Sou Apaixonada pelo meu Namorado
"Desculpe, meu amigo, mas houve época
em que as músicas falavam ao coração!!"
Otávio ABernardes
Goiânia, 31 de janeiro de 2025.
escrever é meu maior pecado
e meu melhor refúgio
escrevo de mim
sobre o eu que ainda desejo descobrir
Ela conduz o meu corpo
Dança o que a alma sente
Ela que esconde o meu rosto
Sorve o mundo inclemente
Manibus
Às vezes só tenho vontade de me acolher
De me encolher
De me esconder
Do mundo
Colocar meu corpo debaixo de um chuveiro
Que pinga água uterina
Água quentinha
Aconchegante
Num lugar com luz solar
Abundante
Com uma vela acesa
Um cheiro de ervas
Alecrim
Capim santo
Sabugueira
Fechar os olhos devagar
Divagar
Pensar em nada
Apenas me abraçar
Sentir a água escorrendo
Pelos recônditos
Do corpo e da alma
Ouvir o som dos pássaros
Que burburinham bem ali
As folhas das árvores dançando
O vento suave e amigo
A respiração fácil
Na pele, um arrepio
Anunciando bonanças
E devolvendo-me esperança
De dias de pleno festio.
Nascimento
Solstício
Meu querido!
Inverno
Que chegou
A data esperada
És meu primeiro amor!
De tu fui abastada
Com casa, alento e paz
Meus pais me acolheram
Nos solos invernais!
Solstício
Meu querido!
Inverno
Que chegou
A data esperada
És meu primeiro amor!
Bate o peito
Arde a pele
Sente o gosto
Não repele!
Brisa passa
Alma sente
Doce voz
Ao meu ouvido
Sussurrar.
Seus dedos percorrem
A extensão do meu corpo
Seu respirar ofegante
Encontra o meu ser louco.
E desse modo incomum
Entregamos o tesouro
Você morando em mim
E eu sorvendo você todo.
Quando vivo o presente não ignoro o passado nem menosprezo o futuro.
Pelo contrário, eu honro meu passado, honro aquela que fui. Honro os medos, as dores, as perdas, os “fracassos” (odeio quem divide o mundo entre fracassados e bem-sucedidos, aliás. Mas isso é assunto para outro momento).
E, ao mesmo tempo que honro meu passado, amo meu futuro. Estar no presente de verdade me dá estas chaves: honra e amor.
O que mais eu poderia querer? Mas eu sei que não é fácil. Não tanto como gostaríamos. Nossa mente gosta de uma certa facilidade… Dizem que é questão evolutiva.
Apesar disso eu posso dizer: é uma escolha. Você escolhe estar presente em um momento. E no próximo momento você escolhe de novo. E no próximo você escolhe de novo.
Ah, os meus passos correm
como eu corro
como minha alma corre
como minha vida corre
como meu tempo corre
- E se escorre!
Mas eu não me abandono
Eu nunca me abandonarei
- Não mais!
Vou contigo pra Pasárgada
Meu caro Manuelito
Quem sabe lá eu encontre
Dos Anjos, os versos íntimos!
Pensando bem, eu irei
Para o mundo de Drummond
Tão vasto quanto ele mesmo
Mais vasto do que o som!
Jorge e sua Fulô
Bem me acompanhariam
As estrelas de Bilac
Mais forte lá brilhariam
De Campos e todo o LUXO
A vida seria perfeita
Como os versos de Vinícius
Na morte, vida refeita!
Citando Manuel Bandeira, Augusto dos Anjos, Carlos Drummond, Jorge de Lima, Olavo Bilac, Augusto de Campos e Vinícius de Moraes.
na solidão
abraço meu coração
com a pequena mão
de uma revelação
- odeio rimas pobres!
mas elas não me odeiam, não...
