Tag chuva
Num dia cinzento, surgem chuva, raios, trovões e até uma noite no meio. Mas no dia seguinte o sol surgirá, reiniciando um novo ciclo.
Um pedaço de trapo que fosse
Atirado numa estrada
Em que todos pisam
Um pouco de brisa
Uma gota de chuva
Uma lágrima
Um pedaço de livro
Uma letra ou um número
Um nada, pelo menos
Desesperadamente nada.
E eu estava fugindo para bem longe
Eu fugiria do mundo algum dia?
Ninguém sabe, ninguém sabe
E eu estava dançando na chuva
Me senti viva e não posso reclamar
Rosto
Rosto nu na luz directa.
Rosto suspenso, despido e permeável,
Osmose lenta.
Boca entreaberta como se bebesse,
Cabeça atenta.
Rosto desfeito,
Rosto sem recusa onde nada se defende,
Rosto que se dá na duvida do pedido,
Rosto que as vozes atravessam.
Rosto derivando lentamente,
Pressentindo que os laranjais segredam,
Rosto abandonado e transparente
Que as negras noites de amor em si recebem
Longos raios de frio correm sobre o mar
Em silêncio ergueram-se as paisagens
E eu toco a solidão como uma pedra.
Rosto perdido
Que amargos ventos de secura em si sepultam
E que as ondas do mar puríssimas lamentam.
Assim como a flor nasce para encantar, o sol para brilhar, a chuva para regar e a lua para iluminar. Você nasceu para me conquistar, me apaixonar e me amar. E eu, fazer o mesmo!
Sou o sol
Sou o sol
Que fica a brilhar
Iluminando teus caminhos.
Sou a brisa
Que te refresca quando
O calor é intenso.
Sou a sombra
Onde descansas
E repousas teus sentimentos
Sou a chuva
Que lava teu coração
Através das lágrimas
Ao apertar a saudade.
Todo início é difícil, porém a escolha por remar, mesmo na ausência dos ventos favoráveis, nos permite a não ficarmos parados em meio às tempestades. Afinal, buscar seguir em frente, nem sempre é temer as enchentes da vida, na maioria das vezes é aprender a dançar nas chuvas.
Suave é a noite, ainda úmida de chuva...
Faz frio...
As luzes dos navios, dos veículos nas avenidas, colorem o noturno mar...
A janela parece um antigo quadro... meio fora do tempo... algo assim como se o tempo não tivesse passado, como se hoje ainda ontem fosse... e os dias que ficaram perdurassem indefinidamente além do amanhã...
Mas lá fora, suave é a noite, ainda úmida de chuva...
Faz frio...
Previsão do meu tempo.
Amanheci nublado. Possivelmente, choverei mais tarde.
Amanhã, retornarei ensolarado.
Uma xícara de café, um livro, moletom e cobertor. Chove muito lá fora, me levanto, abro a janela e vejo a chuva cair. Me lembro de tudo aquilo que fiz e tudo o que deixei de fazer, enquanto as gotas caem sobre as folhas das árvores. A vida passou muito rápido e a melhor parte dela foi-se embora sem que eu pudesse me despedir. Chuva, vida, tempo... Tão graciosos e tão imprevisíveis, não é mesmo? Vêm e vão sem dizer um tchau e não esperam por ninguém. Viver, é disso que eu preciso, é isso que vou fazer!
Hoje choveu.
No silêncio do quarto choveu. Choveu como nunca havia chovido antes.
Apenas choveu.
As nuvens já estavam carregadas há um tempo.
Temporal.
Torrentes de água.
Levou-me.
Lavou-me.
Vendaval em meu quarto.
Enquanto o sol brilhava lá fora.
A MENTE tem uma grande semelhança com o GUARDA-CHUVA.
Quase nada de utilidade fechado, mas ABERTO justifica o motivo da sua existência.
Ailton Nascimento
Meus olhos observaram aquela estrada molhada,
em que os lados eram cobertos por árvores,
no qual a água de uma chuva já passada deixou um brilho em toda a paisagem,
onde o vento congelante se fez de música e entre os galhos das árvores aos poucos criaram uma doce canção.
Nesse momento minhas pernas ganharam vida
e assim como em efêmeros pensamentos,
eu caminhei, um passo atrás do outro, sem rumo,
apenas olhando o fim daquele longo trajeto que parecia nunca chegar.
Um passo atrás do outro,
eu me imaginava como nuvens no céu lentamente seguindo seu destino,
sendo guiadas apenas pela força da natureza,
sem procurar ao certo um lugar.
Um passo atrás do outro,
eu ouvia os pássarinhos batendo suas asas
e meus ouvidos me davam imagens,
imagens lentas, calmas, coloridas.
Um passo atrás do outro,
eu estremecia meu corpo por inteiro,
meus dentes batiam como um martelo,
mas o meu frio era bem mais quente que uma fogueira no clímax de seu calor.
Gotas
Mesmo que eu não saiba falar a língua
dos anjos e dos homens
a chuva e o vento
purificam a terra
Mesmo que eu não saiba falar a língua
dos anjos e dos homens
Orixás iluminam e refletem-me
derramando
gotas
iluminadas de Axé no meu Ori
Ouça coladinha no meu corpo, o barulho da chuva, balbuciando palavras desconexas e se entorpecendo de paixão.
O CAMINHO
O caminho é este
Tempos de Chuva, Tempos de Sol
Caminho certou e Errado, tem Curva e tem Reta
Tem Tristeza que inquieta, Tem sorriso de Poeta
Tempos e Temporais, eu, Vitima Culpada de uma
Vida sem florais, eu, apenas eu o caminho é este.
Acendemos paixões no rastilho do próprio coração. O que amamos é sempre chuva, entre o voo da nuvem e a prisão do charco. Afinal, somos caçadores que a si mesmo se azagaiam. No arremesso certeiro vai sempre um pouco de quem dispara.
(do livro em PDF: A menina sem palavra)
