Sou Apaixonada pelo meu Namorado
Meu passado foi um pedregal que feriu meus pés a cada passo. O terreno era árduo, coberto de espinhos e tropeços, e por vezes pensei em desistir. Mas hoje entendo, cada pedra teve um propósito. As dores que antes me faziam parar, agora me ensinam o valor do caminho. Nem todo sofrimento foi castigo, alguns foram lições disfarçadas de quedas, preparando-me para o chão firme que piso hoje.
As lágrimas de ontem, silenciosas e amargas, prepararam o solo da serenidade que hoje habita meu coração.
No escuro, entre pedras e sombras, a esperança, um pulso quente, foi meu único modo de não me perder no vazio.
Deus me mostrou que o tempo certo é o tempo d’Ele, não o meu. Entregar o relógio ao tempo divino é aceitar que há sincronias que só Ele rege.
Enquanto alguns fabricam deuses que precisam ser levados, o meu Deus é o Criador e é Ele quem me leva nos braços.
MEU PURGATÓRIO É VOCÊ
Meu purgatório é você...
Meu inferno astral é tudo aquilo que pressupõe meu desejo.
Tudo e todos estão incutidos em mim:
As palavras, as ações, as aspirações e inspirações, tudo se volta como redemoinhos causados por inquietudes.
Porém, há algo novo dentro de mim.
Descobri minhas limitações e sorri de forma que deixei escapar um sorriso nervoso e triste, por saber que o super-homem que habita em mim falha todas as vezes que tenta salvar-me de perigos iminentes.
Desta forma, ando entre o certo e o duvidoso, só para saber se estou equilibrado. Mas cá entre nós: o que é e como equilibrar-se entre o tortuoso e o reto?
Eu já nem sei; só caminho e deixo-me pagar as dívidas cobradas pelo tempo.
Meu purgatório não é mais você; descobri ser eu mesmo, uma dualidade que não tem fim. Mas, insistindo em segurá-la para construir um paraíso só nosso, desvelando um inferno que se tornou só uma faísca no tempo perdido que resultou do contato de almas, eu me refiz.
Agora, almas que buscavam equilibrar-se na mesquinhez do ego saltam e dançam, ouvindo a música que toca em algum lugar fora do eixo dual de ambas!
Joguei fora para fora toda experiência de luz. Confrontei minhas trevas e não saí vencedor, mas descobri que em mim havia um lugar que não conhecia, um lugar sombrio, um limbo que descobri ter vários eus.
O purgatório se desfez, o inferno se foi e o paraíso não alcancei. Porém, segui meu caminho sabendo das novidades que existiam dentro do meu eu, e fui me equilibrando estrada afora. Sobre o quê?
Não sei. Só sei que fui, vou, estou e voei!
TANKA 006
Oh suave olhar!
Na estrada do impossível,
Esse meu desejo:
Sentir os teus lindos lábios,
Nesse poético enredo.
Ele é meu alicerce invisível e inabalável. Onde minhas pernas hesitam ou tremem, Sua mão me estabiliza e sustenta.
Nos piores vales, Ele não grita. Ele sussurra ao meu espírito que a minha identidade é maior e mais forte que a dor do meu pranto.
Quando a coragem me trai e se esvai, Sua paz se manifesta, delicadamente, na forma do meu próximo e seguro passo.
Quando o mundo desaba em ruínas ao meu redor, a Sua presença se impõe como um telhado de aço, blindado e que não vaza.
É no silêncio profundo e reverente d’Ele que, ironicamente, meu espírito encontra a voz, recobra o fôlego e se pacifica.
Meu refúgio inegociável, o porto seguro onde a alma se abriga quando a tempestade decide rugir mais alto que a minha voz.
Eu te comparo ao lírio que nasce entre os espinhos do meu medo, a beleza mais pura só floresce onde o perigo tenta impedir o toque.
A doçura de sua boca é a única mirra que meu sono aceita, repousar em seus braços é a única maneira de apagar a aridez da ausência.
