Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes

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A impunidade é segura, quando a cumplicidade é geral.

Todo o argumento permite sempre a discussão de duas teses contrárias, inclusive este de que a tese favorável e contrária são igualmente defensáveis.

Em grande parte, os maridos são como as mulheres os fazem.

A ambição sujeita os homens a maior servilismo do que a fome e a pobreza.

A maioria das mulheres quase não têm princípios: conduzem-se pelo coração e, quanto aos seus costumes, dependem daqueles a quem amam.

O pretexto normal dos que fazem a infelicidade dos outros é de quererem o bem deles.

O fim da vida não é a felicidade, mas o aperfeiçoamento.

Depois do espírito de discernimento, o que há de mais raro no mundo são os diamantes e as pérolas.

Não devemos julgar os homens por aquilo que eles ignoram, mas por aquilo que sabem, e pela maneira como o sabem.

Para aparecerem no jornal, há assassinos que assassinam.

Cada virtude apenas requer um homem; apenas a amizade requer dois.

Nunca a polícia terá espiões comparáveis aos que se colocam ao serviço do ódio.

A avareza começa onde termina a pobreza.

Os homens são poucas vezes o que parecem; eles trabalham incessantemente por parecer o que não são.

É a profunda ignorância que inspira o tom dogmático.

Que o papel fale e que a língua se cale.

Cada um é como Deus o fez, e muitas vezes até pior.

As paixões perdoam tão pouco quanto as leis humanas, e raciocinam com mais justeza: não se apoiam elas numa consciência que lhes é própria, infalível como o é um instinto?

O invejoso é tirano e verdugo de si próprio: ele sofre porque os outros gozam.

Condenados à morte, condenados à vida, eis duas certezas.