Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
Já farto de dias, plenamente saciado, ciente de que a vaidade do homem é tentar viver o pequeno lapso temporal com toda intensidade, ante uma eternidade existencial.
Em algum momento da eternidade, haveremos de saber, se conseguimos deixar legado por algo que viemos aqui fazer.
É certo que uns nem chegam a viver, outros nascem e nem vivem, e os demais, ainda que vivam, certamente hão de encarar a morte. Tudo se desdobra em diferentes lapsos temporais, uns vivem pouco, outros vivem mais, de certo que insta existir a diferença do logos, tamanha diferença é insignificante perante a eternidade. Viver ou não viver, haverá o tão chegado infinito, além do entendimento humano, surpresas nos esperam.
Um naufrágo sem socorro invocar, assim somos nós sem poder gritar, submergindo em profundas águas desta vida, neste imenso mar.
Para viver bem nesta dimensão, necessário faz se ater a ilusão. A realidade é fatal, morreremos, bem ou mal, para este mundo carnal.
Ao abrir as janelas do meu ser, vejo as obras de um criador, grandes e pequenas produções, majestoso em idealizar as mais perfeitas realizações.
Em cavernas existenciais encontramos os mistérios do imaginário, há um porquê das prisões do ser, da psiquê da alma querendo se encontrar no plano material.
Enquanto uns dão valor a objetos, sobrepujando o valor de uma vida até, outros perderam à vida o valor, segue o desdém.
Na simplicidade está o amor, sem sofisticação, num singelo sorriso, num aperto de mão, na bondade de um lindo coração.
Seja o poeta ou compositor, ao exprimir belas canções ou poesias, externa de tua alma a carência de alegria.
Não importa a matiz que ostenta a pele, todo sangue é vermelho e o leite materno branco. O grande artífice autor da vida em sua arte infinda nos coloriu com as mais lindas nuances. O ser humano é que complica as coisas com seus caprichos individuais, quando na verdade, somos todos iguais.
