Sonho Perdido

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O Último Acorde O tempo e a distância nos mantiveram distantes,mas os laços do sangue são sempre gigantes.Só te vi quando os teus dezessete chegaram,e hoje, aos vinte e três, nossos rumos se acharam.Tua chegada trouxe uma luz mais serena,Ana Gabriela Saraiva, minha caçula morena.Teus olhos negros guardam a noite profunda,completando a herança que o meu peito inunda.A ti, minha filha, dedico o que escrevo,com todo o orgulho que na alma levo.A nossa história venceu o tempo passado,neste manuscrito que fica assinado.AnjoPoeta

O Inventário do Tempo

Trinta e sete anos é o tempo exato que a memória leva
para transformar o luto em monumento. As décadas passaram
como forças erosivas, mas falharam em desgastar o essencial:
o incêndio absoluto dos teus cabelos ruivos e a lucidez
cortante dos teus olhos verdes que desafiam o esquecimento.

Para quem vive da arquitetura das palavras, a tua ausência
não é um vazio abstrato, mas uma presença muito concreta,
uma matéria densa que molda o contorno de tudo o que escrevo.
O tempo limpou o excesso e o sentimentalismo ruidoso do peito,
deixando apenas a estrutura firme daquilo que nunca morre.

O que resta hoje é uma sobriedade clássica e definitiva,
a crônica de uma partida que fixou a tua imagem na eternidade.
Tuas cores vivas não desbotaram com o avanço dos invernos;
permanecem salvas da decadência dos anos pelo registro exato,
gravadas para sempre na folha em branco através da narrativa.

O mundo seguiu o seu curso perecível, confuso e esquecido.
Aqui, contudo, a tua existência permanece totalmente intacta,
guardada com zelo no ponto mais alto e frio da minha história.
Testemunha do tempo e também o guardião dessa eterna memória,
deixo registrado o fato que o destino jamais apagará.

AnjoPoeta

A Força da Linhagem: O destino moldou uma história mais firme e bonita quando vi crescer a minha Bruna, filha querida.Teu porte alto e tua presença morena e marcante trazem ao meu mundo uma nobreza constante,revelando a virtude que em tua alma habita.Tua inteligência brilha com passos seguros,um farol de lucidez para os dias futuros.Companheira fiel nas jornadas de cada estrada,tua mão junto à minha deixa a alma acalmada,construindo pontes sobre os tempos mais duros.No silêncio cúmplice do nosso caminhar,vejo a maturidade de quem sabe escutar.Você compreende o silêncio deste pai escritor,traduzindo em lealdade a matéria do amor,no laço mais nobre que a vida pôde me dar.O mundo lá fora desaba em pressa e ruído,mas ao teu lado o tempo ganha novo sentido.A ti, Bruna, dedico esta herança que escrevo,com o orgulho e o respeito que no peito levo,neste manuscrito que deixo hoje impresso e selado.AnjoPoeta

A Anatomia da Ausência. Há trinta e sete anos a realidade perdeu a saturação. O tempo, esse artífice paciente, tentou desbotar a moldura dos dias, mas fracassou diante da nitidez da memória: o incêndio suspenso dos teus cabelos ruivos e a profundidade quase mineral dos teus olhos verdes continuam intactos, imunes ao desgaste das décadas. Três décadas e meia não são um intervalo cronológico; são a geografia de uma falta que aprendi a habitar e a traduzir em prosa.O luto inicial, outrora ruidoso e cortante, cedeu lugar a uma sobriedade arquitetônica. Não há espaço para o lamento fácil ou para o adorno da rima vazia. O que resta é a crônica fria e digna de uma permanência silenciosa. A tua partida fixou os fatos; a minha escrita apenas os documenta, resgatando do esquecimento o contorno exato da tua existência.O mundo lá fora segue o seu curso caótico e perecível. Aqui dentro, contudo, a tua imagem permanece congelada em sua melhor versão, salva pelo registro cirúrgico da palavra.Documento o tempo, arquivo a saudade. AnjoPoeta.

A Primeira Luz: O tempo inaugurou uma nova e terna estrada quando vi nascer minha Andrea, a primogênita amada.Teus cabelos loirinhos trazem a própria cor do sol,revestindo os meus dias com o brilho do arrebol,nesta clareza doce que em meu peito fez morada.A tua risada gostosa ganha asas pelo vento,um som puro que cura qualquer dor ou tormento.É a melodia mais viva que a casa aprendeu a ouvir,o motivo mais sincero que me ensina a sorrir,guardado com orgulho no altar do meu pensamento.Ser o primeiro milagre que meus braços acolheram é o laço mais profundo que os anos me deram.Você abriu o horizonte do meu mundo de escritor,revelando a essência exata de um imenso amor,onde as minhas palavras inteiras se renderam.O mundo lá fora corre em seu rumo apressado,mas o teu riso dourado mantém o tempo parado.A ti, Andrea, ofereço cada linha que escrevo,com a força e o afeto que no coração levo,neste manuscrito eterno que fica agora selado.

O Eco da Linhagem:O orgulho de pai se traduz no que escrevosobre o filho amado que na mente levo.Victor Saraiva, um homem de bem,cuja inteligência vai muito além.Guerreiro de passos firmes e fortes,um lutador que desafia os nortes.Mas quando a distância impõe o seu véu,sinto a tua falta sob este meu céu.A saudade aperta, mas traz união,pois você habita no meu coração.Deixo o afeto e a saudade rimada,neste manuscrito que encerra a jornada.AnjoPoeta

O Peso do Tijolo

A fumaça do café barato subia em linha reta, ignorando a bagunça de papéis sobre a mesa. Do outro lado do bar, a voz de Arthur ecoava, terna e flutuante, recitando versos sobre o "inefável vazio do ser". Os jovens ao redor estalavam os dedos em aprovação. Arthur era o poeta oficial do bairro, um caçador de relâmpagos.

Benício, no entanto, olhava para as próprias mãos sujas de tinta preta. Ele não caçava relâmpagos. Ele carregava pedras.

— Você devia subir lá, Benício — disse a garçonete, deixando a conta. — Deixar um pouco de poesia sair desse peito ranzinza.

— Não sou poeta, Clarice — respondeu Benício, sem tirar os olhos do caderno. — Sou escritor.

— E qual a diferença? — ela sorriu, limpando o balcão.

— O poeta voa, Clarice. Eu preciso caminhar. O poeta resume o mundo em um suspiro. Eu preciso de trezentas páginas para entender por que um homem chora ao ver um sapato velho na calçada.

Ela deu de ombros e se afastou. Benício voltou ao trabalho. Ele estava há três semanas preso no terceiro capítulo de seu romance. Não buscava a palavra perfeita que rimasse com a dor; buscava o motivo exato pelo qual seu protagonista, um velho relojoeiro chamado Vicente, havia parado de falar com o filho.

Arthur, o poeta, aproximou-se da mesa, exalando o perfume do aplauso recente.

— Benício, meu caro! Sempre enterrado na lama da realidade. Por que não liberta sua escrita dessas amarras? A vida é efêmera, meu amigo! Um sopro!

Benício ajeitou os óculos e olhou para o amigo.

— A vida pode ser um sopro para quem olha de longe, Arthur. Para quem vive, ela tem o peso de um tijolo por dia. Seu poema é lindo, mas ele não explica como o Vicente vai pagar o aluguel amanhã de manhã.

Arthur riu, uma risada leve, e deu um tapinha no ombro de Benício antes de sair pelos fundos com seu séquito.

Benício ficou sozinho. A luz do bar começou a piscar. Ele pegou a caneta. Esqueceu as rimas, a métrica e as metáforas abstratas. Em vez disso, escreveu sobre o cheiro de graxa nas mãos de Vicente. Escreveu sobre o barulho mecânico dos relógios de parede preenchendo a solidão da casa. Escreveu o diálogo seco, doído, que o pai nunca teve coragem de dizer ao filho.

⁠Não tome cuidado
Não tome cuidado comigo
O canto foi aprovado
E Deus é seu amigo
Não tome cuidado
Não tome cuidado comigo
Que eu não sou perigoso:
Viver é que é o grande perigo

Inserida por pensador

⁠Já não dou mais entrevistas
Que é para não te deixar pistas
Que eu sei de cor as revistas
Da sala de espera da vida
Bota fogo na aritmética
Bota fogo no terno e gravata
Bota fogo nas contas de somar

Inserida por pensador

⁠Ah imagine você
E o fim de um cobertor
Te escapando o pé,
Te escapando amor.
Difícil responder
Daqui pra onde eu vou.

Inserida por pensador

⁠Se no amor não tenho fluência
Perceba, amor, me calo com frequência
E silencio mais
Especializo em deixar pra trás
Tudo que veio confundir o coração

Inserida por pensador

⁠Eu preciso recuperar os meus sonhos e objetivos para lembrar o que eu estou fazendo aqui

Inserida por Eisenman

As vezes temos medo do que não costumamos ver todos os dias.⁠

Inserida por abismoperdido

Eu também sou vítima de sonhos adiados,
de esperanças dilaceradas, mas, apesar disso,
eu ainda tenho um sonho, porque a gente não
pode desistir da vida.

É melhor, muito melhor, contentar-se com a realidade; se ela não é tão brilhante como os sonhos, tem pelo menos a vantagem de existir.

Machado de Assis
A Mão e a Luva (1874).

Da minha realidade nasce a tristeza
Do meu amor nasce a incerteza
Sei bem o que quero
Mas sei também que não posso ter... perdão

Amar na distância.

Hoje não vou te dar boa noite!
Pois sei que só verás amanhã o meu recado.
Queria te dizer que não consegui dormir.
Fiquei com medo.
Tentava dormir, mas o sono teimava em não vir.
Fiquei triste!
E agora?
O que fazer sem o sono?
Sem ele não há sonho.
Sem o sonho apenas saudade.
Saudades? Tive uma ideia!
Suas fotos.
Achei!
Fiquei horas olhando para elas.
Os meus olhos foram fechando.
Oi! Como você veio parar aqui?
Como entrou no meu quarto?

Não contive as minhas mãos.
Seu rosto!
Sua boca!
Por que você está indo embora?
Ops! Fiquei triste de novo.
Era um sonho.
Tive uma ideia!
O sonho!
Posso sentir o seu perfume.
Nossa! Sonhei de novo!
Já sei! Minha cama.
Lá eu consigo ficar perto de você.
Mesmo longe.
Mesmo sendo sonho!
Amanhã?
Não quero o sol.
Quero mais uma vez a lua.
O sol me chama.
A lua traz meu sono.
Meu sonho.
Você!
Beijos!
Estou com sono.
Vou sonhar.
Vou te encontrar.
Para sempre.
Sem ser sonho.
Um dia!

Nem todos que sonharam conseguiram, mas pra conseguir é preciso sonhar.

Gabriel O Pensador

Nota: Trecho da letra da música "Como um Vício"

Aprendemos a voar como pássaros e a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos.

A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio.

Sonho com o dia em que a justiça correrá como a água e a retidão, como um caudaloso rio.

Eu tenho um sonho de que um dia meus quatro filhos vivam em uma nação onde não sejam julgados pela cor de sua pele, mas pelo seu caráter.

Nossa geração não lamenta tanto os crimes dos perversos quanto o estarrecedor silêncio dos bondosos.

É melhor tentar e falhar que ocupar-se em ver a vida passar. É melhor tentar, ainda que em vão, que nada fazer.

Eu prefiro caminhar na chuva a, em dias tristes, me esconder em casa. Prefiro ser feliz, embora louco, a viver em conformidade.

Mesmo as noites totalmente sem estrelas podem anunciar a aurora de uma grande realização.

Mesmo se eu soubesse que amanhã o mundo se partiria em pedaços, eu ainda plantaria a minha macieira.

O ódio paralisa a vida; o amor a desata. O ódio confunde a vida; o amor a harmoniza. O ódio escurece a vida; o amor a ilumina. O amor é a única força capaz de transformar um inimigo num amigo.

O perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício.

Nossa eterna mensagem de esperança é que a aurora chegará.

(Coleção de diferentes pensamentos de Martin Luther King e trechos do famoso discurso "Eu tenho um sonho")

Quando eu adormecer, vou sonhar com você. É sempre você.
(Homem de Ferro)