Soneto da Saudade
A saudade que sinto de você ecoa como uma melodia suave, mas constante, em minha alma. À medida que o tempo passa, esse desejo de estar ao seu lado só se intensifica, alimentado pela esperança firme de que, de alguma forma, estamos conectados por esse fio vermelho invisível do destino. Cada momento que vivemos juntos, cada risada e cada olhar, são pérolas que eu guardo no fio da nossa história. Apesar da distância que agora nos separa, mantenho a crença inabalável de que nosso fio é forte, capaz de resistir a qualquer emaranhado ou estiramento. No fundo, sei que, não importa os obstáculos ou o tempo que leve, estamos destinados a nos reencontrar, a nos reconectar. A esperança de ver você novamente não é apenas um consolo, mas um farol que guia meu coração de volta para você, sempre.
Na saudade, a intensidade distorce o tempo: basta um segundo de ausência para que eu me perca em eternidades. O vazio entre nós cresce em silêncio, e só sua presença é capaz de devolver leveza ao relógio da minha alma.
Quando a saudade nos alcança, ela não dá esperança, mas só dá pancadas, com o chicote das lembranças, a gente avança e com elas acumuladas.
A saudade é um animal que corre em círculos pela casa. Não morde, apenas arranha portas que já deviam estar trancadas. Dentro do peito, a boca do animal é uma chama azul. Alimento-o às vezes, por não saber esperar o fim do fogo. Mas aprendendo, deixo o bicho dormir sem abrir a porta.
A saudade tem cheiro, tem peso, tem pulso, ela me abraça quando menos espero, e me faz lembrar que sentir é humano, só não deixo que ela me afogue, eu respiro fundo e sigo carregando memórias.
Vence quem transforma o luto em ofício diário e converte a saudade em canção que constrói pontes invisíveis.
A saudade canta com uma voz que ninguém ensina, vem das feridas do tempo, e transforma ausência em uma música que dói.
Quando a saudade alcança, não nos dá esperança, só dá pancada, vem sem aviso, acerta o peito, desorganiza o fôlego e nos lembra, com brutal delicadeza, que houve amor onde hoje só mora o vazio.
A saudade é uma moeda que não se desvaloriza. Troco por lembranças, por músicas, por fotos. Com ela compro consolo quando falta companhia. Às vezes a moeda pesa, mas é firme e confiável. E guardo ainda mais quando o cofre do peito treme.
A saudade é uma onomatopeia que ninguém consegue pronunciar, um eco de passos que nunca chegam a tocar o chão do corredor. Escrevo o teu nome no vidro embaçado, esperando que o frio traduza em som o que o peito tenta, mas falha em organizar. No fim, resta apenas esse vocábulo estranho, um balbucio oco, a onomatopeia de um adeus que não teve coragem de fazer barulho.
Às vezes olho para trás e não sinto saudade de quem eu era. Sinto pena. Pena daquele homem que acreditava que a dor tinha um propósito, sem saber que algumas feridas simplesmente acontecem, permanecem e envelhecem conosco.
A saudade é aquela visita silenciosa que não pede licença para entrar e, mesmo quando tudo se esvazia, insiste em permanecer.
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