Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
Levante-se e tenha esperança de que algum dia você chegará aonde quer ir, só não tenha pressa de chegar no topo.
Não se esqueça de orar antes de dormir, pois a proteção divina é fundamental!Tenha uma excelente noite!
Somos apenas seres medíocres, os quais temem mais a miséria ao linchamento. Desejamos ter quem não podemos e choramos uma dor que é tão suja quanto um córrego. Sentimos o ódio com tanta força que este esmaga o amor encostado no canto da mente. Acreditamos no único deus capaz de salvar a humanidade, mas este mesmo deus não acredita em nós.
Nas ruas vazias da alma coletiva, o eco do silêncio coletivo se alastra como uma névoa densa, tecida por milhões de vozes caladas. Cada ser carrega um grito engolido — o operário que engole o cansaço, a criança que guarda o sonho partido, o amante que murmura promessas ao vento. Juntos, formam um coro invisível, onde o nada ressoa mais alto que o clamor.É um oceano de pausas, onde o ar vibra com ausências: mãos que não se tocam, olhares que fogem, corações batendo em uníssono mudo. O silêncio não é vazio; ele pulsa, ecoando feridas compartilhadas, solidões entrelaçadas como raízes sob a terra. Nesse vasto auditório sem paredes, o eco se multiplica, transformando o individual em hino universal — um lamento que cura ao ser sentido por todos.
