Soneto da Saudade
O melhor motivo - Soneto
Cores entrelaçam minha aquarela,
em traços vivos, dou vida ao meu imaginar,
vejo chuva batendo em alguma janela,
água, que o vento não pode secar,
e vivo, vivo de um inverno a outro inverno,
aquecendo-me na estação sonhar,
meu silêncio, não será eterno,
na garganta um nó carrego, para o tempo desatar,
e sigo, vivo minha infinita tempestade,
e em cada segundo que vivo,
sei que és o meu melhor e único motivo.
Contudo, ó insensibilidade,
somos partes de algo escondido.
Somos e vivemos à sombra, de um tempo perdido.
Soneto ao Amor
Amo assim amar, calado.
Amo perto, distante, ao luar.
Intenso, inculpado,
amo assim, amo assim amar.
Inteiro, amo em pedaços,
amo, até queimar.
No calor, oculto meus passos,
aluado, fujo, céu e mar.
Amo o que faço por amor.
Amo não expor,
mas amo o vento, amor soprar.
Amo, com ou sem nenhum pudor,
tímido, amador.
Amo assim amar.
Encanto teus - Soneto
Encantos teus, minha alma sem demora,
busca-os nos poucos momentos de lembrança,
nas doces memórias dos verões de outrora,
que por eles, cantou minha alma, um cântico de esperança.
Invadiram o meu vazio, a minha solidão,
fizeram-me de amor por ti, transbordar,
sentir a leveza da tua grandeza, o prazer da tua imensidão.
Ó amada, que minha alma dos teus encantos, não venha se afastar,
pois são para mim, como jóias raras e bem guardadas,
beleza indiscutível, impossível de ser ignorada,
essências perfumadas, aguçando o meu sonhar,
florescendo nos campos da saudade,
brotam como desejos, dos tempos de felicidade.
Encantos teus, perfeitos, deixam-me fora do ar.
Soneto: determinação
Na jornada da vida, o caminho árduo,
A determinação é fogo que arde,
É a chama que nos mantém seguros,
Mesmo quando tudo parece tão tarde.
É a força que nos faz continuar,
Mesmo diante dos obstáculos e barreiras,
Nos momentos em que queremos parar,
É a determinação que nos entrega inteiras.
Com resiliência e coragem seguimos,
Com a convicção de que é possível,
Derrubando todos os medos que surgimos.
A determinação é nossa cúmplice,
Nos dá asas para voar alto e livre,
É o pilar que torna nossa jornada épica.
Soneto: Sedução e Desejo
Na dança das estrelas, a sedução,
Um jogo ardente de desejo e fogo,
Teu olhar, chama acesa, tentação,
Em cada gesto, um convite, um jogo.
Na pele, o tato suave, feitiço,
Carícias que incendeiam a paixão,
Desejo que se acende, como um vício,
Nos labirintos do meu coração.
Tua voz sussurrando segredos quentes,
Em versos que revelam a luxúria,
O tempo para, e nós, serpentes,
Dançamos na luxúria, sem censura.
Sedução e desejo, nossa sina,
No calor do amor, a noite ilumina.
Soneto da Unificação Cósmica
Escrevo sobre a essência da existência,
Em versos forjo a nova cosmogonia,
Unifico a matéria e a consciência,
No altar do tempo, numa eterna sinfonia.
Múltiplas dimensões, numa oculta ciência,
De piramidais segredos em harmonia,
Ergo-me entre o sentir e a transcendência,
Na coletiva mente da minha utopia.
Átomos dançam sob o olhar divino,
Invisíveis laços a turbilhonar com o destino,
Numa interdimensional realidade que defino.
Na vanguardista maquina do despertar,
A consciência se expande ao singular,
Que humanidade sonha em desvendar.
REDIZENDO
... e na alma dum soneto tão descontente
exausto e esfarrapado, o versar censura.
Em uma caminhada suspirante e ardente
que o destino do sentido, então, rotura...
E agora, cá, solitário, o coração cadente,
que importa está poética que aventura?
Pois, a solidão, golpeia o peito da gente,
a paixão, banhada em lágrimas, tortura!
Assim, também, o amor, em um trajeto
sinuoso. Sem brilho do se ter completo
e ao som de árduos cânticos tristonhos...
ele dói, finca, traz tão duros embaraços
sangrando a emoção, criando cansaços.
O que um dia foi sensibilidade e sonhos.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
05 novembro, 2023, 15’41” – Araguari, MG
SONETO DE AMOR III
Um soneto de amor, enredo, acolhida
E nos gratos versos o sentimento feliz
Uma história de amor, sensação, vida
Na sedutora emoção como eu te quis!
Em cada verso um verso de destemida
Paixão. Pois, a diversa afinidade condiz
Onde deixa a alma da gente... aquecida
Uma fascinação desta atração aprendiz
Pediste, desde então és doce momento
E em nossos lábios um fiel sacramento
Em que, tão sedento, hei de mais viver!
Um soneto de amor, carregado de magia
Que só pensa em ti, e cheio de melodia
Chamando teu nome, cevando meu ser!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
06 novembro, 2023, 19’20” – Araguari, MG
SONETO ETERNO
(A Heloiza Fernanda)
Alma de minha vida! Filha do meu amor
Que me enfeita o coração, eternizado!
Dentre o céu, nos meus ais, ao meu fulgor,
Estarás nos meus rosais imaculados.
Para sempre na minha lida sem quer dor
Serão tuas vontades, meu eterno fado...
O meu caminho, mesmo torto, no esplendor
Do jardim dos teus florais serei brocado!
Alma de minha vida! Infante é o teu viver...
Sentimento, ainda não sabe amar...
Paixão grandiosa, um dia, haverá de ter...
Por tudo serei por ti, mesmo absorto...
Aos teus olhos de sorte, meu som, meu ar
Estarás por ti sentir, eu mesmo morto...
Soneto da Existência Dicotômica
No rastro da vida, um dilema se esconde,
Por ouro e por sombra, em dúvida me perco.
Nas curvas do ser, o destino que arremesso,
Vale a pena o viver, ou é fardo que responde?
Verdades se ocultam em fé não contida,
Na pressa da vida, a eterna busca insana,
Cada curva, um desafio, na estrada que emana,
Onde a mente batalha, na jornada sofrida.
Mas na sinfonia da vida, um regente persiste,
Talento e decência, em harmonia tão rara,
Na dualidade do ser, a escolha declara,
Na ética e na luta, o caráter insiste.
E ao final, na busca incessante do ser,
Nos versos da vida, a essência revela:
Na força do sonho, a alma anseia e apela,
Por um mundo que, em dualidades, devemos percorrer.
SONETO CANTANDO O PERDÃO
Deixa Senhor que eu cante estes versos
Sofrentes, mesmo que seja, duro e triste
Mas que trove o remorso que nele existe
Ó culpa... nos meus sentimentos imersos
O meu solfejar o desencanto, pelourinho
Do sentir, que vive a penar nesta vaidade
Suspiroso, inquieto... Cruciante realidade
De quem feri uma rosa com seu espinho
Deixe cantar quem quer indulto neste canto
E seja acorde de compreensão e acalanto
Ó Senhor, é o cântico de um acre coração
Que traz amargor e roga pelo sacramento
De alívio, dum efeito, um distinto advento
E, então, deixa o soneto cantar o perdão!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
06 dezembro, 2023, 20’28” – Araguari, MG
Soneto das Recordações Imaginárias
Nas festas só de memórias imaginadas,
Vivo eu, limitado em existencialismo.
Caprichos meus, fantasias aladas,
Loucura e ingenuidade em abismo.
Serpente sou, em harpas melódicas tocadas,
Nobiliárquico em desgraças, sem otimismo.
Das sensações humanas, já fatigadas,
Nas veredas antigas, encontro o cinismo.
Meus deuses, iníquos, tecem a fábula da vida,
Onde cada ato é farsa, cada dor é conhecida,
E a verdade se esconde, velada e esquecida.
Em minha alma, ecoam vozes, perdidas,
Nesse palco de sonhos, onde a fé é partida,
Sou espectro vagando, em jornadas extintas.
POESIA, CÂNDIDA E ENAMORADA
Ser o soneto mais lindo do sentimento
Poetar, sempre contente, o tom pleno
Ver a rima poética em um sacramento
Da inspiração, e o versejar tão sereno
Um perfume e, aquele doce momento
Cheirando a alfazema e gosto ameno
Com a sensação a revoar pelo vento
Criando emoção num cálido veneno
Ser sentimental num sedutor espírito
E tão bonito, num entusiasmo infinito
Compondo a imaginação encantada
Meu Deus, dai-me o gosto do ardor
O soar acelerado do coração, amor
Nesta poesia, cândida e enamorada.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
26 julho 2024, 19’54” – Araguari, MG
SONETO APAIXONADO
Pelo verso cantando vai contente
A poética do soneto apaixonado
E canta o desejo tão encantado
Ao alegre som do amor presente
Ritmado, canta feliz, inteiramente
Em cálido sentimento enamorado
Solene, por ter sensação ao lado
Vai cantando a paixão que sente
E a ode em compassada alegria
Qual canto, trova a terna emoção
Cadenciando a romântica poesia
Cantos vão cantando em vibração
E nas trovas entoam total euforia
Brandindo as cordas do coração.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
28 julho 2024, 18’58” – Araguari, MG
PROCLAMAÇÃO
Vai, soneto atento, vai, poesia alada
verso de desejo, afetuoso e desperto
vai, que tu mesmo, num tom referto
há de difundir está alma apaixonada
Cumpre o pacto da atração sagrada
anunciando o poético compasso certo
criando rimas de sentimento coberto
dando ao cântico cadência iluminada
Diz-lhe que, velado de paixão, existo
um intenso ardor, pleno de sensação
deixando intenso sentimento previsto
Ó soneto, se o afiançar desta paixão
vive, e no significar se possa ter visto
então, proclame o amor em comunhão.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
30 julho 2024, 16’09” – Araguari, MG
Soneto 3
Amor que queima em chama incandescente,
Que traz alegria, cuidado e tanto zelo,
Adrenalina intensa e um doce apelo,
Mas falta paz no peito, permanente.
És tudo o que desejo, fogo ardente,
Carinho que me envolve em terno selo,
Porém, não tenho paz no nosso enredo,
E a alma se debate, descontente.
Parto, pois preciso do sossego,
Embora meu amor por ti me inflame,
Sem paz, não há futuro que prospere.
Que o tempo cure a dor deste desapego,
E, em memórias, reste só o que é sublime,
Pois o amor, sem paz, não se profere.
Soneto da Arte Divina
Música e poesia são cartas celestiais,
Psicografadas da energia ao redor,
Em cada nota, em cada verso, a dor ou amor,
Tradução sublime de contos imortais.
A arte é o canal, o elo consagrado,
Que conecta o divino ao ser encarnado,
No sopro do vento, nas ondas do mar,
Vozes ocultas começam a ditar.
É o eco do universo, o grito velado,
Que ressoa na mente, como um doce amparo.
Assim, o invisível toma forma e cor,
Unindo o céu e a terra em puro esplendor
LEDO SONETO
Ó harmonioso soneto, que gorjeia
O amor vibrante e cândida ternura
Cheio de entusiasmo que murmura
E, por entre sensações serpenteia
Encanta e canta, enredado na teia
Verseja, beija, de doce formosura
Jura, numa poética emotiva e pura
Emoção ímpar e, na paixão ondeia
São versos com a vontade sincera
Olhar tão lobrigo e sentido perdido
Que inebriada magia na alma gera
A rima, rima com meu bem, e digo:
- no coração o sentimento impera
E, assim, nesta quimera prossigo.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
23 agosto 2024, 15’50” – Araguari, MG
SONETO ACOMETIDO DE PAIXÃO
Vai, soneto, vai, ó poética encantada
cântico de amor afetuoso e fagueiro!
Vai, docemente, tão cheio de cheiro
onde há de poetar prosa apaixonada
Acata o que o coração impõe, sagrada
emoção, iluminada, e mais que inteiro
sentimento, é sentir a afeição primeiro
olhar certeiro, sensação na madrugada
Diz-me que, mais que ter uma paixão
é sentido que arde a todo momento
vontade de mais, mais determinação
Então, iluminado versejar, dê alento
do seu propagar, muito mais direção
enredando o peito com arrebatamento!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
15/09/2024, 14’53” – cerrado goiano
Soneto do amor e seu epílogo
Eram versos de amor, poética apaixonada
Ensombrada de paixão, eram meus e teus
Sussurros d’alma, atado, eram teus gestos
De um acalanto, ou zelo, eram teus gestos
De um amor, doce instante, tão exagerado
Eram os teus gestos de afago, de emoção
Como só num raro sentimento poderia ser
De agrado, encontro, eram os teus gestos
E eis que ainda escreve poemas, ó amor
Este, que sempre, sugerido na inspiração
Saudoso e idêntico a narração nostálgica
Que invade aquela lembrança extraviada
Chamada recordação, um ardor profundo
Trovado no soneto do amor e seu epílogo.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
16 fevereiro, 2024, 21’25” – Araguari, MG
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