Soneto da Mulher Perfeita
Reflexão
Não deixou vestígio
os olhares não se encontram
e o íntimo se manifesta
através da melodia e composição
O manifesto sensibiliza
o pensamento oscila
parece afeto
mas, é só ostentação
É o coringa
é a cartada
é o jogo da cilada
vivificada vexação.
A janela
Eu posso ver as luzes da cidade
As almas que vagam penosas por lealdade
A lua que quase passa despercebida
E a rua que dá mil voltas sem saída.
Eu vejo a vida da minha janela
Procura e acha mais do que procura como Anabela
Daquele livro, daquela autora.
Do parapeito da cortina bem feitora.
O chão daqui é tão convidativo
A viagem por um desejo impulsivo
Visto assim que até então controlável
Como a luz latente da janela inviolável.
Saudades dos poemas com destino.
Era ridículo
mas havia sentimentos.
eu escrevia o mundo para uma pessoa
horríveis palavras
mas tinha amor.
eu sonhava com ela ao meu lado
pensava que era alegria
mas era dor.
era um apaixonado
um bobo
mas apaixonado
hoje em dia sinto saudades
de ser um apaixonado? Não.
das cartas de amor.
À Filha
Sabemos filha, que não nos pertence
Unimo-nos por laço e por nó
O nó é o amor que lhe facultamos naturalmente
O laço permite o desate de sua alma impenetrável
Dos seus pensamentos e sonhos
Que ao se realizarem, farão parte do todo
Na formação singular de sua personalidade.
Nós somos os arqueiros, você a flecha
Nós a direcionamos para o alvo que achamos mais propício
Mas, você é quem conduzirá a trajetória à vida.
Nesse curto caminho que viveu
Mostrou-nos que adquiriu sabedoria
E criou para si valores merecedores de estima
Dos quais nos orgulhamos imensamente
E só temos de agradecê-la, filha.
Te amamos
Mãe, me ilumina pra eu poder ser melhor como
Gente, a ser paciente, a perdoar, a dar paz e
Amor a toda gente que anda carente e doente!
Guria da Poesia Gaúcha
EU ME SENTI POENTE...
Quando, num entardecer,
Simplesmente decadente,
Um a um, eu senti morrer,
Todos fragmentos do meu ser...
Guria da Poesia Gaúcha
Tentativa e erro.
Ele é mais um bom samaritano
Aquele cara, daquela banda.
Ele vai me tirar um sorriso espontâneo
Vai deixar a minha dor mais branda.
Sei que ele vai me amar
Poderei com sua mão brincar
Então, porque não?
Talvez tenha espaço no meu coração.
Forçarei o meu melhor sorriso
Talvez o seus braços não sejam o paraíso
Tentativa e erro por felicidade
Talvez a gente supra essa vontade.
Pode ser que eu venha a amar
Porque não tentar?
De repente personifique o tal alguém
Sofrer não mais me convém.
Eu não quero ter o comando das palavras;
Dos dogmas, dos valores alheios que não os convivi;
Quero seguir por minha convicção;
Dá para perceber o que digo?
Quero o sentido da minha direção;
Quero me colocar perto e, não distante de mim mesmo.
Disso, não devo me afastar.
Estou próximo, mas muito próximo de mim.
Vi-te, embora tu não percebesses a minha presença;
Viajei no tempo, revigorei a minha alma;
Senti a tua pele delicada e, como delicada, só para mim;
O calor da tua mão entrelaçada a minha;
A tua presença física marcante ao meu lado;
Como se fosse um só corpo a nos conduzir;
Numa só direção e ficta, embora assim transpareça;
Viajei no tempo, retroagi a outrora;
Mas estávamos ali, um ao lado do outro;
Tu não vás me entender nesse momento;
Mas um dia te farei ao menos compreender, o que aqui escrevi.
Vi-te, embora tu não percebesses e, te senti muito perto de mim.
E é assim mesmo. Em matéria de amor, quem dá as cartas de teu sentimento é o teu coração.
Nós, seres físicos, somos reféns dele quando o tema é o amor.
Ninguém ama uma pessoa porque quer, mas porque o coração assim determina.
O amor nasce sem dia, sem horário, sem local, sem que tu tivesses a oportunidade de escolher antecipadamente a pessoa amada, ou seja, se quero desta ou daquela forma;
O amor nasce e, sem que tu percebas, ele já tomou conta de ti.
Do teu corpo, das tuas ações.
E quando tu amas intensamente nada é obstáculo para o teu corpo, porque o comando vem dele e só dele: do coração.
Quem te dirá quanto a isto será o teu coração e tu serás refém da escolha dele, repito.
O coração de cada um, onde só ele tem o condão de definir;
E não te dará a menor satisfação das razões pelas quais levará o teu corpo a este elevado estado de espírito.
Muita relevância para ti há de ter o momento da tua vida;
O hoje, o amanhã e o depois;
Se há amarguras do passado, jogue-as fora;
Há bons lugares para isso;
Viva a vida;
Não abras mão de ser feliz.
Encarar a vida com naturalidade?
A vida dos tempos é a vida das fases.
A vida das vidas é a vida da nossa vida.
É a vida que nos aproxima.
O que quero da minha vida?
O que tu queres da tua vida?
O que queremos da vida que nunca nos separou?
O casal Y
Se pudesse expressar numa só letra o estado de espírito de um casal em profundo conflito, eu diria que essa letra seria o “Y”.
Essa letra tem uma barra vertical que se segue única da base até um limite, que representaria a concordância, a uniformidade de pensamentos e temperamentos, o respeito e o amor que cada um tem pelo outro.
Mas, a partir desse limite, ela se quebra em duas novas barras diagonais, representando os destemperos, a falta de paciência e, sobretudo, a interpretação conflitante e sistemática dos fatos, como se fossem duas pessoas que se repelem, que não se toleram mais entre si.
Essas duas novas barras quebradas que surgem na parte superior do “Y”, têm direções opostas, que jamais se encontrarão, revelando na verdade, a direção do destino de cada um.
Ora, olhai as estrelas
olhai com humildade
olhai com amor
olhai com desejo
esquecendo a dor.
Ora, Olhai as estrelas
mas olha sem revolta
olha sem rancor
com um olhar belo
um olhar cheio de amor.
Ora, olhai as estrelas
que é nossa companheira
aquele ponto brilhante
que resiste a tudo
estrela relutante.
Ora, Olhai as estrelas
por que faz bem para a alma
mas o amor tem que ter
porque uma pessoa sem amor
é incapaz, das estrelas, entender.
Meu coração sofre, desunido
deste teu coração afável
que completou o meu cerne
quando a mim estava ligado.
Era como estrelas e planetas
como o céu e o mar
era como a rosa e o cravo
era a poesia do amar.
Mas virou um temporal, amor mudo
o que era meu se foi
deixando um sentimento turvo.
só ficou o descortês desejo
de sentir o calor do teu abraço
e o doce do teu beijo.
em quantas ocasiões
estava nas asas do sonho
feliz, encantado
num contentamento longo.
Tudo é belíssimo
mas de repente, apenas acaba
vira um medonho deserto
só fica a saudade.
Só fica a realidade
que desmorona os amáveis sonhos
então voo como um pássaro
com um gorjeio bisonho.
Olho para as estrelas
imagino a liberdade
vejo um anjo descer
e acalmar minha pobre alma.
Então ele proclama versos
para profundamente me encantar
versos ricos em rimas
para da tristeza me tirar
e no seu embalo carismático
consigo a tal liberdade
liberdade da vida? Não...
a liberdade de sonhar.
Extravasam do teu corpo;
Voam em todas as direções;
Vão ao infinito;
Dizem quem tu és;
Revelam a tua personalidade;
Desnudam a tua própria pessoa;
Afloram o grau de sensibilidade que está em ti;
A grandeza interna que te faz conceber;
O que tens de verdadeiro em tua alma;
Por isso ganham essa dimensão;
E, não há nada que as contenham;
Porque elas saem do que está represado em tua pessoa.
Quem são elas? As tuas palavras.
Declaro que a partir de agora fica estabelecido
Que será impróprio e proibido, terminantemente,
Tentar tirar o bom humor e o amor próprio da gente!
Guria da Poesia Gaúcha
