos para ela.
Porém, não chegariam nem próximo,
De um muito-mais-que-merecido agradecimento,
Pelo fato, de que sem ela, eu não haveria de existir.
Todavia, graças a ela existo e por ela insisto,
Que sou tudo aquilo que fizeste de mim.
"Merci Matchenka".
